sexta-feira, junho 23, 2006

Croniqueta XXXI ou o Fífia é um boneco de 4 caras: chora,ri, dorme e mama na chucha



O Fífia não desiste. Resiste, subsiste e insiste na mesma falha semântica do dó fino, de grave aparência sempre que, entre flashes e famas, se deixa ofuscar pela liberdade das palavras. Dá-lhe o tique, o coração abotoa-se e lá vai, oratória fora, qual cavalo em corrida, saltando estacas, espezinhando almas, e botando uma faladura tão política que até os nossos ouvidos se queixam. Ele é só faltas; ele é desgraças e asfixias, balões e tesouros por descobrir; ele é tudo menos o essencial. O Fífia é assim mesmo. Há-de ser sempre. Sonho de D.Sebastião, réplica pouco perfeita de Bandarra, quase a tombar para se tornar vendedor de Feira em versão de “sanefas” à moda regional. Sim, porque as modas são com ele. E, se agora é moda, dizer-se mal, porque não há-de ele, qual trovador de canto de esquina, pregar o sermão dos filetes? Assim lhe fica bem; de beiços apertados e gravata comprada na melhor loja do burgo, afiar-se na descoberta dos quês e porquês dos outros; enquanto nós que até somos desta terra e até estivemos sempre aqui; que não estamos desmemoriados e, ainda, temos querer, assistimos ao desfile de desejos de “glória de mandar e vã cobiça”! Não há santo que sustente muito tempo na prateleira a santidade de pó; temos a sensação de que, quando o olhamos fixamente, se desmorona, porque feito de embaraço, nem os supositórios de prilimpimpim, que lhe chegam da metrópole o aguentam muito mais tempo. O Fífia está desgastado; já não diz coisa com coisa; anda para cá e para lá, como se fosse um “bolo de véspera”, furado com um garfo, desenhando-se na base, as voltas de um círculo vicioso, em cujas fronteiras, mandam todos, menos ele. Comido, por dentes estranhos, atraiçoado como um rato, o Fífia vende ilusões; engasgando-se em atrasos e pagamentos mortais. Cheio e pleno de moralidadezinhas; o Fífia lembra os deuses solitários que do Olimpo desceram à escala dos Infernos; anda de rabo quente ao som dos estalidos dos cliques fotográficos, mas sabe, melhor do que todos nós, que da cadeira pulará ao primeiro sinal. Por isso, não discorre no discurso, não diz coisa que bata com coisa nem tão pouco, por melhor que seja o escrivão de serviço do dia, se safa. O Fífia é daqueles que está sempre “ a modos” e pronto para, a convite, sambar no melhor trem eléctrico, numa rota de Carnaval Europeu; mas isso não se diz a ninguém; porque, agora, bom mesmo para ele é que se fale dos outros e se diga que os outros são todos maus e ele, ele sim, é o Capuchinho Vermelho das histórias de embalar. No embalo, assim vai o Fífia prego a fundo na estrada, onde em cada esquina, vê pessoas de cartão a fingir que estão presentes…E ele, só ele, é o único que dignifica a Raça; que ergue a Taça e brinda à figura de bobo que faz, quando, pousado nos seus sapatos caros de atilhos automáticos se lança em correrias doidas pelas estradas desta terra.
O Fífia é um boneco de quatro caras. Se lhe rodarmos a cabeça; ele chora, ri, dorme e mama na chucha. Se lhe apertarmos a barriga, ele canta.

4 comentários:

D'ARREJEITE disse...

Ah, ganda Fífias. Tá lindo!

Rui Goulart disse...

Está sim senhor, embora não conheça essas ilustres personagens!! :)

Mariana Matos disse...

Obrigada aos dois.

Anónimo disse...

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