| Topo Gigio - Giova... |
"E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando as vidas dos insectos..." Mário Quintana
sexta-feira, março 16, 2007
quinta-feira, março 15, 2007
Investir na Cultura é Educar
"Uma mesa cheia de feijões. O gesto de os juntar num montão único. E o gesto de os separar, um por um, do dito montão. O primeiro gesto é bem mais simples e pede menos tempo que o segundo. Se em vez da mesa fosse um território, em lugar de feijões estariam pessoas. Juntar todas as pessoas num montão único é trabalho menos complicado do que o de personalizar cada uma delas. (…)"
Almada Negreiros, in Ensaios.
A Cultura encontra-se hoje no centro dos debates contemporâneos sobre Identidade e Coesão Social, sobre o desenvolvimento de uma economia fundamentada no Saber e, sobretudo, por um apelo ao Respeito pela Diversidade, à Tolerância e ao Diálogo. A construção de um multiculturalismo crítico na comunidade açoriana não é uma tarefa fácil e imediata, mas é para lá que caminhamos. Essa é, aliás, uma das tendências do mundo contemporâneo. Nos Açores, é crescente o acesso aos bens culturais. Obras como a remodelação e reabertura do Teatro Micaelense ou a restauração e implementação de um Núcleo de Arte Sacra na Igreja do Colégio são dignas de registo. A recente abertura da Casa Armando Cortes Rodrigues, como "Morada da Escrita", homenageando justa e merecidamente os escritores açorianos é também um acto louvável e por isso deve ser dito que o é, sem pretensões de mais nada. Essa tendência de preservação do património cultural açoriano contribui, em larga medida, para a construção de uma escola, no seu sentido lato, mais plural; capaz de formar cidadãos conscientes do seu papel como sujeitos históricos e como agentes de transformação social. Isto, quer queiramos quer não, representa também uma visão de futuro, porquanto a criação de novas competências e o eventual aparecimento de profissões relacionadas com a Cultura, pode oferecer, a breve trecho, uma série de possibilidades suplementares de novos empregos. A difusão dos produtos e indústrias culturais, que estão intimamente relacionados com novos estilos de vida constituem-se como um potencial de emprego cada vez mais importante, nos sectores ligados à multimédia e à sociedade de informação, por exemplo. Nos Açores, é facto inegável, existir hoje uma nova vivência cultural. Esse "movimento de vozes e tarefas" faz-se, através do apoio do Governo Regional, mas também por via das várias competências desenvolvidas pelos nossos agentes culturais, espalhados pelas nove ilhas dos Açores. Lembro, a título de exemplo, as filarmónicas, os Grupos Folclóricos, e de Teatro, ou ainda, os investimentos privados como a Carmina Galeria, na ilha Terceira, o Centro Cultural da Caloura e o Espaço Arte + Arte, em São Miguel, o Núcleo Museológico Marítimo de homenagem à Construção Naval e a Olaria na ilha do Pico, o Museu do Café Peter na ilha do Faial entre tantas iniciativas feitas por mãos de muitas pessoas por estas ilhas fora e trazidas à cena a bem da Cultura que é cada vez mais nossa. Assim entendida como um conjunto de traços distintivos espirituais e materiais, intelectuais e afectivos que nos caracterizam como comunidade, que somos. As actividades culturais devem ser encaradas como elementos estratégicos para o desenvolvimento das regiões; devem ser consideradas como um reforço da imagem e a capacidade de atracção a uma região, desempenhando um papel importante na renovação de zonas urbanas ou rurais. A Cultura não deve ser encarada como uma actividade pública criadora de despesas suplementares. Mas sim, como uma actividade com forte potencial de crescimento e elementos de criatividade, inovação e produção, cujos fins e consequências devem ser considerados como primordiais. Preservar e desenvolver os nossos instrumentos culturais, investir na formação dos nossos jovens criadores e/ou receptores não é, nada mais, nada menos, senão entender o que dizem estas palavras de Agostinho da Silva: "a visão do autómato é a pior de todas para os amigos do espírito".
Artigo publicado no jornal Diário dos Açores (13.03.2007)
terça-feira, março 13, 2007
Tu estás aqui
«Estás aqui comigo à sombra do sol
escrevo e oiço certos ruídos domésticos
e a luz chega-me humildemente pela janela
e dói-me um braço e sei que sou o pior aspecto do que sou
Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano
e tudo o que faço ou sinto como que me veste de um pijama
que uso para ser também isto este bicho
de hábitos manias segredos defeitos quase todos desfeitos
quando depois lá fora na vida profissional ou social só sou um nome e sabem
o que sei o
que faço ou então sou eu que julgo que o sabem
e sou amável selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavras
e sei que afinal posso ser isso talvez porque aqui sentado dentro de casa sou
outra coisa
esta coisa que escreve e tem uma nódoa na camisa e só tem de exterior
a manifestação desta dor neste braço que afecta tudo o que faço
bem entendido o que faço com este braço
Estás aqui comigo e à volta são as paredes
e posso passar de sala para sala a pensar noutra coisa
e dizer aqui é a sala de estar aqui é o quarto aqui é a casa de banho
e no fundo escolher cada uma das divisões segundo o que tenho a fazer
Estás aqui comigo e sei que só sou este corpo castigado
passado nas pernas de sala em sala. Sou só estas salas estas paredes
esta profunda vergonha de o ser e não ser apenas a outra coisa
essa coisa que sou na estrada onde não estou à sombra do sol
Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso
diante dos dias. Que ninguém conheça este meu nome
este meu verdadeiro nome depois talvez encoberto noutro
nome embora no mesmo nome este nome
de terra de dor de paredes este nome doméstico
Afinal fui isto nada mais do que isto
as outras coisas que fiz fi-Ias para não ser isto ou dissimular isto
a que somente não chamo merda porque ao nascer me deram outro nome
que não merda
e em princípio o nome de cada coisa serve para distinguir uma coisa das
outras coisas
Estás aqui comigo e tenho pena acredita de ser só isto
pena até mesmo de dizer que sou só isto como se fosse também outra coisa
uma coisa para além disto que não isto
Estás aqui comigo deixa-te estar aqui comigo
é das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos
mas até nos teus gestos domésticos tu és mais que os teus gestos domésticos
tu és em cada gesto todos os teus gestos
e neste momento eu sei eu sinto ao certo o que significam certas palavras como
a palavra paz
Deixa-te estar aqui perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas
perdoa pagares tão alto preço por estar aqui
perdoa eu revelar que há muito pagas tão alto preço por estar aqui
prossegue nos gestos não pares procura permanecer sempre presente
deixa docemente desvanecerem-se um por um os dias
e eu saber que aqui estás de maneira a poder dizer
sou isto é certo mas sei que tu estás aqui»
Ruy Belo
segunda-feira, março 12, 2007
Yes!

Num quarto de hospital, com vista para a auto-estrada, pai e filho vivem momentos de embaraço. O pai teve um acidente vascular cerebral. Nas visitas, o filho não sabe o que dizer àquele que, outrora, foi o seu herói. Em cena de 14 de Março a 1 de Abril no Teatro Municipal de Almada. Um dia, o filho lembra-se de levar um livro. Esqueceu-se, apenas, que foram precisamente os livros a distanciá-los.
A peça marca a estreia do autor Rodrigo Francisco na escrita para teatro.
Quarta a sábado às 21h00
Domingo às 16h00
sábado, março 10, 2007
II Encontro de Bloggers
Bom fim-de-semana para os bloggers!!! Faço votos para que corra tudo bem pelas Furnas. Eu vou para Santa Maria, com pena por não ficar! Fica para o ano.
sexta-feira, março 09, 2007
segunda-feira, março 05, 2007
Coisas

Um post resumido sobre o meu fim-de-semana diria que estou fumando cada vez mais; o que não é nada bom para a minha saúde. Bem sei. Depois podia falar do livro que me ofereceram pelos anos e que já comecei a ler: "Maquiavel em Democracia" de Edouard Balladur, mas que ainda não li o suficiente para falar disso (a valer). Fá-lo-ei brevemente. De resto, vi e ouvi mais meia dúzia de coisas: A conferência de José Medeiros Ferreira, na Câmara Municipal de Ponta Delgada, sexta-feira, que foi brilhante; o Colóquio sobre "Dação e Transplantação de órgãos", a que assisti, também na sexta-feira, na Universidade dos Açores.
Sábado e Domingo: 2º teste de qualificação para o Campeonato. Verdadeiro quebra-cabeças: O que quer dizer timiatecnia? Qual o feminino da palavra tecelão? ou a frase "O Luís trabalhava horas de mais" está correcta ou incorrecta?.
Já respondi. Espero pela nota, como na escola...
Roupa nova para o Álvaro. E mais coisas (mas sem importância)...
A fotografia que ilustra este post é de Célia Machado. Roubo-lhe algumas do seu hi5, de quando em vez. Sempre gostei de arco-íris e sempre sonhei que, ao fundo de qualquer um, havia um pote de oiro. Nunca encontrei Galaaz.
Etiquetas:
Fotografia Pico
domingo, março 04, 2007
Citação
| Ruy Belo - Muriel.... |
"(...)Passamos como tudo sem remédio passa
e um dia decerto mesmo duvidamos
dia não tão distante como nós pensamos
se estivemos ali se madrid existiu
Se portanto chegares tu primeiro porventura
alguma vez daqui a alguns anos
junto de califórnia vinte e um
que não te admires se olhares e me não vires
Estarei longe talvez tenha envelhecido
Terei até talvez mesmo morrido
Não te deixes ficar sequer à minha espera
não telefones não marques o número
ele terá mudado a casa será outra
Nada penses ou faças vai-te embora
tu serás nessa altura jovem como agora
tu serás sempre a mesma fresca jovem pura
que alaga de luz todos os olhos
que exibe o sossego dos antigos templos
e que resiste ao tempo como a pedra
que vê passar os dias um por um
que contempla a sucessão de escuridão e luz
e assiste ao assalto pelo sol
daquele poder que pertencia à lua
que transfigura em luxo o próprio lixo
que tão de leve vive que nem dão por ela
as parcas implacáveis para os outros
que embora tudo mude nunca muda
ou se mudar que se não lembre de morrer
ou que enfim morra mas que não me desiluda
Dizia que ao chegar se olhares e não me vires
nada penses ou faças vai-te embora
eu não te faço falta e não tem sentido
esperares por quem talvez tenha morrido
ou nem sequer talvez tenha existido"
sábado, março 03, 2007
qualquer coisa
escrever qualquer coisa.
qualquer coisa. e depois deixar cair os braços
e, durante uns dias, fazer de conta que
se escreveu qualquer coisa.
qualquer coisa.
assim como está não chega.
está qualquer coisa.
não há nada. de haver com [h].
Um [h] é uma letra com pernas.
andará? fugirá?
servirá para qualquer coisa?
qualquer coisa não escreve qualquer coisa.
qualquer coisa escreve-se assim:
qualquer coisa.
como se a qualquer coisa fôssemos
capazes de reagir...
qualquer coisa. e depois deixar cair os braços
e, durante uns dias, fazer de conta que
se escreveu qualquer coisa.
qualquer coisa.
assim como está não chega.
está qualquer coisa.
não há nada. de haver com [h].
Um [h] é uma letra com pernas.
andará? fugirá?
servirá para qualquer coisa?
qualquer coisa não escreve qualquer coisa.
qualquer coisa escreve-se assim:
qualquer coisa.
como se a qualquer coisa fôssemos
capazes de reagir...
quinta-feira, março 01, 2007
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