sábado, abril 29, 2006

Danças


Foto


Danças e o mundo é azul, quando, em pontas,
desces a escada do céu para nos vir dar boa noite...

terça-feira, abril 25, 2006

Os Citas




Desamparados quais libelinhas nas primeiras núpcias de voos altos, estes homens e mulheres, em cujos dentes da frente cintila um reflexo, lembram, em dias de festejos, uma marcha de despedida tocada num tom, acima da medida, como que a desafinar. Aos nossos ouvidos atentos soam a vozes esganiçadas, porque quanto mais altas, piores…
Então, cantam baixo; estendem-se em cumplicidades e assombros; verificando-se, mais tarde, na pauta, que as claves de sol se perderam e nas escalas ninguém se entende; é um atropelo!
Sobem e descem; mandando recadinhos para disfarçar o que é evidente: à primeira quebra de compasso baralham-se todos confundindo Salsa com Repolho e ar doente com dificuldades de respirar.
Discos riscados; raízes entorpecidas por vocábulos de estranhar; fraco manuseamento das espingardas, resultando naquilo a que já todos assistimos: má pontaria, bicos caídos e tristes; alguns em debandada e outros, porque, quiçá mais espertos, sorrindo e assistindo ao funesto acontecimento. Depois dos bicos, há as asas tolhidas; redondas e quadradas; que nalguns se erguem como batatas presas a troncos demasiado frágeis para aguentar o peso da responsabilidade de uma batatada bem dada…A arte.
Situam-se como edições baratas de capa mole e quebrada em cima de prateleiras, cuja sustentabilidade da citação se deixa envolver por faces entre aspas.
- O Senhor está com ar de aspa hoje! Não trocou as aspas? - dizem, entre si, como quem se pontua por caracteres e soluções, cujas marcas de limitação, ultrapassam sempre o estabelecido; ou então, como quem, se julga a si e aos outros pela curva da aspa, que no lugar das asas, se transforma numa espécie de gancho, mas fraquinho.
Cansam as armações Quixotescas; irritam as panças de Sancho com que se passeiam armados em donos e duques de uma cidade ou de uma vila; aborrecem os olhares sibilantes, cofiando os bigodes ou, nelas, afagando os pulsos, subindo e descendo pulseiras, numa correria de montra.
Nisso lembram, ano após ano, na passagem de mais um dia 25 de Abril, que afinal lutar pela liberdade, para eles, em pondo-se as aspas, fica tudo consertado.
E é nisso, só nisso, que vivem concentrados: fazer da Liberdade uma palavra entre aspas…como quem cita.
Chamemos-lhe então os "Citas"; fãs dos Fífias, mas não Fífias, porque se lhes falta o empinar dos modos; as atitudes desertadas; os corre-corre humorísticos num tom de água quente a ferver sobre um pézinho gentil! Os Citas envergam fa(c)tos; destilam textos a que chamam "Reflexões", mas que, no fundo das mangas à boca de sino, não são mais nada do que meros espectadores do passado; figuras de colecção. Aspas.

domingo, abril 23, 2006

O Primeiro Dia

Por causa de uns lindos olhos azuis hoje não fui aqui ouvir coisas como esta:

A principio é simples anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no burborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo e dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se e come-se se algum nos diz bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
Olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Entretanto o tempo fez cinza da brasa
outra maré cheia vir da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida


Sérgio Godinho

(Porém não é todos os dias, que se faz oito anos.)

sexta-feira, abril 21, 2006

Citação (importante)



"Uma bola de pano, num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
O céu no olhar, dum puto.

Uma fisga que atira a esperança
Um pardal de calções, astuto
E a força de ser criança
Contra a força dum chui, que é bruto.

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.

As caricas brilhando na mão
A vontade que salta ao eixo
Um puto que diz que não
Se a porrada vier não deixo

Um berlinde abafado na escola
Um pião na algibeira sem cor
Um puto que pede esmola
Porque a fome lhe abafa a dor."



Os Putos
, José Carlos Ary dos Santos

quinta-feira, abril 20, 2006

Croniqueta XXI ou o Fífia é sintomático, sorumbático, amnésico e desviado...



O Fífia não tem parado um momento. Ele é saídas à noite e copos com fartura; ele é corridas na avenida de fita traçada na testa, como se fosse um atleta; ele é livros comprados ao quilo na livraria, o que faz dele o melhor cliente, expoente máximo do ranking dos livros ao peso; ele é conversas, verdades de la palice ditas com sotaque carregado, num tom romântico-francês ao ouvido da primeira que lhe der só um bocadinho de atenção. O Fífia é um desencanto; qualquer coisa meio a meio que fica aquém ou além da expectativa dos comuns mortais; qualquer coisa indefinida como a brisa que calcula a saída para a manhã num dia de Verão e sol a queimar (queimam-se brisas também)…
Não há voz que o segure; nem a da mãe, em cuja casa dorme e come sempre a barafustar com o sal; as peras muito maduras ou os lençóis demasiado dobrados, vincados e amarelos. Ingrato. O Fífia é sintomático; sorumbático; amnésico; desviado. O Fífia soletrado resume-se em cinco letras; ligadas a um fio de lume…nem se lhes dá a faísca. Sentado, no quadrado do seu quarto, pintado de branco nas paredes, tecto vermelho às bolas; sonha-se gasganete, malfeitor de um mundo de homens azuis, onde ele se destaca pela vermelhidão do nariz; quando, cantando modas antigas, parece rogar uma praga!
O Fífia não tem remédio e gaba-se disso; justificando-se com o facto de ter acabado o curso com média alta demais para frequentar Farmácia…De piadas secas e aspecto oblíquo, o nosso Fífia a correr na avenida de fita traçada na testa, óculos roxos pendurados ao pescoço; fato de treino preto e sapatilhas de lona com grandes atacadores parece uma corda de saltar como as que eu tinha quando era pequena; com uma diferença: as minhas brilhavam nos puxadores e rodavam. O Fífia do brilho perdeu a rota e da roda sabe pouco; enche pneus de bicicleta.
O Fífia é um acabar acabado de madrugada; quando de estômago inchado, cheio de Sprite com Vodka, regressa a casa a pé, vindo sabe-se lá de onde, arrastando-se nas sandálias que comprou em saldos no Hiper para estes dias mais acalorados. Gaba-se dos seus dedos dos pés; das unhas à moda francesa e do cabelo, que ralo, reserva a marca da fita.
O Fífia é, por si só, um modelo. Só por si vale muito pouco.

quarta-feira, abril 19, 2006

1 ano


Baía do Canto, Santo Amaro, Pico, Açores

Fez ontem 1 ano que o ardemar se multiplicou e passou a ardemares.
A Rosa Maria teve a amabilidade de mo lembrar. A ela o meu muito obrigada.

Esperas...

Plano de Prevenção às Toxicodependências apresentado quinta-feira

Em Novembro de 2005, a vereação do PS na CMPDL apresentou uma proposta para a criação de um Plano de Prevenção contra as Toxicodependências. Propunha-se que a CMPDL assumisse as suas responsabilidades numa matéria tida como de grande relevância social; mas a maioria social-democrata não quis.
Dirão, alguns, que estão no seu direito. Porém, penso que não vinha mal ao mundo nem tão pouco a água ultrapassaria a medida do balde se a CMPDL adoptasse as medidas, então, propostas pelos vereadores do Partido Socialista.
Quinta-Feira, 20 de Abril de 2006, a Câmara Municipal da Ribeira Grande apresentará o seu Plano. Ponta Delgada continua (também) à espera disto.

sábado, abril 15, 2006

Croniqueta XX ou o Fífia é um ovo de Páscoa; estrela(do) Carnaval!!!



É um doce de pessoa. Desfilando nos corredores do Hipermercado Sol-Mar, assim, à solta, como uma galinha perdida, longe do galinheiro, o Fífia parece um rolo de fita, desfiado pelo vento, à deriva.
Se acaso lhe dão conversa torce-se todo como os laços de cores que, por estas alturas, vêm pendurados nos ovos de chocolate enormes e pouco bastos na quantidade de ingredientes.
Iluminado como um candeeiro de pé, o nosso Fífia, nestes dias santos lembra uma vela de cinco quilos, branca, quase transparente, ardendo numa noite de tempestade. No carro das compras, sim porque mesmo que vá comprar apenas ganchos para a mãe, ele leva é carrinho; nunca cesto. Os cestos, diz, são para as mulheres. Homem que é homem leva é um carro para as compras.
No carro das compras leva, então, seis ovos de chocolate com brinde; por fora, na imagem, vêem-se colares, pulseiras e carrinhos. Pode que lhe saiam 2 colares, 2 pulseiras e 2 carrinhos. Os 2 carrinhos para a colecção; as pulseiras e os colares para o Carnaval, quando, no dia de Entrudo calçar aqueles collants verdes e amarelos que a amiga brasileira lhe trouxe mais a mini-saia dos anos 60, que a mãe guardou para a filha. Como o Fífia, não tem irmãs; faz a vontade à mãe e nos dias de Entrudo, desde os seus 6 anos, veste-se de Maria Clara e fala sobre telenovelas, receitas de culinária e vestidos da Sayonara com a sua mãe. Se agora fosse Carnaval, já tinha trajes para todos os dias; além do dia Entrudo; vestir-se-ia de palhaço; de guarda-chuva e de ovo de Páscoa. Já se imaginou; todo brilhante como as luzes da avenida marginal, em Ponta Delgada, enrolado em laços vermelhos como aquela decoração que fizeram há uns anos também na cidade…Era lindo. O Fífia enrolado em fita vermelha da cabeça aos pés; embrulhado em papel cintilante; o Fífia, qual ovo, pousado numa prateleira à mercê das mãos das pessoas; que o apanhariam aos apalpões transportando-o ao colo para casa; para depois comê-lo aos bocadinhos…Muito melhor ser ovo do que ser coelho. Os coelhos de Páscoa têm um ar sempre muito alegre demais e depois vestem-lhes jardineiras coloridas e têm (quase) sempre outro coelho pela mão ou uma coelha e, agora, também se lembraram de galinhas e penduram galinhas nas prateleiras dos Supermercados; galinhas com amêndoas debaixo das asas e penduradas nos bicos delas. O Fífia não gosta dessas coisas. Logo, decidiu-se por ser ovo. Muito menos comercial. Muito mais tradicional. Um ovo brilhante.
O problema é que este Fífia não tem brinde. Então não se vê logo quando se olha para ele? Pequenino como um biscoitinho ou aquelas bolachas Tucha, que, em tempos faziam a alegria da rapaziada, nas festas de anos; gordinho como uma almôndega seca de cinco dias, perdida e esquecida no fundo do tacho, entre duas tiras de cebola, amarelecida pelo tempo. Chorão como as bonecas, que usavam pilhas nas costas, dentro de uma caixa e que quando estavam quase a perdê-las, ficavam com som melado e arrastado. Careca como as bolas de ténis verdes com mais de 30 dias de uso constante. Um Fífia como só ele sabe ser.
Aos solavancos nos corredores do Hipermercado, em Sábado de Aleluia, bebendo um iogurte líquido desses que agora anunciam na TV para perder o apetite; luzidio qual papel de prata, enfeitado por cerejas e uvas, cuja cor vermelha choca com os calções verdes e amarelos, que (também) lhe ofereceu a amiga brasileira; faz as compras, telefonando para a mãe, sempre que chega a uma prateleira e vê os ovos lindos e brilhantes cheios de quase nada. São iguais a mim, mãe!, grita entusiasmado ao telemóvel. Sou uma Estrela (do) Carnaval...


Fonte:Post para a Páscoa
Pareces mesmo um ovo da Páscoa do Lidl. Uma embalagem brilhante, colorida e lustrosa, depois uma pequena camada de chocolate do qual ninguém duvida da qualidade, é mau. Tocamos-te e puf! Vazio.

14.04.2006

Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...
Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...


Mário de Sá Carneiro

terça-feira, abril 11, 2006

Citação



Um dia não muito longe não muito perto

Às vezes sabes sinto-me farto
por tudo isto ser sempre assim.
Um dia não muito longe não muito perto
Um dia muito normal um dia quotidiano
Um dia não é que eu pareça lá muito hirto
entrarás no quarto e chamarás por mim
e digo-te já que tenho pena de não responder
de não sair do meu ar vagamente absorto
farei um esforço parece mas nada a fazer
hás-de dizer que pareço morto
que disparate dizias tu que houve um surto
não sabes de quê não muito perto
e eu sem nada para te dizer
um pouco farto não muito hirto e vagamente absorto
não muito perto desse tal surto
queres tu ver que hei-de estar morto?


Ruy Belo

Citação (importante)

"A vida é um encantamento tão requintado que tudo conspira para a quebrar"


Emily Dickinson

segunda-feira, abril 10, 2006

Rascunho para composição linguística



Fiz-me transportar até à tua casa num carro com pneus de boa aderência. Ia seguro. Contente. O coração aos pulos, a garganta seca e a alma aos saltos davam-me uma certeza: finalmente tinhas resolvido assinar a “ficha de adesão”! Tinhas aderido ao meu pedido de casamento. A partir daquele dia, 24 de Janeiro de 2001 eras a minha mais que tudo, minha futura esposa, futura mãe dos meus filhos, avó dos meus netos.
Bati à tua porta. Toquei na campainha.
Abriste, mandaste-me entrar. Entrei. Estava nervoso e despenteado. Mandaste-me sentar e disseste: Não vou casar contigo!
Fiquei mudo. Não tinha previsto aquela ocorrência. Ao telefone, tinhas dito: a gente precisa conversar! E eu disse: Ok. Nós falamos daqui a 10 minutos.
Meti-me no carro. No porta-luvas pus o teu poema. Na folha, em baixo o teu nome assinado: Madalena. Tinhas-me escrito o poema, porque souberas do abaixo-assinado que circulava na Universidade em defesa dos animais. Era da minha autoria. Tinha tudo a ver contigo. Tu que eras defensora dos direitos dos animais. Tu, que havia dias, em que podia não haver nada para se discutir na Universidade e arranjavas logo uma palestra sobre animais. Acorriam sempre imensas pessoas.
O Anfiteatro ficava sempre superlotado.
Olhei-te olhos nos olhos, fitei-te. Meti as mãos nos bolsos. Tirei. Pus o poema de amor em cima da mesa e disse aos berros:
A gente precisa de conversar? Nós já conversamos tantas vezes! Mesmo assim vim. Meti o poema dentro do carro. Olha! Está ali posto em cima da tua mesa.
E tu disseste: Já vi. Mas isto não tem nada a ver com aquele poema. Será que pode haver alguma maneira de tu me ouvires?
Respondi gritando: Já não . Registo esta ocorrência com desagrado. Nem abaixo-assinado; nem ficha de adesão, nem tão pouco ramos de flores. Podes esquecer que eu existo! Por ti eu dava a volta à lua num balão. Acabou-se. Volto para a minha casa no meu carro de pneus com boa aderência, triste e desalojado. Roubaste-me o meu corpo. Não contes mais comigo nas tuas salas superlotadas; para te por a mesa, quando chegas tarde, para me meter no carro e ir-te buscar. Há-de haver quem o faça no meu lugar. De hoje em frente, tudo o que fizeres não tem mais nada a ver com a minha pessoa. Saí porta fora. Ficaste a chorar. Ao teu choro estrondoso acorreu a tua mãe que do alto da janela me disse: Lamento a ocorrência, mas não há mais nada a fazer.
Em casa meti os teus pertences todos dentro de uma caixa. Colei-a com uma cola de boa aderência. Nunca mais sais daí. Agora sim estás fora da minha vida. Pensei.
Meti-me no meu carro e fui até ao Clube dos solteiros. Chegado lá, assinei a ficha de adesão. Desde então, já recebi mais de 20 propostas. Dez delas, pus em cima da mesa, a ver se escolho uma, as outras 10 meti-as no lixo…Deitei-as fora com cuidado.
Mais vale prevenir do que remediar.


Mário Homem