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sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Meditatio

"When I carefully consider the curious habits of dogs
I am compelled to conclude
That man is the superior animal.
When I consider the curious habits of man
I confess, my friend,
I am puzzled."


Ezra Pound

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Fragilidade

"Este verso, apenas um arabesco
em torno do elemento essencial - inatingível.
Fogem nuvens de verão, passam ares, navios, ondas,
e teu rosto é quase um espelho onde brinca o incerto movimento,
ai! já brincou, e tudo se fez imóvel, quantidades e quantidades
de sono se depositam sobre a terra esfacelada.
Não mais o desejo de explicar, e múltiplas palavras em feixe
subindo, e o espírito que escolhe, o olho que visita, a música
feita de depurações e depurações, a delicada modelagem
de um cristal de mil suspiros límpidos e frígidos: não mais
que um arabesco, apenas um arabesco
abraça as coisas, sem reduzi-las."

Carlos Drummond de Andrade

domingo, novembro 25, 2007

Repreensão

"Depois de fuzilado
ao levar
o tiro na nuca para acabar
chateou-se
e viu-se obrigado
a explicar
ao major
que comandava o pelotão
que o tinha fuzilado
por favor
preste atenção
e não me obrigue a repetir
a repreensão
na próxima vez
que mandar matar
dê tempo ao morto
para gritar
convicto
um último viva a revolução."


Poema, incluído no livro Contos do Gin-Tónico, da autoria de Mário-Henrique Leiria.
Publicado pela Editorial Estampa. O que tenho é a 6ª edição de Fevereiro de 2007. Comprei-o na livraria Bertrand, por 9,89.

sábado, novembro 24, 2007

Conversar - poema de Octavio Paz

«E num poema leio:
conversar é divino.
Os deuses, contudo, não falam:
fazem, desfazem mundos,
enquanto falam os homens.
Que os deuses, sem palavras,
jogam terríveis jogos.

O espírito desce,
e desata as línguas,
palavras, porém não fala:
fala lume. A linguagem
pelo deus acendida,
é uma profecia
de chamas e um cair
de sílabas queimadas:
cinza sem sentido.

A palavra do homem
é bem filha da morte.
Falamos porque somos
mortais: e as palavras
não são signos, são anos.
Ao dizer o que dizem,
os nomes que dizemos
dizem tempo: nos dizem,
somos nomes do tempo.
Conversar é humano."

tradução de Luís Alves da Costa
roubado daqui