sexta-feira, junho 08, 2007

quinta-feira, junho 07, 2007

Sinalética

Os homens atravessaram a rua de um lado para o outro.
Fizeram-no vezes sem conta, sem nunca chocar; vistos de cima pareciam borboletas; vistos de longe autênticos loucos.
Ninguém se quis chegar perto. E os homens morreram de pé a sonhar.

quarta-feira, junho 06, 2007

Bilhete


foto cm



Um dia disseste-me:
- A voz do fogo tem dentro uma partícula de ilha que não arde de cada vez que a tocamos.

(E eu acreditei, como se fosse possível ser ilhéu sem sentir nada).

segunda-feira, junho 04, 2007

Citação (importante)

"Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece"


Rifão Quotidiano, Mário-Henrique Leiria

quinta-feira, maio 31, 2007

“Porque se nasce numa ilha

O mundo é todo ilhas”-, escreveu José Martins Garcia, escritor da ilha do Pico, que este mês, aqui ao lado, escolhi para citar no “lugar” da citação deste Suplemento. Um “lugar de embarcar em barcos de papel” ou um “lugar da conquista das cavernas do vento”. Certo é que se as ilhas são “conforme as circunstâncias” (José Martins Garcia) é urgente que sejam de todos nós as suas dores e as suas alegrias; nossas as suas chegadas, as suas partidas; as suas ausências, as suas pertenças, as suas desgraças e as suas felicidades. Assim é, ou será, se por uma vez, que seja, nos tomarmos a nós próprios como seres de complementos circunstanciais. Uns de modo e outros de fim; uns de aspecto e outros de tempo; quem sabe se, em circunstâncias de causa não é fácil ponderar a hipótese de que: “ Talvez seja possível ainda pintar gaivotas na testa”, como escreveu Álamo de Oliveira em [O Itinerário das Gaivotas] ou acreditar (com vontade própria) que, como deixou dito Vitorino Nemésio: “o livre ilhéu, mesmo morto, não cora se espernear”. A ver vamos. O tempo que ainda falta ditará a verdade sobre quantos de nós, serão, ou não, capazes de entender, por fim, que: “ Crescidos vão os dias; é urgente/ Uma palavra simples que navegue/ no seu fluxo de febre, lento, leve,/ E edifique o milagre do presente.// Uma palavra interna e concertada/ Com um rosto solar capaz de agora…/Com a luz pontual e sem memória…/Com um stop qualquer na madrugada.// Uma palavra sempre no momento, / Que escorrace de vez o antes e o após;/ E que seja no vento a presença do vento/ E que seja na voz a gravação da voz.” (José Martins Garcia).
Boas leituras. Até Junho.

Nota de Abertura do Suplemento de Cultura do Jornal Açoriano Oriental. Participação nesta edição: Anabela Caldeira, Carlos Tomé, Célia Machado,Rodrigo Francisco, Vasco Cordeiro, Luís Monte e Pedro de Mendoza.

quarta-feira, maio 30, 2007

Uma porta a ver-se para dentro



Baía do Canto, Santo Amaro (Pico) 26.05.2007

Uma Porta "com vista para o mar"



Baía do Canto, Santo Amaro (Pico), 26.05.2007

sexta-feira, maio 25, 2007

Concurso de Jovens Criadores dos Açores




O concurso LABJOVEM é um projecto que visa incentivar e promover jovens criadores das diferentes áreas artísticas, servindo de plataforma a uma nova geração de artistas açorianos.
As áreas contempladas pelo concurso são: Artes Plásticas, Banda Desenhada e Ilustração, Ciber Arte, Dança/Performance, Design Gráfico, Fotografia, Literatura, Música, Teatro e Vídeo.
Do concurso resultará uma selecção de projectos que serão apresentados nos Açores sob o formato de Mostra Regional, que englobará:

Exposição de Artes Plásticas, Banda Desenhada e Ilustração, Ciber Arte, Design Gráfico e Fotografia;
Apresentação de espectáculos nas áreas de Dança, Teatro e Música;
Apresentação de uma Mostra de Vídeo e realização de um Café Literário.

De entre os projectos seleccionados em cada área para integrar a Mostra Regional, será também seleccionado pelo júri do concurso LABJOVEM um projecto ao qual será atribuída uma bolsa de estudo no estrangeiro de curta duração.


Em breve estarão disponíveis mais informações em www.labjovem.pt
Entretanto, esta e outras actividades podem ser acompanhadas aqui

terça-feira, maio 22, 2007

domingo, maio 20, 2007

Luta

"Um contra o mundo, é pouco.
Mesmo que seja louco,
É muito pouco ainda.
Mas que pode fazer o homem que endoidece
E se esquece
De medir o poder do seu tamanho?
Ah, se houvesse um fotógrafo no céu
Que filmasse
Uma aventura assim, rídicula e perfeita?
D.Quixote sozinho
A combater as velas do moinho
Que mói, ronceiro, a última colheita."

Miguel Torga

quinta-feira, maio 17, 2007

Agenda


imagem

A 18 de Maio, 21h30 no Teatro Micaelense, a Filarmonica Gil.

Flores da Festa [Estória]

(- E a banda, como gosto de ouvir a banda tocar no coreto do Campo de São Francisco.)
Voltamos. Estamos de volta. Regressamos. Demos a volta ao mundo e aqui estamos com os mesmos olhos, salteados por dentro, com saudades e sal de lágrimas mais uma pitada de abraços. Vimos, (de chegar e de ver), sentidos nas saliências das ruas, limpas de silvados, e cheias de toques e gente pingada entre os muros, como aguaceiros de afectos. As pessoas penduradas em varandas de ferro, debruçadas nas colchas de cores, ornamentadas por flores doiradas e folhas castanhas, debruadas no tempo, divididas em bancos e cadeiras de pano fazem-me sorrir de alegria. Gosto de apreciar os vestidos novos, os sapatos da Festa, os novos tons de verão, com que se passeiam as pessoas nesta Festa, que é diferente de todas as outras. Tantos anos de Festa e ainda hoje me comovo com quase tudo. As loiças de barro espalhadas pelas prateleiras improvisadas de madeira são lindas. Poder comprar um assobio lá é uma coisa maravilhosa, que me devolve um regozijo quase infantil, como se fosse possível assobiar e voltar atrás quarenta anos.
As luzes que iluminam a igreja e toda a avenida, mais as pessoas de sempre, que não vejo durante anos, mas que reencontro na compra das rifas, entre pratos de loiça e cartas, devolvem-me à festa. (- Sou dela. Da Festa!)
Gosto de ver voar os aviões a fingir e de ver brincar nos carros de choque; da música que toca no recinto dos carros de choque, que nunca oiço durante o ano; gosto dos balões coloridos que se metem por entre as pessoas, presos aos pulsos de crianças que, por umas horas, antes deles levantarem voo, são “donas” de anões da branca de neve, ratos, gazelas, cães e coelhos.
(- Compra-me um balão. E eu comprava. E à noite, ao adormecer via-lo subir ao tecto do teu quarto; de onde só saía uns dias depois, quando vinha cair no chão, cansado…). Já não há balões desses.
Gosto de comprar rifas. Gosto (até!) quando não me sai brinde. Eu, que nunca jogo no totoloto, gosto de desenrolar rifas. Gosto de ver passar a Procissão.
Algodão doce. Tremoços e “rabuçados” de açúcar fazem as minhas saudades apertar aqui por dentro. Gosto de ver as ruas cheias de flores. De tapetes de flores. (-Gosto de me lembrar do que inventava para te explicar que flores eram aquelas: flores que nascem só nestes dias, - dizia.)
Agora, que a Festa está quase a chegar, elas começam a querer nascer pelo ladrilhado da calçada e, não queres ver (?), que na soleira da nossa porta, por onde passa a procissão, já nasce, embora ainda pequena, em tua memória, uma buganvília azul? São as flores da Festa. Esta a tua história. E eu que a escrevo e que me comovo vejo nascer flores (para ti) nos dias de Festa e sorrio. Afinal, estas são as Flores da Festa. As Flores. A Festa.

Jornal Correio do Norte, 1ª quinzena de Maio de 2007

segunda-feira, maio 14, 2007

Citação com gaivotas à mistura


CM

«o itinerário das gaivotas
mudou o rumo aos deuses...
antes partiam pela nossa tristeza abaixo
corriam em direcção ao peito
e descansavam de encontro
às searas que os nossos sonhos faziam crescer.

partiam depois céu acima
até nos perdermos de vista.

regressavam no ano seguinte
nuas de nós com o nosso vazio infinito.

hoje partem pela nossa dor acima
correm em direcção aos nossos olhos
e não descansam nunca em nossa vil tristeza.

seguem de malas nas asas
emigradas no vento até que nos perdemos de vez.
regressam em cada ano com o passaporte renovado
e uma ilusão fresquíssima
pintada e dolorida que avistamos ao longe
por entre franjas de nuvem.

nós por cá continuamos todos bem esquecidos
perdidos
e comovidos
nemesianamente
a oeste.»


Álamo Oliveira, O Itinerário das Gaivotas, SREC, Angra do Heroísmo, 1982.

domingo, maio 13, 2007

Nomeação



O Ardemares foi nomeado pela Azoriana e pelo Castelete Sempre para o Thinking Blogger Award. Muito obrigada a ambos pela lembrança. E, posto isto, farei as minhas cinco nomeações:

O Homem que veio Realmente de Longe

O Vent(ilha)dor

Bloco de 15

Da mariquinhas

Apeloeh ou a possibilidade de uma ilha

sábado, maio 12, 2007

A música voltou ao Coreto


Campo de São Francisco, 11 de Maio de 2007