sexta-feira, julho 21, 2006

Croniqueta XXXVI ou o Fífia é uma Figura de Estilo ou uma Oração Subordinada



A meio de Julho, o Fífia anda desarido, que é como quem diz desvairado, tresloucado, doido. Fífada vai, fífada vem e o pobre, escanzelado dos artelhos, rua abaixo rua acima, mais parece uma ventoinha, disfarçada de chapéu. Em casa, não dá descanso à mãe e às tias. Ele é desfiles de moda, vestindo saias e saiotes, cortinados, lenços brancos.
Agora é escriba de artes gramaticais; dedicou-se a estas coisas por ocasião das férias e do pouco que tem para fazer. De Lindley Cintra e Celso Cunha em punho leva horas a fio a ensaiar formas verbais, actos conjuntivos e imperfeitos fazendo dos dias acções de sujeitos e predicados enrolados em metáforas de pasmar. O Fífia é um artista. Uma pessoa multiplicada por eu, tu, ele, nós, vós e eles. Qualquer coisa que, em português, dito depressa, engasgado, pareça alemão ou francês; talvez espanhol. O Fífia adora os Tempos. Adora ouvir-se a ler na voz passiva. Diz-se completo: ele e outro; o que pelo tom da fala é ouvido mais ao longe. O Fífia é uma redundância. Subindo vai para cima; descendo vai para baixo. O Fífia é uma personificação. Na avenida, parece um pato, quando, de rabo espetado, lembra uma argola de cortina do duche, espevitada, qual asa de periquito embalsamado, que as senhoras da feira “arrumam” em gaiolas de vime. O Fífia é um predicativo de sujeito; um complemento directo; um complemento circunstancial de modo, lugar ou fim. Agora que lê a Gramática -a bíblia- fala em exemplos pontuais; em pessoas singulares e plurais, em Frases exclamativas e interrogativas. Em pé, diante do espelho, emita vírgulas com os braços e, à noite, declama poemas que acabam em reticências…O Fífia é como um espaço de parágrafo, onde, por defeito do escritor, cabem dois metros de escrita.
O Fífia soa a repetição; aos verbos conjuntivos; a ser, estar, parecer e continuar, a interjeição, a onomatopeia: Ping! Pong!
O Fífia não cabe num reflexo; não se reflecte; não arde de paixão pelas palavras, nem, como o poeta consegue falar-nos das urgências delas.
O Fífia é condensado como as gramáticas de bolso, que se compravam nas livrarias por dois escudos e meio.
O Fífia é uma imitação, uma palavra homónima, uma perífrase.
O Fífia é uma Figura de Estilo. Uma oração subordinada.
Um Adjectivo sem (de)grau de comparação.

3 comentários:

Caiê disse...

E esse Fífinhas, zeloso cumpridor das ordens dos seus superiores, está com a gramática agora considerada arcaica e "non-grata" pelo Ministério, o Ministério cheio de cabeças tão bem pensantes e cientificamente apoiadas em si mesmas? Até admira!

Deus o poupe, ó rapaz, ainda perdes o assento na tua cadeira coçadinha pelo forro das tuas calcinhas de marca...

D'ARREJEITE disse...

AH! Ara se eu nã conheço esse Fífia de gingera. É tal e qual aqueles relozes de parede que só bate o meio dia pl'as trindades.

Anónimo disse...

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