domingo, dezembro 17, 2006

Para ouvir


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"Queria de ti um país de bondade e de bruma
Queria de ti o mar de uma rosa de espuma."


Mário Cesariny
Sinais (TSF)

sábado, dezembro 16, 2006

Trapézio



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«Contamos segundos
Instantes escassos
Caímos mil vezes
Seguidas de abraços ;
A dança é divina
Ela vive no ar
Ela voa sem asas
Não quer aterrar

É bom arriscar o salto,
Planar,
Sentir de novo emoção...
É tão bom
Saber que a morte
É falhar
Voar de encontro à tua mão

Aqui, no trapézio,
A rede é distante
O meu horizonte
É um braço errante ;
Despimos as horas
Perdidos no espaço,
Entre o rugir de um leão
E o choro de um palhaço

É bom arriscar o salto,
Planar,
Sentir de novo emoção...
É tão bom
Saber que a morte
É falhar
Voar de encontro à tua mão»


Jorge Palma
A ouvir aqui

sexta-feira, dezembro 15, 2006

quinta-feira, dezembro 14, 2006

ES VERDAD

"Ay qué trabajo me cuesta
quererte como te quiero!

Por tu amor me duele el aire,
el corazón
y el sombrero.

Quién me compraría a mí,
este cintillo que tengo
y esta tristeza de hilo
blanco, para hacer pañuelos?

Ay qué trabajo me cuesta
quererte como te quiero!"


Frederico García Lorca

segunda-feira, dezembro 11, 2006

www.tvnet.pt



Está de volta a primeira Televisão Nacional na Internet

domingo, dezembro 10, 2006

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Bom Fim-de-Semana!

"We are the champions - my friends
And we'll keep on fighting - till the end
We are the champions -
We are the champions
No time for losers
'Cause we are the champions - of the world"


Original: Queen
Versão que estava aqui antes; encontra-se aqui agora

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Citação (porque sim)


Foto: Cláudia M.
«Somos nós
As humanas cigarras!
Nós,
Desde os tempos de Esopo conhecidos.
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos
A passar!...

Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras,
Asas que em certas horas
Palpitam,
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.

Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,
mas sim do mosto que a beleza traz!

E vos digo e conjuro que canteis!
Que sejais menestreis
De uma gesta de amor universal!
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural!
Homens de toda a terra sem fronteiras!
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
Crias de Adão e Eva verdadeiras!
Homens da torre de Babel!

Homens do dia a dia
Que levantem paredes de ilusão!
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão


Aos Poetas, Miguel Torga

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Citação (importante)

«(...) Simon de Beauvoir: E voltando ao Prémio Nobel, a que foi então a mais escandalosa das suas recusas, a que foi mais conhecida, a mais comentada?
J.P.Sartre: (...) O Prémio Nobel consiste em dar um prémio todos os anos. A que corresponde esse prémio? Que significa um escritor que recebeu o prémio em 1974, o que quer isso dizer em relação aos homens que o receberam antes, ou áqueles que não o receberam mas que escrevem como ele e que são, talvez, melhores? Que significa esse prémio? Pode-se dizer verdadeiramente que no ano em que mo deram eu era superior aos meus colegas, os outros escritores, e que no ano seguinte foi outro que o foi? Devemos verdadeiramente considerar a literatura desta maneira? Como pessoas que são um ano superiores, ou então que o são há muito tempo, mas que serão reconhecidas nesse ano como superiores? É absurdo. É mais do que evidente que um escritor não é alguém que, num dado momento, é superior aos outros. Ele é igual aos melhores, quando muito. E «os melhores» continua a ser uma fórmula errada. Ele é igual áqueles que fizeram realmente bons livros, e além disso é-o para sempre. Fez aquela obra, talvez cinco anos antes, talvez dez anos antes. É preciso qualquer coisinha nova para que nos dêem o Prémio Nobel. Eu tinha publicado Les Mots; eles acharam aquilo válido e deram-me o prémio um ano depois. Para eles, aquilo dava um novo valor à minha obra. Mas deveremos concluir daí que, no ano anterior, quando eu não tinha publicado essa obra, valia muito menos? É uma noção absurda; essa ideia de colocar a literatura em hierarquia é uma ideia completamente contrária à ideia literária, e pelo contrário perfeitamente conveniente para uma sociedade burguesa que quer integrar tudo. (...) E foi por isso que eu recusei o Prémio Nobel, porque não queria de maneira nenhuma ser considerado como um igual a Hemingway, por exemplo. Gostava muito de Hemingway, conhecia-o pessoalmente, tinha ido vê-lo a Cuba, mas a ideia de ser comparado com ele, de estar numa categoria qualquer em relação a ele, estava muito longe do meu pensamento.
Há nisto uma ideia que acho ingénua e estúpida. (...)»


Excerto de Conversas com Jean Paul Sartre, incluídas na obra de Simone de Beauvoir "A Cerimónia do Adeus", ( tradução: Helena M. dos Santos), Bertrand, 2ª edição, Lisboa, 1991, pp. 233, 234.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Festa sem pipocas e balões...


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Venda na rua proibida durante o dia das montras

«A Câmara Municipal de Ponta Delgada emitiu um edital a informar que é expressamente proibido a venda ambulante na baixa de Ponta Delgada a 8 deDezembro, durante a festa das montras.
O edital, assinado por Berta Cabral, presidente da autarquia de Ponta Delgada refere que “fica proibido o exercício de qualquer actividade de venda ambulante durante o próximo dia 8 deDezembro, nas ruas António José de Almeida, Hintze Ribeiro, Manuel Inácio Correia, bem como em toda a zona circundante à igreja Matriz de São Sebastião e Praça Gonçalo Velho”, declara o edital.
Desta forma o único local onde poderá haver venda ambulante no dia das montras será nas áreas periféricas à baixa de Ponta Delgada.»

Açoriano Oriental, 4 de Dezembro de 2006, pag.8

Depois da Batalha das Limas e das Festas do Sr. Santo Cristo chegou a vez do Dia das Montras também sofrer a sua "adaptaçãozinha"....
Haja saúde e paciência!

domingo, dezembro 03, 2006

Citação (importante)

«e é preciso correr é preciso ligar é preciso sorrir
é preciso suor
é preciso ser livre é preciso ser fácil é preciso a roda
o fogo de artifício
é preciso o demónio ainda corpolento
é preciso a rosa sob o cavalinho
é preciso o revólver de um só tiro na boca
é preciso o amor de repente de graça
é preciso a relva de bichos ignotos
e o lago é preciso digam que é preciso
é preciso comprar movimentar comércio
é preciso ter feira nas vértebras todas
é preciso o fato é preciso a vida
da mulher cadáver até de manhã
é preciso um risco na boca do pobre
para averiguar de como é que eles entram
é preciso a máquina a quatro mil vóltios
é preciso a ponte rolante no espaço
é preciso o porco é preciso a valsa
o estrídulo o roxo o palavrão de costas
é preciso uma vista para ver sem perfume
e outra menos vista para olhar em silêncio
é preciso o lôgro a infância depressa
o peso de um homem é demais aqui
é preciso a faca é preciso o touro
é preciso o miúdo despenhado no túnel
é preciso forças para a hemoptise
é preciso a mosca um por cento doméstica
é preciso o braço coberto de espuma
a luz o grito o grande olho gelado

e é preciso gente para a debandada
é preciso o raio a cabeça o trovão
a rua a memória a panóplia das árvores
é preciso a chuva para correres ainda
é preciso ainda que caias de borco
na cama no choro no rogo na treva
é precisa a treva para ficar um verme
roendo cidades de trapo sem pernas»

Mário Cesariny, "Discurso sobre a reabilitação do real quotidiano", in manual de prestidigitação, Lisboa, Assírio e Alvim, 1981.

sábado, dezembro 02, 2006

É da vida....



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Croniqueta XLV ou O Fífia é um cidadão com C grande e, só não o é com S, porque seria erro duplo...



O Fífia é um cidadão exemplar. Vai às compras todos os dias. Não fica fechado em casa.
O Fífia é um cidadão que se recomenda, um pirilampo, cujo rabo luz, por festejo, associado à iluminação da sua cidade, por dever e respeito aos seus concidadãos.
O Fífia é um cidadão com C grande e, só não o é com S, porque seria erro duplo!
O Fífia é um tapete vermelho; deitado no chão, parece de rolo, em pé, até podia forrar as estátuas ou fazer laços.
Cheguem-se a ele varandas, escadas, paredes, janelas ou até vidros, que ele, sem dó nem piedade, esguicha luz do seu rabo iluminado. Certeiro, como uma seta e astuto como um disparo à moda do Robin dos Bosques, anda, atarefado em compras. Já comprou meias para a mãe; agulhas para as Tias e umas barbatanas para a namorada. Umas lindas e verdes barbatanas fluorescentes para daqui a ano e meio, ele e a Iveti irem passear nos parques subterrâneos da avenida marginal. Os dois cidadãos exemplares, que não andam de Mini-Bus, mas que, de certeza, trarão o carro para debaixo do chão da avenida; contribuindo assim, para o desafogo do centro urbano.
Mas, voltemos às compras do Fífia. As lojas cheias de novidade e os anúncios na TV deixam o seu coração aos pulos. Viajar. Ir comprar ao continente.
O Fífia, cidadão exemplar, que compra todos os dias, nem que seja um copo de água, a 0,14 cêntimos no Hiper, e sai de casa para passear tranquilo, às 5 da tarde, no Campo de São Francisco, vai ao continente e quando chegar espera ter à sua espera: um Diploma. Afinal, ele é o cidadão mais exemplar com o rabo mais luminoso, que os anjos da matriz. Ele é o nosso Fífia, que já leu o Verdadeiro Método de Estudar, e até se sente Verney. Desta vez, neste Natal, quer, nada mais nada menos, do que um Diploma de Cidadão Exemplar; ele que sai de casa todos os dias; ele que fotografa os buracos da cidade; ele que atravessa todas as ruas da cidade, mesmo as mal iluminadas, às 8 horas da noite mais a sua Iveti; ele que já se ofereceu para ser cartaz turístico, vestido de Toupeira; ele que, nas Festas do Espírito Santo, até andou de coroa giratória e musical, ele, sim, só ele, merece receber um Diploma.(Para mais tarde fica o nome de rua).
É um cidadão exemplar. Agora, que fez o pedido e, porque é cuidadoso, vai esperar que a edilidade o anuncie mesmo, com provas e tudo, que é para ter a certeza, que o que recebe não é, apenas, um prémio de consolação pelo esforço.
E, claro que, também espera ser convidado para a sessão; em caso de ele não estar, por estar a cumprir a sua cidadania exemplar e estar, quem sabe, no Porto ou em Leiria, a fazer compras, pode, sempre, fazer-se substituir pelas tias.
Isto, para depois não se dizer, por lá, que ele não confirmou a sua presença. Não estaria certo. Porém, o Fífia tem confiança e sabe que tudo correrá bem.
Ele há-de estar e receber beijinhos e, quem sabe, até se não leva uma medalha.
Aguarda, agora, a chegada do primo “jerIMIas”. O primo que vem da Europa para ficar alojado durante 3 anos, em casa das tias. Vem de surpresa. Só o Fífia sabe as razões da sua vinda e está muito contente com isso. Afinal, não é todos os dias que se tem a oportunidade de ter um primo "jerIMIas". Um primo Europeu, que há-de trazer novas modas. Um primo que, ao telefone, lhe perguntou: há aí estacionamento para bicicletas? Um primo, sem sombra de dúvidas, bom. Em casa das Tias, "jerIMIas" ficará de graça. Parece que o rabo dele também luz. E que as lâmpadas que lhe coroam o dito têm autonomia suficiente para se manter aceso nos próximos 3 anos. Uma sorte, pensou o Fífia acerca desta novidade. As tias ficam a ganhar.
Ele também.

!!!


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