terça-feira, janeiro 11, 2011

De volta "ao seu estilo antigo da arrogância”

Para serem mais arrogantes do que Cavaco Silva, tem que nascer duas vezes.

Manuel Alegre o "Triste".

Não me dês Cavaco.

toze_almeida@yahoo.com

domingo, janeiro 09, 2011

Mota Amaral loves Cavaco Silva

Nem nascendo duas vezes se percebe o apoio de Mota Amaral a Cavaco Silva.

Não me dês Cavaco.

toze_almeida@yahoo.com

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Mudo e calado

Para serem mais calados do que eu sobre o BPN têm que nascer mudos duas vezes.

Cavaco Silva o "Calado".

Não me dês Cavaco.

toze_almeida@yahoo.com

Ofício

"Apagas uma palavra como o vento árido
a pegada.
Sem piedade, limpas do branco o balbucio ténue
como quem arranca do chão a erva daninha.
Fica entre os dedos um cheiro a terra fresca, húmida
e fértil.
Lavrador de música, pegas noutra.
Esperas que nessa passe um barco, os cântaros se encham
de vinho para a festa, ou uma maçã amadureça
nos tristes galhos do inverno.
Nunca sabes: as palavras são bailarinas imprevisíveis;
ou te levam para um campo de águas bravas
ou fogem de ti rindo, por seres tão pobre."

Se Cavaco Silva fosse...

Se Cavaco Silva fosse acções do BPN eu não comprava nenhuma.

Carlos César o "Separatista"

Não me dês Cavaco.

toze_almeida@yahoo.com

Nascido uma vez e basta!

Para terem mais valorização das suas acções do que eu, têm que ter dois ex-governantes do meu governo na Administração do BPN.

Cavaco Silva, o "Honesto".

Não me dês Cavaco.

toze_almeida@yahoo.com

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Nestas presidenciais voto Pingo Doce

Nestas presidenciais voto Pingo Doce.
Porque gosto do seu programa Zero.
Zero de incertezas.
Zero de preocupação.
Com eles o Iva não sobe não.

Não me dês Cavaco.

toze_almeida@yahoo.com

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Cavaco, o “cruzado”

Chegou à Madeira, não para “adorar” o Deus Menino, mas para tentar ser adorado por todos aqueles que forem ouvir o “homem de bem” que quer teimosamente parecer ser.
Chegou qual Rei Mago Baltazar trazendo no colo palavras “mirra(das)”, como prova do seu desalento, procurando um aconchego, quiçá um sorriso, talvez um aceno de paz.
Há muito que preparava este seu regresso às ilhas de além-mar. Talvez por isso tenha repetido no tom monocórdico que já caracteriza as suas declarações a “cassete” que vem transmitindo em todas as estações, onde pára o “metro presidencial”: energia criadora + jovens; florescer projectos no país; crédito nas palavras dos portugueses.
Ali na Madeira acrescentou que os madeirenses são gente de fibra, garra e generosidade, que são capazes de empurrar a sua terra para a frente…E mais nada.
Sobre a Autonomia ainda nem uma palavra. Sobre a situação do país ainda nem uma palavra. Cavaco foi tentar “reflorescer” à Madeira, como se fosse possível chegar assim qual “estrela de David” e o mundo se tornasse belo.
A última vez que esteve em terras madeirenses, Alberto João Jardim não quis que fosse recebido na Assembleia Legislativa Regional pelos que então chamou de “bando de loucos”. Cavaco Silva não comentou. Não estava na Argentina.
A 4 e 5 de Janeiro estará nos Açores. Que novas trará aos Açorianos? Terá Cavaco Silva forças para aqui, como na Madeira, fazer de conta que não se passa nada?
É que esta é sem dúvida a maior arte do candidato Cavaco. Conseguir ser um dos principais responsáveis políticos do País nos últimos 30 anos e, ao mesmo tempo, dar ares que não faz parte da classe política, que é supra-partidário, isento e imparcial.
Sempre foi assim e assim continuará a ser. Basta ver como tem sido no polémico caso BPN. Critica a actual administração, mas nada diz sobre os verdadeiros responsáveis pelos crimes que foram cometidos e que lesaram gravemente o país.
Critica os actuais gestores e nada disse ou diz sobre os seus dilectos colaboradores que afundaram o BPN.
Cavaco é um exímio gestor do seu interesse político. E esquece-se, demasiadas vezes, que a honestidade não é um valor material. É também - e sobretudo - uma questão de princípio. E Cavaco não tem sido intelectualmente honesto. Nem este ar de “cruzado” em terras de além-mar lhe traz novos ares.

domingo, janeiro 02, 2011

Não me dês Cavaco.

Uma pessoa com a relação que Cavaco tem com os Açorianos e com a Autonomia dos Açores não merece ganhar com o voto dos Açorianos.

Não me dês Cavaco.

toze_almeida@yahoo.com

sexta-feira, dezembro 24, 2010

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Bigodes, Maçaroca e Pirilampo


[O desafio lançado fez-me já escrever e apagar uns dez parágrafos de entrada. É um texto, o que se segue, muito diferente dos que é hábito escrever, com a responsabilidade acrescida de ser ilustrado pelo Álvaro Matos, que tem 3 anos e para quem o Natal é uma aventura e muito bom em casa do avô e da avó.
A ver se não lhe destruo a magia, já que o recado dele ao bom velhinho foi “manda-lhe um puxão nas barbas” que eu, por receio da reacção do senhor, não fui capaz de dar…]

Ora então, comecemos pelo duende “Bigodes”, o duende “Maçaroca” e o duende “Pirilampo” que são os três melhores amigos do Pai Natal, companheiros em todas as tarefas que têm que ser feitas, antes de irem entregar as ofertas às casas dos meninos e das meninas de todo o mundo.
Eles fazem brinquedos. Fazem todos. Fazem espadas, bonecas, princesas, pistas de carros de corridas e jogos de computador. Fazem cartas de jogar, livros de pintar, tractores, bicicletas e triciclos, bolas de futebol do Benfica, camisas de jogadores e televisões.
O Pai Natal tem uma fábrica de brinquedos. Fica no meio das nuvens por cima das nossas casas. É uma casa grande de onde ele costuma mandar beijinhos de boa noite aos meninos e às meninas de todo o mundo e de onde ele também vigia a ver se eles se estão a portar bem para saber se depois pode, ou não, trazer os brinquedos no Natal.
Este Natal já começou a azáfama. Tem sido uma trabalheira. É preciso separar as cartas por temas e depois fazer todos os brinquedos para não faltar nenhum. E são tantos os pedidos, que ele mandou vir mais duendes das outras ilhas para o ajudarem. E eles vieram de todo o lado. Alguns vieram na SATA à boleia, dentro das malas dos senhores e das senhoras e outros vieram de barco dentro de caixotes. Mas, já chegaram todos e agora tem sido um tal trabalhar.
Os duendes são muito pequeninos. Do tamanho de um dedo mindinho e moram nos parapeitos das janelas, dentro do frigorífico ou debaixo das nossas camas. Só os meninos e as meninas é que, às vezes, os conseguem ver, quando eles, no Verão, vestem os fatos de banho e vão nadar para as pocinhas na praia, ou então, quando os meninos e as meninas estão doentes e eles vão à beira das suas caminhas fazer-lhes festinhas para eles ficarem melhores.
São eles que abrem os caminhos nas chaminés para o Pai Natal descer e às vezes é preciso serrar como o “Bob, o construtor” os tectos das casas que não têm chaminé e depois por tudo como estava.
São eles que fazem os laços nas ofertas e que escrevem os nomes dos meninos e das meninas e são também eles que lembram ao Pai Natal onde mora o Álvaro e todos os outros meninos e meninas do mundo…
O Pai Natal, como os duendes, nunca se vai embora e nós sabemos sempre que ele quando se vai embora, volta. Gosta de futebol, mas não tem uma equipa só. É de todas. E usa óculos, como a avó para ler e jogar jogos no computador. Gosta de sopa de letras e de bolo de chocolate. De iogurtes de banana e de papa Nestum. É muito gordinho e toca piano.
As renas do Pai Natal são castanhas como o cão do avô. Voam como o Super-Homem e na noite de Natal é possível vê-las passar a tocar nas estrelas e a rir, a rir muito porque elas estão sempre felizes e contentes. Gostam de erva fresca como o coelho e de leite com chocolate e bolachas.
Os três melhores amigos do Pai Natal – Bigodes, Maçaroca e Pirilampo – gostam de ver desenhos animados, sabem cantar todas as músicas infantis e moram nos arbustos do jardim. Andam de tractor e gostam de corridas de carros. Comem gomas e gamas. Adoram ovos kinder!
Nestes dias costumam vir às nossas casas ver se já está tudo pronto para o Natal e passeiam nos presépios, pelas ruas pequeninas, saltitando, entre o musgo, a ver o Menino Jesus, a vaquinha e o burrinho a dormir. Fazem corridas nos troncos das árvores e jogam futebol com as bolas e os sinos que estão pendurados nos galhos.
… (Agora, que a história está a acabar vê lá se não os vês aos pulinhos por ali afora, vão andando alegremente nos risquinhos do chão, já com os seus cobertores e escovas de dentes, as chuchinhas e as fraldinhas, debaixo do braço. É tarde e eles vão dormir. Amanhã é dia de preparar as mochilas com pacotes de leite e sumo, bolachas e pão com queijo para começar a trabalhar).
Maçaroca, Pirilampo e Bigodes vão descer e subir todas as chaminés, abrir e fechar tectos de apartamentos para deixar tudo o que todos os meninos e todas as meninas do mundo pediram para ter este Natal.
[E eu que não dei o recado do Álvaro ao Pai Natal – o tal do “puxão nas barbas” ficarei à espera – pacientemente – a ver se não haverá mesmo motivo para lhe arrancar um ou outro cabelinho.
Há muitos anos que não vejo um duende que seja, não ouço as renas rir, nem sequer as vejo a rasgar o céu. Esta é a parte da história que não lhe lerei. Tem tempo para se desiludir e não será agora quando cheio de boa vontade e alegria contagiante me ofereceu esta árvore da sua casa com bolas, luzes, o Menino Jesus, Nossa Senhora e São José, todos pintados a verde para “a história que tu me vais escrever no jornal”, como disse…]


* ilustrado por Álvaro Matos, 3 anos.

Irrepreensível

Roubado ao Repórter X

"«(...) Quando criámos a Remuneração Complementar para mais de 6500 funcionários públicos, nunca se duvidou da nossa competência e nunca se considerou uma quebra de solidariedade nacional. E agora que a aumentamos em 2,1%, estamos a não ser solidários? Quando aprovámos um Salário Mínimo Regional mais elevado, que beneficia cerca de sete mil trabalhadores do sector privado, também era eticamente condenável? E o Complemento para Aquisição de Medicamentos, que ajuda 12 mil idosos a comprar medicamentos mais baratos, também é uma falta de solidariedade com o Continente? E o Complemento Açoriano ao Abono de Família para 80 mil Crianças e Jovens, que aumentámos este ano, também é inconstitucional por falha de solidarização? E o Complemento de Pensão – o chamado "cheque pequeno" –, que representa 24 milhões de euros, que aumentámos e abrange cerca de 35 mil pensionistas, que ficam com uma pensão um pouco maior do que a que teriam no Continente, é, como diz o Senhor Representante da República, uma medida de "incompreensível egoísmo"? E se apoiarmos mais, como acontece, os nossos jovens no emprego, estaremos a proceder mal? E o IRS já inferior entre 20 a 30% ao Continente, também, como diz o Representante, é um "desprezo" pelo país? (...)»

Carlos César
Para ler/ouvir a intervenção na íntegra é clicar aqui

Não se pode trocar a Autonomia por uns votos!


A demagogia, a ignorância e a má fé têm de ter limites. Estes limites terão de ser impostos naturalmente, quando está em causa uma questão que está acima dos partidos políticos,como seja a Autonomia dos Açores, prevista na Constituição e num Estatuto próprio.

Não se pode considerar de somenos importância as atrocidades que têm sido ditas, a nível nacional, sobre a decisão do Governo Regional de compensar funcionários públicos pelos cortes que vão sofrer nos seus salários, determinados pelas medidas de equilíbrio das finanças públicas nacionais.

Aproveito, por isso, este espaço para repor algumas verdades sobre esta matéria, numa humilde tentativa de contribuir para o fim da contra-informação que os açorianos têm sido alvo por parte de políticos nacionais, de vários partidos, que deviam respeitar melhor a autonomia e ter uma noção muito mais clara da arquitectura do Estado em Portugal.

Em primeiro lugar, os funcionários públicos que auferem, mensalmente, menos de 1.500 euros não vão ter cortes de vencimentos, recebendo alguns, inclusive, outro tipo de complementos e de apoios ao seu vencimento. Justifica-se assim, facilmente, a opção Governo de compensar a faixa de funcionários da Administração Regional que ganha entre os 1.500 e os 2.000 euros, por serem aqueles, que sofrendo as medidas de austeridade, correm maior risco social.

Depois, como é óbvio, o Governo Regional não pode determinar salários, e muito menos complementos, que um empresário privado, eventualmente, queira aplicar na sua empresa. Esta é matéria da sua competência, enquanto empregador, que o Governo não se deve imiscuir.

Terceiro, não é verdade que os funcionários públicos regionais, que ganham entre os 1.500 e os 2.000, não sofram os cortes, como os seus colegas do Continente. Aliás, a compensação é por isso mesmo. Para compensar os cortes de vencimento que vão sofrer.

Em quarto lugar, é uma grande falácia querer passar a ideia de que os Açores têm verbas a mais e que, por essa razão, podem compensar os funcionários públicos. O Governo Regional vai receber menos dinheiro do Orçamento de Estado. Isso implicou que se redefinissem prioridades. Uma dela foi, exactamente, a da criação desta remuneração compensatória, que não é aplicada à custa de nenhum português, viva ele no Continente, na Madeira ou nos Açores. É aplicada, sim, à custa das verbas que estavam, inicialmente, previstas para melhoramentos no estádio de São Miguel e que, agora, passam a suportar esta compensação.

Estas são algumas verdades que precisam de ser repostas, sobre pena da contra-informação nacional, acolhida por alguns silêncios ensurdecedores a nível regional, poder causar danos irreparáveis na nossa Autonomia.

Aliás, é preciso esclarecer um outro ponto. O que o Governo dos Açores está a fazer com esta remuneração compensatória, mas também com as outras medidas já anunciadas para as famílias e as empresas regionais, não é mais do que até tinha pedido o PSD/Açores. Foi a própria líder do PSD/Açores que, no encerramento das jornadas parlamentares, reclamava do Governo Regional a “devolução” aos açorianos de verbas que minimizassem os efeitos da austeridade nacional.

Todos os partidos e mesmo sindicatos defenderam os Açores nesta questão autonómica. A única voz que não se fez ouvir foi o PSD/Açores, que se manteve em silêncio, enquanto os Açores eram denegridos na praça pública nacional.

Percebemos, apesar de tudo, que Berta Cabral apoie Cavaco Silva nas eleições presidenciais de Janeiro. O que já não compreendemos é que este apoio político se faça à custa dos Açores. Não se pode trocar a Autonomia por uns votos!

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Maiz´um colaboradô!

A partir de hoje e enquanto quiser o José Couto (também) posta aqui!
Boas Festas!

Dos Cortes à Compensação

Tenho ouvido, com algum pasmo, alguns reputados juristas da nação falar da inconstitucionalidade da remuneração compensatória que cobrirá integralmente a perda de vencimento dos funcionários da administração pública regional.
E ainda mais pasmo fico quando o Representante da República, ao exercer o seu direito de veto político nesta matéria, não se exime de fazer considerações jurídicas sobre a constitucionalidade da medida.
Não obstante o veto político do Representante da República ao Orçamento Regional afastar a possibilidade de fiscalização preventiva depois da confirmação do diploma pela ALRAA, nada impede que a questão da constitucionalidade seja colocada a título sucessivo.
Falemos então de inconstitucionalidades. Mas falemos de tudo, não apenas de algumas coisas que só servem concepções arcaicas e centralistas que em nada se suportam constitucionalmente.
Quando vejo José Sócrates inserir no Orçamento de Estado uma norma que determina o abaixamento unilateral e generalizado das remunerações dos trabalhadores da Administração Pública e a manutenção desse abaixamento por um período plurianual, ultrapassando portanto todos os limites do ano económico, fico perplexo ao verificar que estes mesmos zeladores da constituição não abram a boca para dizer rigorosamente nada acerca inconstitucionalidade material clara (por violação dos artigos 105º, nºs 1 e 3 e 106º, nº 1 da Constituição) que tal norma representa.
A estes constitucionalistas não impressionou que tal norma comprometesse as legitimas expectativas à integralidade e não redutibilidade remuneratória com base nas quais os trabalhadores visados oportunamente fizeram as suas opções e contraíram as suas obrigações. A eles não impressiona que de forma violenta, grave e desproporcionada se afectasse situações jurídicas anteriormente constituídas e se fizesse tábua rasa do princípio da confiança ínsito na ideia de Estado de direito (artigo 2º da CRP), nem tão pouco que esta norma consubstanciasse uma verdadeira restrição ou suspensão dum direito constitucional fundamental: o direito ao salário, consagrado no artigo 59º, nº 1 al. a) da CRP.
Estes exímios constitucionalistas só conseguiram ver inconstitucionalidades numa norma que repõe a justiça salarial nos Açores, numa opção política clara de encontrar soluções para a crise económica que não passam exclusivamente pelo sacrifício das pessoas e do seu nível de vida.
O que Carlos César provou é que havia outras opções e que não estão verificados os pressupostos da redução salarial que princípio da necessidade impõe nestas situações. É isto que incomoda tanto Lisboa, os Cavacos, os Sócrates, os Marcelos, os Jorges Mirandas e, por fim, o Representante da República… é isto que incomoda os arautos das teses neoliberais. Atrapalha a atitude de César, porque põe a nú a hipocrisia dos governantes que exigem sacrifícios do salário, emprego, saúde, segurança social de todos os portugueses, mas que ao mesmo tempo não exigem sacrifícios com as mais-valias e dividendos de alguns privilegiados.
Falemos claro, porque é isto que está em causa!
Os Açores têm autonomia política e financeira e as opções feitas são-no no quadro dos seus poderes e prerrogativas constitucionais e estatutárias. A medida em questão não custa um cêntimo a mais que seja ao Estado; trata-se apenas de uma opção legítima e justa que o Estado não soube fazer no seu Orçamento e que os Açores, sacrificando outros investimentos, se viram obrigados a compensar. Considerar isto uma violação dos princípios da igualdade e da solidariedade nacional é não perceber as bases do regime autonómico, fundado nas especificidades geográficas, económicas, sociais e culturais das populações insulares (artigo 225.º, n.º 1 CRP). Quem não tiver imaginação para mais, basta que pense que os custos nos Açores não são iguais aos do continente, nem tão pouco aos da Madeira (que tem apenas duas ilhas), e que uma redução salarial poderia conduzir a uma fuga de cérebros para sítios onde estes constrangimentos não se verificam. E é justamente por esta razão que o próprio Estado confere subsídios aos funcionários da administração central que trabalham nos Açores. Ou não é assim? Falar de falta de solidariedade dos Açores para com o restante país ou é brincadeira ou é ultraje: Brincadeira, porque se as opções fossem outras não reverteria um cêntimo que seja para o OE; Ultraje, porque há uma pesada factura histórica da República para com a Região que está longe de estar paga… Haja coerência!
Por todas estas razões só posso concluir que este “alevanto” político e jurídico contra as medidas do Governo dos Açores não são mais que uma tentativa de desviar as atenções dos problemas constitucionais do próprio OE, apontar o dedo à Autonomia como “bode expiatório” dos problemas estruturais do país e atacar aqueles que, como César, ainda acreditam no modelo social de Estado.