terça-feira, outubro 30, 2012

País de "quenhés"

Li no Domingo umas declarações de Maria de Lurdes Rodrigues, a propósito da conferência “Portugal e o Holocausto – Aprender com o Passado, Ensinar para o futuro” nas quais defende que não se deve ceder “à tentação de transformar estas questões em matérias curriculares” e que elas (as questões) “devem ser tratadas no espaço de desenvolvimento de cidadania ou de projectos”. Ora, as declarações não me chocam. É “muito portuguesinho” essa tentação de menosprezar o que não nos diz tão directamente respeito e, em vez de se ensinar nas nossas escolas o que foi o Holocausto (quando até há quem defenda o risco de haver um 2º) se opte por insistir em ensinar “Os Lusíadas”, “A farsa de Inês Pereira” ou, por exemplo, “A Mensagem”. Sem querer ofender ninguém e tentando desenvolver um raciocínio a propósito, digam-me se não acham que se nos tivessem ensinado desde o início (como bem ironizou António Lobo Antunes em “As Naus”) que D. Sebastião, pelo qual há portugueses que ainda desesperam, não passava de um jovem loiro e mimado, coberto de pulseiras de cobre e latão, com os dedos a sair pelas sandálias gastas, tudo, em nós, era hoje muito mais fácil de entender neste país de “quenhés” (quem és)? Claro que era! Os jovens e as crianças portuguesas estudam Afonso Henriques. Para a maior parte deles e delas, essa figura é quase uma espécie de actor de filme de espadas de Domingo à tarde ou personagem de jogo de computador. Os jovens e as crianças portuguesas são obrigados em vários níveis de ensino a estudar “Os Lusíadas”, a saber as personagens, a perceber o fanatismo disso de ser português contado em verso por alguém cuja característica mais curiosa, para eles, é ter um olho tapado. Os jovens e as crianças portuguesas são obrigados a ler de “fio a pavio” a “Mensagem” de Fernando Pessoa sem nunca terem conhecido o Portugal futuro que essas páginas inspiram. E não devem estudar o Holocausto como matéria curricular? Não pode ser. Muito menos pode ser por ser, como também diz a notícia, citando a Presidente da Associação dos Professores de História, “um tema difícil de ensinar”. Em que é que o Holocausto é mais ou menos difícil de ensinar a uma criança ou a um jovem português do que a invasão da Península Ibérica pelos mouros? Até me parece – que infelizmente – face ao mundo em que vivemos o Holocausto é mais fácil de ensinar ou de explicar do que os gloriosos feitos dos heróis das ilhas dos amores, portugueses da cabeça aos pés... A maior parte das crianças que ouve essas histórias, habituada que está a ouvir os pais em casa a falar dos seus problemas, ou a senti-los mesmo, há-de desejar ver porta dentro “El-Rei D. João II” para resolver tudo o que corre mal, "mestre D´Avis" ou a "Amália"! Neste “país de quenhés” afogado à beira-mar com os portugueses cada vez mais arruinados, dos mais jovens aos mais velhos, alimentando uma cáfila de políticos sem preparação que arruínam, passo a passo, o “Estado Social” não é o Holocausto, transformado em cartaz de cartolina para pregar no fundo da sala, com imagens de Auschwitz que vai trazer às nossas crianças a melhor das lições sobre o assunto... As crianças e os jovens deste país precisam de perceber que depois de Camões escrever “Os Lusíadas”, ou Fernando Pessoa “A Mensagem”, houve Alexandre O´Neill que escreveu “O Queixobiqueira” e houve Hitler, que não sendo escritor, mandou escrever nos campos de concentração “Arbeit macht frei”. Talvez assim, quando forem crescendo, possam perceber melhor o que quis dizer Vítor Gaspar, quando dirigindo-se aos pais, tios, avós e irmãos mais velhos deles, num dia de Outubro de 2012, disse “Há um enorme desvio entre o que portugueses querem do Estado e o que estão dispostos a pagar”… Quase gritou um “Arbeit macht frei” à portuguesa num outro tempo, que a história há-de vir a relembrar e a contar, facto a facto, para ninguém se esquecer. Ou duvidar. Serenamente, Açoriano Oriental, 30 de Outubro de 2012

domingo, outubro 28, 2012

Já para 2013



Passado o período eleitoral, das análises políticas aos resultados e a especulação habitual sobre o novo executivo regional, o que mais me espantou, foi o facto de pouco ou nada ter assistido à discussão nos órgãos de comunicação social sobre as prioridades de ação para a economia regional.

Todas as futuras políticas do novo Governo Regional devem ter um único objetivo: propiciar a criação de emprego.

Apesar de os Governos não estarem vocacionados para criar emprego, a sua ação na conjuntura e na estrutura da economia açoriana pode minorar e proteger as nossas famílias e empresas dos efeitos mais negativos da austeridade nacional.

Ter umas finanças públicas equilibradas já é uma ajuda à economia, sobretudo, em termos relativos com as economias do Continente e da Madeira, pois não é o Estado a puxar para baixo a atividade económica, mas temos de ter a noção que este objetivo, “per si”, não cria riqueza diretamente.

Para se perceber bem do que falamos, basta verificar que a banca retirou à economia açoriana, em termos de financiamento anual, sensivelmente o mesmo valor do plano de investimentos do Governo dos Açores. Na prática, em vez de termos dois efeitos multiplicadores que se somam e que se complementam na economia açoriana, hoje, estes praticamente se anulam.

Assim, todo o cêntimo público investido e legislação produzida têm de ser aproveitados ao máximo em áreas chave da economia regional, tendo em conta a emergência que vivem estes setores e as necessidades de ajustamento estrutural de que necessita a economia açoriana.

No caso do turismo, todo o trabalho que tem vindo a ser realizado é meritório, é estrutural e deve ser continuado, sobretudo, ao nível da valorização do tipo de “produto” que vendemos e da diversificação dos mercados emissores de fluxos turísticos. Mas face ao “esmagamento” do mercado continental com a austeridade a que o país está sujeito, temos de ter a noção que, nos próximos dois anos, nem com passagens de graça conseguiremos aumentar os turistas continentais.

A curto prazo, a “redução de danos” para este setor passa pela redução de custos e pelo aumento da eficiência das unidades hoteleiras existentes, por forma a aumentar a sua competitividade, bem como, pela entrada no nosso mercado de novos investidores nacionais e internacionais com capacidade de “per si” para trazerem mais fluxos turísticos estrangeiros.

O fomento da parte do executivo destas estratégias de conjuntura, aliadas ao trabalho que tem vindo a ser realizado e que deve ser continuado, podem permitir a este setor aguentar esta turbulência com menos dificuldades.

A restrição do crédito bancário às empresas regionais, associado à diminuição do consumo interno fruto da austeridade nacional, são os maiores problemas que atravessamos e que devemos combater.

Mas não devemos ter ilusões que a resolução destes problemas não passa, somente, pela ação do Governo dos Açores. Precisaríamos de, pelo menos, duplicar o nosso plano de investimentos só para tentar substituir o efeito da banca na nossa economia.

Aqui, para sermos eficientes, devemos optar por utilizar os recursos públicos disponíveis, na manutenção dos atuais programas de linhas de crédito às empresas, criando ainda um conjunto de linhas de crédito reforçadas, sustentadas pelo próprio Governo, direcionadas às PME que produzam bens transacionáveis.

Por outro lado, o Governo dos Açores, na medida das suas possibilidades, deve manter e aumentar as medidas de apoio às famílias por forma a desacelerar a queda do consumo interno.

Por último, o executivo deve agir rapidamente no setor da construção civil, apresentando, conforme prometido, a Carta de Obras Públicas para os próximos quatro anos, por forma a fomentar fusões e parcerias no setor e verificar a possibilidade orçamental de arrancar com um programa de reabilitação habitacional, em parceria com os Municípios. Este programa permite, por um lado, reabilitar os nossos centros de freguesias, vilas e cidades, travando assim a ocupação de novos solos, úteis para outros setores e, por outro lado, permite aumentar a riqueza de pequenas empresas de construção civil e diminuir o desemprego nesta área.

O ano de 2013 será provavelmente o pior ano da crise que estamos a viver, o que nos deve obrigar a tomar medidas de emergência e opções para proteger as nossas famílias e empresas da irresponsabilidade nacional.

Aqui está o meu contributo...

terça-feira, julho 17, 2012

Cidadela

Chama-se “Cidadela” e o seu autor é Saint-Exupéry, conhecido escritor, entre nós, por ser o autor de “O Pequeno Príncipe”. “Cidadela” tem prefácio e tradução de Ruy Belo, situa-se entre o romance e o ensaio filosófico e é a história da vida de um Homem, autêntico e sincero em busca das respostas possíveis entre os limites próprios e os limites dos outros e das coisas. É também um livro sobre as cidades e os impérios que construímos dentro de nós: sobre o sofrimento e sobre a alegria, sobre o egoísmo, sobre a colaboração, sobre o amor e sobre o ciúme, sobre escrever: “Quando tu escreves ao homem, carregas um navio. Mas bem poucos navios chegam ao porto. (…); é também sobre o crescimento, sobre a morte e sobre a vida, sobre o poema e sobre a religião. É sobre o Homem e as suas coisas, na sua relação (às vezes) quase parental com os lugares comuns e as pessoas inenarráveis. E esta sugestão de leitura vem a propósito dos tempos que vivemos. Um tempo de pessoas zangadas e revoltadas que não encontram nos políticos a resposta para os seus problemas… Um tempo de escândalos diários, que acontecem, enquanto, quase como noutra dimensão, existem pessoas com problemas reais, de vidas reais, às quais nem sempre se tem dado a atenção devida. Basta ligar a televisão para ver: Da Madeira, Alberto João Jardim “pede” ética na política. (O cidadão só pode rir ou chorar diante de tal “pedido angélico”). O Primeiro – Ministro Pedro Passos Coelho orgulha-se de ter ido além do memorando da troika, mas notícias recentes dizem que o risco de Portugal falhar o défice aumentou. O país está transformado num enredo luxuoso, cerzido por escândalos mediáticos, que tentam silenciar notícias como aquela do tribunal constitucional ter considerado inconstitucionais a suspensão dos subsídios de férias e de natal para os funcionários públicos e pensionistas. (Nem isto motivou uma aparição de Cavaco Silva para discursar aos portugueses!) Já não somos um país de levar a sério. Já deixamos de esperar por D. Sebastião. Ele que agora está reduzido à condição de relíquia, qual Zé Povinho que faz a este país manguitos de louça. Amália calou-se. Eusébio é uma estrela mais apagada. Resta-nos Fátima. Vivemos encarquilhados dentro de nós próprios, cheios de ideias nas caixas de comentários das redes sociais, mas cá fora, a assistir ao definhar de um país que já nem pode ser “o que o mar não quer” (Ruy Belo, “Morte ao Meio-Dia”). Portugal é hoje outra coisa. Uma espécie de pano a fazer de vela, uma espécie de terra a fazer de pátria; uma espécie de canudo a fazer de lente, uma espécie de coisa nenhuma. Cobertos de poeira, vendidos aos alemães, já nem nos salvam as glórias das caravelas. Camões que obrigamos as nossas criancinhas a ler e a estudar na escola está desactualizado. Que é deles? Dos Fortes e destemidos? Estão a tirar licenciaturas de um dia na Universidade Lusófona. Fernão Mendes Pinto não diz nada às crianças deste país e Fernando Pessoa com a “Mensagem” não lhes diz coisa nenhuma. (Que dizer aos nossos filhos sobre este nosso país?) Escreveu Saint-Exúpery em “Cidadela”: “(…) aqueles que ouvem subtilmente os poemas alheios sem escreverem os poemas próprios, aproveitam-se do oásis sem o vivificarem, consomem cânticos que lhes fornecem, e fazem lembrar os que se apegam às manjedouras no estábulo e, reduzidos ao papel de gado, mostram-se prontos para a escravatura.” Haja então quem resista ao papel de ter que ser aquilo que nunca foi: escravo. E arrisque a escrever epopeias próprias por este país…

segunda-feira, julho 16, 2012

Descubra as diferenças

Vasco Cordeiro em audiência com Cavaco Silva
Berta Cabral em audiência com Cavaco Silva
Uma imagem vale mais que mil palavras

terça-feira, maio 01, 2012

De que tem medo o PSD/Açores?

No início de Março, a presidente do PSD/Açores afirmava que o PSD açoriano pretendia lutar pela maioria absoluta. Dizia, então, que “o objectivo eleitoral do PSD/Açores é ganhar as eleições e formar governo com apoio maioritário.” Passadas umas parcas semanas já admitiu que o “PSD está disponível para constituir governo com coligação ou acordos pós-eleitorais”. O PSD/A parece aquelas equipas que, antes do campeonato, dizem-se preparadas para serem campeões, que a meio da competição já estão a lutar pelos lugares do meio da tabela, e que depois acabam a tentar fugir da descida de divisão... De que tem medo (afinal) o PSD/Açores? À margem dos trabalhos parlamentares do “Plenário Jovem”, o líder do grupo parlamentar do PSD convocou os jornalistas para falar sobre “Desemprego”. No final das contas não falou de nada disso, tendo aproveitado o momento para (mais uma vez) criticar o PS e o candidato do PS. Foi um mau exemplo (péssimo mesmo) que deu aos jovens deputados por um dia, que precisamente naquele momento, na sala do plenário ali ao lado, debatiam como “gente grande” o tema: "Desafios do mercado de trabalho". A presidente do PSD/A já disse que sairá da Câmara Municipal de Ponta Delgada depois das Festas do Divino Espírito Santo. Não disse, mas sairá (?) também depois do I Congresso Local de Solidariedade Social em que a Câmara Municipal de Ponta Delgada é parceira da ARDE na organização; que sairá também depois da Grande Mostra de Cultura Popular de Ponta Delgada, que se realiza no Coliseu Micaelense, com o apoio da ARDE… Não disse, porém, se sairá antes ou depois da RTP/Açores ser reduzida a “janela”? Disse sobre o assunto RTP/A que “vamos aguardar o que é que se vai passar, porque eu também às vezes não sei bem, fala-se muita coisa e eu não sei bem o que é que já está determinado, se é que já está alguma coisa determinada. Vamos aguardar. (…)”. Teria sido uma bela oportunidade para que a candidata do PSD juntasse a sua voz à de Vasco Cordeiro, apelando ao Governo da República para que faça um compasso de espera e atenda à realidade social e cultural dos Açores, assim como à importância que a RTP/Açores tem para a nossa Autonomia. Mas não. Nesta, como em todas as outras matérias, quando toca ao Governo da República, a candidata do PSD/Açores não assume, antes aguarda, espera, hesita, não desafia e promete substituir-se ao próprio Governo da República. A 18 de Abril deste ano a “Google” prestou homenagem com logótipo personalizado ao poeta açoriano Antero de Quental, assinalando os 170 anos do seu nascimento. Antero de Quental suicidou-se em 1891, em Ponta Delgada, deixando o seu nome inscrito na Poesia e Cultura portuguesas. Com o aproximar das Festas do Senhor Santo Cristo lá estão (mais uma vez) as barraquinhas a tapar o banco onde se matou o poeta e a âncora com a palavra “esperança” inscrita. Não era já tempo da Câmara Municipal de Ponta Delgada ter protegido aquele local? Era. Seria (até) um belíssimo projeto para a ARDE executar em parceria com a autarquia de Ponta Delgada. Uma “plaquinha” assinalando o local (bilingue de preferência); umas cordinhas para o proteger, inauguração antes de Julho, com fotografia aos presidentes da ARDE e – claro – da Câmara Municipal… O Governo dos Açores já fez a sua parte: criou o “Roteiro Cultural Antero de Quental”, permitindo assim convidar os locais e visitantes a fazerem parte da história desta cidade, vivendo-a. Um povo sem história (sabemos todos) é um povo sem memória. E Antero de Quental merece maior respeito do poder municipal…

sexta-feira, abril 27, 2012

Qual foi a parte que escapou à Dra. Berta Cabral?

"Com as quatro horas nós não concordamos com esse figurino mas vamos aguardar o que é que se vai passar, porque eu também às vezes não sei bem, fala-se muita coisa e eu não sei bem o que é que já está determinado, se é que já está alguma coisa determinada. Vamos aguardar." Berta Cabral, Telejornal RTP/Açores a 26 de Abril de 2012

domingo, abril 22, 2012

Este “novo” país do PSD e do CDS/PP


Muitos se interrogam se os sacrifícios que nos estão a ser pedidos pelo Governo da República poderão evitar que o país entre em colapso financeiro e social.
A solução de austeridade defendida e aplicada, sem dó nem piedade, à classe média portuguesa, parte de um princípio que, infelizmente, ninguém se atreve a contestar: de que os portugueses viveram acima das suas possibilidades durante muitos anos.
Este princípio populista defendido de uma forma quase dogmática pela nossa pseudoelite de direita, tem um efeito perverso sobre a nossa sociedade, de divisão, de colocar parte de uma população a culpar e a ansiar por punição a uma outra parte da população.
Esta afirmação que se generalizou e que se instalou, como se de um sentimento de culpa se tratasse, inclusive em alguns segmentos da esquerda mais moderada, não nos tem permitido, com racionalidade, analisar as causas da nossa situação económica, o estado do nosso modelo de sociedade e a viabilidade do nosso futuro.
Neste momento não é “bem-aceite”, em Portugal, uma discussão séria sobre este assunto, há quase sempre radicalismo, os que estão contra as medidas de austeridade e os que são a favor. Ao invés da moderação, impera o jogo político dos que culpam o Governo anterior e dos que culpam a situação internacional.
Poucos abordam o problema de frente, de uma forma imparcial e séria, sem propósitos eleitoralistas, sem assumir que vivemos em 2008, provavelmente, a maior crise financeira e económica internacional das nossas vidas e que este facto prejudicou fortemente os tecidos económicos dos países com economias mais débeis, obrigando todos os Estados a cometerem o erro de aumentarem de uma forma exponencial a despesa pública, como forma de fomentarem o crescimento económico, sem regularem os mercados financeiros e sem terem em atenção ao consequente aumento das importações de bens, de serviços e de capital.
Não foi dito com clareza por ninguém com responsabilidades, quem é que verdadeiramente viveu acima das suas possibilidades,se o Estado, na sua componente de investimento para fomento do crescimento, se o Estado, na sua componente de fornecimento de serviços e de promoção da igualdade, se o Estado, na gestão das empresas públicas, que prestam serviços essenciais à população, se as instituições financeiras na promoção do crédito fácil, se as empresas ao exagerarem na sua alavancagem ou se as famílias, na sua luta por um nível de vida melhor.
Não se discute, se o problema está na gestão do Estado ou na função que este exerce na sociedade, como promotor da igualdade de oportunidades, do crescimento económico e da solidariedade.
Vivemos o tempo em que os direitos são privilégios, em que a descriminação positiva e a solidariedade do Estado é delito, pertencer à classe média é um estado momentâneo com derivada negativa, ser funcionário público é ser criminoso e ainda por cima, preguiçoso e a caridade é propagandeada, de uma forma que me cria repulsa, como se fosse digno ver infortunados a quem são servidos, com o nosso mais alto patrocínio, restos de comida “deixados” pelos ricos restaurantes da capital.
A receita da austeridade imposta a todo o país, incluído Regiões Autónomas, é para o Governo da República, inquestionável, mesmo que não seja necessária, quando se tratam de direitos, mesmo que nada dê certo, na contenção da despesa pública, na obtenção de receitas, no desemprego, nas falências, na criminalidade e até algumas instituições internacionais dão como certo um segundo resgate financeiro antes do final do ano.
Destroem-se serviços de saúde de referência, sem proveito para os utentes, cortam-se nos direitos às reformas antecipadas, dissimuladamente, aumentando assim os encargos futuros da Segurança Social, violam-se acordos com sindicatos, apenas para conseguir mais uma vitória sobre os direitos de quem trabalha e tornamos a escola pública elitista, desde os 9 anos de idade, para que não haja mistura nem de classes, nem de capacidades.
Em nome de quê aceitamos sem discutir este “novo” país do PSD e do CDS/PP?
Onde está o sucesso da austeridade social, económica e ideológica, que até o FMI agora contesta?

Respeito pelos Açorianos!



Vasco Cordeiro, numa decisão pessoal, decidiu deixar o cargo de Secretário Regional da Economia, a seis meses das eleições para a Assembleia Legislativa Regional dos Açores. Não era obrigado a isso, mas optou pelo caminho da ética e da clareza. Nenhum Açoriano ficará com suspeições sobre o seu comportamento político até às eleições, o que constitui uma condição de transparência de grande relevância que mostra bem a ética do candidato do PS/Açores.

No anúncio público da sua decisão, Vasco Cordeiro realçou o seguinte: "A questão coloca-se no âmbito dos valores da Responsabilidade, da Verdade e da Confiança pelos quais sempre procurei conduzir a minha atividade política e que norteiam a minha candidatura a Presidente do Governo". Em poucas palavras, Vasco Cordeiro deu uma prova de grande respeito pelos Açorianos. É disso que deve ser feita uma campanha eleitoral.

"A maior apoiante de Passos Coelho"



O passado fim-de-semana foi bem sintomático do que vai estar em causa nas eleições de Outubro, com Berta Cabral, mais uma vez, orgulhosamente ao lado de Passos Coelho no Congresso do PSD/Açores.

Berta Cabral é, atualmente, a maior apoiante de Passos Coelho, o Primeiro-Ministro que até já aprova medidas nas costas dos portugueses, pela calada, como é o caso da decisão de acabar com as reformas antecipadas que prejudica milhares de pessoas.

A Presidente do PSD/Açores utiliza todas as oportunidades que dispõe para aparecer, vaidosa e sorridente, ao lado de Pedro Passos Coelho, que está a atirar milhares de portugueses para a desproteção social, a destruir empresas, a sufocar a economia, através de cortes em apoios e em direitos que nem a própria troika se atreveu a tocar.

Em boa verdade, Berta Cabral poderia manter a sua fidelidade ao líder nacional do PSD, mas a questão é que o faz por gosto e orgulho, o que já não é de agora. Em Maio de 2011, Berta Cabral afirmava que “Pedro Passos Coelho é o primeiro-ministro que Portugal precisa e que os Açores merecem”. Desde então, não mostrou qualquer sinal de arrependimento por estas afirmações que são, diariamente, desmentidas pelos factos e pelas duríssimas medidas que a tornar muito mais dura a vida dos Açorianos.

Assim sendo, fica claro que, nas próximas eleições, a escolha vai recair entre Berta Cabral, que acha que está certo o que Pedro Passos Coelho está a fazer ao país e aos Açorianos, e Vasco Cordeiro e Carlos César, que já demonstraram que defendem os Açores, que tomam medidas de proteção das famílias e de apoio às empresas.

Esta é a base dos dois projetos políticos que serão sufragados em Outubro pelos Açorianos. Numa altura em que as famílias e as empresas mais precisam de apoio, não será, com certeza, avisado escolher quem apoia mais austeridade e que, acima de tudo, mostra orgulho nesta estratégia.

PSD: Partido Sem Decoro



Sempre foi claro que o PSD/Açores iria aplicar, na Região, a estratégia de campanha de Passos Coelho contra José Sócrates: "a governação socialista desgraçou as finanças públicas e, consequentemente, a economia".
Os estrategas do PSD/Açores estavam convencidos que seria uma estratégia infalível. Esqueceram-se, porém, que, nos Açores, a situação das finanças públicas regionais era totalmente diferente da nacional, onde, durante várias décadas, se foram deteriorando.
Nos Açores, apesar das inúmeras dificuldades em que vivemos, sobretudo, devido à escassez do crédito bancário, a boa gestão das nossas finanças públicas é validada, reconhecida e elogiada por um conjunto de instituições como o Instituto Nacional de Estatística, Governo da República, Comissão Europeia, Eurostat, a Missão da Troika em Portugal e, mais recentemente, pelo próprio Presidente da República.
Pelo contrário, esta táctica politiqueira do PSD, de a torto e a direito, tentar demonstrar que a nossa terra está à beira da ruína financeira, começa a parecer uma brincadeira de mau gosto, que, aparentemente, já incomoda a Secção Regional dos Açores do Tribunal de Contas, alguns dirigentes nacionais do PSD, membros do Governo da República e muitos empresários açorianos.
Para quem dúvidas tivesse do incómodo do Tribunal de Contas sobre a possibilidade de estar a ser instrumentalizado politicamente, bastaria observar o pronto desmentido do seu responsável máximo nos Açores ao Deputado do PSD, António Marinho, que tentava colar este órgão às contas de responsabilidades futuras da Região, de 3.300 milhões de euros inventadas pelo PSD: "Estas contas são suas, o Tribunal de Contas não apresenta nos seus relatórios o valor que refere!"
Aliás, nesta mesma audição parlamentar, a Secção Regional dos Açores do Tribunal de Contas acaba por reconhecer que os valores apresentados pelo Governo dos Açores sobre o custo das SCUT e do Hospital de Angra do Heroísmo não estão errados, embaraçando, involuntariamente, mais uma vez, o Partido Social Democrata.
Esta política do "vale-tudo" contra o Governo dos Açores, acaba também por criar constrangimentos ao Governo da República e ao próprio PSD nacional, pois, numa altura em que se quer distanciar da possibilidade de um segundo resgate a Portugal, a última coisa que necessita é que se levantem dúvidas sobre a veracidade das contas públicas nacionais, onde se incluem obviamente as contas da Região Autónoma dos Açores.
Só quem não conhece minimamente o funcionamento da economia regional é que pode afirmar que este tipo de afirmações irresponsáveis e mentirosas do PSD sobre o estado das contas públicas açorianas não afecta a actividade das empresas.
As empresas regionais já se debatem com inúmeras dificuldades em obter financiamento bancário e em conseguirem boas condições de pagamento aos seus fornecedores, devido à situação de falência em que o país se encontra e devido à má fama que o caos financeiro da Madeira trouxe às Regiões Autónomas, sendo que boatos como estes apenas contribuem negativamente para o normal funcionamento da nossa economia.
Assim, verificamos que as afirmações de Berta Cabral e do seu concorrente interno, Duarte Freitas, a dizer que os Açores precisam de um plano de resgate imediato não são apenas conversas de campanha eleitoral para convencer os eleitores menos atentos, são actos reflectidos e preparados com consequências que vão para além do governo socialista que tanto odeiam.
Numa altura em que o país está a sob observação atenta de instituições internacionais e dos seus credores, estas acções prejudicam o bom nome do país e sobretudo a economia  da nossa terra.
A irresponsabilidade tem limites!
Em política não vale tudo!

Os Açorianos merecem mais!



É normal em democracia um partido político levar ao Parlamento, um determinado tema ou assunto da responsabilidade do Governo, para sabermos mais concretamente os resultados da condução de uma determinada política pública, bem como, das alternativas propostas pela oposição parlamentar para este mesmo tema.
É esse o papel que cabe a um Parlamento:
Ser o centro da fiscalização da atividade do Governo;
Ser o centro da representação das vontades e das necessidades das populações;
E ser o centro de debate de ideias e de diferentes pontos de vista.
Espero de qualquer partido com representação parlamentar, uma crítica feroz e construtiva à atuação do Governo como também espero, perceber, destes mesmo partidos, o que pensam e propõem sobre os assuntos que são levados à discussão.
Na passada semana, o PSD propôs uma interpelação ao Secretário Regional da Economia sobre turismo, onde fez exatamente o contrário que se espera do maior partido da oposição.
Tentou criar um triste espetáculo de ataque ao Secretário Regional da Economia, Vasco Cordeiro, que é também candidato a Presidente do Governo dos Açores pelo Partido Socialista, acusando-o de ser responsável pela queda dos números do turismo, pelo custo dos transportes aéreos e pelas dificuldades das empresas.
Estas acusações foram realizadas de forma gratuita e em alguns casos, de forma falsa, por um partido que não consegue lidar com o seu passado de falhanço na implementação do turismo na nossa terra.
Um partido, desorientado, que acusou o Governo, em 2009, de ter reduzido as verbas da promoção turística da Região e que hoje considera que o dinheiro gasto nesta mesma promoção é excessivo.
Um partido que acha anormal, que, quando o país está falido, cheio de medidas de austeridade, sem saber o seu destino próximo, que os continentais reduzam as suas férias, nomeadamente para os Açores.
Um partido que ignora propositadamente o trabalho feito pelo Governo em trazer turistas estrangeiros para os Açores, com taxas de crescimento que em certos meses ultrapassam os 80%, com o objectivo de compensar a quebra nos turistas nacionais. Felizmente este objetivo foi conseguido, as dormidas estabilizaram em -0,1%, atingindo os turistas estrangeiros, pela primeira vez, o nível histórico de mais de 50% das nossas dormidas no ano de 2011.
Um partido que até há pouco tempo não conhecia nos Açores, porque os ignorou durante vinte anos, conceitos como o turismo de experiência: whalewatching, mergulho com tubarões, mergulho subaquático, pedestrianismo, birdwhaching, o surf, a espeleologia, os vulcões, etc..
E um partido que as únicas propostas que apresentou para solucionar os problemas que atravessamos é a criação de mais um conselho consultivo para discutir turismo ou de um programa de apoio aos transportes aéreos copiado de uma proposta do Governo Regional.
Para o Partido Social Democrata, a aposta na tática política mais básica, foi o seu principal objetivo: enquanto o seu grupo parlamentar atacava o candidato do PS no Parlamento, Berta Cabral arranjava, à pressa, uma inauguração de um parque de campismo, enquanto presidente de câmara, para tentar demonstrar que no seu município tinha trabalho feito na área do turismo.
Mas a tática em política, como em tudo na vida, nada vale sem substância e neste caso propositura séria sobre a matéria em discussão.
E como seria importante nos momentos difíceis que atravessamos, termos o contributo do maior partido da oposição, que, infelizmente, tudo critica e pouco ou nada propõe.
Os açorianos merecem mais!

“Um Projeto de Sociedade”



Em 1996, o Partido Socialista dos Açores ganhou as eleições Regionais porque teve a capacidade de apresentar um projeto de mudança profunda na sociedade açoriana.
Era um projeto conjunto do Partido Socialista com a Sociedade Civil, que prometia, o fim do domínio partidário nos empregos e na economia, uma abertura da economia ao investimento privado interno e externo, a criação de um mercado interno através da melhoria das acessibilidades, a aposta na modernização dos sectores tradicionais exportadores, como sejam, a agricultura e as pescas, a criação de infraestruturas e de apoios específicos, em todo o arquipélago, por forma a tentar proporcionar, à partida, uma igualdade de oportunidades a todos os açorianos, quer estes vivam nas Flores ou em São Miguel, assumir o turismo como o terceiro pilar exportador da economia açoriana e proporcionar um Estado Social universal, que fuja da conceção da caridade, que evite a exclusão e promova a recuperação e reintegração do indivíduo de uma forma plena na sociedade em que vive.
Ninguém no seu perfeito juízo pode dizer que este projeto falhou. Tal como ninguém no seu perfeito juízo pode dizer que todos os objetivos traçados então, estão plenamente concretizados. O objetivo da promoção da igualdade de oportunidades não é concretizável num determinado momento, como seja a construção de um edifício que tem um término específico. Tal como um Estado Social universal é um objetivo qualitativo e não quantitativo.
Mas mesmo os Velhos do Restelo de então, que criticavam este projeto e que, curiosamente, são exatamente os mesmos que o criticam hoje, reconhecem à “boca pequena” que tivemos sucesso, que se deram largos passos para a concretização dos nossos objetivos e que hoje os Açores são uma Região muito diferente, para melhor, do que eram em 1996.
Mas estes dividendos serão suficientes para a afirmação de um novo projeto político do Partido Socialista, protagonizado por Vasco Cordeiro?
Não! Vasco Cordeiro, com a sua equipa, desde cedo percebeu que precisávamos de ir mais além, de melhorar objetivos antigos (que continuam atuais), como também preparar a nossa terra para os novos desafios que o presente e o futuro nos trazem.
Vasco Cordeiro percebeu que o ciclo da infraestruturação dos Açores está perto do fim e que nesta área, devemos, sobretudo, incidir a ação dos poderes públicos em investimentos que gerem retorno à economia, como sejam portos, aeroportos (melhoria das acessibilidades) e equipamentos de apoio às empresas.
Vasco Cordeiro percebeu, que a aposta nas empresas que produzem bens transacionáveis (para exportação e substituição de importações) deve ser feita sobretudo em áreas onde podemos competir pela ausência de concorrente direto ou em outras áreas onde a qualidade dos nossos produtos se evidenciem, passando pelos sectores tradicionais como a agricultura ou em sectores mais alternativos na área do conhecimento.
Vasco Cordeiro percebeu que num Governo liderado por si, a principal prioridade deve ir para a criação de emprego e a qualificação adequada dos seus ativos.
Vasco Cordeiro e o PS assumiram desde cedo, que o futuro dos Açores não pode passar ao lado do seu maior recurso: o Mar!
Vasco Cordeiro percebeu que um partido fechado sobre si, envelhecido, não conhece a realidade onde vive e ignora os problemas das pessoas. Não é possível ter sucesso quando os principais responsáveis de um partido, como acontece com o PSD, são políticos a tempo inteiro há mais de 20 ou 30 anos. Como também não é possível protagonizar um projeto de governo para as pessoas onde todos os protagonistas sejam inexperientes.
É importante apresentar uma equipa e um projeto credíveis para os Açores, com um misto de experiência, com juventude qualificada, aberta à sociedade civil em todas as áreas.
Enquanto o PSD e a sua líder se preocupavam com questões partidárias internas, há muito já resolvidas no Partido Socialista, Vasco Cordeiro recebia, para já, o apoio e o contributo de mais de 1000 independentes.
Empresários dos sectores tradicionais e da inovação, a maior parte dos agentes do sector turístico do Açores, artistas, professores universitários e do secundário, trabalhadores e dirigentes de IPSS´s, médicos, trabalhadores por conta de outrem, juntaram-se no sentido de dar o seu apoio e contributo ao projeto do Partido Socialista para a nossa terra.
Porque afinal, é assim que deve ser: uma ideia e um projeto de sociedade, feito com o contributo desta mesma sociedade!

quarta-feira, abril 11, 2012

A "altura certa"

"Berta Cabral, reafirmou hoje que anunciará na "altura certa" a saída da Câmara de Ponta Delgada." Açoriano Oriental, 11 de Abril de 2012

Dar o dito pelo lapso (Serenamente, AO 10 de Abril de 2012)

Podia não ser muito grave se o país fosse uma espécie de réplica do “Portugal dos pequeninos”, com casinhas de fingir e janelas de espreitar para tirar fotografias e ruas de brincar e comida de plástico para enfeitar cestas e pratos e muita gente a rir e todos satisfeitos e por aí afora, mas não é. Portugal é um caso sério. É. Mesmo que os acontecimentos dos últimos dias, como o anúncio de que os subsídios de férias e de Natal só voltam a ser repostos, gradualmente, a partir de 2015, ano de eleições legislativas, ou a suspensão das reformas antecipadas pudessem fazer pensar ao mais comum dos cidadãos que Portugal é um país de faz de conta com políticos que se disformam como os espelhos do jardim zoológico... Parece que andam todos a brincar com a vida das pessoas. As notícias dão-nos conta de que o rendimento dos funcionários públicos vai sofrer uma redução de 3, 4 milhões de euros com o corte de dois subsídios e que cada um dos 400 mil trabalhadores perde, em média, 8500 euros em remunerações. Os governantes da República calam-se e quando falam dizem, com leviana leveza: “Foi um lapso!” Um lapso, senhoras e senhores. Por menos já vimos um Ministro ser mandado embora. Pois este “lapso” adia para dois anos à frente, a concretização de uma promessa que não é uma coisa qualquer, que mexe com a vida das pessoas, com a economia dos lugares, mas que a avaliar pelo silêncio soturno, só quebrado por Miguel Relvas, não interessa nada a quem governa o país. Não interessa (também) nada ao Presidente da República que, em vésperas de Sexta-Feira Santa, promulgou a lei que proíbe as reformadas antecipadas até 2014 para todos os que tiverem mais de 57 anos de idade e no mínimo 30 anos de descontos. Esta decisão sendo contra os trabalhadores é também contra as empresas. Por toda a Europa muitas empresas utilizam este sistema para renovar os seus quadros e manter as empresas competitivas. Em Portugal vai-se fazer exactamente o contrário. Li num artigo de opinião publicado no fim de semana da Páscoa que “as reformas antecipadas na Volkswagen alemã permitem a admissão anual de mais de 1500 jovens com contratos permanentes, jovens, cujo salário admissão sendo inferior ao salario do trabalhador que sai, permite por um lado a empresa subsidiar parte da pré-reforma e por outro, reduzir custos e fruto da idade e capacidade dos jovens admitidos aumentar a produtividade” (António Chora, Diário Digital, Rostos.pt). Ora o nosso Primeiro-Ministro podia ter olhado para a Alemanha, antes de tomar esta decisão que vai prejudicar mais ainda os trabalhadores e as empresas, juntando-se a uma série de outras más medidas que têm vindo a ser impostas. O lapso eleitoralista do Governo de Passos Coelho é uma mentira grande, pregada aos portugueses sem qualquer tipo de escrúpulo. Escreveu Medeiros Ferreira, no Correio da Manhã, a semana passada, que “ (…) Tudo ponderado é caso para dizer que este governo segue um caminho errado e ainda toma piores atalhos.” É bem verdade. Nunca se viu tanto lapso junto, ajustado a um calendário próprio e eleitoral de quem governa o país. Além da desgraça real que estes timings impõem, há a outra que afasta os cidadãos (mais ainda) dos políticos, que desanima os cidadãos (mais ainda) em relação à política e que nos prejudica a todos, sejamos políticos ou não. Quando políticos destes, representantes do Estado português, se negam a ajudar o Povo do seu país em detrimento das suas próprias agendas, podemos pensar tudo. Fazer qualquer coisa. Só não podemos ficar a assistir impávidos e serenos, enquanto nos roem os ossos e nos tomam por tolos.

sábado, março 31, 2012

Mas De Cien Mentiras

"Tenemos memoria, tenemos amigos, tenemos los trenes, la risa, los bares, tenemos la duda y la fe, sumo y sigo, tenemos moteles, garitos, alteres. Tenemos urgencias, amores que matan, tenemos silencio, tabaco, razones, tenemos Venecia, tenemos Manhattan, tenemos cenizas de revoluciones. Tenemos zapatos, orgullo, presente, tenemos costumbres, pudores, jadeos, tenemos la boca, tenemos los dientes, saliva, cinismo, locura, deseo. Tenemos el sexo y el rock y la droga, los pies en el barrio, y el grito en el cielo, tenemos Quintero, León y Quiroga, y un bisnes pendiente con Pedro Botero. Más de cien palabras, más de cien motivos para no cortarse de un tajo las venas, más de cien pupilas donde vernos vivos, más de cien mentiras que valen la pena. Tenemos un as escondido en la manga, tenemos nostalgia, piedad, insolencia, monjas de Fellini, curas de Berlanga, veneno, resaca, perfume, violencia. Tenemos un techo con libros y besos, tenemos el morbo, los celos, la sangre, tenemos la niebla metida en los huesos, tenemos el lujo de no tener hambre. Tenemos talones de Aquiles sin fondos, ropa de domingo, ninguna bandera, nubes de verano, guerras de Macondo, setas en noviembre, fiebre en primavera. Glorietas, revistas, zaguanes, pistolas, que importa, lo siento, hasta siempre, te quiero, hinchas del atleti, gángsters de Coppola, verónica y cuarto de Curro Romero. Tenemos el mal de la melancolía, la sed y la rabia, el ruido y las nueces, tenemos el agua y, dos veces al día, el santo milagro del pan y los peces. Tenemos lolitas, tenemos donjuanes; Lennon y McCartney, Gardel y LePera; tenemos horóscopos, Biblias, Coranes, ramblas en la luna, vírgenes de cera. Tenemos naufragios soñados en playas de islotes son nombre ni ley ni rutina, tenemos heridas, tenemos medallas, laureles de gloria, coronas de espinas Tenemos caprichos, muñecas hinchables, ángeles caídos, barquitos de vela, pobre exquisitos, ricos miserables, ratoncitos Pérez, dolores de muelas. Tenemos proyectos que se marchitaron, crímenes perfectos que no cometimos, retratos de novias que nos olvidaron, y un alma en oferta que nunca vendimos. Tenemos poetas, colgados, canallas, Quijotes y Sanchos, Babel y Sodoma, abuelos que siempre ganaban batallas, caminos que nunca llevaban a Roma." Joaquin Sabina