terça-feira, maio 31, 2005

segunda-feira, maio 30, 2005

As ilhas são de guardar como os segredos

Às vezes, de manhã, outras à tarde, dávamos longos passeios pela rua, sentados no muro de casa, e o meu avô contava-me as freguesias de são Jorge uma a uma. Da esquerda para a direita. Ainda hoje, as sei, as lembro e as conto.
Nunca as digo.

Apostos

Novo Blog.
(Para "agitar" as águas.)

sexta-feira, maio 27, 2005

schöne Wochenende!

FUNERAL BLUES

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever; I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood,
For nothing now can ever come to any good.


W.H.Auden

Os três porquinhos

 Posted by Hello

quinta-feira, maio 26, 2005

Carta aos meus Filhos sobre os Fuzilamentos de Goya

"Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
mesmo que lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais do que a humanidade
não há conta do número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muitos apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou as suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de se estar vivo e sabendo que nenhuma vez alguém
está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
cumpre-nos tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram."


Jorge de Sena

quarta-feira, maio 25, 2005

Esclarecimento

Porque estou um bocadinho cansada das afirmações de Joel Neto sobre as minhas opiniões e, porque, acredito na liberdade de expressão devo, usando este espaço, pelo qual sou única responsável, esclarecer três ou quatro coisas que, a meu ver, são fundamentais para o bom entendimento entre pessoas adultas como somos nós os dois.
Quero, por isso, deixar claro o seguinte:
Sempre que no Choque de Gerações forem debatidos temas que me interessem; sempre que no Choque de Gerações forem feitas afirmações com as quais eu não concorde ou concorde, vou, como sempre fiz na minha vida toda, sempre que me apetecer, dar a minha opinião.
Quando o Choque de Gerações começou e quando Joel Neto chegou aos Açores e à (sua) ilha Terceira para fazer este programa, eu já existia e já tinha opinião sobre as coisas. Logo, não vou agora, por razões que me são totalmente alheias, deixar de ter a minha opinião sobre o que quer que seja, em geral, ou sobre este Programa, em particular, desde que eu, cidadã destas ilhas, considerar que determinados factos, notícias ou afirmações, me merecem atenção. Sempre. E podem crer que vou dar sempre a minha opinião. Sempre. Se houve coisa que eu aprendi com quem tinha coisas boas para me ensinar foi isso mesmo: a Liberdade de Expressão.
Um blog, no meu entender, é também isso. Um sítio onde posso usar a Liberdade de Expressão, que, outros, conquistaram por mim e que eu faço por preservar todos os dias na minha vida.
O Choque de Gerações é um programa da responsabilidade de Joel Neto?
Certo. A responsabilidade de tudo o que é lá dito e feito é da direcção do programa? Certo. Dirigem o programa como querem? Certo.
Porém, gostava que o apresentador deste programa nunca perdesse da ideia o seguinte: a RTP/A é um canal público. Pago por todos nós.
De modo, que, se não for muito incómodo, até, porque não é por me maçar muito a ideia de ouvir o meu nome, pronunciado pela boca do apresentador do programa, de quem, apesar disto tudo, não se aflijam, sou leitora, pedia ao Joel Neto, ilustre Açoriano, que ao invés de me mandar boquinhas, gentis conselhos; de me dar pequenas repreensões, de fazer pequenas alusões a coisas que, eventualmente, poderei ter focado numa das minhas livres opiniões, no écran da nossa RTP/A, canal de Televisão Público, não no sentido de ser visto por toda a gente (o que até me agrada!), mas antes, no sentido de não ser Privado, me respondesse nos comentários dos meus posts ou, então, via email ou, ainda, no blog do programa.
Tudo isto, a propósito das últimas duas edições do programa e de outras, já passadas, as quais, eu tenho o direito de comentar aqui.
Tudo isto porque eu acredito, como diz o ditado Chinês, que Jamais há retorno de uma flecha perdida, uma palavra pronunciada e uma oportunidade desperdiçada.
Tudo isto porque este blog é meu, por isso da minha inteira responsabilidade.

Ponto Final.

terça-feira, maio 24, 2005

Arcanjo ou ladrão

Ou arcanjo ou ladrão.
Devorador
De perfumes,
De corpos
E de mitos.
Rei nos países interditos.
Conviva solitário do festim
Em que a noite me chama à sua mesa,
Pescador de silêncios e jardins
Na cidade terrível e acesa.
Ou arcanjo ou ladrão. Destruidor
Da imagem do outro que transporto
Tatuada no peito.
Rosa de carne azul que me deslumbra
Quando penetro a solidão com o sexo
Que a minha solidão tornou perfeito.
Assim vogo e arremeto pelos tempos,
Invisível Apolo citadino,
Falus de herói coroado de giestas,
Transgressor voluntário do destino,
Pé de cabra forçando o impossível,
Brisa azul esquivando-se entre os outros,
Com laivos de infinito nas passadas,
Lampejos de infinito nos olhos admiráveis
E flores de estrume a definir-me a testa
De Príncipe e Senhor dos intocáveis.


José Carlos Ary dos Santos


Poema incluído nos livros A Liturgia do Sangue (1963), Vinte Anos de Poesia (1983)e Obra Poética ( 1994)

domingo, maio 22, 2005

BENFICAAAAAAAAAAAAA

 Posted by Hello

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1.
Perguntei: o vento?
Disseram-me: schhhh...

2.

...depois passou uma borboleta.
E eu disse: "no movimento da borboleta o movimento é o que se move"...
Disseram-me: Shhhhhhhhh...


3.
E eu disse:
Vento.
E disseram-me: Schhhhh...
E eu disse: vento!
E disseram-me: Schhhh...

(Só hoje descobri a voz das árvores.)

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sábado, maio 21, 2005

O que é ser daqui

O Tózé, António José,é um primo, que eu só conheci depois de "entrar" na blogoesfera. Hoje, porque acabo de ver que ele disse Ciau aqui e eu não estava à espera e porque não me ocorre dizer mais nada, fica aqui um dos mais bonitos textos que o meu primo Tózé, pensador açoriano, escreveu no seu Blog.



É dizerem-me com dever de ser cidadão do mundo, dizerem-me português e saber que não sou, que me sabe a pouco, que sou mais.
Não aceito que me digam que sou filho de todos os pais e pai de qualquer filho pois só o sou sendo filho dos meus pais e pai dos meus filhos e assim sendo, então serei filho de qualquer pai e pai de todos os filhos.
É dizerem-me que eu poderia ter conhecido os meus avós em qualquer sítio para onde um avião me levasse, mas eu saber que foi aqui.
É dizerem-me que todas as praias brancas são de areia preta, mas foi nestas que eu queimei os pés.
É dizerem-me que o bolo lêvedo, não deixou memória, nem a morcela, e dizerem-me que a memória não é a diferença de ser aqui, neste verde, neste cinza, neste azul, o que poderia ser noutro sítio qualquer e eu saber que a memória queima e que a cicatriz é construção que dói e fica.
É o ser eu e não ser outro qualquer igual a mim próprio. É ter rosto de cão e rabo torto e em Rabo de Peixe ser filhe de putcha du caralhe da pintcha de tue mã.
É ser eu e ilhéu em Nova York, ou na Ponta da Ferraria, é ver da Calheta de S. Jorge o Pico do mundo e não a torre Eiffel.
É quando cheio do tudo e despido da ilha me sentir vazio do mundo e cheio da falta desta relação entre a pedra e o mar.
Enfim, é ser quem eu sou e escolher ser daqui mesmo quando sou, ou posso ser, noutro sitio qualquer.

posted by António José no :Ilhas, 10 de Maio

sexta-feira, maio 20, 2005

Bom fim de semana!




Nos passos disto, os voos que passo, por escrito, neste espaço são o meu Paço de Milhafre. Reservo-me ao direito assumido de dizer o que bem entender. Sendo certo que a minha liberdade acaba aonde começa a do outro e eu respeito. Tudo o mais é tolice. Palavra que, por si só, dispensa definição.



Para o Alexandre.

quinta-feira, maio 19, 2005

Forum Pensar Ponta Delgada

Amanhã no Hotel São Pedro às 21h30 realiza-se o 2º Debate do Forum Pensar Ponta Delgada, organizado pela concelhia da JS/PDL.
Temas:
Ambiente e Urbanismo.

Apareçam!