segunda-feira, junho 20, 2005

Ninguém põe um limite nesta autonomia?!?

Nas eleições para o parlamento regional da Galiza, das quais resulta a escolha do presidente da Xunta da Galiza, o PP terá que esperar pelo voto dos imigrantes para ver se consegue aguentar a maioria absoluta…

Espera aí!?! Voto dos imigrantes para o parlamento regional??!?? ?!? Como é que se identifica uma criatura dessas??? Como é que sobrevive o Estado Espanhol??? Que pouca vergonha é esta??!?? Ninguém põe um limite nesta autonomia?!?

…Se não conseguir a maioria absoluta poderá formar-se uma coligação entre o Partido Socialista e o Bloco Nacionalista Galego que deverão conquistar mais do que 15 dos 75 assentos parlamentares…

Espera aí!?! Partidos Regionais, há vinte anos, numa autonomia com vinte anos, e ainda por cima nacionalistas??!?? Que pouca vergonha é esta??!?? Ninguém põe um limite nesta autonomia?!?

Não me digam que nas Canárias também é uma pouca vergonha destas?!?

Só Deus sabe quanto me custa escrever isto mas, se calhar, os Açores e a sua Autonomia estariam melhor servidos com um Rei Juan Carlos do que com um Presidente Sampaio.

domingo, junho 19, 2005

Santo Amaro sobre o Mar

Hoje assisti ao lançamento do livro de Urbano Bettencourt - Santo Amaro sobre o Mar

"Santamaro: Lugar de onde são naturais os santamarenses. Território de afectos e memórias íntimas, de imagens que o tempo recolhe e transfigura. Os seus limites administrativos e geográficos continuam por estabelecer." ("Corografias",página 9)

Com ilustração de Alberto Péssimo estará por certo à venda nas nossas livrarias. Não hesitem em comprá-lo. Vale a pena.

Na folha de rosto cita-se Nemésio, dizendo: "Pode-se morrer descansado numa ilha/A cova nem por isso é mais curta." Assim é e assim seja. Penso eu.

sábado, junho 18, 2005

Conselhos

rumo Posted by Hello


I
A Mente. Essencial. Divaga.
Faz-te ao mundo com circunflexos e S´s metidos nas algibeiras para poderes multiplicar os outros e eles parecerem muitos e quando abrires as portas, continuarem a estar muitos (re) flectidos na tua vida, flectidos em vogais circunflexas por isso mais, digamos, isolados no chapéu, mesmo que gráfico da tua memória.

II
O essencial é não perderes de vista a tua sombra, andares como quem chega ao Paço; soletrares com as solas dos sapatos, as tuas razões de chegada, as tuas razões de partida. Se o não fizeres, verás, és ausente e os ausentes não nos servem, nem se servem para nada.

III
O essencial é ser-se triste e não contar a ninguém. Ter-se a alma desfiada numa arquitectura de ramos e deixar que dos bastidores dos sentimentos saiam palavras iludidas na medida isoladora das saudades dos barcos e das gaivotas penduradas nos mastros.

IV
O essencial, às vezes, mente. E diz-se, nas palavras, dos eruditos, essencialmente. Censura. Descobre que unicamente, rigorosamente e plenamente são palavras doridas como pescadores, lavradores e amadores.
Mesmo assim,aprende as palavras dolentes.

V
O essencial é veres o mar e as ilhas todas enfileiradas, medidas por raízes quadradas tuas, como se fossem arquitectadas por ti, na medida exacta dos teus sonhos; essencial é não perderes as palavras as que fogem nos bicos das gaivotas, as que mergulham nas rochas do porto da tua infância, onde em tempos, o essencial era apenas uma bóia para não morrer no mar.

VI
O essencial é seres da Tua Terra. Da tua mãe e do teu pai.Seres dela e deles, como as palavras que te fazem ser dela e deles, explicadas em sentimentos, que, convém, sejam teus, atribuídos aos teus significados, que, não muito distantes, mas por vezes, aceito, longe dos seus significantes, se soletrem como (quase) vazios.

VII
O essencial é nunca deixares de escrever. Mesmo que, muitas vezes, te pareça que as palavras saem marteladas ao custo de menos umas horas de sono e aparentem ser estranhas ao corpo de texto, que te apetecia dizer, como se, enfiadas nos seus dicionários, ou no teu, muito próprio, elas não quisessem sair.

VIII
O essencial, no fundo, é não fazeres como eu, não te repetires muitas vezes, não tomares essa opção redundante de quem, por defeito, mania ou desconhecimento, se resguarde nos vocábulos, se prenda nas analepses, se perca na metaforização, na comparação desmedida, na queda personificada dos Ases e dos Bês, determinantemente afectivos, estilhaçados no corpo, como sinais.

IX
Aceita-te como essencial à construção da tua memória.

X
Se os outros pararem, não desistas.
Pessoalmente resvalas,divagas, mas não morres.
Respira.
Do fundo.


(* bom fim de semana)
Saturday Posted by Hello

sexta-feira, junho 17, 2005

Há-de haver história sem história... Parte II, porque nunca é pedir demais.

Este post obriga a uma leitura do meu post Há-de haver história sem história... e aos comentários de Dionísio de Sousa ao mesmo.


Em relação às afirmações de Dionísio de Sousa, feitas em comentário, um poderia escrever páginas, mas o blog não é o sítio próprio para compêndios (para qual nem é certo se para tal teria capacidade) e como o próprio diz, vemo-nos obrigados a resumos e metáforas.
Tenho no entanto de escrever que agradeço a amabilidade da resposta.
Em relação aos excertos apresentados, sou no entanto obrigado a escrever que, não reconheço em Saes Furtado nem méritos de grande historiador, nem mérito de testemunha viva do 6 de Junho (dois méritos que não se aplicam a mim próprio). O seu excerto parece-me pobre e apenas representativo das memórias de um homem demitido por vontade de outros e, das duas uma, ou enganado por milhares de pessoas, ou enganado com milhares de pessoas.
Em relação ao texto de Mário Mesquita, aceito-o, num contexto que em nada tem a ver com a relação histórica entre o 6 de Junho e a Autonomia, como um texto obviamente superior, compreendo essa crónica feita em 87, interrogo-me porque terá Dionísio de Sousa escolhido um excerto com uma referência a uma opinião, politicamente incorrecta, escrita pelo deputado Lacerda, penso que, no primeiro quartel do séc. XX.
O que mais me desilude, nem é a escolha de um excerto de Saes Furtado, mas o facto de os dois excertos, especialmente o segundo, no seu todo, e na minha opinião, em nada validarem o seu escrito sobre a não relação histórica do 6 de Junho e a Autonomia.
O que eu penso é que gostaria que se deduzisse do primeiro texto que o 6 de Junho foi uma manifestação em que uma multidão e um general foram manipulados por um pequeno grupo de independentistas que tinham tudo planeado ao minuto pois se assim não fosse e se a multidão descontrolada tivesse gritado uns minutos antes a palavra independência, o general não se teria demitido pois não teria gostado e não poderia ouvir tal coisa. Do segundo texto, que se deduzisse que qualquer projecto independentista é interpretado pelos cérebros esclarecidos e viajados pela Europa como um processo que resultaria, por desejo ou incapacidade, numa anexação ao Estados Unidos, projecto esse que só conquista, e só em tempos de crise, os pobres coitados que, nunca tendo viajado pela Europa, olham “comme une brute” para as terras do “uncle Sam”.
Para concluir, mesmo que o 6 de Junho tivesse sido uma manifestação em que uma multidão “des brutes” e um general demitido foram manipulados por um pequeno grupo de independentistas, penso que não será muito difícil usar da sua capacidade de raciocínio e fazer o caminho, neste caso não muito longo, entre a causa e o efeito, o princípio e as consequências, e deduzir que essa enganosa, ou enganada, multidão criou plataforma e deu força a qualquer reivindicação feita em seu nome e que a utilização dessa força e dessas reivindicações resultou numa autonomia imposta por um estado ainda repleto de tiques colonizadores. E, se não lhe parar o coração, entretenha a ideia que, sim, esta autonomia é resultado de um grito de independência.

Em PDL nem tudo o que luz é oiro

"[...]Os moradores da Rua Pedro Homem continuam à espera que a Polícia de Segurança Pública comece a fazer um patrulhamento mais assíduo à noite, para evitar os muitos desacatos que se sucedem praticamente todos os fins-de-semana. Há cerca de 2 semanas, um indivíduo chegou mesmo a saltar para cima de uma das viaturas de um morador, realizando prejuízos superiores a 500 euros. E com o Verão à porta, os temores aumentaram.
Os abaixo-assinados têm-se sucedido, mas sem resultado. (...) Apesar do abaixo-assinado, a PSP ainda não deu uma resposta concreta à situação. Do mesmo modo, ainda não obtiveram uma resposta satisfatória da Câmara em relação ao estacionamento.(...)"

Fonte: Diário dos Açores

quinta-feira, junho 16, 2005

Provérbio Chinês

"Nada assenta melhor no corpo do que o crescimento do espírito."

quarta-feira, junho 15, 2005

Pelo olho do cu

Ontem no telejornal nacional das 19h, na RTP1, um jornalista entrevistava, em directo, pessoas que esperavam, ao sol do fim do dia, a sua vez para prestarem uma última homenagem a Álvaro Cunhal, o "último" dos comunistas.
A curiosos e a sentidos comunas foi perguntando a razão da presença, ali, de cada um. Desde discursos políticos inflamados até ao típico - Não tenho palavras para descrever... - todos tentaram honrar aquele corpo que, supostamente e segundo os princípios, nunca carregou alma. Para meu grande espanto uma das criaturas, um homem de boina preta, de meia idade, meia altura, bigode e barriguinha cheia, vira-se para a câmara e responde com ar sério e solene:
- Acho que não é necessário explicar-lhe porque estou aqui. Mas já agora aproveitava para dizer ao Alberto João Jardim que ele foi parido pelo olho do cu da mãe dele...
O jornalista, com os olhos de quem fecha para balanço, afastou o microfone com a rapidez possível e disse algo que não consegui ouvir por debaixo das minhas sonoras gargalhadas.
Hoje, sempre que na televisão vi imagens do funeral de Álvaro Cunhal não consegui deixar de rir e de admirar as capacidades anatómicas da mãe de Alberto João.

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos

como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam
como estas árvores que gritam
em bebedeiras de azul

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento
bichinho alacre e sedento
de focinho pontiagudo
que fuça através de tudo
no perpétuo movimento


Eles não sabem que o sonho
é tela é cor é pincel
base, fuste ou capitel
arco em ogiva, vitral

Pináculo de catedral
contraponto, sinfonia
máscara grega, magia
que é retorta de alquimista

mapa do mundo distante
Rosa dos Ventos Infante
caravela quinhentista
que é cabo da Boa-Esperança

Ouro, canela, marfim
florete de espadachim
bastidor, passo de dança
Columbina e Arlequim

passarola voadora
pára-raios, locomotiva
barco de proa festiva
alto-forno, geradora

cisão do átomo, radar
ultra-som, televisão
desembarque em foguetão
na superfície lunar

Eles não sabem nem sonham
que o sonho comanda a vida
e que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos duma criança

António Gedeão

terça-feira, junho 14, 2005

Sr. Bonaparte!?! (excerto de um conto)

- Sr. Bonaparte!?!
- Sr. Bonaparte!?!
Esperou. Já sabia, à partida, hoje, ia ter um dia difícil. O Sr. Bonaparte detestava ser acordado subitamente. Ficava ruim o resto do dia. Não, não ficava ruim, ficava mais que ruim, porque ruim ele era sempre, todos os dias.
Tocou-lhe no braço e movimentou-lhe as pelancas ligeiramente. Repetiu, agora um bocadinho mais alto.
- Sr. Bonaparte!?!
- Sr. Bonaparte!?!
- Aham! Aham! - Gritou ele de repente como quem ressuscita. Tinha aquela idade em que o acordar é um momento sempre acompanhado da incerteza de se poder estar a acordar para mais um dia ou para a eternidade. Tentou levantar-se mas não conseguiu mais do que elevar-se pelos cotovelos. Acordava sempre mumificado num pijama que o seu corpo já não preenchia havia anos, com os seus ossos presos dos pés à cabeça, tinha saudades do tempo que dormia nu, sem frio. Deixou-se cair, de novo, na cabeceira e estendeu o braço direito e tacteou. Sabia que se os seus dedos encontrassem um par de óculos estaria a acordar para mais um dia. Os óculos lá estavam, estava vivo. Pôs os óculos e confirmou, estava no seu quarto.
- Sr. Bonaparte!
Assustou-se. Estava ali alguém, mesmo a seu lado, uma mulher. Apavorou-se. Tinha uma mulher na cama, em que é que se tinha metido, não se lembrava de ter metido uma mulher na cama.
- Bom dia Sr. Bonaparte! É a Glória!
Glória, Glória, quem era a Glória. Detestava este estado de alma, sentia-se completamente desnorteado mas sentia que tudo tinha a sua lógica.
- Tem aqui um telefonema! - estendeu-lhe o telefone portátil. - É o seu neto!
Estúpido. A Glória é a rapariga cá de casa, a empregada. Neto, tenho um neto, claro que tenho um neto.
Pegou no telefone, virou-se para a Glória e vociferou - Porque é que não bateu à porta.
- Eu bati Sr. Bonaparte. Fartei-me de bater.
- Se o telefone tivesse tocado eu teria ouvido.
Ela não lhe respondeu, sabia que não valia a pena, aliás, dar-lhe troco só iria pior o seu dia.
- Está! Está sim! ... Mas? Está? Quem?
Percebeu que a Glória gesticulava, olhou para ela com ar de nojo reparou que ela, insistentemente, apontava para uma orelha e depois para a mesinha de cabeceira. Está completamente maluquinha, pensou. Só me faltava esta, uma criada louca. De repente percebeu, ela apontava para o seu aparelho de audição. Ficou louco de raiva. Apontando com o dedo a porta do seu quarto, expulsou-a. Depois de ela sair esticou-se, sentiu dor, torceu a cara, agarrou no maldito aparelho e enfiou no ouvido. Respirou fundo, para acalmar a raiva e aproximou o telefone.
- Avô! Avô! É o César.
- Então! Não estás a ouvir?
- Estou avô. E o avô está a ouvir?
- Claro! Esta Glória é que é insuportável. Então o que é que se passa.
- Deixe lá a Glória avô. Avô, hoje de madrugada morreu a tia Augusta.
- Quem?
- A tia Augusta, avô.
- Ai sim?!? Já não era sem tempo, aquela velha rabugenta.
Augusta era uma das duas cunhadas que ainda o acompanhavam em vida. Os seus dois irmãos tinham morrido já passara mais de uma década.
- Coitadinha, avô, isso não se diz!
- Coitada uma ova!

segunda-feira, junho 13, 2005

As Mãos e os Frutos

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.


Eugénio de Andrade

Ardemares

O Tozé chegou ao meu blog. Estou (obviamente) contente por isso. D´outra maneira não tinha pensado na "sugestão" do João Nuno, numa conversa de comments.
Benvindo sejas, Tozé.

Démodé !?!?!

Segundo a Agência Lusa (11/06/05)

" Região da Catalunha vai ser definida como nação

Todas as formações políticas da Catalunha, à excepção do Partido Popular (conservador), chegaram ontem a acordo para que o futuro Estatuto de Autonomia defina a região como uma nação.
(...)
O Estatuto, que completou 25 anos em Outubro passado, é um quadro legal que dota a região catalã de ampla autonomia governativa."

Meu Deus, e aqui, mais uma vez, não me refiro ao Pedro, será possível a existência de um nacionalismo democrático, políticamente abrangente. Meu Deus, e aqui refiro-me ao Pedro, será o fim da globalização que começa com o sotaque catalã desta jovem autonomia, será que, excepto no partido popular, não existem na Catalunha cidadãos do mundo. Mon Dieux de la France, e aqui refiro-me a Bush, será que a Catalunha vai dizer non à L´Europe e juntar-se aos E.U.A., será que conseguem sobreviver sem a base das Lages e sem Portugal. Meu Deus, e aqui não existe, será que o presidente Sampaio se esqueceu de lhes dizer que a autonomia deles já tinha atingido o limite.

E acrescento a esta comédia um excerto do blog Letras com Garfos de 30/01/05

(...) "esteve em Lisboa Josep Carod-Rovira, o líder da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC). O senhor Rovira veio a Portugal falar-nos da Ibéria. Nem mais nem menos. Como o mesmo Rovira declarou ao semanário "Expresso", também na passada semana: "Devemos passar de uma concepção unipolar do Estado para uma outra multipolar, que passe por Lisboa, Barcelona, Bilbau, certamente por Sevilha, e juntos poderemos acabar de alguma forma esta península que nunca foi concluída." E assim de uma assentada, Lisboa, capital de um Estado independente, foi colocada, pelo senhor Rovira, ao nível das capitais das regiões e comunidades espanholas.
(...)
O senhor Rovira veio a Portugal a convite da Fundação Mário Soares, que, como se sabe, foi Presidente da República deste país que Rovira trata como uma região da Ibéria."

Realmente alguém tem que por um limite nestas autonomias.

Há-de haver história sem história...

Dionísio de Sousa, escreve no blog Da Autonomia do Guilherme Marinho, "Consigo perceber perfeitamente a Autonomia Regional, o seu percurso histórico e a sua evolução, sem a menor referência ao 6 de Junho de 75."

1: Há-de haver gente que consegue perceber perfeitamente o fim da Monarquia em Portugal sem a menor referência ao assassinato de D. Carlos. Há-de haver até gente que consegue perceber o fim da guerra colonial sem a menor referência ao 25 de Abril. Há-de haver gente que consegue perceber a Autonomia Regional, o seu percurso histórico e a sua evolução, sem 6 de Junho, sem 25 de Abril, sem meio século de ditadura, sem proclamação da Republica, sem a autonomia de 1895, sem a época da laranja, sem os descobrimentos, sem os Açores, enfim, há-de de haver gente que, como os "canibais", prefere devorar a história e parir mitos pessoais.

2: Percebe-se, perfeitamente, que o percurso de Dionísio de Sousa é diferente do percurso da história da autonomia regional, e que ele se deixou confundir ligeiramente. É que às vezes quando se entra num comboio, numa estação qualquer, a meio do caminho, é possível que esse comboio venha de longe, de muito longe, e que não se consiga, ou não se escolha, imaginar as outras paragens, nem mesmo imaginar que, no banco aonde se escolhe sentar é possível que outros já se tenham sentado e feito outra parte da viagem.

5- Honra a teu pai e mãe...

Este é o quinto mandamento.
Decidi abandonar a casa de onde nasci para a blogosfera. Não quero fazê-lo, no entanto, sem honrar a "pai e mãe", e na blogosfera fui filho, adoptado, da família do :ilhas.
Não imaginavam que abrindo as portas da sua casa a este quase patrício, iriam abrir as portas através das quais eu iria redescobrir o prazer de escrever, e de escrever na língua portuguesa, que é, também, Mãe do que em mim ainda é português. Por isso, obrigado.
Só Deus, e aqui não me refiro ao Pedro, sabe porque tiveram a gentileza de convidar este quase desconhecido. Terão tido boas razões, presumo. Para mim souberam-me bem e a boas, senti-me honrado e galvanizado.
A minha saída não tem nenhuma razão dramática escondida, nem nenhum tabu cavaquiano a sustentá-la. Tem mais a ver com o facto que, ao passar, como sempre, por aquela porta que sempre esteve aberta, decidi atravessá-la e passar para o lado dos que não pertencem a essa casa.
O que aconteceu a seguir, aconteceu a seguir, e não antes, nem durante. E é assim que, por sugestão do João Nuno e por convite da Mariana, entrei por esta nova porta adentro, que, como a outra, encontrei aberta.