Comecei por escrever um comentário ao texto do amigo João Nuno, mas como ficou enorme resolvi fazer um post.
Em tom avisado e nobre ( sim, porque erguida a bandeira incolor do D.E.S. devo dizer que sim, que o texto, está bem manuseado, enfim...bem escrito e, não me surpreende, bem tomado à forma, ou seja formatado)...mas continuemos para também eu, não perder o gosto à letra e, sem ser advogada, mas puxando o gosto à pena que, felizmente, herdei do meu avô materno, quero começar por perguntar ao amigo João Nuno, como eram essas festas do Divino Espírito Santo há duas décadas em Ponta Delgada? Já que afirmas que à Câmara Municipal: "(...)
restava a obrigação de ser intérprete de uma vontade comunitária que estava latente na população do concelho desde que, há cerca de duas décadas, haviam cessado as Festas do Divino em Ponta Delgada. (...)"
Conta-me...Como é que eram essas festas do Divino Espírito Santo?
Por outro lado,não entendo a semelhança encontrada entre o "império dos Nobres" na ilha do Faial ( império esse que também se realizava em Ponta Delgada, na freguesia de São Pedro) e as Festas do Divino Espírito Santo da Câmara de Ponta Delgada?
É que se falasses das festas do Divino Espírito Santo da Rua do Passal, da Arquinha, da Rua João do Rêgo de Cima ou da Rua da Alegria, por exemplo, essas sim, realizadas há duas décadas ( ou mais); até podíamos chegar à conclusão que, de facto, são as nossas tradicionais festas do Divino Espírito Santo ( aqui e no Faial), mas, agora, comparar o "império dos Nobres" com as Festas da Câmara? Tem paciência...
As festas do Divino Espírito Santo da CMPDL enfermam de um afã irreal. Por isso, critico-as. Com o direito que me assiste, enquanto cidadã deste concelho.
Não querendo "instituir-me" como mais uma "voz dissonante". Mas, apenas, como Pessoa capaz de "pensar por conta própria" (Hamman). Mais, devo dizer-te, que as críticas (legítimas) do Bispo de Angra e das Ilhas dos Açores não te dão razão para o apelidares de " vigário geral da diocese de Angra do Heroísmo". Mais não seja, porque a pessoa em questão é o representante máximo da Igreja Católica na Região Autónoma dos Açores.
Não me vou alongar muito mais, até porque não quero esgotar este assunto, até ao fim do pavio, mas não posso terminar sem te perguntar, ainda, qual é a semelhança que encontras entre a Côroa Grande (para não dizer enorme) colocada nas Portas da Cidade e as Sopas do Divino Espírito Santo oferecidas ao Sr. Presidente da República por ocasião das comemorações do Dia de Portugal ou as Sopas oferecidas aos Marienses no Dia dos Açores?
Nenhuma. Claro que nenhuma. Porque aquela Côroa não tem significado Tradicional nenhum. Aquela Côroa não expressa o que quer que seja da nossa Cultura, nem simbólica nem institucionalmente. Aquela Côroa é tão somente, a exibição do tal "afã irreal" de que te falava anteriormente, fruto de uma necessidade atroz de mostrar muito às pessoas, símbolo de onde irradia a farsante atitude de que são "cheias" estas Festas do Divino Espirito Santo celebradas na Cidade de Ponta Delgada, pela Câmara Municipal, simbolicamente instituídas como o pão e o circo de uma política, à qual, eu não tenho que dizer "amen".
A oferta das Sopas do Divino Espírito Santo ao Sr. Presidente da República, em dia de Comemoração do Dia de Portugal( ou, em Santa Maria, no Dia dos Açores) é, pura e simplesmente, um momento simbólico, culturalmente enraízado em tradições açorianas. Típicamente nosso. Uma forma de obsequiar as autoridades, no primeiro caso, e as pessoas, no segundo, com uma coisa que é muito nossa. Sem comparação possível. Dir-me-ás que não. Já estou à espera. Mas lamento João Nuno, como poderás entender, mesmo debaixo da bandeira incolor do D.E.S., que eu Respeito, mais do que tu possas imaginar, eu não concordo com estas Festas da CMPDL. Não concordo com o fogueteiro instalado à roda da celebração de umas Festas que me habituei a ver pequenas, celebradas num espírito de união e fraternidade, de lealdade e de fidelidade às Tradições dos Açores.
Atenta contudo, que esta saudável diversidade de opiniões não faz de mim uma herége, desviada mecanicamente das Festas da Câmara. Não. Nem tão pouco estas minhas palavras devem ser entendidas como querendo eu acabar com as Festas.
Eu gosto das Festas do Espírito Santo do Concelho de Ponta Delgada.
Post Scriptum 1: Bem sei que não comparaste a Côroa com a oferta das Sopas. Mas não é a Côroa parte da Festa da CMPDL?
Post Scriptum 2: Tradicionalmente, em Ponta Delgada e, na ilha de São Miguel, não havia "Sopas" do Espírito Santo havia o "Jantar" do Espírito Santo.
Porquê "Sopas"? Porque não organiza a Câmara um "Jantar" do Espírito Santo?