"E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando as vidas dos insectos..."
Mário Quintana
quarta-feira, março 21, 2007
Poesia
«Homens que são como lugares mal situados Homens que são como casas saqueadas Que são como sítios fora dos mapas Como pedras fora do chão Como crianças órfãs Homens sem fuso horário Homens agitados sem bússola onde repousem Homens que são como fronteiras invadidas Que são como caminhos barricados Homens que querem passar pelos atalhos sufocados Homens sulfatados por todos os destinos Desempregados das suas vidas Homens que são como a negação das estratégias Que são como os esconderijos dos contrabandistas Homens encarcerados abrindo-se com facas Homens que são como danos irreparáveis Homens que São sobreviventes vivos Homens que são como sítios desviados Do lugar Homens que trabalham sob a lâmpada Da morte Que escavam nessa luz para ver quem ilumina A fonte dos seus dias Homens muito dobrados pelo pensamento Que vêm devagar como quem corre As persianas Para ver no escuro a primeira nascente Homens que escavam dia após dia o pensamento Que trabalham na sombra da copa cerebral Que podam a pedra da loucura quando esmagam as pupilas Homens todos brancos que abrem a cabeça À procura dessa pedra definida Homens de cabeça aberta exposta ao pensamento Livre. Que vêm devagar abrir Um lugar onde amanheça. Homens que se sentam para ver uma manhã Que escavam um lugar Para a saída.»
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