daqui
"E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando as vidas dos insectos..." Mário Quintana
terça-feira, dezembro 29, 2009
DEBAIXO D'ÁGUA
É verdade. Na sua visita aos Açores, Castanheira de Barros, candidato a líder do PSD, propõe a construção de túneis entre as ilhas do Faial, Pico e S. Jorge. Diz o aspirante à presidência social-democrata que a luminosa ideia visa facilitar a mobilidade dos habitantes do Grupo Central.
Já se viu pior, o homem bem se poderia ter lembrado de prometer uma rede metropolitana de superfície, com rotunda no Ilhéu das Formigas, para a circulação de pessoas e bens entre todas as ilhas açorianas.
Não sei se a fantasia terá tido inspiração nas célebres teorias sobre transportes públicos do deputado Jorge Macedo. O que sei é que com candidatos desses, de tamanha profundeza na bazófia, o PSD vai esperar sentado, e debaixo d'água, até ver a luz no fim do túnel.
Já se viu pior, o homem bem se poderia ter lembrado de prometer uma rede metropolitana de superfície, com rotunda no Ilhéu das Formigas, para a circulação de pessoas e bens entre todas as ilhas açorianas.
Não sei se a fantasia terá tido inspiração nas célebres teorias sobre transportes públicos do deputado Jorge Macedo. O que sei é que com candidatos desses, de tamanha profundeza na bazófia, o PSD vai esperar sentado, e debaixo d'água, até ver a luz no fim do túnel.
Mau tempo nos canais

Foto roubada daqui
"(...)Castanheira Barros, candidato à liderança do Partido Social-democrata (PSD), defende a construção de dois túneis entre o Faial e o Pico e um outro desta ilha para S. Jorge (...)"
A União, 29/12/2009
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"há coisas fantásticas não há?"
Simples e possíveis
O Natal foi emotivo. Como são quase todos os natais desde que a época passou a ter um significado diferente, se calhar maior ou, se calhar menor, pouco interessa para o caso.
Agora, os dias correm em “sprint final” para a despedida de um ano velho e a entrada de um ano novo, que começará em Janeiro e terminará em Dezembro.
Esta coisa mecânica que é mudar de ano; estarmos em 2009 e de repente estarmos em 2010; ser ainda este ano e de repente passar para o ano que vem; passar de ano corrente para ano passado, num ápice, mesmo que involuntariamente, é esquisita.
De qualquer forma não deixa de ser, apenas, mais um Janeiro, entre tantos outros, ou mais um trinta e um de Dezembro, entre tantos trinta e uns, arranjados ou oferecidos…
Não gosto do trinta e um de Dezembro. Não tenho especial simpatia pelas passas, pelos foguetes e pelos festejos, obrigados a um cronómetro, que até parece, em muitos casos, ritmar sorrisos; passos e outros traços.
Janeiro é um mês como outro qualquer. O princípio de um ano é certo, mas apenas isso e mais nada. Momento de tirar as fitas, as bolas e as luzes das casas e das ruas e começar a preparar os elásticos para os narizes, os bigodes e os óculos postiços…
Seja como for este é o último texto que escrevo em dois mil e nove. Haverá quem nasça de novo, quem cumpra as tradições todas, coma as passas, salte para cima da cadeira, faça futurologia, leia o horóscopo, viva de acordo com essa espécie de mandamento.
Porventura serão mais humanamente saudáveis. Por mim 2010, que não é ano bissexto, chegará depois de mais um trinta e um de Dezembro.
Por mais ou menos igual, redundante ou até mesmo repetitiva que seja a frase e a própria esperança o que desejo, em fim de linhas, desta crónica, depois de duas semanas de interregno, é que, se puderem, vão tentando seguir o pensamento de Einstein que António Lobo Antunes citou numa das suas crónicas para a Revista Visão (a 5 de Novembro): “ Devemos fazer tudo o mais simplesmente possível, mas não mais simplesmente do que isso.”
Concordo. Sejam por isso simples e possíveis, em todos os momentos que se forem vivendo em cada dia 30 ou 31 (28 ou 29) de cada mês e nos dias anteriores, sobretudo…
Agora, os dias correm em “sprint final” para a despedida de um ano velho e a entrada de um ano novo, que começará em Janeiro e terminará em Dezembro.
Esta coisa mecânica que é mudar de ano; estarmos em 2009 e de repente estarmos em 2010; ser ainda este ano e de repente passar para o ano que vem; passar de ano corrente para ano passado, num ápice, mesmo que involuntariamente, é esquisita.
De qualquer forma não deixa de ser, apenas, mais um Janeiro, entre tantos outros, ou mais um trinta e um de Dezembro, entre tantos trinta e uns, arranjados ou oferecidos…
Não gosto do trinta e um de Dezembro. Não tenho especial simpatia pelas passas, pelos foguetes e pelos festejos, obrigados a um cronómetro, que até parece, em muitos casos, ritmar sorrisos; passos e outros traços.
Janeiro é um mês como outro qualquer. O princípio de um ano é certo, mas apenas isso e mais nada. Momento de tirar as fitas, as bolas e as luzes das casas e das ruas e começar a preparar os elásticos para os narizes, os bigodes e os óculos postiços…
Seja como for este é o último texto que escrevo em dois mil e nove. Haverá quem nasça de novo, quem cumpra as tradições todas, coma as passas, salte para cima da cadeira, faça futurologia, leia o horóscopo, viva de acordo com essa espécie de mandamento.
Porventura serão mais humanamente saudáveis. Por mim 2010, que não é ano bissexto, chegará depois de mais um trinta e um de Dezembro.
Por mais ou menos igual, redundante ou até mesmo repetitiva que seja a frase e a própria esperança o que desejo, em fim de linhas, desta crónica, depois de duas semanas de interregno, é que, se puderem, vão tentando seguir o pensamento de Einstein que António Lobo Antunes citou numa das suas crónicas para a Revista Visão (a 5 de Novembro): “ Devemos fazer tudo o mais simplesmente possível, mas não mais simplesmente do que isso.”
Concordo. Sejam por isso simples e possíveis, em todos os momentos que se forem vivendo em cada dia 30 ou 31 (28 ou 29) de cada mês e nos dias anteriores, sobretudo…
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"Serenamente" - AO 29.12.2009
segunda-feira, dezembro 28, 2009
Em viagem

Não tenho tido o tempo nem o descanso mental para dedicar a este livro o vagar de que ele precisa. Há poucos dias deram-me a ouvir uma música que quase o parece (digo eu) legendar, em certos momentos ou aos momentos a que cheguei. Das suas 494 páginas li umas 200. Parei os Cavalos e não os encontro, que é pior...De qualquer modo das minhas passagens preferidas do autor, na página 161, de "A Morte de Carlos Gardel":
"(...)- Quem é?
as pessoas olhavam para nós
na igreja através das corolas dos gerânios
(-Que interesse pode um garoto achar numa mulher desta idade?)
e o meu tio, didáctico, mostrando-me a fotografia de um senhor de brilhantina e lábios pintados, com um sorriso de anjo deposto
- o grande Carlos Gardel, ignorante
e apenas o álvaro, do outro lado da urna, enfiado numa gabardina idiota, apesar do calor, não reparava em mim nem se indignava, distraído, hesitante apatetado
(-Cuidei que gostava de ti, mas não gosto, sentia-me sozinho, é tudo)
a tirar fósforos e cigarros da algibeira, a aperceber-se que não podia fumar, a guardá-los de novo, a levantar-se do sofá e a debruçar-se para o gira-discos a fim de aumentar a intensidade da música
-Dá ideia que vamos morrer a cada nota, não é?(...)"
Não sei o que é que me deu para escrever isto no blogue. Há muito tempo que não me dedicava ao blogue. Mas, como ele é meu...pois é.
Bom ano.
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antonio lobo antunes
sexta-feira, dezembro 25, 2009
quinta-feira, dezembro 24, 2009
terça-feira, dezembro 22, 2009
À Janela do Mundo
Imaginemos que…
Imaginemos um país que, numa altura de conjuntura económica desfavorável, devido a uma crise global, conseguisse obter um crescimento real do seu PIB de 2,3 por cento, quando o resto dos países do seu espaço de referência apresentava crescimentos negativos ou estagnados.
Imaginemos, ainda, que este país apresentava um crescimento da sua economia em contra-ciclo com os restantes, criando mais emprego e conseguindo, no espaço de uma década, aumentar em 10 pontos percentuais a sua convergência para os mais próximos e em sete para os mais desenvolvidos.
Este país seria, imediatamente, apelidado de paradigma de sucesso económico, apenas comparado com as economias emergentes do mundo, que crescem a níveis muito superiores aos restantes países desenvolvidos, numa das alturas mais conturbadas das últimas décadas.
Mas imaginemos que, porventura, perante este cenário de crescimento, existia um editorialista ou um dirigente partidário que se atreveria a dizer que “estão totalmente a descoberto todas as consequências de uma estratégia que se tem mostrado adversa para o desenvolvimento dos Açores”. No mínimo, qualquer pessoa diria que este dirigente partidário estaria fora da realidade.
Abstraindo-nos desse país imaginário, chamo a atenção do leitor para a realidade nos Açores que é, afinal, essa, como o demonstram os números do Instituto Nacional de Estatística, relativos às Contas Regionais preliminares de 2008, publicados a 16 de Dezembro.
Segundo o INE, em termos reais, verificou-se em 2008 um aumento do PIB nos Açores, superior à média nacional, de 2,3 por cento. Mais: os mesmos dados indicam, ainda, que apenas mais duas regiões de Portugal tiveram uma variação real positiva – Madeira com 0,6 por cento e Centro com 0,5 por cento -, longe, portanto, do crescimento económico açoriano. Quanto à economia nacional ficou-se pelos 0,0%.
É verdade que os Açores estão a sofrer as consequências de uma crise sem paralelo nas últimas décadas, com o acréscimo do desemprego a ser a face mais visível desta realidade, mas estes números do INE confirmam que estamos a sofrer muito menos do que outras regiões do país. E isso é fundamental.
Nós crescemos 2,3 por cento. É um sucesso que resulta, simultaneamente, da adequação das políticas do governo e do espírito empreendedor dos açorianos, que resistem às adversidades e que crescem mesmo com elas. Parabéns aos Açores.
Imaginemos um país que, numa altura de conjuntura económica desfavorável, devido a uma crise global, conseguisse obter um crescimento real do seu PIB de 2,3 por cento, quando o resto dos países do seu espaço de referência apresentava crescimentos negativos ou estagnados.
Imaginemos, ainda, que este país apresentava um crescimento da sua economia em contra-ciclo com os restantes, criando mais emprego e conseguindo, no espaço de uma década, aumentar em 10 pontos percentuais a sua convergência para os mais próximos e em sete para os mais desenvolvidos.
Este país seria, imediatamente, apelidado de paradigma de sucesso económico, apenas comparado com as economias emergentes do mundo, que crescem a níveis muito superiores aos restantes países desenvolvidos, numa das alturas mais conturbadas das últimas décadas.
Mas imaginemos que, porventura, perante este cenário de crescimento, existia um editorialista ou um dirigente partidário que se atreveria a dizer que “estão totalmente a descoberto todas as consequências de uma estratégia que se tem mostrado adversa para o desenvolvimento dos Açores”. No mínimo, qualquer pessoa diria que este dirigente partidário estaria fora da realidade.
Abstraindo-nos desse país imaginário, chamo a atenção do leitor para a realidade nos Açores que é, afinal, essa, como o demonstram os números do Instituto Nacional de Estatística, relativos às Contas Regionais preliminares de 2008, publicados a 16 de Dezembro.
Segundo o INE, em termos reais, verificou-se em 2008 um aumento do PIB nos Açores, superior à média nacional, de 2,3 por cento. Mais: os mesmos dados indicam, ainda, que apenas mais duas regiões de Portugal tiveram uma variação real positiva – Madeira com 0,6 por cento e Centro com 0,5 por cento -, longe, portanto, do crescimento económico açoriano. Quanto à economia nacional ficou-se pelos 0,0%.
É verdade que os Açores estão a sofrer as consequências de uma crise sem paralelo nas últimas décadas, com o acréscimo do desemprego a ser a face mais visível desta realidade, mas estes números do INE confirmam que estamos a sofrer muito menos do que outras regiões do país. E isso é fundamental.
Nós crescemos 2,3 por cento. É um sucesso que resulta, simultaneamente, da adequação das políticas do governo e do espírito empreendedor dos açorianos, que resistem às adversidades e que crescem mesmo com elas. Parabéns aos Açores.
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ORDENS
MÉDICOS NÃO QUEREM VIR PARA OS AÇORES
Apesar dos significativos incentivos financeiros, a esmagadora maioria das vagas abertas pelos centros de Saúde em 2008 e 2009 ficou por preencher. Os Açores precisam de 60 médicos e só vieram seis. Para contrariar a falta de médicos de família, a Região atribuiu 15 bolsas para internatos em Medicina Geral e Familiar, desde 2007. Mas este ano, no total do país, os jovens não revelaram interesse nesta especialidade”
Açoriano Oriental, 22-12.2009
“O novo curso de medicina da Universidade de Aveiro é contestado pelo bastonário da Ordem dos Médicos. Pedro Nunes em declarações à TSF estima que no futuro possa surgir desemprego entre os médicos.”
TSF, 15-12-2009
Apesar dos significativos incentivos financeiros, a esmagadora maioria das vagas abertas pelos centros de Saúde em 2008 e 2009 ficou por preencher. Os Açores precisam de 60 médicos e só vieram seis. Para contrariar a falta de médicos de família, a Região atribuiu 15 bolsas para internatos em Medicina Geral e Familiar, desde 2007. Mas este ano, no total do país, os jovens não revelaram interesse nesta especialidade”
Açoriano Oriental, 22-12.2009
“O novo curso de medicina da Universidade de Aveiro é contestado pelo bastonário da Ordem dos Médicos. Pedro Nunes em declarações à TSF estima que no futuro possa surgir desemprego entre os médicos.”
TSF, 15-12-2009
segunda-feira, dezembro 21, 2009
Da Minha Esquina
Por Uma Questão de Igualdade e de Direito
É com algum regozijo que vejo o Governo da Republica aprovar a Proposta de Lei que consagra o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Como Deputado de todos os açorianos, sejam eles de qualquer raça, religião, credo, género, condição social ou orientação sexual, sinto-me na obrigação de republicar parte de um artigo meu, onde tento contribuir com a minha opinião, para o esclarecimento deste tema.
A questão do acesso ao casamento civil por casais de pessoas do mesmo sexo é eminentemente uma questão de respeito pelo princípio da igualdade. De facto, por muito que os opositores da consagração do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo se esforcem por procurar, não existe qualquer justificação para negar o acesso ao casamento civil que não tenha por base uma concepção discriminatória assente em preconceitos com origem homofóbica. O elemento essencial do debate passa pela existência de uma vontade livre e esclarecida de duas pessoas em celebrarem um contrato cujo regime vai regular parte significativa da sua vida familiar, e oferecer maior segurança à sua relação. Contra esta vontade livre e esclarecida, com efeitos apenas na esfera das duas pessoas que escolhem casar-se, não podem invocar-se as convicções filosóficas ou religiosas de qualquer estranho àquela relação, e muito menos pode o Estado acolher estas concepções: a sua estrita neutralidade no plano filosófico, ideológico e religioso assim o impõe.
Não há rigorosamente nada na orientação sexual de uma pessoa que impeça ou imponha a constituição de uma plena comunhão de vida com uma pessoa do mesmo ou de outro sexo. Apenas a vontade de estabelecer essa comunhão interessa. Apenas essa vontade deve ser critério para celebrar um casamento. Se há algo que a realidade revela é a existência dessa plena comunhão entre os milhares de casais de pessoas do mesmo sexo que fazem uma vida totalmente idêntica à vida conjugal de qualquer casal casado. A única diferença que se consegue apurar continua a ser, infelizmente, a recusa do Estado em conferir-lhes o mesmo tratamento que oferece à plena comunhão de vida constituída por casais do mesmo sexo.
È nossa obrigação terminar com anos de humilhação, de direitos ausentes, de liberdades reprimidas e desigualdades assumidas, a um grupo de pessoas cuja única pretensão é ser aceite como igual. A qualidade de uma democracia, mede-se não pela imposição das vontades de uma maioria, mas sim pela forma como respeita os direitos das minorias.
É com algum regozijo que vejo o Governo da Republica aprovar a Proposta de Lei que consagra o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Como Deputado de todos os açorianos, sejam eles de qualquer raça, religião, credo, género, condição social ou orientação sexual, sinto-me na obrigação de republicar parte de um artigo meu, onde tento contribuir com a minha opinião, para o esclarecimento deste tema.
A questão do acesso ao casamento civil por casais de pessoas do mesmo sexo é eminentemente uma questão de respeito pelo princípio da igualdade. De facto, por muito que os opositores da consagração do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo se esforcem por procurar, não existe qualquer justificação para negar o acesso ao casamento civil que não tenha por base uma concepção discriminatória assente em preconceitos com origem homofóbica. O elemento essencial do debate passa pela existência de uma vontade livre e esclarecida de duas pessoas em celebrarem um contrato cujo regime vai regular parte significativa da sua vida familiar, e oferecer maior segurança à sua relação. Contra esta vontade livre e esclarecida, com efeitos apenas na esfera das duas pessoas que escolhem casar-se, não podem invocar-se as convicções filosóficas ou religiosas de qualquer estranho àquela relação, e muito menos pode o Estado acolher estas concepções: a sua estrita neutralidade no plano filosófico, ideológico e religioso assim o impõe.
Não há rigorosamente nada na orientação sexual de uma pessoa que impeça ou imponha a constituição de uma plena comunhão de vida com uma pessoa do mesmo ou de outro sexo. Apenas a vontade de estabelecer essa comunhão interessa. Apenas essa vontade deve ser critério para celebrar um casamento. Se há algo que a realidade revela é a existência dessa plena comunhão entre os milhares de casais de pessoas do mesmo sexo que fazem uma vida totalmente idêntica à vida conjugal de qualquer casal casado. A única diferença que se consegue apurar continua a ser, infelizmente, a recusa do Estado em conferir-lhes o mesmo tratamento que oferece à plena comunhão de vida constituída por casais do mesmo sexo.
È nossa obrigação terminar com anos de humilhação, de direitos ausentes, de liberdades reprimidas e desigualdades assumidas, a um grupo de pessoas cuja única pretensão é ser aceite como igual. A qualidade de uma democracia, mede-se não pela imposição das vontades de uma maioria, mas sim pela forma como respeita os direitos das minorias.
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sábado, dezembro 19, 2009
sexta-feira, dezembro 18, 2009
INVEJOSOS

O senhor Dunga, treinador da selecção brasileira, ficou com dor de cotovelo ao ver a Federação Portuguesa de Futebol na vanguarda da globalização. Afinal, mesmo que aos caídos e nos extremos ainda somos da Europa globalizada e com bons exemplos, diga-se: o Glorioso quase não tem portugueses na sua equipa; a nossa selecção de futebol joga com três brasileiros, tem já em vista uns quantos argentinos e só não vai aos espanhóis porque se impõe a defesa dos valores culturais de Aljubarrota; para além disso os seleccionados até já têm como hino uma canção dos “Black Eyed Peas”, coisa que traduzida para a língua de Camões ficará próxima do feijão-frade.
Ninguém, em consciência, nem o senhor Dunga, tem boca de abrir para três simpáticos futebolistas que trocaram a nacionalidade por uns toques na bola, sobretudo quando se sabe que embora desconhecendo um verso que seja de “A Portuguesa” os ditos cujos cantam de fio a pavio o hino dos “Feijão-Frade” e com isso ganharam mais quatro adeptos.
Trocar a nacionalidade por um chuto não é o mesmo que rasteirar a nação ou dar pontapés na pátria e não venha cá o senhor Dunga dizer que a selecção “A” do Brasil vai defrontar a “B” nos calores da África do Sul. Bocas dessas são pura inveja, uma afronta à globalização e uma patada em quem tanto contribuiu para o novo acordo ortográfico.
Fique o senhor Dunga sabendo que não é pelo fato se confundir com o facto nem pelo cacto virar cato e menos ainda pelo cágado deixar de ter acento que nós, outrora portugueses das descobertas, agora evangelizadores da globalização e orgulhosamente globalizados, não o mandamos catar.
Como prova da nossa inabalável fé na globalização e do nosso universal espírito estamos dispostos a remeter ao Brasil, sem retorno, o Prof. Carlos Queirós, o Dr. Gilberto Madail… e uns quantos alqueires de feijão-frade.
Invejosos!
Ninguém, em consciência, nem o senhor Dunga, tem boca de abrir para três simpáticos futebolistas que trocaram a nacionalidade por uns toques na bola, sobretudo quando se sabe que embora desconhecendo um verso que seja de “A Portuguesa” os ditos cujos cantam de fio a pavio o hino dos “Feijão-Frade” e com isso ganharam mais quatro adeptos.
Trocar a nacionalidade por um chuto não é o mesmo que rasteirar a nação ou dar pontapés na pátria e não venha cá o senhor Dunga dizer que a selecção “A” do Brasil vai defrontar a “B” nos calores da África do Sul. Bocas dessas são pura inveja, uma afronta à globalização e uma patada em quem tanto contribuiu para o novo acordo ortográfico.
Fique o senhor Dunga sabendo que não é pelo fato se confundir com o facto nem pelo cacto virar cato e menos ainda pelo cágado deixar de ter acento que nós, outrora portugueses das descobertas, agora evangelizadores da globalização e orgulhosamente globalizados, não o mandamos catar.
Como prova da nossa inabalável fé na globalização e do nosso universal espírito estamos dispostos a remeter ao Brasil, sem retorno, o Prof. Carlos Queirós, o Dr. Gilberto Madail… e uns quantos alqueires de feijão-frade.
Invejosos!
quinta-feira, dezembro 17, 2009
Imaginemos que…
Imaginemos um país que, numa altura de conjuntura económica desfavorável, devido a uma crise global, conseguisse obter um crescimento real do seu PIB de 2,3 por cento, quando o resto dos países do seu espaço de referência apresentava crescimentos negativos ou estagnados.
Imaginemos, ainda, que este país apresentava um crescimento da sua economia em contra-ciclo com os restantes, criando mais emprego e conseguindo, no espaço de uma década, aumentar em 10 pontos percentuais a sua convergência para os mais próximos e em sete para os mais desenvolvidos.
Este país seria, imediatamente, apelidado de paradigma de sucesso económico, apenas comparado com as economias emergentes do mundo, que crescem a níveis muito superiores aos restantes países desenvolvidos, numa das alturas mais conturbadas das últimas décadas.
Mas imaginemos que, porventura, perante este cenário de crescimento, existia um editorialista ou um dirigente partidário que se atreveria a dizer que “estão totalmente a descoberto todas as consequências de uma estratégia que se tem mostrado adversa para o desenvolvimento dos Açores”. No mínimo, qualquer pessoa diria que este dirigente partidário estaria fora da realidade.
Abstraindo-nos desse “país imaginário”, chamo a atenção do leitor para a realidade nos Açores que é, afinal, essa, como o demonstram os números do Instituto Nacional de Estatística, relativos às Contas Regionais preliminares de 2008, publicados a 16 de Dezembro.
Segundo o INE, em termos reais, verificou-se em 2008 um aumento do PIB nos Açores, superior à média nacional, de 2,3 por cento. Mais: os mesmos dados indicam, ainda, que apenas mais duas regiões de Portugal tiveram uma variação real positiva – Madeira com 0,6 por cento e Centro com 0,5 por cento -, longe, portanto, do crescimento económico açoriano. Quanto à economia nacional ficou-se pelos 0,0%.
É verdade que os Açores estão a sofrer as consequências de uma crise sem paralelo nas últimas décadas, com o acréscimo do desemprego a ser a face mais visível desta realidade, mas estes números do INE confirmam que estamos a sofrer muito menos do que outras regiões do país. E isso é fundamental.
Nós crescemos 2,3 por cento. É um sucesso que resulta, simultaneamente, da adequação das políticas do governo e do espírito empreendedor dos açorianos, que resistem às adversidades e que crescem mesmo com elas. Parabéns aos Açores.
Imaginemos, ainda, que este país apresentava um crescimento da sua economia em contra-ciclo com os restantes, criando mais emprego e conseguindo, no espaço de uma década, aumentar em 10 pontos percentuais a sua convergência para os mais próximos e em sete para os mais desenvolvidos.
Este país seria, imediatamente, apelidado de paradigma de sucesso económico, apenas comparado com as economias emergentes do mundo, que crescem a níveis muito superiores aos restantes países desenvolvidos, numa das alturas mais conturbadas das últimas décadas.
Mas imaginemos que, porventura, perante este cenário de crescimento, existia um editorialista ou um dirigente partidário que se atreveria a dizer que “estão totalmente a descoberto todas as consequências de uma estratégia que se tem mostrado adversa para o desenvolvimento dos Açores”. No mínimo, qualquer pessoa diria que este dirigente partidário estaria fora da realidade.
Abstraindo-nos desse “país imaginário”, chamo a atenção do leitor para a realidade nos Açores que é, afinal, essa, como o demonstram os números do Instituto Nacional de Estatística, relativos às Contas Regionais preliminares de 2008, publicados a 16 de Dezembro.
Segundo o INE, em termos reais, verificou-se em 2008 um aumento do PIB nos Açores, superior à média nacional, de 2,3 por cento. Mais: os mesmos dados indicam, ainda, que apenas mais duas regiões de Portugal tiveram uma variação real positiva – Madeira com 0,6 por cento e Centro com 0,5 por cento -, longe, portanto, do crescimento económico açoriano. Quanto à economia nacional ficou-se pelos 0,0%.
É verdade que os Açores estão a sofrer as consequências de uma crise sem paralelo nas últimas décadas, com o acréscimo do desemprego a ser a face mais visível desta realidade, mas estes números do INE confirmam que estamos a sofrer muito menos do que outras regiões do país. E isso é fundamental.
Nós crescemos 2,3 por cento. É um sucesso que resulta, simultaneamente, da adequação das políticas do governo e do espírito empreendedor dos açorianos, que resistem às adversidades e que crescem mesmo com elas. Parabéns aos Açores.
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