"E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando as vidas dos insectos..." Mário Quintana
terça-feira, junho 22, 2010
Pianinho
Um dia lera naqueles livros que estão expostos, por ordem das suas cores, nas tabacarias dos aeroportos, entre os galos de Barcelos, as carteiras da Hello Kitty e os jornais A Bola, que os “pianos são como pequenas caixas com gente dentro”.
Na altura rira a bandeiras despregadas com aquela espécie de metáfora de pacotilha elaborada por um tal de Alain qualquer coisa, que escrevera um livro de silogismos e metáforas, que custava pouco mais que cinco euros e que tinha citações de Voltaire na contracapa. Escrevia o tal Alain o que era um piano ou o que coisa podia ser esse objecto.
Impressionava-a a facilidade ou a ligeireza com que se punham livros assim à venda, com pessoas sorridentes nas badanas e biografias de muitas linhas e palavras despegadas umas das outras.
Impressionava-a isso e a confusão das tabacarias dos aeroportos, sempre cheias de muitas coisas para turistas, misturadas com pacotes de gamas americanas e pacotinhos de pulseiras e ganchos, copos com palitos a gritar o nome dos lugares, onde ficam os aeroportos, lenços cheios de golfinhos ou autocolantes para o frigorífico com palavras de ordem como: “Amo-te, isso basta-me”.
Os aeroportos são sítios cheios de gente a partir e de outra tanta a chegar. Faz confusão o mecânico da coisa: de se partir e de se chegar e se voltar a partir e se voltar a chegar.
Normalmente, os cidadãos que vão chegando e partindo, mais os outros que vão despedindo e deixando e largando e saindo não pensam nisso, mas ela pensava com frequência. Nisso e noutras coisas, como por exemplo na forma como as crianças que partem ou que chegam têm quase sempre um ar feliz e trazem ou levam, não raras vezes, uma mochila. Nos fumadores que fumam últimos cigarros à porta e nas mães a receber ou a deixar os filhos.
(Ela tocava piano. Tocava de tudo. Tocava piano rapidamente. Tocava piano porque achava graça.)
“Os pianos são caixas de música”, explicava o tal do Alain que ela comprou no aeroporto de Lisboa para ler qualquer coisa, que não fosse notícias do mundo a falar de coisas tristes e de mortes e de fomes e de crianças em desespero e de padres e de futebol ou de política e de coisas dessas. Comprou o livro com citações de Voltaire na contracapa e com uma fotografia de um autor que tinha um ar de vendedor de sumos Tang.
Os aeroportos são sítios bons para ler tipos como o Alain. Nunca se ouve ninguém a tocar piano num aeroporto. “Os pianos são como aviões a aterrar cheios de gente e malas”, explicava ele, o tal, penteado à moda de Alain Delon, mas com ar de vendedor de sumos de pacote com palhinha.
Nas tabacarias dos aeroportos revistas ensinam a bordar, outras mostram caras chiques e asfaltadas por quilómetros de cremes e pastas, mais vestidos e cores e sandálias.
Podia ter optado por comprar uma revista daquelas que ensinam a emagrecer em dez dias ou outra que falasse das mini férias de um Presidente da República, mas tudo isso comparado com um livro de silogismos e metáforas do Alain não sei das quantas que na biografia dizia que era orgulhosamente músico desde os três anos de idade, mas que não ousava tocar piano, não fazia sentido.
Afinal, o que pode ser melhor que ler coisas como “o piano é a planície das mãos”, quando comparado com as coisas que um Presidente da República diz (ou não diz) nas suas mini férias?
Nada.
(Ela tocava piano. E dentro do piano havia cordas. E nas cordas dois passarinhos. Um partia. O outro chegava…)
sábado, junho 19, 2010
rabiscos

Pode escrever-se o rosto de uma ilha a giz no canto de uma partitura
Qualquer que seja a entrada ou a estrada por onde forem percorrer os dedos...
Pode dizer-se saudade com espanto
Ou derramar nela a angústia de nos termos perdido.
Pode morrer-se lenta e vagarosamente como as últimas páginas de um livro e
Transmitir aos outros a linguagem simples das coisas.
E tudo isto, sendo apenas uma composição de frases juntas e encadeadas
Servir apenas para preencher folhas brancas
ou apenas
o lado B de grande parte do nosso tempo...
(Horta, junho)
domingo, junho 13, 2010
quinta-feira, junho 10, 2010
Orgulhosamente sós
Na verdade, a Região não recebeu os navios que tinha encomendado aos Estaleiros Navais de Viana de Castelo, mas foi ressarcida em 40 milhões de euros, valor superior ao que já tinha pago a este construtor. Avancemos para os factos políticos: É inteiramente legítimo à oposição, neste caso em bloco, propor uma comissão de inquérito para apurar as responsabilidades políticas de uma área da governação. Desde o início percebeu-se que havia várias oposições. Uma - composta pelo CDS, BE e PCP – interessada em esclarecer e apurar eventuais responsabilidades, dentro das competências do nosso Parlamento. Outra – o PSD/Açores – que apostava neste processo como a última bóia de salvação para esconder a sua incompetência política em apresentar um projecto válido para os Açores.
Aliás, o projecto que criava a Comissão pretendia ir mais além do que deve ser a fiscalização de um Parlamento, entrando por áreas exclusivamente reservadas ao Poder Judicial. Também neste caso foi preciso chamar o PSD/Açores à razão. Acrescentemos, agora, os desenvolvimentos: Entre o anúncio público e a apresentação da proposta para a criação formal da Comissão passou uma eternidade, porque o PSD/Açores quis arrastar no tempo este processo, o que gerou um desconforto notório entre alguns partidos da oposição, que se sentiram utilizados pela estratégia partidária social-democrata.
Depois, já quando a Comissão estava em funções, o PSD/Açores optou pelo discurso do “orgulhosamente sós”, acusando o PS de condicionar os trabalhos. Esqueceu-se, sempre, de dizer que nenhum dos nomes recusados para serem ouvidos o foi, apenas, pelo PS. Mais uma meia verdade social-democrata, rapidamente desmascarada.
Passemos, assim, aos episódios: O PSD/Açores, desde o início mostrou que não pretendia cumprir o acordo firmado na Comissão entre todos os partidos para o bom funcionamento dos trabalhos e que o próprio PSD concordou. Nunca resistiu aos microfones e às câmaras de televisão, transformando um entendimento unânime dos deputados numa palavra vã. Todos os restantes partidos reagiram, em conjunto, à quebra do acordo e o PSD/Açores, mais uma vez orgulhosamente só, deu umas desculpas que nem convenceram o próprio.
Mesmo assim, não aprendeu. Voltou à carga com uma conferência de imprensa, esta semana, que mais não pretendeu do que tentar arrastar o presidente do Governo Regional para este processo, sem nunca apresentar uma única prova, uma verdadeira razão concreta. E mais: percebendo que os factos podem não coincidir com as acusações que tem feito nos últimos meses, ameaça, agora, com o Ministério Público.
Fica provado que o PSD/Açores apenas queria esta Comissão para seu deleite partidário, sacrificando o respeito que deve ter pelo Parlamento e o sentido democrático que deve mostrar pelos outros partidos.
Acabemos com a conclusão evidente: O PSD/Açores está neste processo, unicamente, com intenções partidárias, tentando arrastar nesta estratégia todos os intervenientes: o interesse regional em primeiro lugar, mas também os restantes partidos da oposição, o Governo Regional e o PS. Este comportamento mostra que ser o maior partido da oposição não é uma responsabilidade que esteja à altura de todos. Neste capítulo, o PSD/Açores tem muito a aprender com os restantes partidos que compõem o nosso Parlamento
terça-feira, junho 08, 2010
Olhos que não vêem, coração que não sente
Sobre o discurso de encerramento há assim dois factos a registar: um primeiro, que é o de estando no Pico a encerrar uma jornada de visita sobre Turismo no triângulo, ter-se falado de Reabilitação Urbana e um segundo que é o de falando nisso, se ter exactamente e, mais uma vez, contradito o que anunciara há meia dúzia de dias antes, o Vice-Presidente da autarquia.
Ao fim e ao cabo, a verdade é que ao que parece ninguém se entende e não se entendendo é o que se vê. Primeiro lembram-se sonhos antigos, depois Reviva para a frente e para trás, depois “ah, não é”, afinal Sociedade de Reabilitação Urbana e, por fim (ou se calhar não!), resolvemos o problema de Ponta Delgada. Como? Ah, já se sabe: O Governo dos Açores que pague.
Ora, depois de ter passado o dia dos Açores, no Pico, entre sopas, massa sovada e “vésperas”, bem que a líder do PSD/Açores podia ter optado por outra qualquer “coisinha”, que os companheiros picoenses, lhe recomendassem, que fosse bom de anunciar...
A semana passada também ficou marcada por outros acontecimentos tristes. Então não é que a constatação de que os municípios dos Açores se encontram numa situação económica e financeira má e o anúncio de que o Governo dos Açores tomara medidas de apoio específico de emergência a essas autarquias, levou a senhora Presidente da Câmara de Ponta Delgada, a ficar muito ofendida, e a nunca assumir o problema?
É. E é quase inacreditável o que aconteceu. Até parecia que ninguém podia falar do município de Ponta Delgada e que é mentira que este tem uma situação financeira preocupante. Como ninguém desmentiu, é mesmo verdade. E, pasme-se, a dívida bancária até aumentou, desde que Berta Cabral assumiu funções 388%. A autarquia de Ponta Delgada, fechou o ano de 2009 devendo 5,4 milhões de euros a mais de três centenas de empresas privadas!
Não se compreende o susto que o revelar de tais factos provocou, muito menos o calor das penas que motivou, quando afinal, qualquer pessoa de bom senso, espera de um partido, como o PSD/A, apenas e só, que assuma os seus erros, faça propostas, procure soluções…
Porém, hoje, como no passado, o PSD/A não assumiu os erros, não fez proposta nenhuma no âmbito do assunto, que se discutia e, pior, agiu como a menina mimada, a quem estragaram o laço do cabelo da boneca preferida.
Tal atitude, demonstradora, também, de escassa cultura democrática, só prova no PSD/A se vive um deserto de ideias…
É, pois inaceitável que assim seja, vindo de um partido que tem, agora, como líder, uma pessoa que já foi Secretária Regional das Finanças, além de ter sido, também, Presidente da SATA, Presidente da Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores ou Deputada Regional, por exemplo.
Dir-me-ão isso já foi há muito tempo! Ninguém se lembra. Lembra, claro que lembra. Em política, como aliás na vida, não vale tudo. Sendo que a memória é, sem dúvida alguma, uma relíquia, a estimar. Nesse sentido, também e em jeito de conclusão, é bom que fique muito claro, que não é o medo da sombra de ninguém, que aqui faz mover a pena, até porque sombras fazem as árvores, os guarda-sóis na praia e, como diz o povo, os burros.
A questão aqui é outra. Por isso, apenas resta esperar, serena e calmamente, neste espaço, como em todo o lado, que agora que a senhora Presidente, ultrapassa a fasquia de 30 (trinta) anos de vida pública – ocupando cargos políticos – um dia destes, chegue a um simples, mas essencial ditado da vida das pessoas comuns: Olhos que não vêem, coração que não sente.
Se não chegar, haja alguém que lhe diga. Se não for por amor aos Açores, ao menos que seja, por amor a Ponta Delgada.
quinta-feira, junho 03, 2010
As Culpas da Crise
Penso ser interessante perceber, “grosso modo”, em que medida esses factores exógenos contribuíram para as nossas dificuldades, quais as nossas debilidades estruturais e quais as soluções que devemos apresentar para continuar a amenizar essas contingências e fazer com que a nossa terra saia mais cedo da crise.
A conjuntura internacional criou vários problemas à região, que resultaram em inúmeras dificuldades. Em primeiro lugar esta crise limitou o acesso ao crédito às empresas locais, impedindo-as de continuar os seus investimentos na mesma medida ou então obrigando-as a financiarem-se a custos proibitivos. Em segundo lugar, na maioria dos mercados internacionais existiu uma baixa generalizada dos preços dos produtos, ou seja, deflação, o que prejudicou, em alguma medida, a competitividade do nosso sector exportador e pelo facto do acesso ao crédito estar mais restritivo, não permitiu beneficiarmos de importações mais baratas. Em terceiro lugar, a região tinha em carteira um conjunto de investimentos externos, que por dificuldades nos seus mercados, pela dificuldade de acesso ao crédito e pela incerteza quanto ao futuro da economia nacional e internacional, preferiram suspender os seus investimentos para quando a conjuntura o permita. Em quarto lugar, a “Grande Recessão” atingiu fortemente, países, como o nosso, a Inglaterra, os países nórdicos ou a Alemanha, o que fez com que estes mercados emissores de fluxos turísticos para os Açores, sofressem uma grande contracção. Por último, a dificuldade de acesso ao crédito e a falta de confiança generalizada dos consumidores motivou com uma queda abruta no consumo e também, por exemplo, na compra de casas, o que motivou que muitas empresas ficassem numa situação de incumprimento com os seus fornecedores e trabalhadores, que por sua vez também ficaram em incumprimento perante outros, afectando assim toda a cadeia de valor.
É normal que muitos afirmem que a nossa economia já caminhava para estas dificuldades. É assim que funciona o jogo político. Mas tal afirmação carece, a meu ver, até hoje de sustentação. Sabemos que uma economia pequena e insular como a nossa devia sofrer, em larga medida, mais do que outras maiores e com mais história e por isso, com mais sustentação. Mas isso, como se comprova, não aconteceu. Apesar de antes da crise, muitas empresas já estarem no limite do endividamento, dos nossos sectores exportadores ainda carecerem de afirmação nos seus mercados, da maioria das Câmaras Municipais para além do seu endividamento, terem incentivado a um crescimento desmesurado do negocio imobiliário e do turismo ainda estar, na altura numa fase de crescimento ainda com pouca diversificação em termos de mercados emissores, o facto é que a nossa terra continua a ter uma taxa de desemprego abaixo da media nacional, um numero de falências reduzido e um crescimento económico acima do continente.
Mas para ultrapassarmos estas dificuldades todos temos de fazer o nosso papel. O Governo dos Açores, mantendo sempre o rigor na gestão contas públicas, imediatamente facilitou o acesso ao crédito lançando um conjunto de linhas de crédito às empresas e particulares de forma a estimular o consumo e o investimento privado, lançou programas de apoio ao emprego, na base da requalificação e reorientação profissional e aumentou o seu investimento público reprodutivo de forma a dar à economia regional e empresas regionais o estímulo económico que careciam. Ressalvo que de todas as adjudicações provenientes de investimento público governamental apenas 10,8% foram atribuídas a empresas de fora região. Infelizmente nem todos fizeram o seu papel. Alguns empresários optaram pela queixa permanente à espera que o Governo lhes fosse dar a mão. Outros, como a Câmara Municipal de Ponta Delgada, preferiam assobiar para o ar, como se não fosse nada com eles, passando o ónus da responsabilidade de competências suas, como a reabilitação urbana, para o Governo Regional, como se isso disfarçasse a sua total incompetência nessa área e fizesse os fornecedores esquecerem os milhões que lhes deve.
terça-feira, junho 01, 2010
Uma Solução Justa
Na Europa o mesmo caminho começa a ser seguido. As instituições europeias finalmente perceberam, depois dos ataques das agências rating à moeda única, que só com uma política económica e financeira comum, devidamente apoiada pelo Banco Central Europeu, é possível a União Europeia ultrapassar as dificuldades advindas do endividamento de alguns Estados Membros e das fracas perspectivas de retoma da actividade económica. Assim, o Conselho Europeu obrigou, os Estados Membros a apresentarem planos de contenção do seu endividamento, quer este seja público ou privado, recomendando, contudo, que estes planos de austeridade não comprometam as perspectivas de crescimento económico desses mesmos países. A meu ver, é sempre bom lembrar, que exceptuando a situação específica da Grécia, que escondeu a sua divida durante décadas, os grandes défices dos Estados Membros da União Europeia é que salvaram a economia europeia da catástrofe, do desemprego e da depressão económica durante os últimos dois anos. É agora pois, a altura, de progressivamente retirar algum investimento público não reprodutivo e de cortar em alguma despesa do Estado de forma a que a “cura” não acabe por matar o “doente”.
O meu medo, em relação à economia portuguesa, é que esta pouco reformável e muito dada a promover situações demagógicas. Todos percebemos, quer pelas declarações, do Governo, da Comissão Europeia ou do líder do PSD, que é preciso cortar em algumas coisas na despesa do Estado. Mas infelizmente, o que todos defendem, PS inclusive, é que se corte em alguma coisa que não se perceba bem em quê, de forma a que nenhuma corporação fique afectada e as agencias de rating fiquem satisfeitas.
Ora esta premissa é impossível de ser satisfeita! Todos os protagonistas da actividade política, social e económica têm de se aperceber disso rapidamente, tendo sempre em conta que vivemos num país em que os rendimentos da generalidade trabalhadores são baixos. Vejamos alguns exemplos da irresponsabilidade que paira pelo nosso país:
O Governo anuncia uma sobretaxa no IRS de 1% e 1,5% que varia, consoante os rendimentos auferidos e logo alguns economistas cavaquistas, que ganham reformas milionárias vem sugerir um corte de 30% na maioria dos salários; O Governo anuncia uma redução de 5% nos salários dos políticos, situação que com muito orgulho aceito e logo alguns, professores universitários e magistrados, que ganham o dobro do que ganha a maioria da classe política e que mantêm o seu nível salarial, vêm dizer que o corte devia ser de 30 ou 40%; O Governo pretende incentivar o uso de medicamentos genéricos, demonstrando aos utentes do SNS as vantagens económicas para todos do uso dos genéricos e logo a Ordem dos Médicos e a Associação Nacional de Farmácias se manifesta contra por lesarem os seus interesses;
O que todos temos de perceber é que se verdadeiramente queremos resolver a nossa situação, temos de aceitar, TODOS, fazer sacrifícios de uma forma justa, sem dizer que se corte apenas no vizinho. Se assim não for, não haverá, então solução nem para as corporações nem para Portugal.
quarta-feira, maio 26, 2010
Tarde é o que nunca chega

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Duas semanas depois de o PS ter alertado para a necessidade urgente da autarquia de Ponta Delgada assumir as suas responsabilidades no centro histórico desta cidade parece que já há solução...
À parte das campanhas de que falámos a semana passada, mas ainda com a noção de que é bom lembrar um sonho antigo chegou, pela voz do Vice-Presidente da edilidade a intenção camarária de criar uma sociedade para reabilitar edifícios situados no centro histórico da nossa cidade. Uma Sociedade de Reabilitação Urbana.
Vale a pena recordar, neste âmbito, que em 2005, a vereação socialista, na Câmara Municipal de Ponta Delgada, propôs que fosse criada uma Sociedade de Reabilitação Urbana.
Passados cinco anos (mais coisa, menos coisa) e apesar de naquele tempo a Câmara ter ignorado essa possibilidade, só nos resta esperar que não seja preciso passar mais cinco anos à espera de ver qualquer avanço.
Já diz o ditado popular, que aqui como em toda a parte, “Tarde é o que nunca chega”…E nestas, como aliás, em muitas outras matérias do género, o que interessa mesmo é que se faça, embora, seja conveniente lembrar, que esta é uma ideia “repescada”; que já se passaram cinco anos; que nunca se quis avançar; que a maior parte das vezes se optou pelo mais fácil, ignorando aspectos prioritários; que foi preciso desabar a fachada de um edifício no Largo 2 de Março; que houve duas ou três reportagens sobre o assunto; enfim…que levou muito tempo a chegar, mas que chegou e que tendo chegado sejamos surpreendidos.
Perceber o óbvio é às vezes muito complicado para algumas pessoas. Também por isso e, noutro contexto, recomenda-se aos adeptos da teoria das low-cost a leitura (com atenção) de um artigo publicado a semana passada no prestigiado site norte-americano “Examiner”, onde se considera, a propósito da recente crise provocada pela nuvem de cinzas vulcânicas da Islândia, a nossa transportadora aérea regional SATA como um exemplo para todas as companhias aéreas mundiais, quer no acompanhamento dado a todos os passageiros, quer na forma como foi regularizada a situação após a reabertura do espaço aéreo.
“A SATA faz-nos recordar os bons velhos tempos em que as companhias aéreas levavam a sua actividade a sério” afirma-se no site.
É, no mínimo, estranho que aqueles que estão sempre prontos para atacar a transportadora, não tenham agora escrito uma palavra que fosse sobre o assunto…
E por falar em escrever palavras sobre os assuntos (que é no fundo do que se faz um artigo) não podemos deixar de referir um de que tomamos conhecimento no Facebook de um amigo e que depois vimos nas páginas de alguns jornais. Falamos do facto de em Alenquer se ter comemorado este fim-de-semana que passou as Festas do Senhor Espírito Santo.
Interrompidas há perto de 200 anos em Alenquer, reconstituíram-se por uma única vez em 1945, para renascerem em 2007, sob o lema “o Espírito Santo sopra onde quer”. Este ano os festejos – dizem as notícias – homenageiam os Açores.
Por cá, também, por todas as ilhas, lugares, freguesias, vilas e cidades este fim-de-semana “grande” não foi excepção e mais uma vez a tradição se viveu em pleno de alma e coração…
sexta-feira, maio 21, 2010
Irresponsabilidade Crónica
Todos sabemos que o processo de construção dos novos navios Atlântida e Anticiclone acabou por não correr de acordo com as expectativas da Região. Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) não conseguiram construir os dois navios de acordo com o estipulado nos contratos celebrados com a Atlânticoline, propondo-se a entregar à Região dois navios com problemas e que não cumpriam um dos requisitos fundamentais do que lhes tinha sido pedido: atingir a velocidade de 19 nós a 85% de potência dos motores.
A Região, e muito bem, decidiu não aceitar os navios, tendo chegado, posteriormente, a um acordo com os ENVC, que prevê que sejam integralmente devolvidos os pagamentos já efectuados, ao que acresce uma indemnização pelos danos causados pelo facto de não termos navios novos em operação. Este processo de negociação foi complicado, obviamente, pois estava em causa muitos milhões de euros e a possibilidade de um longo processo judicial entre as partes. Nesse sentido, este foi um acordo mais do que satisfatório para a nossa Região.
O tempo deu-me razão quando alertei para a possibilidade do PSD utilizar esta comissão para fins partidários, sem qualquer preocupação séria de fiscalização política. Iniciados os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a Construção dos Navios Atlântida e Anticiclone, o PSD tenta transformar esta Comissão num espectáculo. O que não deve ser uma surpresa já que este é o mesmo partido que teria rescindido os contratos com os ENVC, numa altura em que não o podia fazer, com um ligeireza irresponsável que custaria milhões de euros ao orçamento regional.
O melhor exemplo do que afirmo é o facto de este partido ter tentado chamar para inquirições na Comissão, mais de duas dezenas de pessoas que não tinham responsabilidades de direcção no Governo Regional, na Atlânticoline ou nos ENVC. A lógica típica de tentar inquirir, desde o bate-chapas ao torneiro mecânico ou até um jornalista que tenha escrito sobre o assunto, sem que com isso resulte qualquer benefício para o objectivo final.
Com todo o respeito que me merecem estas profissões, o objectivo desta estratégia parece claro: se o PS aceita inquiri-los o PSD prolonga o espectáculo mediático à volta disto, tentando aproveitar qualquer consideração de um subalterno sobre o seu chefe para prejudicar o Governo e a Região; se o PS decide não os ouvir por considerar excessivo e redundante, cai o “carmo e a trindade” porque estamos a tentar bloquear os trabalhos da Comissão.
Felizmente que o bom senso imperou nos restantes partidos da oposição, que acabaram por vetar, em conjunto com o PS, as inquirições propostas pelos PSD que tinham apenas como objectivo de fazer “circo mediático”.
Não menos curioso terá sido o aparecimento cirúrgico, em alguns jornais, de documentos internos da Comissão de Inquérito, apenas com a versão dos acontecimentos do lado dos ENVC e sem qualquer contra-argumentário da Atlânticoline a explicar a sua posição. Mais curioso, ainda, é o facto de o PSD logo ter vindo comentar este mesmo documento, dizendo que este continha “afirmações muito graves” para a Região, esquecendo-se de salientar que o mesmo já foi analisado pelo Tribunal de Contas que nada apontou no seu posterior relatório.
Quero, por isso, salientar a postura responsável dos restantes partidos da oposição, nesta Comissão, demonstrando que o seu único objectivo, tal como o do PS, é esclarecer todas as dúvidas que possam surgir neste processo.
quarta-feira, maio 19, 2010
“É bom renovar um Sonho Antigo”
Na altura, este era o grande Projecto de Revitalização do Centro Histórico e surgia no âmbito do programa REVIVA.
“De volta ao Centro Histórico” arrancava a 1 de Agosto. Terminava a 31 de Outubro e visava, diziam as notícias, a recuperação de imóveis destinados à habitação, ao comércio e à cultura, bem como à promoção do comércio tradicional e da restauração.
O calor do verão e a campanha para as eleições autárquicas traziam a autarquia de Ponta Delgada “ de volta ao Centro Histórico” e, com ela, as promessas de revitalização do comércio tradicional, de viver no centro da cidade e de criação de parcerias com os agentes locais para promover, exactamente, esse Centro Histórico.
Em Ponta Delgada queria criar-se “ a moda de viver no Centro Histórico da cidade”…Mas, 31 de Outubro já se foi e nunca mais se ouviu falar dessa moda, que antes dos saldos, já tinha sido, perfeitamente, ultrapassada.
Entretanto, ao fundo do túnel, outras promessas chegaram e passaram à frente: um Museu novo, anunciado no início desse Outubro da “moda de viver no Centro Histórico da cidade”, que seria construído de raiz, e uma área comercial a nascer por cima de uma Central de Camionagem a construir defronte do Coliseu Micaelense.
Mas, voltemos atrás – de volta ao Centro Histórico – à campanha que era até 31 de Outubro, sobre a qual se viram mupis e spots com pessoas sorridentes e lemas como “É bom dar e saborear”; “ É bom gerir uma loja bonita”…É bom. Claro, que é. O que não é bom é nunca mais se ter visto nada sobre isso.
É mau termos assistido ao ruir parcial de uma fachada de um edifício já depois de Outubro de 2009, e antes das Festas do Senhor Santo Cristo de 2010, a 26 de Abril, no canto sul da Rua de São Miguel…
É mau ouvirmos a autarquia criticar o Governo, a esse propósito e lavar as mãos dessa obra que prometia ser bom “dar e saborear”, como se já não soubesse o que sabia em Julho de 2009.
É péssimo perceber que afinal essa campanha não passou de uma mera campanha de marketing promovida em final de mandato autárquico, que nunca mereceu da parte da autarquia um balanço rigoroso.
Não se sabe o número de pessoas que transferiram residência para o Centro Histórico nem são conhecidos dados sobre o número de casas ocupadas no âmbito dessa campanha de Outubro de 2009.
“É bom renovar um Sonho Antigo” era outra das mensagens associadas ao lema da campanha que queria levar gente “De volta ao Centro Histórico”…Afinal, está visto tudo não passou do mero discurso de “sucesso garantido”.
No entretanto, passaram a ser moda Oscar Niemeyer, um prémio de mulher do ano e, entre outras coisas, Serralves. A hipótese de ser “ câmara fundadora” como Viana do Castelo, Porto, Matosinhos, Santo Tirso ou Ovar apagou o “sonho antigo”, que era bom.
Há coisas incríveis. Esta é uma delas…
sexta-feira, maio 14, 2010
Serviço Aéreo que Trata dos Açorianos
Eu próprio fiquei retido em Lisboa, durante dois dias, como passageiro da TAP proveniente do Porto com destino a Ponta Delgada, via Lisboa. A todos os passageiros na minha situação, cerca de 500 na altura, a SATA - empresa que assegurava o voo para Ponta Delgada - imediatamente disponibilizou transporte, alojamento e alimentação durante os dias que durasse o fecho do espaço aéreo. Dou nota, também, que, quer através dos serviços de terra da SATA, em Lisboa, quer através do Call Center, a empresa disponibilizou a pouca informação disponível a todos os passageiros, mesmo aos mais exaltados. Quero salientar que, tanto da parte da SATA, como da TAP, apesar dos seus serviços estarem a operar continuamente a 100%, praticamente sem descanso durante este período, o tratamento dado aos seus passageiros foi praticamente irrepreensível.
Considero, pois, ser uma boa altura para discutirmos as vantagens de operarmos nos Açores, sobretudo com companhias de “bandeira”. Apesar de a legislação não o obrigar e dos elevados prejuízos que está a incorrer, a nossa companhia, enquanto for possível, comprometeu-se a assegurar todas as despesas básicas dos passageiros que viajam nos seus aviões, mesmo que sejam passageiros com bilhete TAP. No momento em que saí do aeroporto do Porto com destino a Lisboa, saíam autocarros fretados pela TAP e SATA para transportar passageiros com destino a Lisboa. Curiosamente tive a oportunidade de presenciar que os passageiros de companhias “Low Cost”, com destino à Madeira e a Faro, ficaram sem direito a qualquer tipo de auxílio, tendo de pernoitar nos aeroportos, sofrendo alguns ainda mais dificuldades, pois nem sequer tinham dinheiro para comer. Outro factor que prejudicou ainda mais os passageiros das “Low Costs” foi o facto de estas operarem com pouco “pessoal” de terra, apesar de assessores de imprensa destas, no aeroporto não faltarem, o que dificultou ainda mais a prestação de informações a quem delas necessitava.
Nos Açores, a situação vivida também não foi fácil. Com as nove “pistas” fechadas, muitos passageiros, alguns que viajavam devido a necessidade de cuidados de saúde, tiveram a possibilidade, disponibilizada pelo Governo Açores e pela SATA, de conseguirem viajar no navio da Atlânticoline, “Expresso Santorini”, para Santa Maria, São Miguel, Terceira e Faial, sendo, posteriormente, reencaminhados, através dos navios da Transmaçor, para as restantes ilhas do Grupo Central.
Se é certo que a nuvem de cinzas no continente levantou a questão da necessidade de termos um TGV que permitisse escoar passageiros rapidamente de Portugal para a Europa Central, também é certo confirmarmos que o sistema de transporte marítimo de passageiros criado por este Governo, apesar de alguns contratempos, se revela, cada vez mais, como uma alternativa credível ao transporte aéreo.
Como fica provado, graças ao transporte marítimo de passageiro reintroduzido pelos Governos socialistas nos Açores, o Mar constitui um factor de aproximação entre as ilhas. Como ficou provado, graças à visão estratégica dos Governos socialistas, os Açores possuem uma companhia aérea sólida e direccionada para servir os açorianos. Se a nuvem vulcânica tivesse sido há 14 anos, a história seria muito diferente.
terça-feira, maio 11, 2010
O Nosso Presidente
segunda-feira, maio 10, 2010
O Problema de Portugal
Acordamos, há dois dias, com a notícia preocupante de que o país podia estar na mesma situação da Grécia, ou seja, que poderia não conseguir cumprir com os pagamentos da nossa dívida ao exterior. Esta notícia surge do facto da agência financeira S&P ter baixado a nossa notação - o índice que avalia o risco de incumprimento do pagamento da nossa dívida, em dois níveis, de “A+” para “A-“ (Qualidade Média a Elevada, mas algo Vulneráveis às Condições Económicas), o que provocou uma descida acentuada na bolsa e uma escalada nos juros da dívida.
Mas o que todos os economistas internacionais e nacionais, mais conscientes e menos alarmistas, se perguntam é o que se passou num espaço de um mês em Portugal passarmos de um país com dificuldades, mas cumpridor dos seus compromissos financeiros internacionais, para um país em risco de incumprimento? A Resposta é muito simples e confirmada até pela prestigiada revista The Economist: nada!
O que todos os analistas são unânimes em dizer é que a situação portuguesa não tem semelhanças com a da Grécia. “Em Portugal e Espanha, se olhar para os números, vê que estes não podem ser comparados com os da Grécia”, disse Ewald Nowot, membro do Conselho de Governadores do BCE. Para percebermos melhor do que estamos a falar, basta comparar alguns dados entre os dois países: Portugal reportava um défice de 9,4 por cento do PIB e uma dívida pública de 76,8% do PIB, a Grécia reportava um défice de 13,6% do PIB e uma dívida pública 130% do PIB. Outro factor que diferencia e muito os dois países está relacionado com a credibilidade das contas públicas portuguesas, muito elogiadas pelo Eurostat, enquanto que Grécia falhou praticamente todas as estatísticas entregues a Bruxelas.
Então porque somos postos praticamente no mesmo saco de uma economia com tantas debilidades como a da Grécia? Será que somos alvo de especuladores gananciosos, como refere o Ministro das Finanças?
Na minha opinião estas especulações existem mas não são o principal factor da actual crise de confiança que vivemos. A meu ver esta crise deve-se sobretudo a dois factores: por um lado, sofremos hoje, nos mercados internacionais, do problema da cura crise internacional. Traduzindo por miúdos, as agências de rating, que foram, no passado, as causadoras da crise internacional económica e financeira, devido ao facto de terem subestimado o risco de incumprimento do sector financeiro que era na verdade muito real, hoje, são extremamente cautelosas, não correndo qualquer risco de falharem nas suas previsões. Isto faz com que a avaliação do risco de incumprimento do nosso país peque sempre por excesso por forma a não serem acusadas de não terem avisado da possibilidade de crise.
Por outro lado, a situação que também assusta os mercados internacionais é o facto de o nosso país ter um défice estrutural de formação e de produtividade que não permite que as perspectivas de crescimento da economia sejam suficientes para conseguirmos aumentar a nossa receita fiscal e diminuirmos a nossa balança de pagamentos através do aumento das exportações. Assim, percebemos que na perspectiva dos mercados, o problema português, não está só na contenção da despesa (este é o problema menor, pois é conjuntural), mas sim de que servirá todo o esforço de apertar o cinto das populações se a economia não arrancar e começar a criar riqueza e emprego.
A meu ver, o grande problema que temos de lidar - e não é a primeira vez que escrevo sobre isto - não é como vamos fazer cumprir o Programa de Estabilidade ou corrigir os problemas do excesso de zelo das agências de notação internacionais. É, sim, que modelo de desenvolvimento que nos propomos criar que resolvam os nossos défices estruturais.
sábado, maio 08, 2010
quinta-feira, maio 06, 2010
that history put a saint in every dream
Vinha dizer imensas coisas, mas não consigo mais que esta müz´ka que é bonita - a letra e o piano...É uma versão (cover) de Tom Waits.
