Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Müz´ka

Domingo, Novembro 08, 2009

F´tografia

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

müz´kinha

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Aviso em Porta de Livraria

"Não leiam delicados este livro,
sobretudo os heróis do palavrão doméstico,
as ninfas machas, as vestais do puro,
os que andam aos pulinhos num pé só,
com as duas castas mãos uma atrás e outra adiante,
enquanto com a terceira vão tapando
a boca dos que andam com dois pés
sem medo das palavras.

E quem de amor não sabe fuja dele:
qualquer amor desde o da carne àquele
que só de si se move, não movido
de prémio vil, mas alto e quase eterno.
De amor e de poesia e de ter pátria aqui se trata:
que a ralé não passe este limiar sagrado
e não se atreva a encher de ratos
este espaço livre onde se morre
em dignidade humana a dor de haver nascido
em Portugal sem mais remédio que trazê-lo n'alma."

Domingo, Novembro 01, 2009

Génesis


"De mim não falo mais: não quero nada.
De Deus não falo: não tem outro abrigo.
Não falarei também do mundo antigo,
pois nasce e morre em cada madrugada.

Nem de existir,que é a vida atraiçoada,
para sentir o tempo andar comigo;
nem de viver,que é liberdade errada,
e foge todo o Amor quando o persigo.

Por mais justiça ... - Ai quantos que eram novos
em vâo a esperaram porque nunca a viram!
E a eternidade...Ó transfusão dos povos!

Não há verdade: O mundo não a esconde.
Tudo se vê: só se não sabe aonde.
Mortais ou imortais, todos mentiram."


poema de Jorge de Sena, que amanhã faria anos..

Sábado, Outubro 31, 2009

Müz´ka




Day after tomorrow, Tom Waits

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

"À Janela do Mundo"

Tempos de Incerteza

Vivemos tempos de alguma esperança em relação às perspectivas futuras de crescimento económico das principais economias mundiais. O FMI prevê um crescimento, no ano de 2010, para a economia mundial, de 3,1% e para os Estados Unidos de 1,5%. As Bolsas de Valores têm visto os seus principais indicadores de referência valorizarem-se com crescimentos na casa dos dois dígitos. Das 104 empresas cotadas, nos EUA, que já publicaram as contas, 78%, conseguiram surpreender as expectativas dos analistas com os seus bons resultados.

Contudo, nem todos os sinais são animadores. O défice orçamental americano é tão elevado que põe em risco o estatuto do Dólar como moeda única de reserva mundial, tendo inclusive a agência de notação financeira Moody’s alertado que, caso os Estados Unidos não reduzam a dimensão da sua dívida pública, poderão perder o seu ‘rating’ de ‘Aaa. As Bolsas de Valores continuam muito instáveis, pelo facto de existirem ainda problemas credibilidade no sistema financeiro, que fazem com que à mínima dúvida ou anúncio de investigação governamental sobre uma empresa cotada, os principais índices mundiais tenham quedas abruptas.

Outras instituições e especialistas, como o BM ou Josef Stiglitz são pessimistas, referindo que a retoma será demorada e dolorosa para os países industrializados podendo ter efeitos ainda mais prolongados para os países em vias de desenvolvimento.

Desde o pós-guerra que as economias mundiais acostumaram-se a crises em forma de V, ou seja, em que as economias eram fortemente atingidas durante um curto espaço de tempo e após medidas estatais contra-cíclicas e logo recuperavam na mesma medida. Na década de 90 tivemos no Japão outro tipo de crise. A chamada crise em L, em que após uma queda abrupta de toda de todos os indicadores macroeconómicos, as medidas contra-ciclicas não resultaram, e o país entrou em estagnação económica e em deflação durante dez longos anos.

A percepção de que esta crise é diferente de todas as anteriores ainda não é generalizada no mundo. A única certeza que todos têm é que se não tivéssemos aplicado as novas medidas contra-ciclicas, porque o problema é diferente, a situação em que estaríamos seria bem pior. De facto, os mercados financeiros parecem recuperar, as taxas de juro mantêm-se propícias ao investimento, o preço do petróleo continua longe dos valores de Outubro do ano passado e algumas empresas conseguiram melhorar a sua quota de mercado através de fusões e aquisições. Contudo, apesar de muitas promessas, nenhuma reforma de fundo foi feita ainda no sistema económico internacional. Os paraísos fiscais continuam a funcionar na mesma medida, a regulação bancária e a segurança da notação financeira ainda é incipiente, a base energética dos países industrializados ainda são os combustíveis fosseis, o endividamento das economias continua a crescer em exponencial, ou seja, todas as condições que nos levaram a estar nesta situação continuam a vigorar na mesma medida. Daí que muitos especialistas, da Universidade de Johns Hopkins, defendam que tenhamos um novo tipo de recuperação económica em W. Esta teoria pressupõe que após a queda abruta que tivemos em 2009, 2010 e 2011 sejam anos de uma tímida recuperação, logo seguida, em 2012 por um crash económico ainda maior.

Teorias à parte, mais ou menos credíveis, há algo que poderemos ter todos a certeza: após esta Grande Recessão nada mais será como antes.

Müz´ka

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Müz´ka

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Trinca na abelha

O Fífia vai gravar um CD de memórias. Pensou inspirar-se em Carlos Eduardo, Simão Botelho ou Alberto Soares, mas depois chegou à conclusão, que nenhum dos criadores destes personagens, lhe poderiam dar tanto prestígio, como a autora de “Memórias de um Burro”.
Qual Camilo, qual Eça, qual Vergílio? Fífia que é Fífia é conde e mais nada. Para sê-lo, assim, sem precisar de grande esforço, nada como ter por inspiração a Condessa de Ségur e intitular o CD de memórias (escritas e lidas pelo próprio): "As boas memórias de uma besta".
Substituir burro por besta para não cair em dois erros capitais: um plagiar o texto; dois cair no risco inglório de alguém vir a pensar que o CD é sobre um quadrúpede. Não!
“Uma besta", discorre, refastelado ao colo das tias, “ é arma e diabo. Homem que é homem não come o mel trinca a abelha.”
Está preparada a festa. Fífia: conde, arma e diabo. Três em um. Já sonha com o dia do lançamento. Do alto do muro do seu quintal, abrirá os braços, como o Di Caprio no Titanic, e "zumba" lançará o CD, qual disco voador, para os braços do público, que há-de gritar: Viva o conde. Viva. Viva.
E, então ele, qual comandante da "Barca do Inferno" dirá em verso quadras sobre o CD.
O Fífia é um cidadão entre aspas. Vive entre aspas. Sonha entre aspas e nem aos Domingos descansa um pouco fora das aspas, que o emolduram.
No Carnaval, já decidiu vai disfarçar-se de Inês Pereira. Para ele o provérbio: “Mais quero asno que me leve, que cavalo que me derrube” é lei.
Além Carnaval, o Fífia permanecerá como uma linha em branco, ocupando-se de um diálogo sem retorno, perguntando, a cada fim de tentativa de conversa: “Quem tem farelos?” e recebendo de lá, os aplausos das tias e os abraços da mãe e mais nada…
Sem peso para aforismo ou tamanho para verbete, o Fífia não é mais nada, senão uma pontinha do remo que faz navegar o inferno, que vive entre aspas, na sua rotina diária, desde que se lembrou de trincar uma abelha.
O resultado está à vista: à volta de si nada, além dos panos de água quente e das pomadas das tias. O Fífia não sabia que o dito, que serve de título a esta croniqueta não serve para todos. É que a uns, mais lhes vale que se fiquem pelo mel...

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

The Fun Theory



http://www.thefuntheory.com/

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Rosa




1907-2009

notícia



Enquanto três camelos invadiam o aeroporto do Cairo e o pessoal de terra loucamente tentava apanhar os animais
eu limpava as minhas unhas
quando acabava de ser identificada a casa onde viveu Miguel Cervantes, em Alcalá de Henares,
eu saía para o campo com Rufino Tamayo
enquanto um português vivia trinta anos com uma bala alojada num pulmão
chegava eu ao conhecimento das coisas

Agora já não há braseiros — os destroços foram removidos —
os animais espantaram-se
e como se não fosse desde já um admirável e surpreendente esforço a nossa acção de escritores
afogado num poço canta um homem

p. 56.

Mário Cesariny

Terça-feira, Outubro 20, 2009

O Fífia é um palhaço em ponto pequeno


imagem

O Fífia é um alfinete em ponto pequeno. Cabeça de agulha, lente de aumentar; falar sibilante; gingar grosseiro e abanado; o Fífia não vale a pena, mas merece a pena…
O Fífia é uma sopa sem sal; uma dor que corre por dentro da garganta, quiçá por cigarros a mais…
O Fífia é uma homenagem em ponto pequeno; um escrito debaixo das linhas dos cadernos pretos a que chamam Moleskine, que se derrete entre-dentes, como as personagens de Mário de Andrade, numa trovoada de florestas brasileiras, às quais acorrem índios e índias, com falares muito próprios e espadas de madeira e folhas.
O Fífia podia ser o segredo que se guarda nos livros depois de os lermos, mas de tão espalhafatoso que é, acenando com a cabeça, numa atitude de Genoveva ou Julieta, acaba por nos morrer na ideia; não se deixando instalar como recordação boa.
O Fífia é um segredo mal guardado em dimensão excessiva. É a palavra que se atira por cima da gente; a estrela que pensa trazer na cabeça, mas que não traz; o artigo de jornal que queria escrever, mas que aparece escrito por outros, todos os dias na comunicação social.
O Fífia é um ladrão em ponto pequeno. Um jarro em ponto pequeno. Um grito em ponto pequeno. Uma peça de dominó em ponto pequeno com o Donald gravado no verso.
O Fífia é uma chama em ponto pequeno, apagando-se no mesmo instante em que as palmas à música que outros cantam, começa a tocar.
O Fífia é o quadro que outros pintam; o livro que outros escrevem.
O Fífia vive no seu mundo em ponto pequeno, onde só cabe ele; fechado na sua redoma cor de carmesim; visitado por moscas, em cujas asas bate o ritmo do seu coração.
Queria ser capa de revista, concorrente do circo das Estrelas; não pela magia do circo, mas sim, porque sempre quis andar em cima de elefantes agarrado a todas aquelas celebridades; poder beijar o Carlos Xavier, abraçar o José Castelo Branco; ser parte integrante de um programa de cultura como o Circo das Celebridades. (Está confiante de que nos Açores, o programa ainda não se fez, porque ainda não o descobriram).
Ele que em cada fala está uma gargalhada; ele que administra bem a sua fama; ele que, no café do supermercado do seu bairro, entra e é logo colhido por mais de mil sorrisos das senhoras que, aquela hora, o frequentam.
O Fífia é qualquer coisa que está para acontecer e que, se acontece, ele diz ter sido copiada a ideia.
O Fífia não se perde, retoma; não se desfaz, está colado. Falta-lhe só o nariz vermelho.
O Fífia é um palhaço em ponto pequeno. [“E Deus nos livre se o fosse em tamanho normal”].

A música dos 'Castrati' estreou este mês