"E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando as vidas dos insectos..." Mário Quintana
segunda-feira, julho 29, 2013
quarta-feira, julho 24, 2013
Mais e melhor
Passaram quase incólumes aos
ouvidos dos cidadãos de Ponta Delgada, as recentes declarações do candidato do
PSD/Açores à Câmara Municipal do maior concelho dos Açores. Disse o candidato
e, ainda presidente, José Manuel Bolieiro, durante a apresentação da sua
mandatária que, e cito: “O meu trabalho na Câmara Municipal é que serve de
campanha”.
Parece-me muito grave que o
candidato do PSD/Açores a Ponta Delgada admita, sem qualquer tipo de escrúpulo,
que utiliza a Câmara Municipal para campanha eleitoral e não quero crer que
estas suas palavras tenham sido bem medidas. De outra forma, a única conclusão
que se pode retirar é que o candidato tem do cargo que ocupa uma visão
clientelar e promíscua.
No mesmo dia e, no seguimento
destas palavras, o candidato do PSD/A também referiu que “a pré-campanha do
ruído e da despesa não faz o meu género”. É uma pena que o candidato do
PSD/Açores tente confundir esclarecimento com propostas. Mas a pena maior é que
a pré-campanha do candidato do PSD/Açores se esteja a fazer na gravata ou na
coroa do Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada… como se ninguém
estivesse a ver.
E quando se esperava uma solução
para o centro histórico de Ponta Delgada – apresentada pelo atual Presidente da
Câmara Municipal, eis senão quando se lança, às pressas, a obra do Campo de São
Francisco.
Com ela, o candidato do
PSD/Açores pensou matar vários coelhos de uma cajadada só e, mais uma vez, como
se ninguém estivesse a ver, onze anos depois, desde que começaram as “Noites de
Verão” no Campo de São Francisco, quis agradar a todos e puxou as ditas noites
para o centro da cidade.
A Câmara Municipal de Ponta
Delgada acordou tarde para o problema e prejudicou durante 11 anos os
comerciantes da baixa da cidade. Porém faço os melhores votos de prosperidade
aos nossos comerciantes, embora esperasse que esta deslocação das noites, fosse
acompanhada por reduções de taxas relativas à ocupação da via pública, à
instalação de reclames luminosos, à diminuição da Derrama, entre outros tão falados
e propostos assuntos, pelo maior partido da oposição, na Câmara e Assembleia
Municipal de Ponta Delgada.
Bem se sabe que nenhuma destas
medidas causa tanto impacto visual como ter umas máquinas a escavar no Campo de
São Francisco, a afastar dali mendigos e outros indivíduos e a mudar árvores de
sítio, mas o que não se quer ver poupado, esquecido e afogado é um centro
histórico tradicional que há mais de uma década espera pelos bons propósitos da
autarquia de Ponta Delgada.
A semana passada ficámos todos a
saber que Vila do Conde homenageou Antero de Quental. A casa onde viveu o
escritor durante 10 anos abriu na passada 3ª feira e é agora o Centro de
Estudos Anterianos.
Por cá há promessa, desde 14 de
Junho de 2008 (há 5 anos), de homenagear Antero de Quental através da criação
de um centro de estudos com o seu nome que iria surgir na Casa de Mouzinho da
Silveira, na Rua Pedro Homem.
Não se vislumbra nada de novo
sobre este assunto, assim como nunca se identificou o banco onde Antero de
Quental se suicidou.
Honrar os nossos maiores é viver
mais. Ponta Delgada precisa decisivamente de mais e de melhor.
Serenamente, AO 23 de Julho
terça-feira, julho 16, 2013
A motivo
Fumou todos os cigarros da carteira que trazia 20. Um atrás do outro, um atrás do outro, um atrás do outro. Até ao vigésimo. Depois parou, deixou o isqueiro cair suavemente no chão e clique...
Morreu. Motivo: ataque de ansiedade.
Morreu. Motivo: ataque de ansiedade.
terça-feira, junho 25, 2013
PSD/Á(rabe)
Constituindo-se como o momento
mais caricato (e até certo ponto vexatório) a que já assistimos nos debates
parlamentares, na Região Autónoma dos Açores, digno mesmo de figurar, na
primeira página, de um qualquer anedotário regional, o Programa do PSD/Açores
para a criação de Auto-Emprego Jovem (PAEJ) é uma das mais reveladoras provas
da mediocridade de alguns membros da classe política regional.
Mediocridade que continua a
passar impune, sem que ninguém tire verdadeiras consequências disso. É lamentável.
Se o PSD/Açores não encontrou em
nenhuma das nossas ilhas um furo de petróleo, este Programa que foi anunciado
no passado mês de Abril, no Pico, depois de 3 dias a debater, em Jornadas
Parlamentares, soluções para o desemprego jovem é, nada mais, nada menos, do
que uma piada de mau-gosto, feita à custa dos problemas das vidas dos outros…
Se não estivéssemos a falar de
políticos açorianos com responsabilidades que, amiúde, se proclamam como o
“maior partido da oposição” e até “pai da Autonomia” podíamos pensar que o
PSD/Açores, pela voz do líder da JSD/Açores e, deputado pelo 2º mandato
consecutivo, estava a sofrer de uma espécie de síndrome de “Lawrence das
Arábias”…
Mas não. À parte a grandeza do
partido, ou mesmo a paternidade da Autonomia e de outras efemeridades do tipo,
que agora interessam pouco, a não ser pela referência das “qualidades” com que
se gostam de auto condecorar, resta um certo laivo de desmazelo, um certo afã
mediático e uma certa queda para a tolice.
A Proposta do PSD/Açores, para
quem não ouviu o debate, já que não saiu nota do Gabinete de Comunicação Social
deste partido, visava promover o Auto-Emprego Jovem em actividades tão
açorianas como: extração de hulha e lenhite; extração de petróleo bruto e gás
natural; preparação de minérios metálicos; fabricação de coque, produtos
petrolíferos refinados e aglomerados de combustíveis…
Afinal, como se percebe, não foi
um contributo para a criação de Auto-Emprego jovem, ou menos jovem, que os
senhores deputados do PSD/Açores deram à sociedade açoriana. Não senhores. Mas,
mesmo assim, não deixaram de dar qualquer coisa. E o que deram então?
Ora deram pior fama à classe
política, pior fama aos deputados, pior imagem à política, razão a quem diz que
há políticos que não servem para nada…
O que aconteceu a semana passada
no Parlamento Regional foi uma ofensa aos Açorianos e é deveras lamentável que
um Partido como o PSD/Açores tenha feito esta triste figura sobre um assunto
tão sério como o Desemprego.
Ainda assim tiveram sorte. Todos
os grupos e representações parlamentares votaram por unanimidade o Requerimento
que a bancada do PSD/Açores apresentou para que o diploma baixasse à comissão e
fosse de novo reapreciado.
O tempo dirá o que trará de novo
o PAEJ, esperando-se, porém, que não volte a ser nada do género. É que na luta
e no trabalho diário pela criação de melhores condições de emprego para todos
os cidadãos açorianos devem estar empenhados todos os políticos açorianos e
esta temática, como outras, é certo, não pode, nem deve servir para “brincadeirinhas”
de mau gosto.
Aos políticos cumpre o dever de
zelar pelos interesses do seu Povo. Se há petróleo, digam onde é. Se não há
façam o vosso trabalho que é para isso que são pagos.
Serenamente, no jornal Açoriano Oriental, a 25 de Junho de 2013
quarta-feira, junho 19, 2013
terça-feira, junho 18, 2013
O pai, a chuva e o papa
Não há nada mais sádico do que
ouvir o primeiro-ministro de Portugal dizer na televisão que sim, que tem
dinheiro, mas que só vai pagar os subsídios de férias em novembro…
Parece que Passos Coelho perdeu o
juízo e é uma pena que não siga os conselhos do pai que, no fim do mês de Maio,
foram notícia.
“Isto não tem conserto, entrega
isto”, disse António Passos Coelho, em entrevista ao jornal i, explicando que
não queria ver o filho nos meandros da política, porque o país não tem conserto
e não é de agora.
Pedro Passos Coelho comentou com a
afirmação: “Não comento o meu pai”, em Bruxelas. Talvez o primeiro-ministro de
Portugal pudesse ter usado a desculpa da chuva, dizendo qualquer coisa como “A
culpa é da chuva. Não chove e o meu pai aparece nos jornais a falar de mim. Eu
tenho pai.” Ou então: “A culpa é da chuva. Chove e o meu pai aparece nos
jornais a falar de mim. Eu tenho pai.” Insisto no “Eu tenho pai” porque só pode
ter sido essa a relação da “aparição” do pai.
Podiam os portugueses pensar que
o primeiro-ministro tinha aparecido ao mundo num pacotinho de sumo Tang ou num
saquinho de qualquer pó, tipo talco. Não, o primeiro-ministro tem pai. Uau. E o
que é que muda? Nada!
De António Passos Coelho nunca
mais se ouviu falar. Dias depois foi a vez de Nossa Senhora de Fátima e depois
a chuva, essa água maldita que deu cabo dos investimentos do país. Antes disso
tudo, do pai, da santa e dos malefícios das águas do céu, a chuva era uma coisa
maravilhosa para a Ministra Assunção Cristas, que era até, como se assumiu uma
pessoa de fé, esperando que chovesse para melhorar as colheitas.
Uma pessoa que queira escrever a
sério sobre este país tem cada vez mais dificuldades. Cavaco Silva não ajuda nada. No dia 10 de
Junho escolheu o tema Agricultura, tentando contrariar algumas ideias sobre a
sua intervenção nessa área.
Só é um bom tema para quem se
tenha esquecido dos seus 10 anos de tempo perdido, de dinheiro desaparecido e
de oportunidades perdidas. Quem não se lembra aplaudirá de pé, até se for
preciso, e não pagará como o pobre cidadão em Elvas, 1300 euros, por ter
chamado os bois pelos seus nomes próprios: “Palhaço”- gritou o homem e não é
que é mesmo?
De cá, na cerimónia que por cá se
repercute, qual festa em colónia, o seu ilustre representante também não
acertou no tema, falou do relacionamento entre Lisboa e os Açores e do
necessário que é haver boas relações entre Governos.
Era escusado. Afinal nada tem
dito sobre a falta recorrente e insistente de respostas a problemas dos Açores
por resolver em Lisboa, pelo que podia ter-se reservado da lição de moral que
quis dar sem razão.
E por fim, não posso deixar de
referir o “fait-diver” da semana. O papa Francisco cometeu o erro de comparar a
língua portuguesa com espanhol mal falado. Brincava o papa numa audiência com
Durão Barroso. Logo as sinetas dos puristas fizeram soar o mais alto dos
escândalos. Coitado do papa Francisco. Se tivesse comparado ao brasileiro (ou
português do brasil) já não havia, por certo, problema... Hipocrisias.
Serenamente, Açoriano Oriental, 18 de Junho
terça-feira, junho 11, 2013
O Mau Tempo no País, o Dilúvio na Economia e os Disparates
A passada
sexta-feira, que no meio empresarial muitas vezes é conhecida por casual-friday
(dia da semana em que o ambiente empresarial, por opção própria, é menos
formal, sobretudo na indumentária), passará a ser conhecida como silly-Friday
(sexta-feira do disparate).
O dia
começou mal com os juros da dívida portuguesa a 10 anos, novamente, a ultrapassarem
os 6% (valor mais alto desde abril) e o INE a revelar que a riqueza gerada em
Portugal nos primeiros 3 meses tinha decrescido, ultrapassando todas as
previsões (extraordinário seria Gaspar ter acertado em alguma coisa!), no valor
recorde de 4% - a maior queda no PIB português desde a Grande Recessão.
Enquanto
tudo isso se passava, o Ministro das Finanças do Governo PSD-PP apresentava no
Parlamento mais um Orçamento de Estado Rectificativo que mantem e agrava a
austeridade que temos vindo a sentir.
Se é certo
que falar das consequências da austeridade na economia para a maior parte da
população e dos economistas é “chover no molhado”, para o Ministro Gaspar não é
bem assim.
O Ministro
do PSD-PP dá outro sentido à minha anterior afirmação. Para este, as
consequências da chuva e do banho que todos os portugueses passaram neste
inverno (falo literalmente!), não só prejudicaram a economia e os Portugueses
como não deixaram que o modelo de austeridade funcionasse como nos modelos de
Excel do ministério das Finanças.
A minha
primeira reacção foi de estupefacção. Como é que não me tinha lembrado dos
efeitos macroeconómicos da chuva, do frio e do vento!?
Qual
barragens cheias e eólicas a funcionar a todo o vapor, qual quê? Era óbvio, na
Irlanda chove muito também e a Troika teve de salvar o país da bancarrota.
Na Serra da
Estrela também chove muito e faz frio e, de facto, devido à crise económica
instalada não vive lá ninguém em cima desde Viriato. Na montanha do Pico, ao
que parece, acontece exatamente o mesmo.
Aliás,
depois de saber que o mau tempo acelera a redução da procura interna,
nomeadamente do investimento em valores perto de 4% do PIB, tenho de fazer um
elogio aos últimos Governos dos Açores por terem conseguido, em 13 anos, fazer
convergir a RAA em 11 p.p. com a média da União Europeia, apesar do constante
mau tempo em que vivemos e das constantes calamidades que atravessamos.
Enquanto,
na última sexta-feira, o Ministro das Finanças analisava a pertinência do mau
tempo, no autêntico dilúvio de maus resultados económicos que tornam o novo
orçamento retificativo num documento já ultrapassado, o FMI,
inacreditavelmente, falava de assuntos pouco importantes como a assunção de
erros nas previsões demasiado otimistas dos efeitos do programa de austeridade
na Grécia e do facto de considerar que a União Europeia não está preparada para
lidar com o problema das dívidas soberanas.
Enquanto o
FMI e a União Europeia discutiam e trocavam acusações dos erros cometidos nos
programas de assistência aos países em dificuldades, o Governo do PSD e do
CDS/PP discutiam os efeitos da meteorologia na economia.
Assim vai o
nosso país!
2º
Disparate
Bem sabemos
que nos Açores o PSD e CDS/PP estão a desenvolver um tímido esforço para
descolar dos seus partidos a nível nacional, mas há limites para o ridículo e
para as cortinas de fumo que tentam passar para enganar os açorianos.
A posição
do PSD é muito simples e foi-me transmitida diretamente e em direto num debate
na RDP por um ilustre social-democrata: “Eu não concordo com a maior parte das
medidas do governo de Lisboa, mas acho muito importantes as medidas que este
governo está a tomar e por isso apoio”.
No caso do
CDS/PP Açores, um partido que nos Açores antes das últimas eleições regionais
era um partido razoável e construtivo, agora na defesa do seu Governo da
República vale tudo, sobretudo radicalizar o seu discurso sobre outros temas: o
seu candidato a Ponta Delgada insulta diretamente dirigentes do PS/Açores de
uma forma gratuita; a direção política do CDS/PP acusa na praça pública
empresas de serem favorecidas pelo Governo dos Açores apenas porque um gerente
de uma empresa concorre a uma junta de freguesia contra o candidato do CDS/PP;
e chega ao cúmulo de criticar os atuais sistemas de incentivos ao investimento
depois de os terem ajudado a construir de uma forma unanime.
Assim vai a nossa oposição nos Açores!
quarta-feira, junho 05, 2013
terça-feira, junho 04, 2013
Sem “pés nem cabeça”
A solução mista de circulação de
trânsito e peões na rua dos Mercadores é paradigmática de algumas soluções
encontradas para a cidade de Ponta Delgada, nos últimos anos…
Basta recuar a 2009 para lembrar
que à data da reabertura desta rua, e a par com a justa homenagem aos
calceteiros pelo seu trabalho extraordinário, a autarquia decidiu que por cima daquele
belíssimo passeio circularia, além do comum cidadão, todo o tipo de trânsito…
Agora, novo caso deu à luz na
cidade. Falo, claro está, das improvisadas ciclovias de Ponta Delgada que
ocupam a faixa direita da estrada, entre o Clube Naval e o Forno da Cal, em São
Roque, durante os fins-de-semana.
Não se pode dizer que a ideia de
ter ciclovias em Ponta Delgada não é uma belíssima ideia, porque é, de facto.
Porém aquelas, além de nos parecerem inseguras e absurdas, não deixam de nos
fazer lembrar a solução mista da rua dos Mercadores…
Em quase todas as cidades do país
há planos de redes de ciclovias urbanas, que disponibilizam aos cidadãos,
inclusivamente, bicicletas na cidade, para serem usadas pelos habitantes e
turistas.
Ainda recentemente, por exemplo, Torres
Vedras anunciou estar a executar obras, com vista à construção de novas
ciclovias e à reformulação de outras para estarem de acordo com as regras do
novo código da estrada. Em homenagem ao ciclista Joaquim Agostinho, natural
deste concelho, a autarquia baptizou as bicicletas de “Agostinhas”…
Quando as coisas são feitas com
tempo, há possibilidade de fazê-las bem e com imaginação. Quando são feitas
assim às “três pancadas”, o resultado é o que se tem visto nas últimas duas
semanas: “Baias e cordinhas” a fazer de conta que se fez qualquer coisa… Uma
lástima.
Podia o PSD que tem a maioria na
Câmara Municipal de Ponta Delgada, há mais de uma década, ter feito um maior
investimento em políticas de transportes públicos, que favorecessem a
mobilidade no maior concelho dos Açores? Podia. Mas a autarquia tem
sistematicamente negligenciado essa aposta, focando a sua intervenção numa
política de mobilidade exclusivamente dedicada ao automóvel, nunca sendo sequer
capaz de decidir a construção da tão famigerada central de camionagem ou de
criar faixas de autocarros que deviam funcionar nas horas de ponta e ser melhor
articuladas com os minibuses…
Já houve tempo suficiente para
haver um maior investimento nesta área, incentivando transportes alternativos,
como scooters e bicicletas, assim como investindo na maior utilização dos
transportes públicos, juntando-se a isso investimento na qualidade das paragens
de autocarros, um sistema de comunicações inteligente com informação
electrónica sobre horários e percursos. Nada disto é novo. Os vereadores do PS
de Ponta Delgada bem que têm insistido. Mas nada. Há muito tempo que a
autarquia de Ponta Delgada se podia ter empenhado nestas e noutras soluções. Primeiro
o Senhor Vice-Presidente da Câmara, José Manuel Bolieiro preferiu o Museu do
Niemeyer. Agora, o Senhor Presidente da Câmara, José Manuel Bolieiro (sim, o
mesmo) prefere um Pavilhão Desportivo na cidade.
Tudo por aqui é feito sem “pés
nem cabeça”. Quando assim é, com mais ou menos variações, o cantor que era
António de primeiro nome, já avisava: “o corpo é que paga”…
Para lá vamos…
Serenamente, AO 4 de Junho
terça-feira, maio 28, 2013
"Prefiro ter um pequeno nome na literatura nacional do que ser um príncipe da literatura açoriana" - Daniel de Sá
1944-2013
"UM HINO À VIDA
Nem flor efémera, leve
Como um sorriso perdido.
Nem borboleta tão breve
Que num voo só alcança
O tempo de ter sido,
Num bater de asa que dança.
Nem um até amanhã,
Que amanhã é outro dia,
É dia de outros, mamã,
E com a mesma alegria.
Nem mil beijos ou abraços.
Nem mais passos… nem mais passos…
Nem flores de despedida,
Nem vozes contra o destino.
Só isto: mudei de vida
E serei sempre menino."
Nem flor efémera, leve
Como um sorriso perdido.
Nem borboleta tão breve
Que num voo só alcança
O tempo de ter sido,
Num bater de asa que dança.
Nem um até amanhã,
Que amanhã é outro dia,
É dia de outros, mamã,
E com a mesma alegria.
Nem mil beijos ou abraços.
Nem mais passos… nem mais passos…
Nem flores de despedida,
Nem vozes contra o destino.
Só isto: mudei de vida
E serei sempre menino."
Daniel de Sá
À MEMÓRIA DE RUY BELO
À MEMÓRIA DE RUY BELO
Provavelmente já te encontrarás à vontade
entre os anjos e, com esse sorriso onde a infância
tomava sempre o comboio para as férias grandes,
já terás feito amigos, sem saudades dos dias
onde passaste quase anónimo e leve
como o vento da praia e a rapariga de Cambridge,
que não deu por ti, ou se deu era de Vila do Conde.
A morte como a sede sempre te foi próxima,
sempre a vi a teu lado, em cada encontro nosso
ela aí estava, um pouco distraída, é certo,
mas estava, como estava o mar e a alegria
ou a chuva nos versos da tua juventude.
Só não esperava tão cedo vê-la assim, na quarta
página de um jornal trazido pelo vento,
nesse agosto de Caldelas, no calor do meio-dia,
jornal onde em primeira página também vinha
a promoção de um militar a general,
ou talvez dois, ou três, ou quatro, já não sei:
isto de militares custa a distingui-los,
feitos em forma como os galos de Barcelos,
igualmente bravos, igualmente inúteis,
passeando de cu melancólico pelas ruas
a saudade e a sífilis do império,
e tão inimigos todos daquela festa
que em ti, em mim, e nas dunas principia.
Consola-me ao menos a ideia de te haverem
deixado em paz na morte; ninguém na assembleia
da república fingiu que te lera os versos,
ninguém, cheio de piedade por si próprio,
propôs funerais nacionais ou, a título póstumo,
te quis fazer visconde, cavaleiro, comendador,
qualquer coisa assim para estrumar os campos.
Eles não deram por ti, e a culpa é tua,
foste sempre discreto (até mesmo na morte),
não mandaste à merda o país, nem nenhum ministro,
não chateaste ninguém, nem sequer a tua lavadeira,
e foste a enterrar numa aldeia que não sei
onde fica, mas seja onde for será a tua.
Agrada-me que tudo assim fosse, e agora
que começaste a fazer corpo com a terra
a única evidência é crescer para o sol.
Provavelmente já te encontrarás à vontade
entre os anjos e, com esse sorriso onde a infância
tomava sempre o comboio para as férias grandes,
já terás feito amigos, sem saudades dos dias
onde passaste quase anónimo e leve
como o vento da praia e a rapariga de Cambridge,
que não deu por ti, ou se deu era de Vila do Conde.
A morte como a sede sempre te foi próxima,
sempre a vi a teu lado, em cada encontro nosso
ela aí estava, um pouco distraída, é certo,
mas estava, como estava o mar e a alegria
ou a chuva nos versos da tua juventude.
Só não esperava tão cedo vê-la assim, na quarta
página de um jornal trazido pelo vento,
nesse agosto de Caldelas, no calor do meio-dia,
jornal onde em primeira página também vinha
a promoção de um militar a general,
ou talvez dois, ou três, ou quatro, já não sei:
isto de militares custa a distingui-los,
feitos em forma como os galos de Barcelos,
igualmente bravos, igualmente inúteis,
passeando de cu melancólico pelas ruas
a saudade e a sífilis do império,
e tão inimigos todos daquela festa
que em ti, em mim, e nas dunas principia.
Consola-me ao menos a ideia de te haverem
deixado em paz na morte; ninguém na assembleia
da república fingiu que te lera os versos,
ninguém, cheio de piedade por si próprio,
propôs funerais nacionais ou, a título póstumo,
te quis fazer visconde, cavaleiro, comendador,
qualquer coisa assim para estrumar os campos.
Eles não deram por ti, e a culpa é tua,
foste sempre discreto (até mesmo na morte),
não mandaste à merda o país, nem nenhum ministro,
não chateaste ninguém, nem sequer a tua lavadeira,
e foste a enterrar numa aldeia que não sei
onde fica, mas seja onde for será a tua.
Agrada-me que tudo assim fosse, e agora
que começaste a fazer corpo com a terra
a única evidência é crescer para o sol.
© EUGéNIO DE ANDRADE
Homenagens e outros Epitáfios, 1974
Homenagens e outros Epitáfios, 1974
terça-feira, maio 21, 2013
A dar uma de "Jacinta"
Se Cavaco Silva fosse o devoto que quis parecer ser na passada semana, evocando primeiro Nossa Senhora de Fátima, a propósito do fim da sétima avaliação da troika, e depois São Jorge, referindo-se à vitória do bem sobre o mal, teria aproveitado ontem, 2ª feira do Espírito Santo, para evocar o “Criator Spiritus”.
Mas isso é claro, só podia acontecer se Cavaco não ignorasse que ontem foi “Dia dos Açores” (como bem lembrou Carlos César), 2ª feira do Espírito Santo, e, por causa disso não convocasse o Conselho de Estado para exatamente a mesma data.
Cavaco Silva passou por cima da data, sem sequer ter dirigido umas palavras, circunstanciais que fossem, aos Açores e aos Açorianos. É uma pena lastimável. Mas é o que temos.
O Presidente da República já nos provou que só sabe de nós quando lhe interessa. Para vir cá falar do sorriso das vacas; para interromper as férias e avisar um país inteiro dos perigos que podia encerrar o nosso Estatuto Político Administrativo…
Depois recolhe-se à sua religiosidade oportunista, que faz enraivecer o mais sereno cidadão…e corar de vergonha, qualquer um de nós, pelo patético da cena e pelo que ela demonstra (mesmo) de um certo aproveitamento da fé dos portugueses.
De resto, como se provou ontem: silêncio absoluto, que nem foi quebrado pela ausência anunciada e explicada do Presidente do Governo dos Açores na reunião do Conselho de Estado.
Para as sopas do Divino e para os croquetes do resto dos dias, tem cá o Representante da República. Dá (por enquanto) bastante.
Podia ter falado da partilha que o Espírito Santo simboliza, podia até ter ido às raízes monárquicas da cultura portuguesa e falar da Rainha Santa Isabel ou de Afonso Henriques, podia ter usado os conselhos da sua Maria e podia, entre uns e outros reis ou santos, dirigir umas palavras, por mais curtas que fossem, a este povo português das ilhas, que, entre outras coisas, já deu à República a que preside, dois Presidentes: Manuel de Arriaga e Teófilo Braga.
Mas não. Preferiu manter-se reservado aos sagrados do país de norte a sul; recolhido à fé da rendição de Paulo Portas; agarrado à coligação, rezando a todos os santos para que o fio que a sustenta não se rompa.
Vítor Gaspar que não soma nem segue em Portugal é admirado pelos alemães; o desemprego aumenta, as falências multiplicam-se; a fome desarma famílias inteiras, não temos nenhuma credibilidade para sermos um país a sério.
Nossa Senhora de Fátima substituiu de uma assentada só os esforçados portugueses, cuja penúria, passou de repente a uma espécie de recompensa divina. Foi isso que Cavaco Silva quis dizer, mesmo que depois tenha disfarçado. Temos um Presidente da República que anda pelo país a dar uma de “Jacinta”.
Esperemos pois todos com a paciência possível pela próxima aparição de Cavaco.
Virá, entre nuvens, fumos e anjos, avisar um mundo novo, quiçá em aramaico.
É tudo uma enorme palhaçada.
Serenamente, AO hoje
terça-feira, maio 07, 2013
O convidado
Já não nos falta (quase) nada para batermos no fundo. Já aqui escrevi linhas e linhas, a brincar e mais a sério, sobre o estado do país…
Falta-nos alguém com sentido de liderança, alguém que tranque os pés no chão e combata deveras, como se diz em São Miguel. Mesmo deveras.
A última semana trouxe nova novela trágica e cómica. De rir e de chorar. Primeiro Passos Coelho nervoso e inquieto, depois Paulo Portas ufano e medíocre. Ambos à vez a “pregar aos peixes” num discurso surdo, sádico e humilhantemente vergonhoso, cuja única verdade são as políticas que são para aplicar doa a quem doer.
Já chega! Já basta! Já não se vê mais do que braços caídos, olhos cruzados de cansaço. É todos os dias, hora atrás de hora, se não é Passos Coelho, é Vítor Gaspar, se não é Vítor Gaspar, é Paulo Portas; se não é nenhum dos três, é Cavaco Silva, se não é Cavaco Silva é a oposição. Basta!
Um grupo de reformados entrou nas galerias da Assembleia da República e cantou “Grândola Vila Morena”. A Presidente da Assembleia da República considerou que a atitude não ajudava a democracia. Pergunto: teria ajudado a democracia se um, de entre os deputados, tivesse batido palmas aos reformados? Respondo: teria. Eu preferia tê-los visto tomar partido; eu preferia ter ouvido uma voz que quebrasse o gelo daquele momento, dizendo ao grupo de reformados, em manifestação pacífica: “Estou aqui!” Mas não. Silêncio absoluto e mais uma vez humilhantemente vergonhoso.
“Eu não fui eleito coisíssima nenhuma”, disse Vítor Gaspar à deputada Ana Drago. Vítor Gaspar tem esse dom, na relação que tenho com ele, quando penso que já ouvi tudo, ele faz logo questão de me lembrar que pode descer mais um grau na minha consideração, que se não houver grau, ele descobre um e vai mais baixo.
Gaspar provou-me que se orgulha de não ter sido eleito pelo povo português, que se orgulha de ser o mentor de um governo que não tem vergonha de por em prática as políticas que ele inventa. Merecia ser insultado.
Enquanto Paulo Portas falava aos portugueses, no Domingo, com a frontalidade(zinha) que lhe é reconhecida, diante dos focos e das filmagens, longe do povo, um grupo de populares entrou numa moradia em Leiria e agrediu dois dos habitantes. As razões, não se sabe quais foram, mas sabe-se que os agredidos foram transportados para o hospital mais próximo…e os agressores presos.
Terão (talvez) enlouquecido, o que a continuar a andar o país da forma que anda, sem que ninguém de fibra lhe deite a mão, é perfeitamente possível e até mesmo natural que comece a acontecer por aí. Enlouquecer num lado qualquer, quando menos se espera e gritar: “ Eu não votei em ti coisíssima nenhuma!”
Com uma única, mas crucial diferença: não nos servir de nada…a não ser mudar qualquer coisa em nós. Ao passo que a Gaspar servirmos para tudo, incluindo para agradecer o convite que Pedro Passos Coelho lhe fez há dois anos, exercendo o seu cargo sem qualquer afecto... (Que fosse afecto. Simplesmente afecto e já era tão bom).
Serenamente, jornal Açoriano Oriental, 7 de Maio de 2013
terça-feira, abril 30, 2013
Brindes
Três homens foram expulsos da
Arábia Saudita por serem considerados demasiado bonitos pela polícia religiosa
de Riade. A polícia explicou que os membros da comissão para a promoção da
virtude e prevenção dos vícios temiam que as mulheres se apaixonassem por eles
e por isso tomaram medidas para deportar os homens. A notícia correu páginas e
páginas de jornais, parecendo insólita é, no entanto, real.
Um outro homem de 49 anos, ao que
consta desempregado, deixou em pânico o governo italiano. Agarrou numa
espingarda, saiu de casa, feriu dois polícias e uma senhora. Queria, disseram
as televisões no Domingo, matar políticos.
Por cá não há dessas novidades,
nem homens expulsos por serem bonitos, nem homens que queiram – realmente –
matar políticos. Tudo é simbólico neste nosso país. Só as políticas do governo
não o são.
A bandeira portuguesa foi
hasteada a meia haste, a preto e branco, num edifício no Porto, entre os dias
25 e 26 de Abril; um vaso de cravos revirou enquanto Cavaco Silva falava na cerimónia
do 25 de Abril; João Vieira Pinto e Jorge Gabriel são candidatos do PSD a
freguesias do Porto; Marques Mendes considerou na SIC que Paulo Portas deu um
murro na mesa no Conselho de Ministros desta semana, acrescentando ainda que
Vítor Gaspar quer cortar nas áreas sociais, mas que Portas está “noutra rota”
(seja lá o que isso queira significar) e, por fim, Cavaco Silva, que falava na
sessão de abertura do 34º Congresso Nacional de Cardiologia, apelou aos
partidos políticos para estudarem cuidadosamente a fase “pós troika”, depois de
ter estado a desenhar corações (quase que pensei que ia escrever um “Cavaco +
Maria”) num papel à entrada….
Concluo que é uma pena Vítor
Gaspar não ser bonito, ao ponto de ter que ser expulso do país, para não fazer
com que as mulheres se apaixonem por ele ou por poder ser um perigo para a
virilidade dos restantes, ou coisa que o valha...
Não concluo nada sobre a história
do italiano de 49 anos. Deixo ao critério dos leitores, mas relembro que a
última vez que um português atirou qualquer coisa a um político foi um ovo. E
que esse político, que é uma senhora está agora grávida de uma menina.
Enquanto isto tudo foi
acontecendo, Portugal também foi brindado com um insólito. Brindado é a palavra
certa e não, não foi o sexagenário de Penacova que se fez passar por Mikael
Carreira para as mulheres (oh mulheres do meu país?!) se despirem em frente ao
computador. Não foi isso...
O brinde é outro. A Sé de Braga
está a comercializar “vinho de missa” a 5, 50 euros a garrafa, preço acessível
para todos os párocos, diz a notícia do jornal Público que li. É um vinho com
marca própria, que está ao dispor de todos os sacerdotes na recepção ou na Loja
do Tesouro – Museu da Sé de Braga. Utilizado para fins litúrgicos, natural da
videira e sem químicos.
É negócio, portanto, entre
padres. A notícia diz ainda que o teor do álcool não pode ultrapassar os 18%.
Finalmente, e para variar um
pouco, uma recomendação de leitura “ Levels of Life”, de Julian Barnes. Vida e
Morte lado a lado. Quando se juntam duas coisas que nunca se tinham juntado
antes e o mundo muda e, muitas vezes, emudece, escurece ou, pura e
simplesmente, desaparece. Boas leituras deste ou de outro livro qualquer.
… E bons brindes.
Serenamente, jornal Açoriano Oriental, hoje 30 de Abril
Serenamente, jornal Açoriano Oriental, hoje 30 de Abril
terça-feira, abril 23, 2013
“Torre é, siné fogaça”
Estou em crer que a ida da Dra. Berta Cabral para a República, para o Governo de Passos Coelho resolverá alguns dos problemas pendentes entre a Região e a nação.
Com uma interlocutora tão experimentada nestas coisas do governar, liderar, administrar e presidir sairemos todos a ganhar. Até pode ser que a senhora consiga convencer os seus colegas nacionais a não penitenciarem os deputados dos Açores, eleitos pelo PSD, por terem infringido a disciplina de voto ou quiçá consegue convencer o agora seu Governo a transferir para a Região os montantes necessários para reconstruir o que o mau tempo de há dias destruiu.
Acredito mesmo que os Açores terão em Berta Cabral a melhor defensora dos nossos interesses e que a Base das Lajes será agora mais do que nunca considerada uma mais-valia para o continente português. Com a determinação que lhe reconheço, Berta Cabral porá mãos à obra por Portugal, na defesa dos nossos interesses comuns.
Só assim posso conceber que tenha querido ser Secretária de Estado da Defesa de um Governo da República que tudo tem feito para desconsiderar os Açores, os Açorianos e a Autonomia…
Daqui a dias temos eleições autárquicas. Aí veremos se a antiga edil de Ponta Delgada virá ou não fazer campanha com o seu ex-vice-presidente ou se apoiará Rui Melo e Alexandre Gaudêncio, em Vila Franca do Campo e Ribeira Grande, respectivamente. A propósito, espero sinceramente que Alexandre Gaudêncio colha da experiência de candidatura à Câmara Municipal da Ribeira Grande melhores memórias do que as que ainda deve ter da “luta” pela presidência da Juventude Social-Democrata.
Foi com gosto que assisti à inauguração das obras de requalificação da Torre Sineira da Câmara Municipal de Ponta Delgada. A autarquia está de parabéns. Ponta Delgada merece ser vista de vários ângulos e a avaliar pelas imagens que fui tendo oportunidade de ver estes dias nas redes sociais e jornais, de lá de cima, é possível ter uma belíssima visão desta nossa linda cidade.
Porém, não posso deixar de recordar uma história que me contaram pessoas mais velhas e que tem como pano de fundo esta Torre Sineira. Reza a história que há muitos anos havia na nossa cidade um senhor, que era uma espécie de guia turístico, que não falava línguas estrangeiras, mas que recebia os turistas que chegavam à doca de Ponta Delgada e os acompanhava explicando-lhes os monumentos da cidade.
Sempre que chegava ao pé da Torre Sineira, dizia: “Torre é, siné fogaça” no seu inglês latino germânico.
Contam-me que os sinos da Torre tocavam quando havia fogo na cidade e que era essa a razão do senhor dizer: “Torre é, siné fogaça.”
Os turistas que cá vieram nesse tempo, nunca devem ter percebido nada do que o senhor queria dizer, mas a história não deixa de ser tão engraçada, como também irónica. Passaram-se anos e anos.
O que pensarão hoje os turistas que desembarcando nas Portas do Mar vagueiam sozinhos pela nossa linda cidade de Ponta Delgada?
Não, não espero que os sinos toquem ou sequer que haja fogaça. Mas, como a história desta nossa terra, a seu tempo provará, não basta ver as coisas só de cima. Às vezes convém olhar para os lados, para trás e para a frente.
É que um dia os sinos dobram. Não é fogaça. É simplesmente tarde demais…
Serenamente, jornal Açoriano Oriental de 23 de Abril
Subscrever:
Mensagens (Atom)









