quarta-feira, julho 20, 2005

Santo Amaro

Sto Amaro Posted by Picasa


Foto roubada daqui

Daqui a menos de uma semana: estarei aqui, onde o mar arde mais do que em qualquer outro lugar...Hoje, não me ocorre dizer mais nada. Amanhã quem sabe...

AFINAL NÃO HOUVE ARRASTÃO.

AFINAL NÃO HOUVE ARRASTÃO...
AFINAL NÃO HOUVE ARRASTÃO???
AFINAL NÃO HOUVE ARRASTÃO!!!

VELHA

Galo Posted by Picasa


Vem uma velha, sem, Galo
Mas que tem um bom gargalo
Cantar a Ponta Delgada

O Galo não pôde vir
Pois anda sempre a fugir
Pra dar a sua galada.

Quem está que não se aguenta
Com tamanho desconsolo
É a nossa D. Benta
Por não lhe pegar ao colo.

(Anónimo)

terça-feira, julho 19, 2005

Ainda as Festas do Divino Espírito Santo

Comecei por escrever um comentário ao texto do amigo João Nuno, mas como ficou enorme resolvi fazer um post.
Em tom avisado e nobre ( sim, porque erguida a bandeira incolor do D.E.S. devo dizer que sim, que o texto, está bem manuseado, enfim...bem escrito e, não me surpreende, bem tomado à forma, ou seja formatado)...mas continuemos para também eu, não perder o gosto à letra e, sem ser advogada, mas puxando o gosto à pena que, felizmente, herdei do meu avô materno, quero começar por perguntar ao amigo João Nuno, como eram essas festas do Divino Espírito Santo há duas décadas em Ponta Delgada? Já que afirmas que à Câmara Municipal: "(...) restava a obrigação de ser intérprete de uma vontade comunitária que estava latente na população do concelho desde que, há cerca de duas décadas, haviam cessado as Festas do Divino em Ponta Delgada. (...)"
Conta-me...Como é que eram essas festas do Divino Espírito Santo?
Por outro lado,não entendo a semelhança encontrada entre o "império dos Nobres" na ilha do Faial ( império esse que também se realizava em Ponta Delgada, na freguesia de São Pedro) e as Festas do Divino Espírito Santo da Câmara de Ponta Delgada?
É que se falasses das festas do Divino Espírito Santo da Rua do Passal, da Arquinha, da Rua João do Rêgo de Cima ou da Rua da Alegria, por exemplo, essas sim, realizadas há duas décadas ( ou mais); até podíamos chegar à conclusão que, de facto, são as nossas tradicionais festas do Divino Espírito Santo ( aqui e no Faial), mas, agora, comparar o "império dos Nobres" com as Festas da Câmara? Tem paciência...
As festas do Divino Espírito Santo da CMPDL enfermam de um afã irreal. Por isso, critico-as. Com o direito que me assiste, enquanto cidadã deste concelho.
Não querendo "instituir-me" como mais uma "voz dissonante". Mas, apenas, como Pessoa capaz de "pensar por conta própria" (Hamman). Mais, devo dizer-te, que as críticas (legítimas) do Bispo de Angra e das Ilhas dos Açores não te dão razão para o apelidares de " vigário geral da diocese de Angra do Heroísmo". Mais não seja, porque a pessoa em questão é o representante máximo da Igreja Católica na Região Autónoma dos Açores.
Não me vou alongar muito mais, até porque não quero esgotar este assunto, até ao fim do pavio, mas não posso terminar sem te perguntar, ainda, qual é a semelhança que encontras entre a Côroa Grande (para não dizer enorme) colocada nas Portas da Cidade e as Sopas do Divino Espírito Santo oferecidas ao Sr. Presidente da República por ocasião das comemorações do Dia de Portugal ou as Sopas oferecidas aos Marienses no Dia dos Açores?
Nenhuma. Claro que nenhuma. Porque aquela Côroa não tem significado Tradicional nenhum. Aquela Côroa não expressa o que quer que seja da nossa Cultura, nem simbólica nem institucionalmente. Aquela Côroa é tão somente, a exibição do tal "afã irreal" de que te falava anteriormente, fruto de uma necessidade atroz de mostrar muito às pessoas, símbolo de onde irradia a farsante atitude de que são "cheias" estas Festas do Divino Espirito Santo celebradas na Cidade de Ponta Delgada, pela Câmara Municipal, simbolicamente instituídas como o pão e o circo de uma política, à qual, eu não tenho que dizer "amen".
A oferta das Sopas do Divino Espírito Santo ao Sr. Presidente da República, em dia de Comemoração do Dia de Portugal( ou, em Santa Maria, no Dia dos Açores) é, pura e simplesmente, um momento simbólico, culturalmente enraízado em tradições açorianas. Típicamente nosso. Uma forma de obsequiar as autoridades, no primeiro caso, e as pessoas, no segundo, com uma coisa que é muito nossa. Sem comparação possível. Dir-me-ás que não. Já estou à espera. Mas lamento João Nuno, como poderás entender, mesmo debaixo da bandeira incolor do D.E.S., que eu Respeito, mais do que tu possas imaginar, eu não concordo com estas Festas da CMPDL. Não concordo com o fogueteiro instalado à roda da celebração de umas Festas que me habituei a ver pequenas, celebradas num espírito de união e fraternidade, de lealdade e de fidelidade às Tradições dos Açores.

Atenta contudo, que esta saudável diversidade de opiniões não faz de mim uma herége, desviada mecanicamente das Festas da Câmara. Não. Nem tão pouco estas minhas palavras devem ser entendidas como querendo eu acabar com as Festas.
Eu gosto das Festas do Espírito Santo do Concelho de Ponta Delgada.



Post Scriptum 1: Bem sei que não comparaste a Côroa com a oferta das Sopas. Mas não é a Côroa parte da Festa da CMPDL?

Post Scriptum 2: Tradicionalmente, em Ponta Delgada e, na ilha de São Miguel, não havia "Sopas" do Espírito Santo havia o "Jantar" do Espírito Santo.
Porquê "Sopas"? Porque não organiza a Câmara um "Jantar" do Espírito Santo?

domingo, julho 17, 2005

sábado, julho 16, 2005

Prémio ZECA AFONSO 2005

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a lua nasceu
Maria sorriu
a noite acendeu seus sinais
o barco chegou
Maria cantou
serestas, cantigas d´amor
a banda tocou
o vinho acendeu
seus risos, seus ritos tão sensuais
Maria bailou
e fez-se Mulher
na noite de espanto e fulgor
o dia nasceu
Maria sentiu
presságios no seu madrugar
o sonho morreu
Maria calou
um medo, um frio, uma dor
a festa acabou
o barco partiu
nas ondas, nas rondas do alto mar
Maria chorou
mil vezes morreu
nesta canção em tom menor.


Maria ( canção em tom menor), in Torna Viagem, CD gravado entre Março e Novembro de 2003.

Confirmei há pouco o que já sabia (mas cheguei a duvidar se sabia, se tinha ouvido bem...) o Zeca Medeiros ganhou o prémio Zeca Afonso 2005. Ouvi há bocadinho António Sousa afirmá-lo no programa que faz ao Sábado, onde esteve presente o Zeca, precisamente, por causa, da atribuição deste prémio. Não há, por isso, mais razão para dúvidas. Zeca Medeiros ganhou. Fico contente. Como me parece óbvio, para quem acompanha este blog: nunca escondi a admiração que tenho por este poeta das Cinefílias e outras Incertezas. No ouvido, uma música familiar: "Zeca Medeiros you´re one of my heroes", cantada em tempos pelos meus irmãos, numa música, que ambos inventaram. E não é que é verdade.
Tristes Navios que passam na hora da nossa vida, na hora da nossa morte disse o Zeca 5ª feira à noite no Teatro, "dizendo" Emanuel Félix. O Zeca que me habituei a conhecer no meio da Gente [ feliz com Lágrimas]; no Feiticeiro do Vento ou na Balada do Atlântico. O mesmo Zeca que falando da gente chegou ao Brasil e a Moçambique. O Zeca dos Xailes Negros, o Zeca do Mau Tempo no Canal.
O Zeca, cantador.
O Zeca Medeiros. À terceira foi de vez. Ganhou o prémio Zeca Afonso. É verdade. Apesar de não haver nenhuma notícia sobre isso: ganhou. E também nós devemos ficar contentes com ( ou por ) isso. Goste-se ou não.

!

Por conselho deste amigo cheguei a este belo texto.
Para degustar no fim de semana.

Bom fim de semana.

sexta-feira, julho 15, 2005

Torna Viagem

Zeca Medeiros Posted by Picasa


"(...) Oh mãe, acende uma candeia,
que tenho medo desta noite tão escura.
Oh mãe, acende uma candeia,
que tenho medo do assombro da lonjura. (...)"


O Zeca Medeiros encheu o Salão Nobre do Teatro Micaelense, em Ponta Delgada. Cantou e encantou uma plateia de cidadãos do mundo, que, entre um copo e dois cigarros, um sorriso e muitos aplausos, se tornaram viajantes das músicas lindíssimas ( salvo melhor opinião). Foi, como sempre é, um verdadeiro momento de Poesia. Já Octavio Paz dizia e bem ( também salvo melhor opinião)que a Poesia tem a sua própria música: a palavra. E as "luas" do Zeca, hoje, ainda hoje e, quem sabe, amanhã sorrirão sempre nas "Criptomérias" dos Açores. Tornei na Viagem ao encontro do Zeca Medeiros e para não variar adorei.

quinta-feira, julho 14, 2005

Qual a diferença?

Desculpem insistir neste assunto mas, qual a diferença entre o acto terrorista de Novembro de 74 em que 21 pessoas foram assassinadas em Birmingham em dois pubs, por arrebentamento de bombas, supostamente plantadas por cidadãos do Reino Unido, nascidos no Reino Unido, afectos à IRA e o acto terrorista de Julho de 05 em que mais de 50 pessoas foram assassinadas em Londres, em transportes públicos, por arrebentamento de bombas supostamente plantadas por cidadãos do Reino Unido, nascidos no Reino Unido afectos à Al-Queda?
A religião? A origem geográfica da sua genética? A superioridade civilizacional? A superioridade moral?

NÃO! NÃO! NÃO! NÃO! São absolutamente iguais.

Terroristas, alegadamente responsáveis pelos atentados em Londres, eram cidadãos britânicos, nascidos em território britânico.

quarta-feira, julho 13, 2005

E Ela Dança

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"Às vezes, quando a casa estava adormecida à noite, ela dançava pela sala fora, tal qual como escreveu ("bailarina fui mas nunca bailei"). Às vezes, convencia-se que havia ladrões em casa e acordava-me do sono para espreitar debaixo da minha cama, e às vezes havia ladrões a sério, com cara de assassinos e crachá da PIDE, que chegavam pela alvorada do dia, mas verdadeiramente ela não tinha medo dos ladrões nem dos esbirros do "velho abutre": só tinha medo de fantasmas.
Naquela casa, aprendemos cedo duas coisas sobre a poesia. A primeira, era que os poetas eram todos uns personagens extraordinários, que apareciam a horas imprevistas e diziam coisas surpreendentes. De todos, o mais fantástico era o Ruy Cinatti, que nos convenceu que era o nosso irmão mais velho, regressado de outra vida em Timor e que esteve à beira de conseguir transformar-nos em guerrilheiros contra a precária disciplina familiar. Vinham e iam constantemente poetas tristes ou alegres, cerimoniosos ou tumultuosos e até um, o Ruy Belo, que me levava à Luz ver o Benfica e jogava futebol comigo no jardim.
A segunda coisa sobre poesia que aprendemos é que a poesia é para ser dita e para ser escutada: é oral, não cabe nos livros. Eu não sabia nada de aritmética, nem de botânica ou mineralogia mas, aos dez anos, já tinha aprendido, de ouvido, a recitar sonetos de Shakespeare em inglês do século XVI, ou o "Erl König", do Goethe, em alemão. E quando ela trouxe para casa um disco com poemas do Lorca recitados em espanhol pela Germaine Montero, ouvi-o tantas, tantas vezes, que fiquei a saber de cor o imenso "Llanto por Ignácio Sanchez Mejia". À mesa, entre a sopa e o prato principal, dentro de um automóvel a caminho do sul ou na missa das sete da tarde na Igreja da Graça, de repente ela começava a recitar poesia com a mesma naturalidade com que os outros falavam de coisas triviais ou respondiam em latim ao "orate, frates!" do padre. Às vezes, naquele terror que as crianças têm que os pais pareçam estranhos em público, apetecia enfiarmo-nos pelo chão abaixo quando, à mesa de um café no Chiado, ou numa loja, em plenas compras de Natal, ou caminhando connosco pela rua de mãos dadas (por vezes, distraída, perdia-nos), ela começava a recitar poesia em voz alta, como se o mundo inteiro à sua volta lhe fosse de repente absolutamente alheio. Um dia, no eléctrico a caminho de casa, ela fixou-se num letreiro, por cima de uma janela, que rezava assim: "se alguma janela o incomoda, peça ao condutor que a feche." E então, no meio daquele silêncio envergonhado dos passageiros,. que fingem não ver e não se ouvir uns aos outros, ecoou a voz dela, clara e silabada, recitando um poema: "se alguma janela o incomoda, peça ao condutor que a feche e que nunca mais a abra."
A mim, todavia, ensinou-me o mais importante de tudo: ensinou-me a olhar. Ensinou-me a olhar para as coisas e para as pessoas, ensinou-me a olhar para o tempo, para a noite, para as manhãs. Ensinou-me a abrir os olhos no mar, debaixo de água, para perceber a consistência das rochas, das algas, da areia, de cada gota de água. Ensinou-me a olhar longamente, eternamente, cada pedra da Piazza Navone, em Roma, sentados num café, escutando o silêncio da passagem do tempo. Fez-me mergulhador e viajante, ensinou-me que só o olhar não mente e que todo o real é verdadeiro. Quem ler com atenção, verá que esta é a moral que atravessa toda a sua escrita.
A outra lição decisiva foi a da liberdade. Não só a liberdade física, não só a liberdade na luta pela justiça, "num sítio tão imperfeito como o mundo", mas ainda a liberdade na busca de um caminho próprio onde as coisas tenham uma ética e façam sentido e, acima de tudo, a liberdade da nossa própria solidão. Prémios, condecorações, homenagens, são-lhe de tal forma alheios que ninguém mais o entende. Dêem-lhe, sim, silêncio e tempo, manhãs como a "manhã da praça de Lagos" e noites com "jardins invadidos de luar". E ela dançará. Ao longo das sílabas dos poemas, como dançava na minha infância."

in, Jornal Público, 12 de Junho de 1999

Miguel Sousa Tavares


( Repito o texto. Há um ano "postei-o" no Ardemar. Faço-o porque sim!)

terça-feira, julho 12, 2005

Sei um Ninho...

Susana Rosa Posted by Picasa


Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

Miguel Torga

A fobia alimenta o



foto do DN 19/06/05

hastear, com coragem e orgulho, a superioridade da nossa civilização Ocidental



O João Nuno Almeida e Sousa escreve no blog :ilhas, em relação aos ataques terroristas, especificamente aqueles com ligações ao médio oriente, que Não basta condenarmos o terrorismo é também necessário hastear, com coragem e orgulho, a superioridade da nossa civilização Ocidental. Ao invés, teimamos em acreditar nesciamente na bondade do «relativismo cultural» e assistimos a fervorosos, e por vezes obscenos, actos de fé contra a Islamofobia !
Aonde reside a superioridade da nossa civilização Ocidental?
Na duas guerras fratricidas que a geração dos nossos avós europeus testemunhou?
No holocausto de judeus, russos, polacos, homossexuais, etc., preconizado, ainda há tão pouco tempo, pelos alemães, e ainda ontem, a muçulmanos europeus, por "jugoslavos"?
No terrorismo indiscriminado das duas bombas atómicas cuspidas sobre o Japão, há só 60 anos?
Na criação e no apoio a ditaduras e a estados terroristas, nas guerras coloniais e nos apartheids americano e da África do Sul em que participaram a geração dos nossos pais?
No controlo económico e no lucro obtido sobre a fome e sobre algumas das doenças que mais matam os não ocidentais.
Claro que não.
Eu sei que uma balança tem sempre um peso e um contra peso. As civilizações, a nossa como as outras, estão, cada uma, distribuídas pelos dois pratos da balança.