sexta-feira, maio 04, 2007

Croniqueta XLIX ou ao Fífia fica bem babete com bolsa de retenção




Se o Fífia fosse um brinde de publicidade seria um par de peúgas brancas com bordado no dedo grande; uma almofada cheia de corações para o dia da mãe, ou melhor, um porta-chaves doirado com pilhas e lupa. O Fífia fala de cor, mas não salteia e dos seus olhos, quais pirilampos (de rabo reluzente), sai, por desespero, uma lágrima fingida. Deste Fífia, cuja cédula profissional tem carimbo de validade (há quem diga que varia com os amores que se lhe dão) há pouco a dizer. A mãe deste não lhe quer costurar nada, senão a boca; as tias não o conhecem verdadeiramente e o pai, qual alfinete de prata, vai picando como pode neste Fífia esponja, de costas voltadas ao tempo. Fífia. Mesmo. Fífia. Nenhuma acção lhe sai direita e, às vezes, parecendo engasgado, baba. O espectáculo é tal que, entre os poucos que assistem, consta que já houve corridas à feira para comprar babetes de plástico com bolsa de retenção; não vá, no ensejo o homem, meter água onde não deve.
Se o Fífia fosse uma escada teria quatro degraus e uma pedra no terceiro. Primeiro degrau: para poisar um pé. Segundo degrau: para poisar o outro pé. Terceiro degrau com pedra: para se sentar depois de ultrapassar a tremenda dificuldade de ter que retirar a pedra. Quarto degrau: para deitar a cabeça e descansar do enorme esforço de ter afastado a pedra.
Se o Fífia fosse um livro era um livro de citações anónimas. Uma espécie de bloco de notas, agrafado na lombada, com dizeres de todas as origens, em português; porque de outras línguas, nosso Fífia, não pesca nada. Até mesmo as metáforas o confundem; imaginando que estas não são mais do que tiros ou fantasmas de um passado que quer mais escondido do que as célebres histórias que contam da sua infância engravatada; metido debaixo de si próprio como se fosse um caracol. Se pudesse, o Fífia era rei. Se pudesse o Fífia fazia-se passar por figura monárquica. Aí sim é que era bom; já não eram precisos sequer os quatro degraus e a pedra da escada, tudo se resolveria de uma assentada. Mas, no fundo, nosso Fífia sabe que não passa de um saco de asas sem publicidade, porque ninguém arrisca ou de uma moeda falsa que, só ultrapassa a pedra no terceiro degrau da sua escada inventada, porque isto é uma croniqueta e na vida real, fora deste blog e da minha pena, Fífias como este, não têm outro remédio senão mesmo passar o resto da vida a vazar a baba do babete de plástico; o que convenhamos é, para eles, grande e esforçado trabalho.

1 comentário:

Afonso disse...

;))
he he he!