domingo, novembro 19, 2006

Galhofas



recebido por email: CMachado

quarta-feira, novembro 15, 2006

Hei-de experimentar...

You Should Be a Film Writer

You don't just create compelling stories, you see them as clearly as a movie in your mind.
You have a knack for details and dialogue. You can really make a character come to life.
Chances are, you enjoy creating all types of stories. The joy is in the storytelling.
And nothing would please you more than millions of people seeing your story on the big screen!


A ideia veio daqui.
Bruno Nogueira - Jovens Com Asas CAP2

:)

terça-feira, novembro 14, 2006

Aviso de Porta de Livraria


"Não leiam delicados este livro,
sobretudo os heróis do palavrão doméstico,
as ninfas machas, as vestais do puro,
os que andam aos pulinhos num pé só,
com as duas castas mãos uma atrás e outra adiante,
enquanto com a terceira vão tapando a boca
dos que andam com dois pés sem medo das palavras.

E quem de amor não sabe fuja dele:
qualquer amor desde o da carne àquele
que só de si se move, não movido
de prémio vil, mas alto e quase eterno.
De amor e de poesia e de ter pátria
aqui se trata: que a ralé não passe
este limiar sagrado e não se atreva
a encher de ratos este espaço livre
onde se morre em dignidade humana
a dor de haver nascido em Portugal
sem mais remédio que trazê-lo n'alma."


Jorge de Sena

in Exorcismos, Moraes Editora, 1972.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Última Lição Prof. Doutor Machado Pires

Última Lição do Prof. Doutor Machado Pires, dia 13 de Novembro, às 16 horas, no Anfiteatro C, da Universidade dos Açores.
Tema: "O Ensino da Cultura Portuguesa".

Imperdível.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Bom fim-de-semana


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Recomendação de Leitura

"(...) A linha tranca-se entre os meus dedos dos pés a cada passada que dou. Já falta pouco. Talvez uns cinco passos. Imagino crocodilos de boca escancarada, saliva nos cantos da boca, ansiosos pelo meu primeiro falhanço. Estão mergulhados num pântano tenebroso e lamacento. Delírio. Só lá estão os gatos. Parecem-me mais atentos agora. E com sede... Esperam que o copo caia. Aceno-lhes um manguito. Não reagem. Deixam-se ser apenas felinos. Dou agora o último passo e pronto... Cheguei ao fim da linha. Olho para trás e vejo que rebentou. A manta está suja e os gatos já se aninharam nela. Bebo o vinho de um trago só. Z de Zurique, P de Paris, C de Coimbra, H de Holanda, M de Madrid e X do que a senhora quiser. A reserva está feita. Obrigada nós."


Bicho-de-Conta

Citação (importante)

"Era uma vez um lugar com um pequeno inferno e um pequeno paraíso, e as pessoas andavam de um lado para outro, e encontravam-nos, a eles,
ao inferno e ao paraíso, e tomavam-nos como seus, e eles eram seus de verdade.
As pessoas eram pequenas, mas faziam muito ruído.
E diziam: é o meu inferno, é o meu paraíso.
E não devemos malquerer às mitologias assim,
porque são das pessoas

e, neste assunto de pessoas,

amá-las é que é bom."


Herberto Helder

quinta-feira, novembro 09, 2006

poesia 7 Mário de Sá-Carneiro

Citação importante

segunda-feira, novembro 06, 2006

Recomendação de Leitura


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Os Pecados Vitais
( a partir de Al Berto)

"Primeiro: a Incandescência
Segundo: a Veemência
Terceiro: o Adubo
Quarto: a Ferida
Quinto: o Creme da Terra
Sexto: a Louquidez
Sétimo: a Portabilidade
Oitavo: a Juba de Luz
Nono: a Sirga
Décimo: A Juba de neon"

16.03.06


Artur Portela


Revistas Artes e Ideias nº 8 - o medo, Lisboa, editora alma azul, 2006, página 52

sexta-feira, novembro 03, 2006

Croniqueta XLIV ou quantas bolachas valem um homem?


Aproximando-se o Natal, com as ruas da sua cidade todas cheias de lâmpadas, nosso Fífia, levado por um espírito natalício, comprou um sino para usar pendurado ao pescoço. Agora, quando passa, no seu passo a trote veloz mais parece uma máquina de vender gelados, do que propriamente, um homem sério e santo; o mesmo que, aos Domingos, no seu carrinho vermelho ruivo, passeia mãe, tias e Iveti, pelas ruas da sua cidade. Fá-lo, ainda, à superfície, mas delira com a ideia de transformar o seu carro numa espécie de “Yellow Submarine”…
Anda, atarefado, porque um primo que tem na América, que é doutor nessas coisas das Educações Físicas e sabe mais qualquer coisa de psicologias, lhe disse que havia no mercado umas máquinas de dar chapadas; que na América não havia rico que a não tivesse, pendurada por detrás da porta do quarto de cama; de utilização rápida e satisfatória para prevenir erros, logo pela fresca. O Fífia procura um. Um aparelho desses que, de modo portátil, ele pudesse transportar nas viagens que faz; um aparelho que pequeno, escondido debaixo da aba do casaco, pudesse desembrulhar como um presente para aqueles que, em horas aflitivas, tanto para ele como para os amigos e companheiros que, em sentindo-se, aflitos, à beira de um deslize, quase a cometer um erro, se vissem necessitados de uma boa chapada para aliviar o dia; o peso de estar acordado de olhos em bico, diante da magnitude do sol ou da Terra, conforme os gostos.
Mais que a coroa gigante de rodas, mais que a coroa gigante a tocar o hino do Espírito Santo ou o carro transformado em lenda, mais que tudo isso, o que o Fífia queria mesmo era uma máquina de dar chapadas. Um aparelho levinho, que funcionasse a pilhas; que tivesse quatro velocidades, que fosse do tabefe ao soco, passando pela chapada ou pelo estalo e que, por brinde, desse, como quem não quer a coisa uma “mão de beiças”: isto para aqueles casos complicados de embeiçamentos e outros beicinhos do género. Como gostava. Finalmente, resolver-se-iam os seus problemas de desmedido alongamento verbal. Como não encontrou ainda nenhuma máquina dessas à venda na sua ilha, porque as que havia, nos últimos tempos foram compradas, num ápice, já pensou encomendar ao primo umas vinte e, num Sábado de sol, ir vendê-las para as portas da cidade. Imaginou já a campanha promocional; a música tocada por meia centena de jambés e as bailarinas vestidas de verde, dançando com as mãos esticadas para a frente como cebolas num desfile de vaidades. Nesse, não haveria máquina de chapadas que resultasse, pensa, enquanto sonha com a ideia de distribuir chapadas mecânicas e receber por cada uma 10 cêntimos. Dar chapadas a pilhas, tabefes que fariam avermelhar a cara dos embeiçados, nervosos, chatos e arrogantes…
O Fífia que não tem profissão; nem consta que saiba qualquer ofício quer ser distribuidor oficial de chapadas. Entrar pelas lojas e cafés oferecendo dedos mágicos, vindos de uma máquina de dar estalos e chapadas. Já vê os títulos do jornal: Fífia, o esbofeteador; Fífia o homem chapada; Fífia o salvador. Quem sabe, se não lhe fariam uma moeda; uma exposição; uma estátua? Quem sabe se, de repente, não conseguia o visto para ir visitar a América e o primo sócio? Quem sabe, se não voltava a usar barba?
Ao Fífia, cansa-lhe o ar dos que têm falta de levar umas bofetadas, encolhidos nos seus fatos verde tropa com gravatas esmeralda, disfarçando no seu afogueamento escarlate, uma bolacha querida… (Cansa-se de si próprio).
É que os homens não se medem aos palmos. Os Fífias também não. Mas quantas bolachas valem um homem?

Boas notícias

"O Café Central, um dos locais históricos da cidade de Ponta Delgada, vai reabrir a 14 de Novembro com uma imagem renovada, explicou o empresário José Carlos Pacheco, que alugou aquele espaço, fechado há mais de um ano.(...)"

Açoriano Oriental de 03.11.06

quinta-feira, novembro 02, 2006

Free Hugs Campaign. Inspiring Story! (music by sick puppies)

Free Hugs

Citação (importante)

PROCURA DA POESIA

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda húmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.


Carlos Drummond de Andrade
roubado daqui

quarta-feira, novembro 01, 2006

Citação (importante)

Sem alternativa, não há escolha.

Edite Estrela (Prós e Contras em repetição, dia 31/10 na RTP/N: “Aborto - O referendo da discórdia…”)