sexta-feira, janeiro 13, 2006

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Poema para o meu sol



Escurecer é
estar tão longe dos teus braços;
É ter horas vazias no relógio e não saber
Dos dias que vagueiam,
Perdidos em doze meses de calendário.
Escurecer é
Saber da cor dos teus olhos quando choram,
Adivinhar-lhes os rios e afluentes racionais,
E não poder fazer coisa nenhuma.
Escurecer é
Ouvir-te lá de longe, como um eco,
(Voar é, simplesmente uma mania,
um acto ilusório, nada mais.)
Não mais amanhecer em parte alguma.


Maria Amaro
9.12.1997

quinta-feira, janeiro 12, 2006

As coisas de que se lembram....



(recebido via email)

Evolução

O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro.
Mario Quintana - Caderno H

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Isto

Este post do Pedro lembrou-me isto


e mais isto


e mais isto


Como nunca é demais lembrarmo-nos do que somos e porque é que existimos ( e insistimos). Cá fica para memória futura!

terça-feira, janeiro 10, 2006

Poeminha do Contra



Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!


Mário Quintana

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Bicos Doces



Não gosto do olhar entreaberto dos desconfiados. Dos seus bicos doces e constipados que se passeiam aos Domingos, avenida fora, como se fossem reis, como se fossem lordes, como se fossem mais do que são, nos seus cachecóis de padrão escocês e esgares de (quasi-) espertos. Ouvi-los é deitar atenção fora; gastá-la numa renda de conversas, cujos meios e fins, transportam, em si mesmos, uma azia domingueira, em cuja palavrosa demência nos perdemos, se, por minutos, nos distraímos. Recomendo ouvidos atentos para quando passar por vós esta espécie de máscara de personagem de festim de terceira categoria, apressarmos o passo e irmos, logo, mais adiante.
É preciso fugir destes passageiros de bico caramelizado por meia dúzia de ideias gastas, mais meia dúzia de tiradas de algibeira, puxadas a ferro e fogo das lombadas dos livros que ostentam nas prateleiras das suas salas de laje e pele (a dos sofás), comprados nas promoções dos livros vendidos no porta à porta, que é como quem diz, por metro. Pague cinco, leve um: “ Como fazer os filhos felizes?”; ou então: Deixe de ter dificuldades na cozinha da sua casa; compre a Enciclopédia Luso-Brasileira e leve de presente uma faca multi - funções.Corta, raspa, tritura,( se quiser até mata!)Começou o ano novo há cerca de 10 dias. Foguetes e gritos trouxeram mais um ano à vida de todos nós. Atentemos à "secção dos desconfiados", enfiados nos casacos de plumagens sintéticas, fingindo-se reais aves, empertigando as cristas e levantando os bicos como se fossemos todos meios tolos e eles os únicos e autênticos seres vivos. Biologicamente regados por carreiras vitais para a solidificação dos seus custos de vida à medida das suas carteiras de doutores e doutoras em cujas ilustres cabeças dorme a químera dos sonhos e das fantasias.
Chega de demências intelectuais. Chega de figuras “garrettianas”, tiradas de cartolas imaginárias, às quais não pertencem coelhos, como na magia real dos mágicos, mas antes senhoras e senhores de dentes de ouro e nunca nada na manga.
Talvez seja tempo de começar a debulhar estas contas e passar da matemática dos sangues e oxigénios à ideia das pessoas.
Chega de contraditórios ofertados em gravatas, cuja fraqueza dos nós, se percebe à distância e não tem substância que chegue, sequer, para as oferendas.
Chega de tanta aparência. Já dá bastante.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Roubado Daqui

Your Birthdate: February 29

You have the mind of an artist, even if you haven't developed the talent yet.
Expressive and aware, you enjoy finding new ways to share your feelings.
You often feel like you don't fit in - especially in traditional environments.
You have big dreams. The problem is putting those dreams into action.

Your strength: Your vivid imagination

Your weakness: Fear of failure

Your power color: Coral

Your power symbol: Oval

Your power month: November


Foto de José Luís Mendes

Croniqueta ( ou Uma Coisa em Forma de Assim)

Pedindo emprestado o subtítulo desta Croniqueta, ao grande escritor português Alexandre O´Neill que, entre outras coisas, nos disse:“ (…) Convencidos da vida há-os afinal por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.(…)” ( excerto de Os Convencidos da Vida, pp. 27, na obra Uma Coisa em Forma de Assim, do autor português atrás citado). Brilhante citação a meu ver e, na qual não me quero perder, mas, sim chamar a atenção de todos para essa espécie humana, cujas raízes profundas, se enterram nas lajes dos nossos caminhos, com a ambição devida, mas a pretensão remendada por disparates atrás de disparates emendados no papel que, diariamente, representam.
Para minha memória futura, já que a passada está bem guardada, não pelos guardiães das plumas de prata, mas por homens e mulheres dos Açores, que deram a sua cara e a sua força para construir a identidade desta Região (vindos da esquerda e da direita, note-se!), ficam os ares preocupados desses papagaios de pé de chumbo e anel na pata que abundam por aí. Umas espécies de manda-chuvas de quintal. Os mesmos de há muitos anos só que hoje com menos brilhantina nos cabelos. Os mesmos que encontro nos cafés, falando alto, gritando que o que têm “dá bastante”. Chega de tanta idiotice. Quando confrontados com ideias diferentes, fruto de um debate normal nas sociedades civilizadas, sentem-se acossados nos seus próprios quintais e é um tal revirar penas. Não aguentam discussões sem puxarem das suas cartilhas mal aprendidas, como autênticos autores de quadros mal pintados. Da história, sabem da sua. E a geografia, ao contrário do que escreveu Nemésio, é para eles o mapa da sua rua. No final, o que conta é a matemática na soma de cifrões dos seus ordenados.
Meu querido avô, homem de Santo Amaro, que vem sempre à baila, nas coisas que escrevo, contava-me uma história brilhante. Rezava assim: havia um homenzinho que nunca tinha saído da sua freguesia, um dia, por ocasião da visita dos seus parentes emigrados na América, foi até ao miradouro da Terra Alta. Chegados lá, o senhor avistou a Terceira e São Jorge. Parou. Suspirou e gritou: Como é grande o mundo!
A história é simples mas enorme. E eu lembro-me dela sempre que me apetece gritar que é tempo de recomendar aos manda-chuvas de quintal que vão até ao miradouro da Terra Alta e vejam o mundo…vai além das biqueiras dos seus sapatos. Garanto.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Galhofa

Benvinda sejas, Maria

Benvinda sejas
à grande casa solar
a este tempo finissecular
hoje é o teu dia de estreia
olha à volta tens a casa cheia
há estrelas e rios na plateia



Tudo isto é teu
aquém e além do horizonte
a brisa que afaga o amieiro
e a água na fonte
benvinda sejas, Maria
benvinda sejas, Maria

Por Ti as águias velam
no cimo dos montes
e a Lua rege
o orfeão das marés
à noite os poetas
decifram os lunários
para ver se conseguem
descobrir quem és

Tudo isto é teu
a Terra é tua serventia
mas vais ter de lutar
por ela e por Ti em cada dia
benvinda sejas, Maria
benvinda sejas, Maria


Rui Veloso/Carlos Tê

A Maria nasceu no dia 2 de Janeiro de 2006. Os meus parabéns ao pai Paulo, à mãe Carla e ao irmão Diogo.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

2 de Janeiro


(Foto AM/ Espalamaca)

naufragamos em Terra
(sem pontuação de vencedores)
Desmantelamos os ossos como quando chegamos e rasgamos os laços
somos ( entre o divísivel e o partido) a parte que sobra aos braços
Há (hoje) mesmo assim qualquer coisa diferente nos gestos
parece que chegaste tarde (dizes)
Consinto

naufragamos em Terra nesta esfera redonda (redundância)
o poema é um pleonasmo, híperbole,
não lhe cabe a hermenêutica
nem a oferenda dos versos em desfiles de procissão de Espírito Santo
de rainhas de manto e homens como ases de espada
choras
naufragamos em terra

Aquela Terra distante toda virada para o mar
onde passamos os nossos anos
morremos cedo,
morremos secos,
naufragamos lá
com as canelas frias e os sacos dos afectos
personificados com beijos (juntos)

Naufragamos em Terra como Homens, como gente...
Tentamos truques, feitios, enchemos taças, brindamos.
Fomos ao mar, alagamos os ossos e as cartilagens
Porém,
Não pontuamos.
Metáforas.
Metamorfoses

Como as borboletas voámos.