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segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Palavras para peneirar


imagem
Escuta o caminhar mudo da chuva que, muito lentamente,
Vai esculpindo os seus movimentos na calçada.

Dia 12. Um ar de não sei quê; mais uma espécie
De nevoeiro dobrado entre os olhos. Como um envelope.

Chega nas cartas que vêm das finanças para cobrar mais
Um Inverno de ilha (ou na ilha).

Gosto de trocar as palavras. De fazê-las arrepender-se desse crime
De que se julgam impunes. Não o são. Pagam como todos nós.

Vinha aqui escrever um postal com pena. Tinha a ideia quase toda,
Mas depois cheguei e era Fevereiro de 2007.

Vesti o casaco sem penas. Calcei as botas. E fui.
Assim como assim Março já vem a caminho.

Peneirem isto.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Postal para a Maria



foto: CM

Querida Maria.
O vento assobia e vai longe a hora no frio de lá fora.
Se antes subimos agora descemos.
(Gaivotas nos ossos como brasa aquecida nos olhos).
Há milhões de pessoas baralhadas nos astros.
Redes de novelos.
Casacos de cobertor e máscaras.
Asas de peixe voador, Maria, que não és Leonor,
Nem consta que uses lambreta. Não foste à fonte. És real.
Querida Maria.
Os barcos andam de pé como as pessoas inteiras.
Agora, Maria, seis ou sete linhas chegam para te contar desta janela
Que vejo virada para o lado de dentro do porto,
Aonde, se não fosse o frio e a distância, já eu te tinha ido salvar.
Leva a bóia, Maria. Dizem que vai ventar.
E tu (já) não sabes nadar.




Maria Amaro