quinta-feira, dezembro 26, 2013

Natal antes de um ano novo

O Natal antecipa a chegada de um ano novo, que parece estender-se comprido e largo, provando, depois de passar, que afinal era curto, que o tempo não foi suficiente, que perdemos demasiadas horas, por vezes dias, a tentar endireitar coisas que não querem sequer “ouvir falar” em endireitar-se; a discutir e debater evidências, ou mesmo a fazer de lutas de outros, lutas nossas, como se fôssemos ganhar um lugar no céu… ou uma medalha.
(Dezembro é o mês em que nos apercebemos que não somos imortais).
Quando olhamos para trás, rapidamente, vemos que entre um novo mês de Janeiro e este velho Dezembro ficaram planos por cumprir, ideias por tornar reais e pessoas de quem gostávamos, ou por quem tínhamos certa admiração.
Dezembro é o mês em que juramos, a nós próprios, cumprir a divisa de “não olhar para trás”, conselho que, como se sabe, foi dado a Dante (em “A Divina Comédia”) por um anjo guardião, para não por tudo a perder…antes do tempo.
Quando enfiamos as mãos nas algibeiras, os dedos recolhem rebuçados para suavizar as dores (de garganta), meia dúzia de boas gargalhadas, alguns abraços e outros amigos, entre certa quantidade de mediocridades, indecências, faltas de carácter e cobardias. Assim é a vida, como uma canção, cuja voz por vezes desafina, enquanto outras tantas afina.
Dezembro é pois o tempo de fincar os pés no chão; de assumir que o fim de mais um ano é o princípio de outro, que pode até ser o último.
Dezembro traz um entendimento mais autêntico de que podemos mesmo morrer amanhã e que não ressuscitaremos, nem sequer para salvar o mundo, por mais vontade que possamos ter.
Há quem morra de amores, quem morra de doença, quem morra por acidente ou até quem morra de saudades. Se o Natal não for exactamente igual ao que era antes ninguém morre. Porém, morrer de saudades pode efectivamente matar (até) o Natal.
Dezembro é também tempo de “tomar partido”. De “tomar partido” por nós, pelo que temos de mais nosso e de fazer tudo para por o pé em Janeiro com certezas, muitas dúvidas e firmeza, em equilíbrio.
Travaremos as lutas que quisermos; percorreremos os caminhos que entendermos e as nossas estrelas, assim como os nossos heróis, deverão ser os mais simples e possíveis.
Dezembro pede que se acabem as complicações e que estejamos presentes, com o direito de, por vezes, estarmos ausentes e emudecermos.
No Natal, em Dezembro de agora, haverá meninos e meninas sem as suas “palhinhas”, nem o colo das suas mães, nem o abraço dos seus pais. Alguns estarão longe por dever, obrigação ou escolha, outros terão as suas razões muito próprias e legítimas, outros ainda estarão cansados e resignados. Pais e Filhos. Mães e filhas. Filhas e pais. Filhos e Mães.
(O contrário também existe. Nem tudo é mau.)
Pediram-me para escrever sobre o Natal e fi-lo.
Não me apeteceu falar da chaminé, das renas, da neve, das meias penduradas, das prendas do bom velhinho ou sequer da árvore de Natal. Das bolas, das luzes, das fitas e do burrinho.
Sei, como sabemos todos, que Dezembro chegando a todos, não traz o Natal igual a toda a gente.
Pois então que chegue Janeiro de 2014, porque 2013 está agora por um fio.
Os dias estão mais frios, as noites mais longas e há no ar um certo sentimento de cansaço que apela à novidade de um ano novo para, ao menos, variar o tema.

(Boas Festas).

Açoriano Oriental, 25 Dezembro de 2013

terça-feira, dezembro 10, 2013

“Os presépios da Maria”

Quando pensávamos que já nada mais nos podia sobressaltar (ou mesmo envergonhar), nestes dias cinzentos e chuvosos de Dezembro, eis que surge o casal Silva, na televisão, inaugurando uma exposição de presépios.
Até aqui tudo normal. Nada impede que o casal Silva ande pelos “caminhos de Portugal” inaugurando presépios e praticando todo o tipo de acções de solidariedade, desde lanches com idosos, visitas a lares de 3ª idade e ofertas às meninas e meninos institucionalizados.
Por mim não há problema nenhum. Acho até bem. Escusavam era de aparecer na TV, na Rádio e nos jornais por causa disso.
O que é que nos interessa saber se Maria Cavaco Silva e o seu esposo, juntamente com alguns dos netos, inauguraram em Bragança, num Domingo de Dezembro, uma exposição de presépios da própria, cujas receitas reverterão a favor de um lar de crianças institucionalizadas?
Seremos obrigados a apreciar o nosso casal presidencial, como os mais dedicados solidários do Natal, quiçá concorrendo com o Jorge Gabriel, a Leopoldina ou os anúncios de brinquedos do canal Panda?
Por quais “caminhos de Portugal” andará o nosso casal presidencial, durante todo o resto do ano, quando crianças, jovens, adultos e idosos também passam por dificuldades várias, face às políticas tortuosas do Governo da República?
Será que o nosso casal presidencial considera mesmo, que a sua ida a Bragança, para este acto televisionado, fotografado e com som gravado, apaga da memória dos portugueses os constantes silêncios do Presidente da República?
Ou acharão suas eminências que por causa do barulho do pisca-pisca das luzes natalícias, e por causa da fé de cada um, deixa de interessar todo o tempo, em que estiveram impávidos e serenos, a assistir à devastação do país?
Não sei. A mim parece-me que o objetivo da ida a Bragança era o de dar ao casalinho um ar poético, queridinho, lindinho e caridoso… Se era, pois daqui digo que é feio, é mau e é inqualificável.
Maria e o seu esposo podiam ter ido a Bragança, podiam até ter inaugurado a exposição, mas escusavam de nos entrar casa dentro, na televisão e rádio, e depois nos jornais, com aquele ar cândido, de quem acha que pode tudo e que ninguém percebe nada…
Há aquele ditado antigo que diz que devemos “fazer o bem sem olhar a quem”. Mas os novos tempos transfiguraram-no. Agora é assim: “eu faço o bem, ora olhem para mim”.
Todos querem dar qualquer coisa, mas quase ninguém prescinde de criar um momento televisivo, para que se possa ver a sua bondade e solidariedade…
É tempo de acabar com os “presépios da Maria” que são a mais recente representação da caridadezinha degradante e repugnante.
É que podemos, até, acreditar no Pai Natal e dizer que ele existe às nossas crianças. Fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que elas continuem a pensar que ele é o velho barbudo que desce as chaminés e deixa brinquedos e coisas boas.
O que não podemos tolerar são os “presépios da Maria”. Como sabemos nenhum dos membros do casal presidencial é gordo, tem barbas ou desce chaminés.

É fundamental que no Natal, ou em qualquer outra altura do ano, se compreenda que uma coisa é a fantasia, outra coisa, completamente diferente, é a cobardia, disfarçada de bondade, de solidariedade e de fraternidade.

Serenamente, AO 10 de Dezembro de 2013

quarta-feira, dezembro 04, 2013

De repente - Por E. Matos

De repente tudo vai ficando tão simples que assusta. A gente vai perdendo algumas  necessidades, antes fundamentais e que hoje chegam a ser insignificantes. Vai reduzindo a bagagem e deixando na mala apenas as cenas e pessoas que valem a pena. As opiniões dos outros são unicamente dos outros, e mesmo que sejam sobre nós, não têm a mínima importância. Nada vai mudar. De repente passamos a valorizar o que tem valor de verdade, e a amar de forma diferente de todas já vividas.

De repente vamos abrindo mão das certezas, pois com o tempo já não temos mais certeza de nada. E de repente isso não faz a menor falta, pois o que nos resta é ser apenas feliz. Percebemos que o hoje é apenas agora, e nada, absolutamente nada além disso. Paramos de julgar, pois já não existe certo ou errado, mas sim a vida que cada um escolheu experimentar. De repente não existe pecado, mas sim ponto de vista. O improvável passa a ser regra.
O extremo passa a ser meio termo, pois no dia a dia percebemos que nada é exato, e tudo chega a ser inconstante demais para ser determinante ou absoluto. De repente o inverso vira verso. Por fim entendemos que tudo que importa é ter paz e sossego. É viver sem medo, e simplesmente fazer algo que alegra o coração naquele momento. É ter fé. E só.
De repente a saudade se torna um sentimento devastador e descobrimos que o coração fala mais alto, então este sentimento único e profundo fica acima de qualquer razão. De repente tentamos compreender sentimentos, jamais compreensíveis aos olhos de outras pessoas. Descobrimos o verdadeiro valor da verdade e com ela chega a plena certeza de que ter dignidade, transparência e retidão de caráter são qualidades obrigatórias para se viver bem com os outros, com o mundo e, principalmente, consigo mesmo.

De repente descobrimos que os planos traçados e escolhidos por nós são unicamente nossos, pois de repente, em meio aos nossos planos, chegam as escolhas de Deus.

terça-feira, novembro 19, 2013

Mudar o mundo no Facebook


Circulam nos emails e nas redes sociais à velocidade da solidariedade de quem os recebe. São pedidos de sangue de tipo raro, para uma criança, um bebé ou um amigo. Chegam pedidos de ajuda de dezenas de pessoas, muitos deles são falsos, outros não têm razão de ser e outros ainda são mesmo pura maldade.
A maior parte das pessoas não percebe a sua inutilidade, nem tão pouco condena a sua falsidade e adere imediatamente sem sequer tentar perceber de onde vêm, de quem são ou se são mesmo precisos…
Foi o que aconteceu, por exemplo, a semana passada no Hospital de Ponta Delgada, com a resposta a um pedido de sangue para uma menina, que depois de ser partilhado e espalhado no Facebook, obrigou uma responsável pelo serviço de hematologia, a explicar o trabalho que estava a ser feito e a complicação que gerou o pedido efectuado na rede social.
Este foi um caso de que tivemos notícia. Mas quantos mais existirão? Desconfio que muitos. Vive-se um tempo de afã mediático de corresponder a todo o tipo de ajuda, um tempo que vai em crescendo até ao Natal, um tempo que muitas vezes, como neste caso, vai complicando mais a vida de quem trabalha todos os dias em lugares reais, com doenças e situações de vidas, que nada têm de virtuais.
Acho mesmo que muitas vezes a facilidade de se ser solidário através de um clique, de uma partilha ou  de um “like” deita por terra a condição primeira do princípio de solidariedade, que eu considero que é o de se ser solidário porque é mesmo preciso, porque não há outra resposta e não porque fica bem que se saiba que ajudei este, aquele e o outro, que fiz isto ou dei aquilo.
O Facebook, rede social de que sou utilizadora, tem vindo a trazer também essa quantidade absurda de acções inúteis, que acabam por se desenvolver num ciclo vicioso e na estúpida ideia de que é possível mudar o mundo naquele espaço.
Parece que tudo pode ser resolvido com um “like”; as tristezas e derrotas diárias resolvem-se com uma partilha e, muitas vezes, nas discussões, até parece que não se pensa que se pode (mesmo) morrer de repente. O Facebook não imortaliza ninguém. Desengane-se que pense assim.
Um “cartoon” que vi há poucos dias mostrava um menino a pedir dinheiro a uma senhora para ajudar uma família sua conhecida. A resposta da senhora não se fez esperar: “Meu querido, eu já fiz like no Facebook!”
Há poucas semanas o Facebook foi invadido por fotografias de girafas. O que podia, à primeira vista, parecer um repentino ataque de amor pelo animal, mais não era do que a “penitência” por errar na resposta a uma charada.
Dizem que a brincadeira foi criada por americanos e que funciona assim: um amigo posta uma charada, outro amigo tem que mandar a resposta por mensagem privada. Se errar tem que mudar a foto de perfil para a de uma girafa durante três dias seguidos.

A charada é esta: “São 3h da manhã, a campainha toca e tu acordas. Visitas inesperadas. São os teus pais. Têm fome. Na mesa da cozinha tens doce de morango, mel, vinho, pão e queijo. O que vais abrir primeiro?”
A resposta correta era “os olhos”, mas é claro que entretanto dezenas de teorias já foram desenvolvidas sobre o assunto, sendo a mais insólita, a de um pastor de uma igreja brasileira, que considerou ser uma estratégia satânica para forçar alianças entre os utilizadores do Facebook e o diabo.

Ele há coisas que nem o diabo aguenta. Seja como for: não entrei na charada e não mudei a foto de perfil mas mudaria sem problemas, mesmo que isso pudesse implicar um encontro inesperado com satã. Gosto de rir. E nestas coisas, apesar de tudo, rir ainda é o melhor remédio.


Serenamente, AO 19 de Novembro.

terça-feira, novembro 12, 2013

A Popota, a Margarida e o Natal na Venezuela

Na semana que passou, o Presidente venezuelano Nicolás Maduro fez um decreto para antecipar a quadra natalícia. Como argumentos usou os factos de que a “felicidade, a natividade e a chegada de Jesus são o melhor remédio”. Já este mês o governo da Venezuela pagará dois terços do subsídio de natal, o que fará certamente as pessoas felizes… Há quem defenda que esse gesto insólito é apenas uma tentativa de herdar o enorme capital de simpatia que Chávez tinha entre o seu Povo e que foi por isso que já, anteriormente, o Presidente Maduro criou o Ministério da Felicidade Suprema. Agora, além destas duas iniciativas, Maduro declarou também que o dia 8 de Dezembro será o “dia da lealdade e do amor ao Comandante Supremo Hugo Chávez”. Porém, coincidência das coincidências, o dia 8 de Dezembro é também dia de eleições municipais… Por cá, já temos a Popota aos saltos na televisão, a dizer que o natal é pop, com ela no top. Não sei o que é um natal pop, nem sequer top, mas tudo bem… a vida era melhor sem a Popota… Ao contrário, podíamos era ter um dia daqueles, lá da Venezuela. Um dia “da lealdade” ou da “felicidade”, mas não temos e como não temos, cá nos vamos amanhando com os dias e com as manhãs que temos. E todas as manhãs temos, sem aviso nem decreto, manhãs de parvoíce nos canais de TV nacionais. Ora, foi precisamente numa dessas ditas manhãs, (entre os olhos de vidro de uma senhora que esteve no programa do Goucha e que canta muito bem, ou o senhor gago que faz filetes com arroz de tomate muito bons no programa da Júlia Pinheiro e a gaguez nem se nota) que apareceu a Margarida Rebelo Pinto. A Margarida Rebelo Pinto é uma espécie de Popota, mas anorética. Têm a mesma escassez de vocabulário e o mesmo problema de estupidez, com a diferença de que a Popota é mais cor-de-rosa e a Margarida é mais branca. De resto são iguais, até no que transmitem: nada. Desde a polémica em 2006, com a acusação de auto plágio e erros ortográficos nos seus livros, que eu não ouvia falar tanto da Margarida. Julguei mesmo que finalmente em Portugal já se tinha chegado à conclusão de que a Margarida, essa cópia forjada de Paulo Coelho, que escreve para meia dúzia de distraídos que passam nas lojas de aeroporto e querem adormecer nos aviões, não era uma escritora: era um produto. Uma “coitadinha” que a literatura portuguesa deixou inventar, por falta de escrúpulo e algum remorso. À escala do senhor gago que faz filetes com arroz de tomate muito bons no programa da Júlia Pinheiro e a gaguez nem se nota, a Margarida Rebelo Pinto que escreve livros muito maus e nota-se, apareceu num programa da RTP/informação, o “Bom dia, Portugal” e toca de dizer que sente “repulsa” por quem se manifesta contra o Governo, estando até triste com a falta de civismo e responsabilidade civil de quem interrompe o trabalho de quem governa para protestar… Ainda estou na dúvida do que é pior: se é a Margarida ter tido microfone para apresentar o seu livro, se é a Margarida ter dito o que disse… Num caso ou noutro, o assunto só se resolve mandando a Margarida e a Popota para a Venezuela, com chegada prevista para o dia 8 de Dezembro, esse dia em que se celebrará a lealdade e o amor ao Comandante Supremo Hugo Chávez. Há lá coisa mais saborosa do que festejar estes valores com uma Popota aos saltos? E uma Margarida cheia de teorias? Não vislumbro e não vislumbrando, hoje, é assim que acabo. Serenamente.

[ Serenamente, jornal Açoriano Oriental, edição de 12 de Novvembro de 2013]

quinta-feira, novembro 07, 2013

Um Dó Li Tá - Opinião António Lobo Antunes na Revista Visão

Perguntam-me muitas vezes por que motivo nunca falo do governo nestas crónicas e a pergunta surpreende-me sempre. Qual governo? É que não existe governo nenhum. Existe um bando de meninos, a quem os pais vestiram casaco como para um baptizado ou um casamento. Claro que as crianças lhes acrescentaram um pin na lapela, porque é giro - Eh pá embora usar um pin? que representa a bandeira nacional como podia representar o Rato Mickey - Embora pôr o Rato Mickey? mas um deles lembrou-se do Senhor Scolari que convenceu os portugueses a encherem tudo de bandeiras, sugeriu - Mete-se antes a bandeira como o Obama e, por estarem a brincar às pessoas crescidas e as play-stations virem da América, resolveram-se pela bandeirinha e aí andam, todos contentes, que engraçado, a mandarem na gente - Agora mandamos em vocês durante quatro anos, está bem? depois de prometerem que, no fim dos quatro anos, comem a sopa toda e estudam um bocadinho em lugar de verem os Simpsons. No meio dos meninos há um tio idoso, manifestamente diminuído, que as famílias dos meninos pediram que levassem com eles, a fim de não passar o tempo a maçar as pessoas nos bancos, de modo que o tio idoso, também de pin - Ponha que é curtido, tio para ali anda a fazer patetices e a dizer asneiras acerca de Angola, que os meninos acham divertidas e os adultos, os tontos, idiotas. Que mal faz? Isto é tudo a fazer de conta. Esta criançada é curiosa. Ensinaram-me que as pessoas não devem ser criticadas pelos nomes ou pelo aspecto físico mas os meninos exageram, e eu não sei se os nomes que usam são verdadeiros: existe um Aguiar Branco e um Poiares Maduro. Porque não juntar-lhes um Colares Tinto ou um Mateus Rosé? É que tenho a impressão de estar num jogo de índios e menos vinho não lhes fazia mal. No lugar deles arranjava outros pseudónimos: Touro Sentado, Nuvem Vermelha, Cavalo Louco. Também é giro, também é americano, pá, e, sinceramente, tanto álcool no jardim escola preocupa-me. A ASAE devia andar de olho na venda de espirituosas a menores. Outra coisa que me preocupa é a ignorância da língua portuguesa nos colégios. Desconhecem o significado de palavras como irrevogável. Irrevogável até compreendo, uma coisa torcida, e a gente conhece o amor dos pequerruchos pelos termos difíceis, coitadinhos, não têm culpa, mas quando, na Assembleia, um deles declarou - Não pretendo esconder nem ocultar apesar da palermice me enternecer alarmou-me um nadita, mau grado compreender que o termo sinónimo seja complicado para alminhas tão tenras. Espíritos tortuosos ou manifestamente mal formados insinuam, por pura maldade, que os garotos mentem muito, o que é injusto e cruel. Eles, por inevitável ingenuidade, não mentem nem faltam às promessas que fazem: temos de levar em conta a idade e o facto da estrutura mental não estar ainda formada, e entender que mudar constantemente de discurso, desdizer-se, aldrabar, não possui, na infância, um significado grave. A irrealidade faz parte dos cérebros em evolução e, com o tempo, hão-de tornar-se pessoas responsáveis: não podemos exigir-lhes que o sejam já, é necessário ser tolerante com os pequerruchos, afagá-los, perdoar-lhes. Merecem carinho, não crítica, uma festa na cabecinha do garoto que faz de primeiro-ministro, outra na menina que eles escolheram para as Finanças e por aí fora. Não é com dureza desnecessária e espírito exageradamente rígido que os educamos. No fundo limitam-se a obedecer a uns senhores estrangeiros, no fundo, tão amorosos, que mal fazem eles para além de empobrecerem a gente, tirarem-nos o emprego, estrangularem-nos, desrespeitarem-nos, trazerem-nos fominha, destruírem-nos? São miúdos queridos, cheios de boa vontade, qual o motivo de os não deixarmos estragar tudo à martelada? Somos demasiado severos com a infância, enervam-nos os impetuosos que correm no meio das mesas dos restaurantes, aos gritos, achamos que incomodam os clientes, a nossa impaciência é deslocada. Por trás deles há pessoas crescidas a orientarem-nos, a quem tentam agradar como podem à custa daqueles que não podem. Os portugueses, e é com mágoa que escrevo isto, têm sido injustos com a infância. Deixem-nos estragar, deixem-nos multiplicar argoladas, deixem-nos não falar verdade: faz parte da aprendizagem das mulheres e homens de amanhã. Sigam o exemplo do Senhor Presidente da República que paternalmente os protege, não do senhor Ex-Presidente da República, Mário Soares, que de forma tão violenta os ataca e, se vos sobrar algum dinheiro, carreguem-lhes os telemóveis para eles falarem uns com os outros acerca da melhor forma de nos deixarem de tanga. Qual o problema se há tanto sol neste País, mesmo que não esteja lá muito certo de o não haverem oferecido aos alemães? E, de pin no casaco que nos fanaram, isto é, de pin cravado na pele (ao princípio dói um bocadinho, a seguir passa) encorajemos estes minúsculos heróis com um beijinho, cheio de ternura, nas testazitas inocentes. Ler mais: http://visao.sapo.pt/um-do-li-ta=f756315#ixzz2k0b5U7bU

Ardemares no Brasil

http://urlespiao.com.br/www.ardemares.blogspot.com

terça-feira, novembro 05, 2013

Que nos valha o Benfica

Maria do Carmo, 52 anos, desempregada de uma loja de fazendas conta-me, no seu português “lisboeta ferrenho”, que se não fossem os jogos do Benfica, que vai vendo com o José Armando, aos fins de semana, na televisão, já tinha dado duas bolachas num romeno, “à moda do Carrilho”, explica, sorrindo, toda enfiada no seu cabelo farto e branco, como uma bolinha de carne rosada. “Para mim, não tem nada que enganar” continua, “a culpa é da Bárbara Guimarães…” Como Maria do Carmo, há centenas de senhoras em Lisboa, que nas filas do autocarro, reclamam com a chegada de senhoras romenas, com bilhetes, a pedir dinheiro para mandar buscar os filhos ou para comprar farinha e leite. “São essas”, dizem, “que nos dão cabo do pouco dinheiro que temos. Andam por aí a roubar a esmola dos portugueses.” Sente-se, a caminhar pelas ruas de Lisboa, por estes dias, um certo desconforto, um não sei quê de azedume, que por um lado gasta e farta a alma, e por outro lado, impacienta… Enquanto as notícias trazem descobertas sobre a “Maria” da Grécia, a reabertura do processo da criança inglesa desaparecida no Algarve, as brigas do casal Guimarães/Carilho ou a história da funcionária que “por amor” desviou 250 mil euros da Conservatória de Braga, um “bando de meninos”, como lhes chamou António Lobo Antunes, consola-se a dar cabo deste país. Quando Paulo Portas anuncia que “Portugal pode estar a poucas semanas” de sair oficialmente da recessão técnica; logo aparecem, não sei quantos comentadores, a encher as televisões, as mesas redondas, para nos explicar melhor o que disse Paulo Portas. A nós todos, (tolinhos) que podemos não ter entendido bem… Para onde vamos? Não sei. Olho para os canais de televisão, nestes dias que passam, sem paciência. Oiço os debates na Assembleia da República e sinto que a única preocupação dos “principais partidos” são os adversários internos e que aos outros, mais pequenos, o que interessa sobretudo é manter o “status quo”. Gritam muito, fazem muito barulho, dizem “portuguesas e portugueses” mas diferem em “zero” dos outros todos. Vejo um grupo de políticos medíocres, cuja única ambição é ficar no poder, não pelo mérito, mas sim, e sempre, pela inexistência de alternativa. Acham-se únicos, cumprem serviços mínimos, exigem que uns corem de vergonha e peçam desculpa, como se o rubor das faces ou o pedido de desculpas resolvesse alguma coisa. Vivemos acima do que podíamos ter vivido, explicam alguns comentadores, por onde vou passando, em zapping. (Não faltava mais nada, a não ser que a culpa fosse nossa). Ninguém apresenta propostas, soluções ou projetos e a mediocridade cresce, como uma sombra, entre os discursos, cuja única finalidade é aniquilar o adversário, que não estando com eles, está (dedução lógica) contra eles. É claro. O cenário é este e a miséria imensa. A paciência não pode sustentar tanto desengano, a alma (essa coisa que fica entre os olhos e o que se vê, de facto) não aguenta mais. De modo que o que se vai esperando é que o Benfica vá dando umas alegrias à Senhora Maria do Carmo e ao seu José Armando. Com sorte ela esquece os pobres dos romenos e não dá corda à novela “Carrilho/Guimarães”. É que novela por novela, antes rir livremente com coisas boas como o Benfica. Serenamente, AO, 5 de Novembro

terça-feira, setembro 24, 2013

O tempo mostra o amigo

Imagino que a ambição máxima dos dirigentes laranja, de acordo com as parcas propostas para as autarquias nos Açores, não vá muito além, da tentativa de manter as Câmaras Municipais que detêm e do repouso dos já tradicionais lugares que ocupam no parlamento açoriano.
As intervenções públicas de Duarte Freitas deixam, de facto, enormes dúvidas sobre o seu pensamento político e sobre a existência de causas no seu partido, se é que uma e outra coisa existem.
Duarte Freitas continua a gerir o PSD como o Portugal colonial geria o corpo de engenharia que, ao tempo, tinha na Índia. Diz-se que eram vinte, os oficiais sem um único soldado para amostra. De modo que o melhor mesmo era não ter ideias nem pensar em obras porque engenheiro que se prezasse rabiscava, mas não petiscava. O resto é o que nos fala a história: como Portugal nunca se livrou do traço elitista dos seus engenheiros, a velha colónia acabou por se livrar de Portugal. Parece-me, assim, que salvo as distâncias e as circunstâncias, a dificuldade na liderança social-democrata é da mesma ordem, ou seja, como o líder não consegue acertar o passo ao seu “estado-maior”, os militantes vão mudando de partido, até ao inevitável dia em que alguém mude a liderança.
Mas como o mal vem sempre bem acompanhado, não deixa de ser caricato e até mesmo pitoresco, ouvir Duarte Freitas falar das “boas finanças” da Câmara Municipal de Vila do Porto, por exemplo. Aguardo com serenidade que até ao final da campanha eleitoral, o mesmo Duarte Freitas apareça ao lado de Rui Melo, a elogiar-lhe qualidades como a boa gestão dos recursos financeiros públicos…
Aguardo mas não me espanto (muito) que não apareça. O presidente do PSD/Açores sabe que no seu partido todos têm um projecto pessoal e ainda por cima divergente dos restantes.
Por outras palavras, o PSD segue à tabela e à risca a estratégia de acrescentar água à sopa, para repetir a mesma dose, na mesma tigela, a outros convivas, sem alguém se dar ao trabalho de, ao menos, mudar a receita, que é como quem diz, de fazer diferente e pensar nos 19 concelhos dos Açores e em todas as suas freguesias de forma diferenciada e específica.
Em Ponta Delgada, por exemplo, se o Governo faz uma Gala de desporto, a autarquia acrescenta mais 10 atletas e faz outra; se o Governo inaugura uma biblioteca, a autarquia inaugura um centro de estudos; se o Governo faz uma estrada, a autarquia acrescenta dez metros na intenção de fazer uma radial.
Não tem havido pois (mais) tempo para apresentar ideias diferentes e concretas para Ponta Delgada, porque se vive nesta contínua competição, e quando assim não é, governa-se a autarquia, como aconteceu nos últimos meses, plagiando ideias do candidato do PS/Açores, nas próximas eleições de 29 de Setembro, nalgumas disfarçando, noutras acrescentando um algarismo, um metro ou uma vírgula.
Com a limitada ideia de “Um amigo” que não tem “nada a ver com o Governo de Passos Coelho”( versão B) mas que foi seu mandatário, José Manuel Bolieiro esconde, à boa moda do seu líder, que não tem objectivos para Ponta Delgada e evita o trabalho que dá “ser diferente”.
Talvez por isso, já se diga por aí que a geração de Freitas e Bolieiro, no PSD/Açores, passa despercebida em silêncio, mas quando fala, não há um amigo que aguente.
Seja como for, lá diz o provérbio que “O tempo mostra o amigo”, sendo certo que, na minha opinião, mostra melhor que o cartaz por mais cartazes que se pendurem em toda a parte.

Serenamente, AO 24 de Setembro de 2013

terça-feira, setembro 17, 2013

E Antero de Quental?






Não deixa de ser estranho que a Câmara Municipal de Ponta Delgada tenha abandonado a memória de Antero de Quental, quando se compara, por exemplo, com Natália Correia, a quem a edilidade dedicou a semana que passou, assinalando assim os seus 90 anos de nascimento, com várias actividades.
Bem sei que não é costume assinalar-se datas que não são “redondas” mas estranho (sempre) que a cidade de Ponta Delgada nunca tenha querido assumir Antero de Quental como sendo daqui, desta nossa cidade, criando, por exemplo, na casa onde nasceu, um espaço museológico de referência.
Todas as cidades do mundo celebram os seus maiores.
Na Praia da Vitória temos Vitorino Nemésio, ainda há dias referido, por Roberto Monteiro, como “pilar da cultura da Praia da Vitória”; na Horta temos Manuel D´Arriaga, em Lisboa, Fernando Pessoa e Amália Rodrigues, no Pico, em São Roque do Pico, o prémio literário Almeida Firmino. Em Ponta Delgada temos Natália Correia, sim senhores, mas temos também Antero de Quental. E a duplicidade de critérios no tratamento de uma e de outra figura, incomoda qualquer um que pense nisso por um instante.
É que, se por um lado se homenageia “a feiticeira cotovia”, tendo inclusivamente sido descerrada uma escultura, em sua homenagem a semana passada, por outro lado chega-se ao ponto de permitir que o banco, onde Antero de Quental se suicidou esteja, por estes dias, arredado do seu lugar, servindo o espaço que ocupava, para estaleiro das obras do campo de São Francisco.
Talvez a razão deste acontecimento seja mesmo a inexistência de qualquer critério e a homenagem que agora se prestou a Natália Correia tenha sido, nada mais, nada menos do que o afã mediático para que se queda o espírito humano sempre que há campanha eleitoral.
De uma ou de outra forma, mas dando, ainda assim, o benefício da dúvida, é caso para congratular a autarquia pela iniciativa de homenagear a escritora de “O sol na noite e o luar nos dias”, lamentando, contudo, o esquecimento a que têm votado Antero de Quental.
A cidade de Ponta Delgada que, de Antero tem nome de escola e de avenida, vem referida em vários documentos, páginas na internet e outros suportes que existem sobre o Homem e a sua Obra. Aqui nasceu a 18 de Abril de 1842 e aqui morreu a 11 de Setembro de 1891.
Em Vila do Conde, onde viveu 10 anos, foi inaugurado um Centro de Estudos Anterianos, em Julho passado.
O Governo dos Açores criou um Roteiro Cultural Antero de Quental, na cidade, que parte da casa onde nasceu e faz um percurso por 11 lugares diferentes, entre eles, o monumento funerário, no cemitério de São Joaquim.
A 11 de Setembro deste ano assinalaram-se 122 anos sobre a sua morte. Não fora a iniciativa do Instituto Cultural de Ponta Delgada, a 12 de Setembro, “Novas Conferências do Casino” por Miguel Soares de Albergaria e as referências feitas a Antero quer pelo Professor Doutor Machado Pires, quer por José Contente na Convenção Autárquica que o PS organizou em Ponta Delgada e a data nem tinha sido (sequer) lembrada.
Se o motivo é ter-se suicidado, já deviam tê-lo posto de lado. Natália Correia escreveu “o itinerário é interior”. O resto, senhoras e senhores, é inércia, poeira e algum preconceito.

Mariana Matos


Por decisão da autora este artigo não cumpre as normas do Novo Acordo Ortográfico em vigor.

terça-feira, agosto 06, 2013

Amor à Camisola

No fim de semana ficamos a saber que não são só os sismos (ou abalos) e as derrocadas que nos fazem ser notícia por Lisboa.
À parte a meteorologia e as calamidades também a cusquice política com tragédias da vida de outros fazem abrir os noticiários e criar factos que vão para além do terrível acontecimento.
É uma pena que assim seja, mas foi agora, como já fora antes. E será sempre, porque diz-se que é mesmo assim. Ninguém tem, porém, e na minha opinião, o direito de assassinar publicamente seja quem for. Já bastava a desgraça da ocorrência. Não era preciso mais nada. Digo eu.
Há uns dias ouviu-se o Secretário-Geral do CDS/PP nacional – por cá, salvo erro – comentar a desistência da candidatura daquele partido à Câmara Municipal de Ponta Delgada, acusando o agora já não candidato, de “cobardia política”.
Não sendo assunto da minha “freguesia” arrisco dizer que (talvez) se o candidato tivesse optado por voltar atrás com a promessa da saída, qual Paulo Portas, à moda de São Miguel, era então herói, patriota, digno. Teria “amor à camisola”.
O “amor à camisola”, essa espécie de amor de pano, de que uns se apropriam e por que outros se apaixonam de verdade, está cada vez mais em uso, entre alguma classe política, e serve, vai servindo para justificar atitudes, calar ou silenciar outras, estudar táticas, golear balizas alheias.
Expressão de uso mais futebolístico que propriamente no corriqueiro diálogo do dia-a-dia, esse amor, que dizem que dói e que se sente, que abre feridas, que às vezes não chegam a sarar, é quase tão ridículo como as cartas de amor eram (ou são) para Fernando Pessoa. No sentido ridículo que dá o poeta às cartas e não no sentido do palhaço que está mais na moda.
Os dias que correm vão direitinhos parar a 29 de Setembro. Dia de eleições autárquicas. Com umas saídas de cena e outras entradas em cena, certo é que está terminada a entrega de listas de candidaturas às autarquias dos Açores.
Melhores, piores, com mais ou menos vontade de vencer, os Homens e as Mulheres, que dão um passo em frente e dizem “presente” nesta hora devem ter de todos um reconhecimento, por mais pequeno que seja….
Afinal quem dá um “passo em frente” pela sua freguesia, cidade, vila ou mesmo rua, deve merecer o nosso respeito, por ter abdicado de ser “treinador de sofá” e chegar-se à frente para dar uma ajuda.
Pela minha parte faço votos de que não se desiludam e, perdendo ou ganhando, com mais ou menos “amor à camisola” dignifiquem o cargo que venham a exercer, sendo sobretudo e, sem grandes façanhas: “simples e possíveis” (António Lobo Antunes).
Os tempos que estão para chegar não se avizinham ainda muito fáceis. Espera-se que este poder que será renovado em Setembro, o local, ajude a ultrapassar este tempo de maiores dificuldades. É tempo de todos unirmos esforços, em particular, para criação de emprego, de apoio às famílias e de dinamização da economia local.
Se não for (e pode mesmo não ser) por “amor à camisola”, seja então por amor à nossa terra.

Serenamente, AO 6 de Agosto de 2013


quarta-feira, julho 24, 2013

Mais e melhor

Passaram quase incólumes aos ouvidos dos cidadãos de Ponta Delgada, as recentes declarações do candidato do PSD/Açores à Câmara Municipal do maior concelho dos Açores. Disse o candidato e, ainda presidente, José Manuel Bolieiro, durante a apresentação da sua mandatária que, e cito: “O meu trabalho na Câmara Municipal é que serve de campanha”.
Parece-me muito grave que o candidato do PSD/Açores a Ponta Delgada admita, sem qualquer tipo de escrúpulo, que utiliza a Câmara Municipal para campanha eleitoral e não quero crer que estas suas palavras tenham sido bem medidas. De outra forma, a única conclusão que se pode retirar é que o candidato tem do cargo que ocupa uma visão clientelar e promíscua.
No mesmo dia e, no seguimento destas palavras, o candidato do PSD/A também referiu que “a pré-campanha do ruído e da despesa não faz o meu género”. É uma pena que o candidato do PSD/Açores tente confundir esclarecimento com propostas. Mas a pena maior é que a pré-campanha do candidato do PSD/Açores se esteja a fazer na gravata ou na coroa do Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada… como se ninguém estivesse a ver.
E quando se esperava uma solução para o centro histórico de Ponta Delgada – apresentada pelo atual Presidente da Câmara Municipal, eis senão quando se lança, às pressas, a obra do Campo de São Francisco.
Com ela, o candidato do PSD/Açores pensou matar vários coelhos de uma cajadada só e, mais uma vez, como se ninguém estivesse a ver, onze anos depois, desde que começaram as “Noites de Verão” no Campo de São Francisco, quis agradar a todos e puxou as ditas noites para o centro da cidade.
A Câmara Municipal de Ponta Delgada acordou tarde para o problema e prejudicou durante 11 anos os comerciantes da baixa da cidade. Porém faço os melhores votos de prosperidade aos nossos comerciantes, embora esperasse que esta deslocação das noites, fosse acompanhada por reduções de taxas relativas à ocupação da via pública, à instalação de reclames luminosos, à diminuição da Derrama, entre outros tão falados e propostos assuntos, pelo maior partido da oposição, na Câmara e Assembleia Municipal de Ponta Delgada.
Bem se sabe que nenhuma destas medidas causa tanto impacto visual como ter umas máquinas a escavar no Campo de São Francisco, a afastar dali mendigos e outros indivíduos e a mudar árvores de sítio, mas o que não se quer ver poupado, esquecido e afogado é um centro histórico tradicional que há mais de uma década espera pelos bons propósitos da autarquia de Ponta Delgada.
A semana passada ficámos todos a saber que Vila do Conde homenageou Antero de Quental. A casa onde viveu o escritor durante 10 anos abriu na passada 3ª feira e é agora o Centro de Estudos Anterianos.
Por cá há promessa, desde 14 de Junho de 2008 (há 5 anos), de homenagear Antero de Quental através da criação de um centro de estudos com o seu nome que iria surgir na Casa de Mouzinho da Silveira, na Rua Pedro Homem.
Não se vislumbra nada de novo sobre este assunto, assim como nunca se identificou o banco onde Antero de Quental se suicidou.

Honrar os nossos maiores é viver mais. Ponta Delgada precisa decisivamente de mais e de melhor.

Serenamente, AO 23 de Julho

terça-feira, julho 16, 2013

A motivo

Fumou todos os cigarros da carteira que trazia 20. Um atrás do outro, um atrás do outro, um atrás do outro. Até ao vigésimo. Depois parou, deixou o isqueiro cair suavemente no chão e clique...
Morreu. Motivo: ataque de ansiedade.