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segunda-feira, agosto 02, 2010

´Tão Requinhos, não são?

Li há pouco este Já Chega, obrigado de José Andrade, aqui.

Sobre a sondagem que há tempos o Jornal Açores 9 publicou, o mesmo José Andrade (acho eu) disse à RDP, comentando a mesma, que "entendemos o veículo duvidoso"...
Duvidoso?


Afinal havia outra. Ora bem.

Melhor do que isto só mesmo o que fui encontrar no baú sobre a Festa Branca de 2008...


Até qualquer dia.

quarta-feira, julho 29, 2009

Poema

"Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espectáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade