(...) Para Vitorino Nemésio a Geografia predominava sobre a História. A açorianidade testemunhava uma idiossincrasia própria: "o nosso modo de afirmação no mundo, a alma que sentimos, na forma do corpo que levamos" (...) "uma forte variedade da nação portuguesa, criada em meio milénio no isolamento norte-atlântico.
Fora da ilha ou da região, continua a vê-la e a senti-la: A nortada encheu de ilhas o horizonte / olhando bem nenhuma è verdadeira / mas cada uma em mim tem porto e monte / que eu sou homem que vê de outra maneira.
Daí e num dos momentos altos do seu percurso, ao receber o Prémio Montaigne, atribuído pelo contributo para o património cultural da Europa e a defesa da universalidade da literatura, quando procedia ao balanço da sua vida e obra, afirmar categoriamente: Sou ao mesmo tempo e, acima de tudo, português açoriano europeu, americano brasileiro e, por tudo isto, românico hispânico e ocidental e gostava de ser homem de todo o mundo.
Decorrido menos de um século após o povoamento das ilhas, há açorianos a frequentar cursos de Leis, Medicina e Teologia em Coimbra, Évora e Salamanca. Está provado que Rui Gonçalves, natural de São Miguel, foi para Coimbra e, em 1539, ascendeu à cátedra. No século XVI, no itinerário da Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, deparamos o açoriano Diogo Pereira, filho de Ana Pereira, cujo pai, o flamengo Guilherme Van der Hagen, está na origem de gerações sucessivas de várias ilhas e que tomaram o nome Silveira. Mas não foi só Fernão Mendes Pinto que falou desse longínquo cidadão dos Açores errando pelo Oriente. Também o identificou e referiu Diogo do Couto, nas Décadas.
Vitorino Nemésio, ele próprio, no seu modo de ser e de agir e através da componente da sua obra literária, constitui o exemplo do homem universal, do açoriano no mundo sempre disposto a participar no encontro de civilizações e de culturas."
"Açoriano Universal", António Valdemar
Mais aqui
"E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando as vidas dos insectos..." Mário Quintana
domingo, junho 12, 2005
As mãos
m�os 

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre


Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre
sexta-feira, junho 10, 2005
quinta-feira, junho 09, 2005
Até Já, Camarada!...
Sala de Fumo 

Estatuto Editorial
(...)
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando
(...)
Álvaro de Campos, 15-1-1928
# posted by Andre Bradford @ 5:23:44 PM
Assim começava o blog Sala de Fumo em Outubro de 2004. André B., o homem "com um rio na algibeira!", Benfiquista ferrenho,fechou a Sala de Fumo. Tenho pena. Muita pena. Fica a homenagem com a fotografia do Fumador, roubada do blog! Até à próxima.


Estatuto Editorial
(...)
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando
(...)
Álvaro de Campos, 15-1-1928
# posted by Andre Bradford @ 5:23:44 PM
Assim começava o blog Sala de Fumo em Outubro de 2004. André B., o homem "com um rio na algibeira!", Benfiquista ferrenho,fechou a Sala de Fumo. Tenho pena. Muita pena. Fica a homenagem com a fotografia do Fumador, roubada do blog! Até à próxima.
quarta-feira, junho 08, 2005
Par(a) (ti)da
No princípio havia duas mãos e uns braços muito grandes, muito grandes como dois remos. Depois, tudo diminuiu e a vida passou a ser como um guardanapo de papel branco a imitar decalques ou simples inscrições de sinais de par(a)(ti)da
(Mariana.)
(Mariana.)
terça-feira, junho 07, 2005
Rimas Perfeitas
Não sei mais o que posso dizer da Terra. Dizer da sombra dos ossos molhados no chão e da culpa, como quando somos pequenos e, cá dentro, a culpa é um jardim sem meninos e sem meninas, porque escondidos, com rebuçados nas algibeiras, roubados das cestas das avós, tão novas...Não sei que dizer do vento quando ele chega e rasga e alumia e deixa transparecer mais funda a terra, por debaixo da relva e sujamos os pés, por causa da chuva e entramos em casa e sujamos o chão com as pegadas dos nossos sapatos, nº 28, pegadas pequeninas.
Não sei que dizer das bonecas vestidas de vermelho e azul e branco e amarelo e com os cabelos cortados, à Barbie, penduradas na casa de madeira, construída a propósito de uns anos quando, em casa, ainda havia alguém que usava fraldas e dormia de tarde, para não ficar cansada.
Já me faltam palavras que mais me bastem; que me cheguem para explicar o que é isto de ter a memória revoltada dentro da cabeça e andar por aí a fingir que não vejo o que vejo todos os dias, a todas as horas, a todos os minutos. Vejo. Eu, descendo a Avenida, de mão dada com ele, de lancheira cor de laranja debaixo do braço e, lá dentro uma maçã, talvez, ou uma laranja para comer à tarde, no intervalo, do trabalhinho que, alegremente, desempenhava,por brincadeira, atendendo simpáticos fregueses na papelaria Académica, de onde, todos os anos lectivos, da 1ª à 4ª classe, me chegava simpáticas e giras mochilas, lindos cadernos e canetas de nunca gastar, para eu escrever as minhas rimas, os meus poemas, embaraçados, numa linguagem só minha. Nessa altura Terra era palavra que eu não usava muito ( a não ser para fazer sopa!), mas lembro-me, como se fosse hoje, que avô rimava com Pierrot. e que essa era uma das minhas rimas perfeitas...
Não sei que dizer das bonecas vestidas de vermelho e azul e branco e amarelo e com os cabelos cortados, à Barbie, penduradas na casa de madeira, construída a propósito de uns anos quando, em casa, ainda havia alguém que usava fraldas e dormia de tarde, para não ficar cansada.
Já me faltam palavras que mais me bastem; que me cheguem para explicar o que é isto de ter a memória revoltada dentro da cabeça e andar por aí a fingir que não vejo o que vejo todos os dias, a todas as horas, a todos os minutos. Vejo. Eu, descendo a Avenida, de mão dada com ele, de lancheira cor de laranja debaixo do braço e, lá dentro uma maçã, talvez, ou uma laranja para comer à tarde, no intervalo, do trabalhinho que, alegremente, desempenhava,por brincadeira, atendendo simpáticos fregueses na papelaria Académica, de onde, todos os anos lectivos, da 1ª à 4ª classe, me chegava simpáticas e giras mochilas, lindos cadernos e canetas de nunca gastar, para eu escrever as minhas rimas, os meus poemas, embaraçados, numa linguagem só minha. Nessa altura Terra era palavra que eu não usava muito ( a não ser para fazer sopa!), mas lembro-me, como se fosse hoje, que avô rimava com Pierrot. e que essa era uma das minhas rimas perfeitas...
segunda-feira, junho 06, 2005
Os três mal-amados
Fala do Joaquim:
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
João Cabral de Melo Neto
( postado por mim no Ardemar a 17 de Abril de 2004.)
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
João Cabral de Melo Neto
( postado por mim no Ardemar a 17 de Abril de 2004.)
domingo, junho 05, 2005
sábado, junho 04, 2005
IF
If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too:
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don't deal in lies,
Or being hated don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;
If you can dream - and not make dreams your master;
If you can think - and not make thoughts your aim,
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same:.
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build'em up with worn-out tools;
If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings,
And never breathe a word about your loss:
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"
If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with Kings - nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much:
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And - which is more - you'll be a Man, my son!
Rudyard Kipling
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too:
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don't deal in lies,
Or being hated don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;
If you can dream - and not make dreams your master;
If you can think - and not make thoughts your aim,
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same:.
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build'em up with worn-out tools;
If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings,
And never breathe a word about your loss:
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"
If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with Kings - nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much:
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And - which is more - you'll be a Man, my son!
Rudyard Kipling
sexta-feira, junho 03, 2005
quinta-feira, junho 02, 2005
Nenhum homem é uma ilha
"Nenhum homem é uma ilha, pleno de sí; todo o homem
é uma peça do continente, uma parte do todo;
se uma nuvem é levada pelo mar, a Europa
é menos, tal como se fosse um promontório, tal
como se fosse algum amigo teu ou
familiar teu; a morte de qualquer homem diminue-me,
porque eu estou envolvido na humanidade.
por isso nunca faças por saber por quem
o sino toca; toca por ti."
Tradução "instantânea" do Pedro
De no man is an Island de John Donne
é uma peça do continente, uma parte do todo;
se uma nuvem é levada pelo mar, a Europa
é menos, tal como se fosse um promontório, tal
como se fosse algum amigo teu ou
familiar teu; a morte de qualquer homem diminue-me,
porque eu estou envolvido na humanidade.
por isso nunca faças por saber por quem
o sino toca; toca por ti."
Tradução "instantânea" do Pedro
De no man is an Island de John Donne
Uma estória à Quinta Feira - Os Peixes
Nunca viu o mar mas, no fundo, duvidava da existência dos peixes, que aos Domingos, em casa da tia, comia com batatas a murro.
Não pescava nada dessas coisas do mar e sobre isso, como se fosse muito entendido, mandava postas de pescada.
Era um tipo pequeno, com óculos de aros azuis marinho, que usava sandálias de plástico (da marca Colibri) e camisas polo amarelas, verdes e vermelhas, -“como a bandeira”, dizia orgulhoso. Lia tudo o que fosse teoria das coisas da vida, porque “é preciso estar preparado para ela”, dizia, convicto. “Folhetos, boletins, panfletos, pesco tudo!”, afirmava.
Aos Domingos, vestia o fato treino brilhante e corria descontraído pela rua, entre os carros e as pessoas, que o sabiam, importante. “Sou o maior. Esforçado”, relatava, com pouco sucesso, aos Domingos à tarde no café, enquanto os presentes, assistiam ao jogo de futebol.
Era um tipo são. Nunca viu o mar mas comia peixe. Julgava que o peixe nascia da terra, como as batatas. E, no mar, no fundo do mar, só havia lugar para as estrelas. “É para lá que elas vão… – dizia, acrescentando, um dia, eu também vou. No fundo, eu sou de lá. Quais peixes, qual carapuça! Eu é que sou um grande Peixão”
Não pescava nada dessas coisas do mar e sobre isso, como se fosse muito entendido, mandava postas de pescada.
Era um tipo pequeno, com óculos de aros azuis marinho, que usava sandálias de plástico (da marca Colibri) e camisas polo amarelas, verdes e vermelhas, -“como a bandeira”, dizia orgulhoso. Lia tudo o que fosse teoria das coisas da vida, porque “é preciso estar preparado para ela”, dizia, convicto. “Folhetos, boletins, panfletos, pesco tudo!”, afirmava.
Aos Domingos, vestia o fato treino brilhante e corria descontraído pela rua, entre os carros e as pessoas, que o sabiam, importante. “Sou o maior. Esforçado”, relatava, com pouco sucesso, aos Domingos à tarde no café, enquanto os presentes, assistiam ao jogo de futebol.
Era um tipo são. Nunca viu o mar mas comia peixe. Julgava que o peixe nascia da terra, como as batatas. E, no mar, no fundo do mar, só havia lugar para as estrelas. “É para lá que elas vão… – dizia, acrescentando, um dia, eu também vou. No fundo, eu sou de lá. Quais peixes, qual carapuça! Eu é que sou um grande Peixão”
No man is an Island
No man is an island entire of itself; every man
is a piece of the continent, a part of the main;
if a clowd be washed away by the sea, Europe
is the less, as well as if a promontory were, as
well as any manner of thy friends or of thine
own were; any man's death diminishes me,
because I am involved in mankind.
And therefore never send to know for whom
the bell tolls; it tolls for thee.
Old English Version
No man is an Island, intire of itselfe; every man
is a peece of the Continent, a part of the maine;
if a Clowd bee washed away by the Sea, Europe
is the less, as well as if a Promontorie were, as
well as if a Manor of thy friends or of thine
owne were; any mans death diminishes me,
because I am involved in Mankinde;
And therefore never send to know for whom
the bell tolls; It tolls for thee.
MEDITATION XVII
Devotions upon Emergent Occasions
John Donne
is a piece of the continent, a part of the main;
if a clowd be washed away by the sea, Europe
is the less, as well as if a promontory were, as
well as any manner of thy friends or of thine
own were; any man's death diminishes me,
because I am involved in mankind.
And therefore never send to know for whom
the bell tolls; it tolls for thee.
Old English Version
No man is an Island, intire of itselfe; every man
is a peece of the Continent, a part of the maine;
if a Clowd bee washed away by the Sea, Europe
is the less, as well as if a Promontorie were, as
well as if a Manor of thy friends or of thine
owne were; any mans death diminishes me,
because I am involved in Mankinde;
And therefore never send to know for whom
the bell tolls; It tolls for thee.
MEDITATION XVII
Devotions upon Emergent Occasions
John Donne
quarta-feira, junho 01, 2005
Dia Mundial da Criança
Quer ver a foca
Ficar feliz?
É por uma bola
No seu nariz.
Quer ver a foca
Bater palminha?
É dar a ela
Uma sardinha.
Quer ver a foca
Comprar uma briga?
É espetar ela
Na barriga!
Lá vai a foca
Toda arrumada
Dançar no circo
Pra garotada.
Lá vai a foca
Subindo a escada
Depois descendo
Desengonçada.
Quanto trabalha
A coitadinha
Pra garantir
Sua sardinha.
A Foca, Vinicius de Moraes
Ficar feliz?
É por uma bola
No seu nariz.
Quer ver a foca
Bater palminha?
É dar a ela
Uma sardinha.
Quer ver a foca
Comprar uma briga?
É espetar ela
Na barriga!
Lá vai a foca
Toda arrumada
Dançar no circo
Pra garotada.
Lá vai a foca
Subindo a escada
Depois descendo
Desengonçada.
Quanto trabalha
A coitadinha
Pra garantir
Sua sardinha.
A Foca, Vinicius de Moraes
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