quinta-feira, abril 10, 2008

Modos

Até amanhã deitava-se sempre mais tarde.
Adquirira esse hábito desde muito novo. Morria de medo do até já, por este ser temporalmente curto; temia o até logo, por causa da brevidade e o mês passado era seu inimigo desde o berço; passava a vida a atrasá-lo. Também não morria de amores pelo ano passado. Mas, o há vinte anos irritava-o mais ainda, sempre tão emproado e anafado, arrogante e petulante. O ontem não o incomodava muito, mas, por exemplo, o anteontem era tipo para tirá-lo do sério. Gostava do um dia destes e do depois de amanhã; do daqui a duas ou três semanas, do quando fores e do serás.
Porém, se havia algum, que até amanhã amasse mesmo era sem dúvida o para o ano e a certeza de uma manhã dessas para passear, num dia qualquer, dum ano que aparecesse...de surpresa.

1 comentário:

Alfredo Gago da Câmara disse...

Gostaria imenso que apresentasses ao até amanhã o meu amigo hoje. Depois dizes-me o resultado, tá?