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segunda-feira, outubro 03, 2011

Até a data somaram na factura



O buraco financeiro da Madeira, fruto da gestão financeira ruinosa de Alberto João Jardim, destruiu anos de consolidação do modelo autonómico junto da população do Continente. Hoje, para a maioria dos continentais, as Regiões Autónomas são autênticos sorvedouros de dinheiro, que vivem à grande e à francesa à custa das suas imensas contribuições.

Com este clima anti-regiões autónomas criado no país, está aberto caminho para o Governo de Passos Coelho poder “cortar forte e feio” na Lei de Finanças Regionais e na própria Autonomia Regional.

Aceitando esta possibilidade como elevada, a questão que se põe nos Açores é saber como todos os actores sociais e políticos devem agir para conseguirem defender desta má imagem nacional? A resposta a essa pergunta é relativamente simples: devemos esquecer as querelas partidárias e estar unidos na diferenciação dos Açores da Madeira.

Neste sentido, considero acertada a opção do Bloco de Esquerda de ter promovido um debate na Assembleia Legislativa, na semana que passou, sobre a situação financeira da nossa terra.

Neste debate, o Governo dos Açores, PS, o CDS/PP, o BE e o PCP discutiram, responsavelmente, o “estado da região” numa lógica de esclarecimento e não de proveito político.

Felizmente, após muito debate, a maioria dos partidos representados no Parlamento fizeram questão de vincar que a situação da nossa terra é diferente da Madeira e criticaram muitas das dúvidas que são lançadas sobre as contas regionais.

Mas se praticamente todos os partidos agiram com responsabilidade, infelizmente, o PSD/Açores não conseguiu desligar-se da sua estratégia eleitoral.

Incomodado com o facto de a sua estratégia ser desmentida pelos acontecimentos mais recentes, o PSD optou pela atitude do velho ditado espanhol, “No creo en brujas, pero que las hay, las hay”.

O ardil foi simples. O PSD/Açores afirmou que a nossa situação era de facto diferente da Madeira, mas que as nossas contas só seriam credíveis se aprovássemos um pacote legislativo de “transparência” das contas públicas para que o Parlamento estivesse bem informado sobre a situação financeira da região.

Como é que o PSD considera que a nossa situação é diferente da Madeira, mas afirma que as nossas contas públicas não são ainda totalmente conhecidas?

Mais confuso fiquei quando afirmaram, com certeza absolutíssima, de que a nossa dívida rondava os 2.500 milhões de euros.

Tem o PSD informação suficiente para consubstanciar o número que avançou ou precisa de um pacote de um pacote legislativo para saber o desconhecido sobre as contas públicas?

O PS predispôs-se a aprovar este pacote da transparência, com alguns pequenos ajustes e rectificações, para que não existissem dúvidas sobre a nossa situação. O Instituto Nacional de Estatística veio comprovar, na passada sexta-feira, o que sempre afirmamos; a conclusão sobre as dívidas das Regiões Autónomas, em que se percebe que a Dívida madeirense é quase cinco vezes maior que a dos Açores, cerca de 3.110,4 milhões de euros, para 652,5 ME.

Ou seja, o PSD/Açores enganou-se no valor da dívida em cerca de 4 vezes mais, sem explicar como nem porquê. Faz-me lembrar a história que contavam sobre um célebre restaurante que, aquando da emissão da conta do jantar, ao valor da refeição somava a data, para poder ganhar mais algum.

Talvez se esperasse mais de um partido que aspira a ser Governo em 2012…

quinta-feira, março 24, 2011

Os maus exemplos do PSD


Imaginemos que os Açores tinham responsabilidades financeiras assumidas de seis mil milhões de euros. Imaginemos, ainda, que, nesta altura de crise sem precedentes, que obriga a um reforço de apoio social, o Governo Regional dos Açores optava por gastar cerca de 40 milhões de euros num estádio de futebol.

Imaginemos, também, que o nosso Governo achava que a protecção social era obrigação da República e que, por isso, deveria ser Lisboa a tomar todas as medidas sociais para os estratos sociais mais desfavorecidos da nossa Região, deixando-os sem qualquer protecção nesta área.

Imaginemos, por último, que nenhuma instituição financeira estaria disposta a emprestar dinheiro à nossa região, sufocando desta forma a economia, e que uma empresa teria de esperar perto de um ano para receber o seu dinheiro por um serviço ou bem fornecido à Administração Regional.

Imaginemos, já agora, que no nosso Parlamento os partidos da oposição tivessem o tempo de intervenção reduzido ao mínimo, com, por exemplo, apenas 58 segundos de tempo para cada deputado da oposição discutir o orçamento da Região e o Presidente do Governo tivesse tempo ilimitado para falar e que as propostas do maior partido da oposição fossem chumbadas em pacote, sem sequer haver espaço para o debate sobre cada uma delas.

Imaginemos o que diria o PSD/Açores e as criticas que fariam a este regime quase totalitário e despesista que está, pura e simplesmente, a hipotecar o futuro de gerações inteiras.

Para que se tenha bem a noção, esta realidade descrita nestas linhas acima não se passa num país ou região muito distante. É, sim, o dia-a-dia da Madeira de Alberto João Jardim, que os deputados do PS/Açores constataram em dois dias de jornadas parlamentares.

Quem não se lembra das críticas de falta de oxigénio de Carlos Costa Neves ao Governo Regional?!

Até ao Presidente da República o PSD/Açores foi se queixar da falta de democracia nos Açores, curiosamente, com o mesmo líder que foi a eleições com uma nova Lei Eleitoral aprovada pelo PS, que aumento o nosso Parlamento de três para seis partidos.

É comum ouvir-se elogios do PSD/Açores à governação social-democrata na Madeira. Hoje, sabe-se que esta governação levou ao limite máximo do endividamento público e a responsabilidades financeiras de seis mil milhões de euros.

É verdade que as estradas e pontes estão feitas na Madeira apesar da maioria ainda estar por pagar na totalidade. Por cá, o PSD/Açores crítica o modelo da construção das SCUT, que envolvem um investimento que ronda os 300 milhões de euros, mas elogia uma gestão desastrosa de seis mil milhões de euros.

Ficam, por isso, os açorianos a saber qual o modelo governativo que o PSD/Açores gostaria de copiar para os Açores.