domingo, fevereiro 12, 2006

Croniqueta V ou a coluna do Fífia é feita de gama



Agora, o Fífia é Doutor. Com a chegada do Carnaval, já mandou fazer o fato e, pasme-se, talhou-o bem talhado, no desfile de vaidades, vai vestido de Super-Homem com meia e tudo a condizer…ah grande Fífia. Não fosse o olhar sibilino de sempre e até passava despercebido.
O Fífia continua a pensar que é grande. (A culpa é nossa).
Diz que é poeta e cronista, que escreve a metro. O Fífia diz que nasceu para as palavras. O Fífia é um resguardado; um lençol de seda mal dobrado, uma rima, que por ser estrela, desafina, ao canto do céu nublado.
O Fífia não tem charme nem chama. Fala de cor. Não acredita, mas pensa que sim...
Agora foi convidado para escrever para o jornal. Exigiu canto para a fotografia com legenda: “poeta, cronista e autor de cantigas mil, falador, comentador, membro distinto do grupo de música sacra feed-back”.
Entre nós, temos artista…mas não sabíamos. Acha-se herdeiro de Fernando, “o tipo dos óculos redondos”,como adjectiva Fernando Pessoa. Nas suas crónicas diz ser a pessoa que para nós tem uma mensagem; um nobre escrito, que nos namora.
O Fífia é um iletrado. Os textos que tem escrito com 3500 caracteres, plágios autênticos, fazem dele figura singular. Qualquer dia, vê-lo-emos, qual outra figura nacional, limpa do carácter e arejada pelas marés de mudança, destilando versos e miraculosas imagens sobre o Portugal de hoje. O Fífia conhece essa costumeira limpeza de carácter, fielmente portuguesa, orgulhosamente lusitana. Pobre Viriato.
A ele, o Fífia dedicou a crónica Voz dos Deuses e fez do autor, um personagem da sua crónica. Ninguém lhe chamou a atenção. Diz-se surfista das Brumas de Avalon, narrador dos Desastres de Sofia, mas ninguém o acusa de nada. Continua, vivo e fiel às "sete colinas" dos Açores, aonde inclui a lenda que diz ter inventado, das Sete Cidades.
Triste e enganado, o Fífia enche-se de um valor que não tem e aos Sábados fala da Mulher de Porto Pim, uma senhora, ou dama, que conhecera, em tempos, na Graciosa. Mentiroso.
O Fífia não vale nada, por isso empenha-se na agregação de calinadas para levar a jantares e fados aos Sábados à noite quando, em visita, a casa, se deixa juntar a velhos amigos de outras fortunas.
O Fífia não tem plural; é tão único como a palavra lápis com a diferença de que não escreve por si nem nunca se afia. O Fífia não alumia, não rejuvenesce, não se recria. O Fífia é único.
Em Lisboa acostuma-se aos Lisboetas, com ar de Guerra Junqueiro, óculos de Eça de Queirós, manha do personagem Carlos da Maia galopa em diversos cenários, qual figura de cera ou estátua de sal. Porém, descoberto como uma qualquer imagem desfocada de um pintor de terceira categoria. Crítico, mal aparentado com teorias pouco abonatórias, descritas num português do Brasil, o Fífia é uma versão mal copiada da geração de 70. Inventa palavras, discursa...
Já arranjou um marceneiro para lhe fazer um palanque, porque agora, segundo diz, quer ser Representante dos Oprimidos. Quer que seja iluminado com uma lâmpada vermelha por cima da cabeça de desligar e ligar, porque o queridinho Fífia diz ser poupado e atento às leis da poupança. Já anda a ensaiar para orador. Aos Domingos, no café, fala de Eduardo Lourenço e Prado Coelho, dizendo ter sido colega deles e de Agostinho da Silva.
O Fífia é uma cópia de gente.
Na discoteca, quando vai, faz poses.
Baixa os braços, levanta-os…Esquece-se e falha num rodar de olhos vesgos e nariz inenarrável. Gostava de ser o Patrick Swayze, talvez o John Travolta, mas o Fífia rodopia, dá a volta e não traz nada de novo. Uma desgraça.
O Fífia é uma parcela de gente, quase grande.
O Fífia confunde ideais com ideias, actos com palavras e demónio com democracia. Pela-se por corridas de carros e de cavalos, mas não tem equipa de futebol. Apoia a selecção e orgulha-se do Pauleta, mas entre os Açores e Lisboa, prefere o Terreiro do Paço.
O Fífia é um filósofo de pluma e rascunho. Um artista enganado na porta de entrada no palco, disfarçado de ponto e vírgula, atrasado no travessão, desgraçado pela anedota que ficou a ouvir, em vez de sair e não dar nas vistas. Deu, dá sempre.
O Fífia é um erro de escala. Um vazio, um reflexo mal reflectido.
Atirado ao papel, como agora, resume-se numa espécie de resto do qual, pensava, não ter restado nada, senão um vazio, nos braços dos calinadas. Afinal, enganei-me e o Fífia está vivo como um alecrim, esperto, vivo dos olhos sibilantes, que mesmo debaixo dos óculos escuros, versão rasca de Elton John, deixam antever um esgar de aflição...
O Fífia é um post escrito em dois dias, talvez não publicável…
O Fífia é uma desgraça ambulante, ainda pior, porque atrevida e cheia de espaço para se intitular como figura paternal de dona disto e daquilo.
O Fífia é um mortal não morto.
Um passo de ginástica em falso. Uma cambalhota de partir a espinha. A dele nunca endireita. Há quem diga que é de gama.

4 comentários:

TóZé disse...

Chiça!!!!!!!!!!!!!!!Além de muito bem escrito!

TóZé disse...

Este post é chama que arde sem se ler. Ninguém lhe vai tocar. Terão todos medo de se queimarem, de enfiarem a carapuça???

Anónimo disse...

Best regards from NY! »

Anónimo disse...

Best regards from NY! »