«Onde estavas tu quando fiz vinte anos
E tinha uma boca de anjo pálido?
Em que sítio estavas quando o Che foi estampado
Nas camisolas das teenagers de todos os estados da América?
Em que covil ou gruta esconderam as suas armas
Para com elas fazer posters cinzeiros e emblemas?
Onde te encontravas quando lançaram mão a isto?
E atrás de quê te ocultavas quando
Mataram Luther King para justificar sei lá que agressões
Ao mesmo tempo que viamos Música no Coração
Mastigando chiclets numa matinée do cinema Condes?
Por onde andavas que não viste os corações brancos
Retalhados na Coreia e no Vietname
Nem ouviste nenhuma das canções de Bob Dylan
Virando também as costas quando arrasaram Wiriammu
E enterraram vivas
Mulheres e crianças em nome
De uma pátria una e indivisível?
Que caminho escolheram os teus passos no momento em que
Foram enforcados os guerrilheiros negros da África do Sul
OuAlende terminou o seu último discurso?
Ainda estavas presente quando Victor Jara
Pronunciou as últimas palavras?
E nem uma vez por acaso assististe
Às chacinas do Esquadrão da Morte?
Fugiste de Dachau e Estalinegrado?
Não puseste os pés em Auschwitz?
Que diabo andaste a fazer o tempo todo
Que ninguém te encontrou em lugar algum.»
"E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando as vidas dos insectos..." Mário Quintana
quinta-feira, novembro 15, 2007
quarta-feira, novembro 14, 2007
Blowin´in The Wind ( Bob Dylan)
Aqui está o meu contributo para a mixtape, que está sendo composta aqui, aqui e aqui.Blowin´in the Wind, original de Bob Dylan, aqui interpretado por Katie Melua
Etiquetas:
Katie Melua
segunda-feira, novembro 12, 2007
sábado, novembro 10, 2007
sexta-feira, novembro 09, 2007
Correnteza

imagem
Respondendo ao desafio da Clara
"Adolfo Casais Monteiro, José Régio, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner, Manuel da Fonseca, deveriam pagar tributo a Ezra Pound?"
Cesariny, Mário, "Ezra Pound (e os poetas)", in as mãos na água, a cabeça no mar, lisboa, assírio e alvim, 1985, p.161
"Nos edíficios sumptuosos mandados construir pelas pessoas mais notoriamente abastadas o arquitecto por um esforço violento da imaginação salpica o muro que deita para a rua com alguns dos ornatos interiores das casas"
Queiroz, Eça et Ortigão, Ramalho [coordenação de Maria Filomena Mónica], As Farpas - Crónica mensal da política, das letras e dos costumes,Lisboa, Principia, 2004, p. 161.
Passo o desafio ao Rodrigo, à Fátima e à Helena
161º página (s), 5ª frase (s) de livros, que estejam por perto.
Outra Vida
"Quero ser noutra vida mensageiro de emoções
De elefantes, baleias, cais e canções
Na preguiça do panda, na destreza do lince
Vou abrir a Pandora onde Deus não existe
Entre tudo e nada, saber quem sou
Quero ser noutra vida mensageiro de emoções
De golfinhos e águias, do silêncio das águas
Regressado aos sentidos e à razão dos bichos
Dos espaços perdidos, na asa de condor
No fundo do mar, saber quem sou
Quero ser noutra vida mensageiro de emoções
Porta-voz de ondas, tradutor de ilusões
Ser menos ainda que um pequeno carreiro
Descobrir o mistério do Universo inteiro
Emprestar a vida, descobrir quem sou."
Etiquetas:
Letra e música João Afonso
quarta-feira, novembro 07, 2007
Trip(l)as à moda do PSD ou Juntaram-se os dois à esquina…
1- Depois de ouvir o debate na RTP/Açores entre os dois candidatos à liderança do partido social democrata pergunto: se para “9 ilhas, 9 programas eleitorais” (Costa Neves), também 9 bandeiras, 9 hinos e 9 governos?
E o candidato estará (mesmo) “de fato completo, com as sapatilhas calçadas, casaco e gravata”? (Natalino Viveiros)
Em todas as ruas e atalhos que Costa Neves diz conhecer, ter-lhe-ão faltado as que levam à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo? Seguramente que sim.
Frase da noite: “ No PSD/A respira-se bem.”(Costa Neves)
Paciência.
2- Na RTP/Açores, a reportagem transmitida a semana passada sobre uma missa rezada num local, a que não vou há muitos anos, reproduz uma ideia dos novos tempos: a limpeza por fora justifica a porcaria por dentro.
Tratava-se (isto para quem não souber) de uma reportagem sobre a ermida do Cemitério de São Joaquim, em Ponta Delgada, que estava imunda, por dentro, no dia de todos os santos. Fez-me lembrar outros Carnavais, ou devo dizer armazéns?
3 - Lá em cima está o tiroliroliro
Cá em baixo está o tiroliroló
Lá em cima está o tiroliroliro
Cá em baixo está o tiroliroló
E o candidato estará (mesmo) “de fato completo, com as sapatilhas calçadas, casaco e gravata”? (Natalino Viveiros)
Em todas as ruas e atalhos que Costa Neves diz conhecer, ter-lhe-ão faltado as que levam à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo? Seguramente que sim.
Frase da noite: “ No PSD/A respira-se bem.”(Costa Neves)
Paciência.
2- Na RTP/Açores, a reportagem transmitida a semana passada sobre uma missa rezada num local, a que não vou há muitos anos, reproduz uma ideia dos novos tempos: a limpeza por fora justifica a porcaria por dentro.
Tratava-se (isto para quem não souber) de uma reportagem sobre a ermida do Cemitério de São Joaquim, em Ponta Delgada, que estava imunda, por dentro, no dia de todos os santos. Fez-me lembrar outros Carnavais, ou devo dizer armazéns?
3 - Lá em cima está o tiroliroliro
Cá em baixo está o tiroliroló
Lá em cima está o tiroliroliro
Cá em baixo está o tiroliroló
terça-feira, novembro 06, 2007
Recomendação de Leitura

"(...) O homem massa sente-se perfeito. Um homem de eleição, para sentir-se perfeito precisa de ser especialmente vaidoso, e a crença na sua perfeição não está unida consubstancialmente a ele, nem é ingénua, antes lhe vem da sua vaidade, e até para ele mesmo tem um carácter fictício, imaginário e problemático. Por isso, o vaidoso necessita dos outros, procura neles a confirmação da ideia que quer ter de si mesmo. De sorte que nem mesmo neste caso morboso, nem mesmo "cego" pela vaidade o homem nobre consegue sentir-se na verdade completo. Pelo contrário, ao homem medíocre dos nossos dias, ao novo Adão, não lhe ocorre duvidar da sua própria plenitude. A sua confiança em si é, como que de Adão, paradisíaca. O hermetismo nato da sua alma impede-o do que seria condição prévia para descobrir a sua insuficiência: comparar-se com outros seres. Comparar-se seria sair um instante de si mesmo e transferir-se para o próximo. Mas a alma medíocre é incapaz de transmigração - desporto supremo.
Encontramo-nos, pois, com a mesma diferença que existe entre o estúpido e o perspicaz.(...)"
Ortega y Gasset,[Tradução de Artur Guerra],
A Rebelião das Massas, Lisboa, Relógio D´Agua,s.d., pág. 82
13,09 euros (Feira do Livro, 2006)
Comecei a relê-lo ontem. Tem sido até, agora, um livro de novas e agradáveis surpresas, que me tem lembrado, em alguns dos seus excertos, outros textos, como o poema Homens que são como lugares mal situados de Daniel Faria ou os versos de Miguel Torga, que ditam que: "Um contra o mundo, é pouco.
Mesmo que seja louco,
É muito pouco ainda.
Mas que pode fazer o homem que endoidece
E se esquece
De medir o poder do seu tamanho? (...)"
(Luta, Miguel Torga)
segunda-feira, novembro 05, 2007
Do not go gentle into that good night
"Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.
Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.
Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.
Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.
Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.
And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light."
Dylan Thomas
Etiquetas:
poesia
domingo, novembro 04, 2007
Brainstorming
Escrever muitas coisas.
Peça é a palavra que me ocorre
Sempre que penso em escrever muitas coisas.
E muitas coisas não se escrevem com cedilha.
Muitas coisas são muitas coisas.
Um sorriso perdido no espelho,
As velas do bolo que devias apagar hoje,
A certeza inquieta de que não vens,
A mania de me lembrar destas coisas,
O trim-trim anunciado do telefone
Que já nem toca assim,
Pessoas à janela,
Os tapetes de flores,
As pesadas palavras,
Que correm por dentro,
Como se fossem de verdade,
As graças que não têm piada,
As futuras idílicas maneiras
Das meninas do largo,
Saltitando em cordas coloridas,
Os carros de corda dos meninos,
As mal pronunciadas consoantes,
As vogais femininas,
Os verbos de raiz melodramática,
A sombra, a cara, o cabelo despenteado,
Cortado e amarrado.
Peça pronunciada com um [c] cedilhado e pesado.
Um traço do que poderia ter redigido num papel,
A lápis, afoga-se de desgosto.
Talvez tenha vergonha de me perder
Nas linhas cruzadas do verbo escrever.
Talvez não seja nada disso e a minha atrapalhação
Não passe de uma transitiva maneira de ser
Ou talvez também não seja nada disto.
Há muitas coisas que não fazem
Sentido no decorrer dos dias.
Onomatopeicos sons das portas a arrastarem-se
No chão como sapatos fechados.
Giz de quadro. Qualquer palavra indecifrável
Sumida num arraial de vozes.
As mãos que se vão indo.
A dor de carregá-las dentro,
Como se fossem de verdade as recordações.
Um carro parado sem ninguém lá dentro,
As chaves pousadas fora da porta, no chão,
A entrada vazia da casa, as flores que
Deixam crescer daninhas pelo meio,
Defensoras acérrimas da liberdade dos outros.
Vinha escrever muitas coisas.
Dizer isto. Aquilo
O outro que não chegou. A pasta amarela
De carregar livros.
Um copo, um vaso, uma bola de futebol,
O cesto, o lume, a galinha,
A árvore, a asa, o bico,
O grão, o vento, a mão,
A gente, os nós, as nozes.
O tempo, o medo, o mundo,
A mala, o resto, a sombra
E uma cedilha repetida
Em muitas coisas
Pesadas como as peças
Que me faltam para continuar.
Peça é a palavra que me ocorre
Sempre que penso em escrever muitas coisas.
E muitas coisas não se escrevem com cedilha.
Muitas coisas são muitas coisas.
Um sorriso perdido no espelho,
As velas do bolo que devias apagar hoje,
A certeza inquieta de que não vens,
A mania de me lembrar destas coisas,
O trim-trim anunciado do telefone
Que já nem toca assim,
Pessoas à janela,
Os tapetes de flores,
As pesadas palavras,
Que correm por dentro,
Como se fossem de verdade,
As graças que não têm piada,
As futuras idílicas maneiras
Das meninas do largo,
Saltitando em cordas coloridas,
Os carros de corda dos meninos,
As mal pronunciadas consoantes,
As vogais femininas,
Os verbos de raiz melodramática,
A sombra, a cara, o cabelo despenteado,
Cortado e amarrado.
Peça pronunciada com um [c] cedilhado e pesado.
Um traço do que poderia ter redigido num papel,
A lápis, afoga-se de desgosto.
Talvez tenha vergonha de me perder
Nas linhas cruzadas do verbo escrever.
Talvez não seja nada disso e a minha atrapalhação
Não passe de uma transitiva maneira de ser
Ou talvez também não seja nada disto.
Há muitas coisas que não fazem
Sentido no decorrer dos dias.
Onomatopeicos sons das portas a arrastarem-se
No chão como sapatos fechados.
Giz de quadro. Qualquer palavra indecifrável
Sumida num arraial de vozes.
As mãos que se vão indo.
A dor de carregá-las dentro,
Como se fossem de verdade as recordações.
Um carro parado sem ninguém lá dentro,
As chaves pousadas fora da porta, no chão,
A entrada vazia da casa, as flores que
Deixam crescer daninhas pelo meio,
Defensoras acérrimas da liberdade dos outros.
Vinha escrever muitas coisas.
Dizer isto. Aquilo
O outro que não chegou. A pasta amarela
De carregar livros.
Um copo, um vaso, uma bola de futebol,
O cesto, o lume, a galinha,
A árvore, a asa, o bico,
O grão, o vento, a mão,
A gente, os nós, as nozes.
O tempo, o medo, o mundo,
A mala, o resto, a sombra
E uma cedilha repetida
Em muitas coisas
Pesadas como as peças
Que me faltam para continuar.
sexta-feira, novembro 02, 2007
Subscrever:
Mensagens (Atom)
