"E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando as vidas dos insectos..." Mário Quintana
sexta-feira, março 09, 2012
quinta-feira, março 08, 2012
What?
1 de Março de 2012
"Quando o jornalista me transmitiu que Ponta Delgada surgia em primeiro lugar reagi dando nota do nosso orgulho. Agora, se a Lusa foi induzida em erro pela publicação da Ordem dos TOC então esta última deve um pedido de desculpas à Câmara de Ponta Delgada” Berta Cabral, Açoriano Oriental de 8 de Março de 2012.
quarta-feira, março 07, 2012
E agora professor Marcelo Rebelo de Sousa?
Depois isto:
"Ninguém hoje tem orgulho na situação financeira da autarquia de Ponta Delgada", afirma José Contente a 6 de Março de 2012
Depois disto, isto:
As acusações feitas pelo PS e pelo presidente do governo regional, a propósito da situação financeira da Câmara Municipal de Ponta Delgada, revelam bem o incómodo sentido pelos dirigentes socialistas perante a gestão de Berta Cabral à frente do município”, afirmou José Manuel Bolieiro, vice-presidente da Comissão Política de Ilha de S. Miguel do PSD.
(Na Rádio Atlântida, porque no site do PSD/Açores Não Consta) 6 de Março de 2012
E não consta porquê?!
Por isto:
"Houve um erro na escolha de um denominador que altera um bocadito o passivo líquido por habitante. Mas não altera o passivo global, não altera o endividamento líquido global, nem os resultados económicos. A única falha foi na divisão do passivo líquido pelo número de habitantes", salientou João Carvalho.
Desta forma, Ponta Delgada, que é apresentada à frente da lista dos concelhos com menor volume de dívida líquida por habitante, "não está tão bem como apresentado no Anuário Financeiro", acrescentou.
Ponta Delgada não entra nos primeiros cinquenta lugares da lista, mas, segundo João Carvalho, "também não está num lugar preocupante".
Daqui
É uma vergonha, de facto!
terça-feira, março 06, 2012
O PSD/Açores e a "estratégia tamagotchi"

Todos conhecemos o “tamagotchi”. Um brinquedo que foi inventado no Japão, cuja motivação consiste em cuidar de um animalzinho como se ele fosse real, dando-lhe carinho e comida virtual. O único engenho e arte que se pede ao “tratador” é a capacidade de mantê-lo vivo, enquanto se quer, e matá-lo, sem que seja crime, quando se entender…
Ora bem, o PSD/Açores tem vindo a desenvolver – ao longo dos anos –exactamente esta “estratégia tamagotchi”, tendo atingido agora o seu ponto mais alto com a candidatura da Dra. Berta Cabral a Presidente do Governo dos Açores.
O que começou por parecer a passagem de etapas com as “derrotas” de Álvaro Dâmaso, Manuel Arruda, Vítor Cruz e Costa Neves ou até com o afastamento de Duarte Freitas do Parlamento Europeu, enquanto Berta Cabral esperava chegar a Presidente do PSD/Açores, é agora absolutamente desmascarado com os acontecimentos dos últimos dias, transformando tudo o que se pudesse pensar sobre as perdas sucessivas de “aspirantes candidatos” numa espécie de bonequinhos virtuais…
Só esta visão de "estratégia tamagotchi" pode explicar que Berta Cabral defenda uma petição pública que pretende antecipar as eleições, divulgada durante dias a fio no jornal da mesma personalidade que, em 2007, venceu, em São Miguel, as directas contra Costa Neves, candidato que era então apoiado pela presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada.
Só mesmo esta visão de "estratégia tamagotchi" pode explicar, ainda, que depois de estarem “cá fora” os outdoors de campanha eleitoral do PSD/Açores, com o nome da candidata lá, Berta Cabral aceite ser mandatária de Passos Coelho, estando escrito na moção global de estratégia deste, que “(…) em termos nacionais, e no respeito pela autonomia regional de que goza o PSD Açores, o partido nacional apoiará a solução de candidatura a apresentar pelos açorianos social-democratas (…)”…
Sou só eu que estranho que Passos Coelho não tenha declarado aberta e publicamente neste documento o seu apoio à candidata do PSD/Açores? Não posso ser. E tanto não sou que existe uma petição pública para antecipar eleições regionais.
Nos últimos dias, entre campanhas em salas de hotel e lançamento de ideias copiadas de outras já anunciadas pelo Governo dos Açores, 48 horas antes, o PSD açoriano, mostrou a sua verdadeira intenção. E qual é ela?
Ora, é não ter nada por cá que possa parecer piegas, para não chatear o líder nacional. O bom mesmo, pensam, era ter uns "Açores tamagotchi" e que os açorianos fossem como o boneco do jogo: uns bichinhos caladinhos, cujo único cuidado a ter seria dar-lhes de comer e abraçar só sendo preciso carregar num botão…
Só isto pode explicar que se aceitem eleições antecipadas, sem pestanejar, ignorando que num momento como estes, o que devia (mesmo) estar em cima da mesa e na agenda do PSD/Açores era ajudar as pessoas, apresentar propostas próprias e originais, resolver os problemas das pessoas, aceitando democraticamente que o PS/Açores foi eleito pelos açorianos nas últimas eleições e que tem um mandato a cumprir.
Mas não. O PSD açoriano queria poder tirar os Açores do bolso, olhar para o arquipélago num ecrã e com um dedo carregar num botão e dizer aos açorianos que lá estariam: “Salta agora. Dorme agora. Come agora. Vive agora. Toma lá um beijinho. Vota agora. Pronto agora estás a chatear. Morre agora.”
Pelo percurso histórico do PSD/Açores (ou mesmo nacional) a “estratégia tamagotchi” pode parecer que funcione, mas em Outubro de 2012 os açorianos mostrarão que não. Entretanto no PSD/Açores vamos ver quem accionará o botão para matar o bonequinho?
Tenho curiosidade. (Para que conste nunca tive um “tamagotchi”).
(Por decisão pessoal da autora, este texto não é escrito de acordo com as normas do novo Acordo Ortográfico)
domingo, março 04, 2012
A Mandatária da Austeridade

Esta foi provavelmente a pior semana para a candidata Berta Cabral desde que começou a sua campanha eleitoral. Numa só semana, a Presidente do PSD/Açores e o seu partido, multiplicaram-se em declarações incompreensíveis, desnecessárias e até infelizes para quem tem como objetivo governar os Açores.
Nunca julguei que esta crítica fosse possível fazer a uma candidata e a uma equipa que tem de experiência, mais anos do que eu tenho de vida, mas em política a afirmação de uma alternativa não se faz apenas pela crítica pura e dura, faz-se, sim, pela pertinência e sustentação de uma nova ideia, pela capacidade de concretização de uma proposta feita, pela coerência da afirmação e até pela capacidade de consubstanciar uma crítica ao seu adversário.
Quando as empresas e as famílias estão em dificuldades devido às medidas de austeridade, não é aceitável para um partido com as responsabilidades do PSD estar mais preocupado em criticar a evolução da posição do PS sobre a subida do IVA, do que procurar encontrar com o Governo Regional e com Partido Socialista uma forma de pressão sobre o Governo da República para que este não imponha aos Açores uma subida do IVA de 16 para 18%. Ou seja, enquanto o PS está preocupado em evitar uma subida de preços generalizada, com efeitos nefastos para a nossa economia, o PSD está mais preocupado em fazer críticas ao seu adversário para obter proveitos.
Também é incompreensível que alguém com a responsabilidade da líder do PSD/Açores, tente levantar dúvidas sobre a situação financeira da Região Autónoma dos Açores. É importante que se saiba que as contas da Região estão devidamente auditadas e validadas pelo Instituto Nacional de Estatística, Banco de Portugal, Inspeção Geral de Finanças e Comissão Europeia, não tendo o Governo dos Açores que provar mais nada sobre esta matéria.
Ora se alguém tem dúvidas sobre esta matéria deve pelo menos tentar comprovar a razão das suas interrogações.
O que não se admite é que uma líder partidária, numa vã tentativa de criar a dúvida na opinião pública, chame, plena de intencionalidade, ao Protocolo de Colaboração e Entendimento que está a ser negociado, entre o Governo dos Açores e o Governo da República, “Plano de Resgate” financeiro aos Açores.
A Dra. Berta Cabral sabe perfeitamente que este protocolo não é nenhum “resgate financeiro” aos Açores.
Como também sabe, levantar estas dúvidas, junto da opinião pública açoriana e nacional e junto dos mercados, chegando mesmo ao ponto de sugerir eleições antecipadas por isso, é no mínimo estar disposta a prejudicar a sua terra apenas para obter alguns votos.
Como se todas estas afirmações não fossem suficientes, a líder do PSD, desesperada, recupera o discurso da “falta de oxigénio”, do seu antecessor Costa Neves. Para o PSD, o Governo Regional instalou nos Açores um clima de medo a quem o crítica. A única resposta que se pode dar a esta acusação é que ela carece de pelo menos alguma fundamentação, pois basta verificar os jornais e noticiários, dos últimos anos, para verificar a quantidade de críticas diárias (algumas até injustas) que são feitas ao Governo.
Mas numa altura em que o Governo da República promete aplicar medidas de austeridade “custe o que custar”, quando a maior parte dos economistas e até o Presidente da República avisam para os enormes sacrifícios que estão ser impostos aos portugueses sem qualquer tipo de retorno de crescimento económico, a líder do PSD/Açores não se dá satisfeita apenas por apoiar o seu companheiro de partido.
Não! Berta Cabral considera que deve a mandatária de Pedro Passos Coelho para os Açores. A líder do PSD considera que para além de apoiar o projeto de austeridade do PSD Nacional, deve ser também a sua porta-voz nos Açores.
Enquanto o PSD\Açores se preocupa em criticar o PS e propagandear Pedro Passos Coelho, o candidato do PS\Açores, Vasco Cordeiro, vai fazendo o seu caminho de evitar a crítica ao seu adversário, de propor responsávelmente o que sabe poder cumprir e de acima de tudo, criar um projeto de futuro, com todos os Açorianos, em que ninguém fique para trás.
quinta-feira, março 01, 2012
Azul cueca

Diz a LUSA que o "CDS-PP critica gastos de outros partidos na pré-campanha eleitoral para as regionais de outubro"
E cuecas vão fazer?
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
Prémio: Berta Cabral é a candidata, ok?
Pedro Passos Coelho na Moção Global de Estratégia a apresentar ao congresso.
müz´ka
And now we rise
And we are everywhere
And now we rise from the ground
And see she flies
And she is everywhere
See she flies all around
terça-feira, fevereiro 28, 2012
E se eles tivessem quebrado o vidro?

Roubada daqui
Nenhuma televisão, rádio ou jornal fez reparo disto, não usaram como argumento para justificar o cancelamento da visita de Cavaco Silva, no passado dia 16 de Fevereiro, a uma escola de Lisboa, este aspecto. Nos últimos dias até a PSP se meteu ao barulho, evocando que teriam aconselhado o Presidente da República a não ir, atropelando a primeira argumentação de um imprevisto de última hora e, assim, embaraçando o Presidente que mais uma vez teve que dizer que não dizia mais nada a propósito.
O perfil do Facebook da “Escola Secundária Artística António Arroio” mostra uma possível razão pela qual Cavaco Silva decidiu cancelar a visita: Uma caixa de vidro transparente com um cravo dentro. Por fora a inscrição: “Quebrar em caso de emergência”.
Cavaco Silva (esperto) teve medo que os jovens tivessem chegado à conclusão que era altura de quebrar o vidro e não foi lá. E se depois aquelas vozes não se calassem mais? E não sorrissem para ele? E não admitissem que ele os mandasse nascer duas vezes para serem mais honestos do que ele? Seria uma afronta. Uma falta de respeito! Um rombo (mais um) no superior interesse nacional. Terá sido então o medo do cheiro do cravo vermelho que impediu Cavaco Silva de ir à escola na manhã de 16 de Fevereiro.
A República a que preside não lhe dá nem lhe pede esse sinal. Senão vejamos: na Assembleia da República, os deputados fizeram contas à água que vão consumir. Nada de água da torneira. Água engarrafada. Mais barato. Resta saber se virá de Espanha a água. (Se for para ir de fora, venham comprá-la aos Açores).
O desemprego alastra pelo país. O Presidente da República anda em demanda de sala em sala num roteiro ao estilo “bicho de cera em casulo”, qual Santo António, dando o sermão, aos peixes.
O Governo da República avança com duas medidas contra o desemprego: o Governo vai criar gestores de carreira para os desempregados; as empresas do Estado vão ser obrigadas a incluir mulheres nos conselhos de administração e fiscalização…
O Presidente da República fala da taxa de desemprego. E diz o quê? “Estou muito surpreendido!” Assunção Cristas anunciou que tem fé e espera que chova. Talvez a Ministra do Ambiente, do Mar, da Agricultura e do Ordenamento do Território esteja necessitada de umas lições de Cavaco Silva sobre o silêncio ou sobre o “sorriso das vacas”, matérias em que o Presidente da República é, aliás, como se sabe, douto conhecedor…
No mais não vale a pena procurar ouvir Cavaco Silva. Já se sabe que tudo que fuja à sua realidade não existe ou causa surpresa ou cancelamento imediato. O rol das suas “quebras de silêncio” é extenso e constrangedor.
Assiste a ele um povo impávido e sereno e um Primeiro-Ministro que observa de bancada ao definhar da figura que é a metáfora de Portugal. Mas e se toda esta história da quebra do vidro da caixa, que tem dentro um cravo na “Escola Secundária Artística António Arroio”, fosse mais do que uma hipótese e os jovens tivessem mesmo quebrado o vidro para entregar o cravo a Cavaco Silva? Seria legítimo? Claro que sim!
Mas Cavaco Silva, diria (aposto): “Um cravo vermelho? Emergência? Não comento!” Ora foi precisamente essa emergência que Cavaco Silva evitou comentar, escudando-se num “imprevisto de última hora”. Há quem diga que passou o dia a fazer contas à vida… aconselhado pelos amigos.
segunda-feira, fevereiro 27, 2012
A Austeridade e a Economia

Talvez fruto de um clima de pré-campanha eleitoral, tenho assistido com alguma perplexidade às mais variadas e estranhas intervenções sobre a real situação económica da nossa terra.
Para alguns, a situação económica açoriana é catastrófica, estando mesmo à beira da ruptura, fruto das más políticas seguidas pelos Governos regionais socialistas nos últimos 15 anos. A culpa, dizem, é do modelo económico seguido, do excessivo peso do Estado na economia, do falhanço do Governo em políticas sectoriais, como o turismo, a agricultura e os transportes, do descalabro das contas públicas, da falta de transparência nas contas públicas, etc.
Estes Velhos do Restelo afirmam estas alegadas evidências com a mesma desfaçatez de quem se acha no centro do mundo e desdenha, de uma forma provinciana, a situação de pré-colapso da Zona Euro, a pré-falência financeira e democrática da Grécia, a situação de emergência da banca europeia que restringe o crédito e a profunda e agravada recessão que atinge o nosso país.
Se falassem com os nossos empresários, com os trabalhadores e com os desempregados percebiam quais as suas maiores dificuldades e as razões do seu infortúnio.
Percebiam que o problema da nossa economia não está no sector primário, cujo rendimento, no ano de 2011, se manteve estável ou subiu em áreas mais específicas como a agricultura.
Percebiam que, em 2011, o número de turistas estrangeiros subiu 5,4% e que o número de passageiros desembarcados nos aeroportos açorianos aumentou em 15.898 pessoas.
Percebiam que o número de empresas com participação pública, administradores, chefias e funcionários públicos têm vindo a diminuir acima, inclusive, dos objetivos traçados pelo memorando de entendimento com a Troika.
Poderiam perceber e reconhecer, também, que as contas públicas açorianas estão devidamente certificadas pelo Instituto Nacional de Estatística, Eurostat, Banco de Portugal e Comissão Europeia e que, se dúvidas ainda existissem, o PS aprovou e melhorou, no passado ano de 2011, um pacote de melhoria da transparência das contas públicas regionais no Parlamento Regional apresentado pelo PSD.
Da retração brutal do consumo interno que destrói o nosso sector dos serviços e também da indústria, a oposição nada fala. Ainda não ouvi nenhum credenciado economista da nossa praça referir que, numa economia baseada sobretudo no consumo, é impossível, no espaço de um ou dois anos, alterar a sua base económica para uma base exportadora, sem criar o caos social.
As medidas de austeridade, como foram desenhadas pelo Governo do PSD, matam a economia e aumentam o desemprego. As medidas impostas à banca portuguesa, que implicam uma retração do crédito, estrangulam o financiamento das empresas saudáveis, paralisam o seu investimento e baixam a sua competitividade.
A nossa oposição, tão veleira e incisiva nas críticas, mostra grande impreparação na consubstanciação da propositura, chegando ao caricato de sugerir, imagine-se, ao Governo dos Açores dos Açores que “compre” um Banco para alavancar o investimento das empresas açorianas ou então de propor um fundo restruturação empresarial, baseado em fundos comunitários que não estão ainda sequer disponíveis.
Temos de continuar a criar um conjunto de medidas que atenue as medidas de austeridade nacional na economia açoriana, temos melhorar as linhas de crédito de apoio às empresas, para que estas possam investir e criar mais emprego, temos de melhorar os nossos programas de estágios profissionais e adequa-los à conjuntura, temos exigir ao Governo da República e à Troika financiamento à economia privada açoriana e devemos tentar evitar, a tudo o custo, que os efeitos da passagem da diferenciação fiscal com o continente de 30 para 20%, tenha efeitos no IVA afetando ainda mais um sector em grandes dificuldades.
O risco de não se perceber isso é só um: ter uma região sufocada pela austeridade e paralisada pela banca. Esta é a grande questão que vai dominar 2012.
Lutar contra o desemprego “Custe o que Custar”

Tenho de confessar que, apesar de considerar que o desemprego está a subir nos Açores, os números aferidos na sondagem telefónica do INE que apura estes dados, parecem-me manifestamente exagerados, senão mesmo contraditórios com outros dados de outras instituições.
Parece-me no mínimo estranho que nesta sondagem, o INE afirme, que existem no mês de Dezembro, nos Açores, 18.177 desempregados, quando o Instituto do Emprego e Formação Profissional, nos dados que fornece sobre os inscritos nos centros de emprego, refira apenas 9735 desempregados.
Apesar desta disparidade entre números, de quase 100%, entre estes dois organismos, é normal pensarmos que nem todos os desempregados se inscrevem nos centros de emprego, sendo, por isso, teoricamente possível, apesar da diferença de dados ser abismal, que possamos aceitar como reais estes dados. O que já não é normal, senão mesmo, impossível, é termos mais inscritos nos centros de emprego da Madeira, cerca de 19016 pessoas, do que aqueles apurados pela sondagem do INE, para a mesma Região, cerca de 17307 pessoas. Tal como carece de explicação, o facto de, neste mesmo mês, aumentarem os inscritos nos centros de emprego madeirenses, em cerca de 2,2% e o INE afirmar que o desemprego baixou 1,2 pontos percentuais.
Não quero com este tipo de argumentário fazer parecer que o desemprego não é um problema nos Açores, antes pelo contrário, o seu combate deve ser uma prioridade. Mas parece-me que este último trabalho do INE carece, pelo menos de melhor explicação.
Para percebermos melhor as razões do desemprego nos Açores, basta falarmos com os nossos empresários e ouvirmos o que têm para nos dizer.
Qualquer um nos dirá que já não é possível investir num negócio pois a banca praticamente não empresta.
No sector da construção civil, qualquer empresário nos dirá que as obras privadas estão reduzidas a quase nada, pois o crédito à habitação é praticamente inexistente.
No sector dos serviços, as medidas de austeridade do PSD, de Passos Coelho e Berta Cabral, fizeram baixar o rendimento das famílias para mínimos históricos, baixando o consumo exponencialmente e levando ao colapso de dezenas de pequenas e médias empresas.
No sector do turismo, qualquer agente do sector nos dirá, que o turista do continente “já foi chão que deu uvas”, devido à crise nacional e não fosse a aposta do Governo dos Açores, na diversificação dos nossos mercados emissores, que já significam mais de 50% dos nossos fluxos turísticos, a situação poderia ser insustentável.
Qualquer empresário nos dirá, que mesmo empresas saudáveis, não têm acesso em condições aceitáveis a contas caucionadas para adequarem o seu ciclo de pagamentos ao ciclo de receitas ou que devido à imagem de Portugal no exterior, são obrigados a pagar os produtos que importam, a pronto pagamento ou em adiantado.
São estes os principais motivos da crise no Continente e também nos Açores, que estão a levar a um fortíssimo ajustamento económico rápido, que não distingue empresas saudáveis de empresas falidas.
Cabe aos Governos amenizarem este ajustamento, quer através da ajuda ao financiamento da economia privada, quer no estabelecimento de medidas de proteção social para ajudarmos os que estão em dificuldades.
Nos Açores, o Governo Regional tem sido incansável, quer na criação destes mecanismos de apoio aos privados, quer na atenuação da austeridade nacional.
Precisamos de mais tempo para restruturarmos a economia nacional, da qual a economia regional depende diretamente e com isso pouparmos ao infortúnio muitas famílias e empresas.
Mas para o PSD de Pedro Passos Coelho e de Berta Cabral este ajustamento tem de ser feito já. Infelizmente, pelo que dizem, “custe o que custar”.
domingo, fevereiro 26, 2012
post que era para ser um comentário
tem raízes na música dos lagos.
Amar é a arte da música
num corpo moribundo. Morre-se
de um pequeno átomo de ansiedade e isso
é uma regra do jogo; só assim a morte andará descalça como
uma violeta pelos jardins da noite; só assim
nos restará a morte antes do fim.
O fruto do coração é pouco, semelhante à mágoa.
Olhar é uma página. Percorre-a a consciência de quando
não acontece nada. É preciso duvidar semeando limites
para ser-se ilimitado -- eis quando será legítimo enganar
os deuses. Maior que a montanha é
a gota de orvalho; maior que o sol é o movimento
da sombra. Os pássaros
não acontecem: vivem-se. É tarde
para inscrever o discurso da alegria
nas estruturas do ar?"
joaquim pessoa
