“Eu não acredito em reformas quando se está em Democracia. Quando não se está em Democracia eu digo como é que é, faz-se (…)”, disse, em tempos, não muito longínquos Manuela Ferreira Leite, Presidente do PSD, para quem a suspensão da democracia, por seis meses, seria coisa boa; diria mesmo “maravilha”. A afirmação que, na altura, parecia saída de um qualquer almanaque, com pouca raiz de verdade, mais a pender para anedota, encheu páginas de jornais, que falavam sobre a inabilidade da dita senhora, a inconveniência das declarações e por aí afora. Podia, pois, hoje, lembrando-a, justificar a postura do seu partido, nos Açores, diante da discussão que agora se inicia, sobre a abstenção, do apelo feito pelo PS/Açores e da resposta que, entretanto veio, rematada por um “É a política, estúpido”, nos jornais de fim-de-semana. Bastava que para isso, entendesse o mesmo que Ferreira Leite e agisse como age o PSD, na Região: agarrado ao balão, subindo, subindo; tal como na canção de Manuela Bravo, que tornou famoso um Joãozinho, que choramingava…Adiante. Quando pela primeira vez se falou em voto obrigatório, nos Açores, como forma de proteger a nossa democracia (o que é completamente diferente da ideia de Ferreira Leite) quase tudo nos Açores se calou. E lá fora: uns falaram do voto como direito e não dever; outros, em plena campanha eleitoral (?) disseram que a discussão era inoportuna…Passaram-se os dias. Houve eleições e a abstenção atingiu, como se sabe, cerca de 80%, nos Açores. Quem quis falar disso, falou. Quem não quis fez o que sempre soube fazer melhor: meteu a cabeça na areia, assobiou para o lado, falou de tudo, menos do essencial: os 78,3% de abstenção. Ah pois é. Eis que, de repente, 10 dias passados, resolvem dar um ar da sua graça e comentar o “voto obrigatório”, sugerindo, uns que era “medida extrema”, outros que não, porque sim, porque não, quem sabe se tal e pois claro… Podia dar-se as boas vindas ao debate, não fosse a necessidade, sempre mesquinha de, antes de lançar questões sobre o tema, quererem encontrar um culpado (no caso, para os níveis de abstenção). Assim não. Mais valia que se tivessem deixado ficar quedos e mudos. Se é certo que todos os contributos devem ser considerados válidos, não será menos certo que a tentativa de fuga para a frente, agarrados ao “balãozinho”, revela tudo menos senso… Não estão disponíveis para discutir ou para debater nada, que não esteja inteiramente relacionado com as suas intenções e, revelando alguma falta de pejo, ainda se dão ao luxo de querer aumentar o processo da descredibilidade da política, quando, no momento em que, finalmente, parece que vão dizer qualquer coisa de útil, agridem. Não querem falar de partidos, de políticas ou de políticos, não falem. Preferiam que a democracia fosse suspensa por seis meses, digam. Qualquer coisa é melhor do que estarem na posição em que estão. Falar de “voto obrigatório” foi, como se sabe, um contributo para um debate que, não só se diz urgente, como o é, na realidade. Até onde será preciso chegarem os níveis de abstenção para que se preocupem? Ou também não acreditam em reformas quando há democracia?!
Dir-me-ão: “é a política, estúpida!”… Será? Eu prefiro pensar que é estúpido haver na política lugar para políticos assim…
"E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando as vidas dos insectos..." Mário Quintana
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terça-feira, junho 23, 2009
O balão do João
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Opinião AO 23 Junho 2009
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