sábado, março 11, 2006

Natália...



"(...)Acode-me um relato de geógrafos arábes que intruiu os navegadores portugueses na demanda dos mistérios do Poente. Li-o ontem num livro de Claude Derven (Les Açores) que um patrício me mandou com um ramo de hortênsias a jeito de boas-vindas:"Diziam que nas extremidades do Ocidente havia uma Ilha encantada que de sete em sete anos se mostrava aos navegadores que sulcavam essas paragens...Era uma Terra coberta de bruma, embalada no dorso das marés, a qual seria um oásis de ventura para quem lhes quebrasse o encanto."
Pergunto-me se as caravelas lusíadas te quebraram o encanto, ó minha ilha das névoas que velam o arcano do Ocidente. Ou, porventura, àqueles que julgaram descobrir-te capitaneando naus cobiçosas do dízimo do teu trigo, da tua cevada e tuas frutas, negaste o segredo que virginalmente guardas no fundo do mar?(...)"


Natália Correia, excerto de "Ponta Delgada, 6 de Setembro de 1975", in Não Percas a Rosa (diário e algo mais de 25/04/1975 a 20/12/1975), Lisboa, Editorial Notícias, 2ª edição, 2003, pp. 287/288.

2 comentários:

Rui Coutinho disse...

A Biblioteca Pública tem uma "exposição"?
Fui lá e o que vi foi uma conjunto de fotos, algumas delas pessimamente reveladas, e uma vitrinas com objectos pessoais a monte.
Nem uma porra bem feita conseguem fazer com todo aquele material.
Haja vergonha.

Mariana Matos disse...

Ainda não vi. Vou ver.