sábado, abril 23, 2011

6 anos

Fez 6 anos o Ardemares a 18 de Abril. Nem me lembrei.

sexta-feira, abril 15, 2011

Defensa de la alegria

"Defender la alegría como una trinchera
defenderla del escándalo y la rutina
de la miseria y los miserables
de las ausencias transitorias
y las definitivas

defender la alegría como un principio
defenderla del pasmo y las pesadillas
de los neutrales y de los neutrones
de las dulces infamias
y los graves diagnósticos

defender la alegría como una bandera
defenderla del rayo y la melancolía
de los ingenuos y de los canallas
de la retórica y los paros cardiacos
de las endemias y las academias

defender la alegría como un destino
defenderla del fuego y de los bomberos
de los suicidas y los homicidas
de las vacaciones y del agobio
de la obligación de estar alegres

defender la alegría como una certeza
defenderla del óxido y la roña
de la famosa pátina del tiempo
del relente y del oportunismo
de los proxenetas de la risa

defender la alegría como un derecho
defenderla de dios y del invierno
de las mayúsculas y de la muerte
de los apellidos y las lástimas
del azar
y también de la alegría"

Mário Benedetti

quarta-feira, abril 13, 2011

"Portugal, os mercados e o futuro da Zona Euro"



Com o pedido de ajuda externa de Portugal cai a última linha de defesa da desregulação nos mercados financeiros. Agora os mercados insaciáveis podem vir a morrer do seu próprio veneno.

A Irlanda, a Grécia e Portugal, mais do que por si próprios, acabaram por tombar perante o FMI, devido à desregulação dos mercados financeiros, que nunca deram verdadeiramente hipóteses a estes países de escaparem aos seus juros altos.


Sempre que um destes países aplicava uma medida de austeridade ou de contenção orçamental, como um sinal de que estava disposto, per si, a resolver os seus próprios problemas, no dia seguinte, os especuladores subiam o juro a que comprariam a dívida soberana destes países, sabendo que independentemente dos juros cobrados, o lucro era garantido, pois quando um país estivesse à beira do incumprimento, teria de pedir ajuda à União Europeia e ao FMI que prontamente assegurariam o pagamento aos credores.


Portugal foi o país que mais resistiu a este cenário e, se não fosse a traição dos partidos da oposição, provavelmente, com o PEC IV, tinha conseguido concretizar o acordo histórico de financiamento obtido com a União Europeia.


Com o nosso país submetido às políticas do FMI, os líderes europeus sabem que a Espanha e a Itália estão em dificuldades orçamentais e que também dificilmente poderão resistir a juros altos no mercado de financiamento. Só que, desta vez, há uma grande diferença face aos países já intervencionados: a dimensão das economias é exponencialmente maior!


Qualquer intervenção financeira num destes países teria um custo astronómico para a União Europeia, significando, provavelmente, o fim da Zona Euro, pois nenhum cidadão europeu, nem nenhum governo, está disposto a pagar este custo. Para se ter uma ideia do que falo, os jornais alemães e ingleses ponderavam, esta semana, a possibilidade destes países não ajudarem Portugal a financiar-se, devido aos custos imputados aos seus contribuintes.


Devido a este risco, os líderes europeus multiplicam-se em declarações abonatórias em relação à economia espanhola e à sua dívida, sabendo que a qualquer momento esta economia possa entrar nos alvos dos mercados.


Caso os mercados, avidamente, foquem as suas atenções para estes dois países, a União Europeia, atempadamente, terá forçosamente agir a três níveis:

Regulamentando o funcionamento dos mercados e das agências de rating, pondo fim à especulação e a práticas neste âmbito menos correctas;

Criando um conjunto de mecanismos que avaliem e disciplinem os estados das contas públicas e da economia dos seus estados membros;


Revendo o tipo de medidas de austeridade que são impostas aos Estados-Membros em dificuldades, de medidas que criem mais pobreza e recessão económica, para medidas que melhorem o rendimento e façam crescer a economia.

Enquanto isto não acontece, a Irlanda, a Grécia e Portugal, mesmo depois de intervencionados, vão continuando a recorrer a financiamento a preços exorbitantes, com enormes custos para os seus cidadãos e para as suas economias.

quarta-feira, abril 06, 2011

Exportação de pachecos

Portugal está mal porque os portugueses são maus, dizem os pachecos deste País.

Estamos mal na política porque a Nação degenerou desde os idos de 500; no Estado porque carecemos do pulso firme de um Sebastião José de Carvalho e Melo; no povo porque nos falta o arrojo dos tempos da guerra colonial, na economia porque a arraia-miúda esbanja uma parte e come o resto; na balança comercial porque não apostamos na exportação dos famigerados bens transaccionáveis e no défice porque ganhamos muito e produzimos nada. Socialmente estamos pior, garantem os pachecos: subsidiamos com o RSI quem não precisa; arcamos com subsídio de desemprego a quem não trabalha e na nossa mísera situação não poderemos desembolsar subsídio de férias e décimo terceiro mês a quem tão pouco faz. Os nossos pachecos insistem ainda que na bola estamos reduzidos à dimensão do rectângulo de jogo. Falta-nos sempre um bendito número dez e um trinco: o primeiro indispensável na condução do esférico pelo corredor central e naquelas coisas das transições ofensivas, e o segundo, absolutamente necessário na pressão alta, a ver se o adversário não se arrebata. Como perdemos quase sempre, afirmam os ditos pachecos e sempre do mesmo modo solene que tudo resulta da nossa íntima tacanhez lusa… Desses prodigiosos pachecos, conhecidos exclusivamente pelo seu talento, que opinam na banalidade e na barbaridade, que falam com a mesma sabedura de política europeia, das estratégias da alta finança internacional, de energia nuclear de tecnologia espacial ou do preço de venda do carapau, dizia Eça na sua Carta Ao SR. E. Mollinet, inserta na Correspondência de Fradique Mendes: “Eu casualmente conheci Pacheco. Tenho presente, como num resumo, a sua figura e a sua vida. Pacheco não deu ao seu país nem uma obra, nem uma fundação, nem um livro, nem uma ideia. Pacheco era entre nós superior e ilustre unicamente porque tinha um imenso talento”(…) O único recurso que restou então aos devotos desse imenso talento (que já os tinha incontáveis) foi contemplar a testa de Pacheco – como se olha para o céu pela certeza que Deus está por trás, dispondo. A testa de Pacheco oferecia uma superfície escanteada, larga e lustrosa. E muitas vezes, junto dele, conselheiros e directores-gerais balbuciavam maravilhados: ”nem é preciso mais, basta ver aquela testa!” É desses e não de outros honrados pachecos de nome e de postura que falo. Falo dos pachecos comentadores sem ideias nem soluções, dos pachecos promovidos a talento pela pantalha, desses que tagarelam sobre tudo sem dizer nada. Falo dos abunbantes pachecos sem os quais Portugal teria um soluço de ânimo e um enorme suspiro de alívio. Equilibremos então as finanças, a economia, o défice e a balança comercial pela exportação de pachecos. O País ganha, os portugueses terão mais esperança e mercado não há-de faltar…basta ver aquelas testas.

terça-feira, abril 05, 2011

Uns decidem, outros encolhem-se



Num dos piores momentos desta crise que atinge Portugal, a oposição, em vez de fazer parte da solução, decidiu ser um factor de agravamento do problema. Já se sabia disso quando chumbou, em bloco, as medidas de actualização do Programa de Estabilidade e Crescimento, forçando o Governo a apresentar a sua demissão ao Presidente da República.

Agora, depois do Presidente da República ter anunciado a convocação de eleições antecipadas, as primeiras reacções foram sintomáticas e bem demonstrativas do espírito da oposição neste processo político. Interessada em atacar o Governo e o PS, os partidos não quiseram ouvir o que disse Cavaco Silva, já que estavam a salivar para o ataque ao Governo e ao Partido Socialista.

O Presidente da República chamou a atenção para a necessidade de contenção e rigor neste período de campanha, mas as primeiras reacções mostraram bem uma oposição que vai fazer uma campanha baseada na crítica e no ataque, sem qualquer proposta concreta e exequível para a situação do país.

Com as agências de notação a cortarem o rating de Portugal, de empresas públicas e de bancos portugueses, a oposição não se lembra de dizer mais nada do que falar na inevitabilidade da entrada do FMI, sempre na constante e absurda tentativa de se manter à margem das responsabilidades políticas nacionais.

É preciso lembrar que a oposição teve, desde de 2009, todas as condições para fazer cair o Governo da República, através da aprovação de uma Moção de Censura. Na verdade, foram apresentadas duas moções sempre chumbadas, imagine-se, pela própria… oposição. Sempre por causa do PSD, que sempre mostrou medo dos custos políticos que esta viabilização acarretaria para o próprio partido.

A questão é a seguinte: estes partidos que, agora, se queixam do estado a que o país chegou o que é que fizeram, na prática, para evitar isso ao longo dos últimos anos? Nada. CDS tentou passar pelos pingos da chuva, na esperança que Passos Coelho continuasse incoerente, para se assumir como a verdadeiro partido da direita neoliberal. BE e PCP pautaram-se pelo habitual ciúme à esquerda, na tentativa de mostrar quem é mais amigo dos trabalhadores.

Por último, temos o PSD, cada vez mais incoerente com aquilo que defendeu há meses, e que nunca teve a coragem política de assumir as responsabilidades e viabilizar uma moção de censura. Falou mal do governo, achava que o Primeiro-Ministro era o pior da história de Portugal, mas, nos momentos decisivos, encolheu-se a lá arranjou uma desculpa qualquer para passarem ao lado das responsabilidades.

Pode-se concordar ou não com muitas das medidas tomadas pelo Governo de José Sócrates, pode-se considerar que era preferível optar por outras políticas, mas não se pode negar a coragem política e capacidade de resistência do Primeiro-Ministro, mesmo nos momentos mais difíceis, como a tomada de decisões muito duras para a vida dos portugueses.

Esta constatação obriga a que todos respondamos à seguinte questão: num momento crucial para nossa vida colectiva, o que é mais importante para cada um de nós: Alguém que assume responsabilidades e enfrenta as dificuldades ou alguém que se encolhe e assusta-se nos momentos de decisão, nunca dando o passo seguinte para a solução dos problemas? Mesmo para quem não goste de José Sócrates, a resposta é clara.

sábado, abril 02, 2011

I just stop to say hello (e ´tá bem bom)

O blogue mudou de cor. Voltei aqui e vinha escrever qualquer coisa, mas não me apetece (afinal).

müz´ka

sexta-feira, abril 01, 2011

A ambição, a irresponsabilidade e a agenda escondida



Na passada semana toda a oposição parlamentar, irresponsavelmente, agiu para provocar eleições antecipadas, sabendo à partida que esse acto poderia levar o país a uma situação de bloqueio financeiro e de colapso económico.

Muitos poderão pensar que estou a exagerar um bocadinho, mas basta olhar e verificar o ar incrédulo e surpreendido da maioria dos líderes europeus, ao constatarem que fomos incapazes de chegar a um acordo numa situação tão complicada, para percebermos o enorme risco do caminho escolhido pela oposição com o PSD à cabeça.

Tendo em conta as grandes dificuldades que Portugal estava a ter para se financiar a preços razoáveis e constatando que recorrer ao FMI poderia implicar um conjunto de medidas de austeridade sem precedentes - que poderiam passar, por exemplo, por despedir funcionários públicos - Sócrates optou por tentar convencer os seus parceiros europeus que apenas precisava de crédito mais barato proveniente do Fundo de Emergência Económica e Financeira da U.E. para financiar o cumprimento do OE de 2011.

Após duras negociações entre o Governo e o BCE, a Comissão e o Conselho Europeu (onde pontua a chanceler alemã), Portugal obteve uma vitória muito satisfatória, chegando a um acordo de financiamento externo a preços compatíveis, sob a condição de rever o seu Programa de Estabilidade e Crescimento que garantisse um aumento estável da receita para os próximos 3 anos.

O mais incrível é que o PSD, de Pedro Passos Coelho, percebeu que poderíamos estar num ponto de viragem na situação financeira do país e que se não agissem depressa, provocando eleições, este acordo poderia perigar uma sua chegada triunfante ao poder na altura da aprovação do próximo Orçamento de Estado.

Assim, justificando-se com a forma da apresentação, e nem sequer com o conteúdo, das medidas de austeridade do PEC IV, o PSD recusa negociar qualquer acordo para a sua aprovação e faz cair o Governo. Aliando-se à oposição radical, o PSD consegue ver aprovada uma resolução de rejeição ao PEC IV sem apresentar uma única – uma única! - solução alternativa face àquelas que dele constavam.

Os mercados financeiros reagiram de imediato negativamente, atingindo a nossa dívida no mercado secundário um valor histórico de mais 8%. O ratting da dívida portuguesa, baixou de imediato, arrastando consigo o das principais empresas públicas e todas as regiões mais saudáveis financeiramente do país, como os Açores (a Madeira ainda desceu mais que a diminuição geral de dois níveis). A generalidade dos líderes europeus criticaram claramente a oposição parlamentar portuguesa pela sua irresponsabilidade, adivinhando tempos difíceis para Portugal.

É nesta situação, de possível ruptura financeira, que o nosso país vai tentar renegociar divida pública em Abril, podendo não ter capacidade para o fazer nestas condições de instabilidade política, o que levará à bancarrota e ao fim do financiamento quer do estado quer dos privados. Repreendido em Bruxelas pelos líderes europeus, Passos Coelho tenda emendar a mão da rejeição do PEC IV e propõe, contradizendo uma promessa sua de poucos dias, aumentar o IVA de 23 para 25%, para crescer a receita do Estado.

O que o PSD não diz agora é o que disse no passado: que ao aumentarmos o IVA, afectamos todos aqueles que, independentemente do seu rendimento, consomem mais de 50 000 produtos básicos, sobretudo do ramo alimentar, calçado, vestuário e combustíveis.

O que o PSD não diz agora e não explica é porque é que no livro que preconiza o seu programa eleitoral, “Voltar a Crescer”, defende o fim da escola pública como base do nosso sistema de ensino, o despedimento de funcionários públicos e flexibilização do despedimento sem justa causa, o fim do Sistema Nacional de Saúde universal e tendencialmente gratuito ou a privatização da maior parte das empresas públicas, como sejam, a RTP, a TAP, CP ou parte da Caixa Geral de Depósitos.

Em suma: o PSD actual ataca o PS por este tomar medidas de austeridade que ele PSD teria que tomar se fosse governo; contradiz promessas claras feitas por si no passado, como seja, a recusa de aumento do IVA; e não explica aquilo que de mais importante e grave tem no seu programa eleitoral: o fim do Estado Social (não é um slogan – é, por exemplo dinheiro que as famílias passarão a pagar à saída da consulta externa e das urgências dos hospitais!).

Tudo isso pela ambição de chegar ao Poder!

quarta-feira, março 30, 2011

Valha-nos o Povo da errância dos sedentos

É impressionante a rapidez com que acontecem as trapalhadas e contradições no actual PSD nacional.

Quando Passos Coelho declarou que o PSD ia chumbar o PEC IV, afirmou que o ia fazer porque “as medidas anunciadas sacrificavam os mesmo de sempre” (ver aqui). O PSD obedeceu ao chefe, foi ao parlamento, chumbou o PEC e fez cair o Governo. Não passou uma hora, e no final da declaração que Passos Coelho fez ao País começou logo a dizer que a estratégia nacional que o PSD propunha não passava “por medidas alternativas” (ver aqui minuto 6). Ficou o país sem perceber porque tinha afinal o PSD chumbado o PEC se aquelas medidas eram vistas por eles como não tendo alternativa.

Mas Passos Coelho não nos quis dar muito descanso. Passaram umas horitas e tínhamos mais uma contradição: Em Setembro, recusava-se a viabilizar o Orçamento do Estado para 2011 caso a proposta do Governo incluísse um aumento do IVA (ver aqui); depois do chumbo do PEC, já admitia um aumento deste imposto até 25% (ver aqui).

Os mercados começaram a fervilhar (ver aqui) e Pedro Passos Coelho decidiu ir a Bruxelas explicar o porquê daquele chumbo. Sabíamos que não seria uma explicação fácil, considerando que era a primeira vez que um PEC era chumbado a nível europeu e que aquele documento reflectia as políticas dos seus correligionários da direita que domina os governos da UE. O que não esperávamos é que nem tentasse uma explicação e mudasse tão rápido de opinião novamente. Bastaram, pois, as reprimendas da Chanceler Alemã Angla Merkle (ver aqui), do Presidente da Comissão Europeia Durão Barroso (ver aqui) e do Presidente do Eurogrupo Jean Claude Juncker (ver aqui) para que fizesse um Flic-Flac à retaguarda e desdissesse outra vez tudo o que tinha dito: Num dia dizia não aceitar um PEC como aquele que tinha sido apresentado pelo PM José Sócrates em Bruxelas, chumba-o no Parlamento e faz cair o Governo; no dia seguinte vai a Bruxelas, recebe três puxões de orelhas, e acaba a dizer que assume todos os compromissos assumidos em Bruxelas por José Sócrates e ainda os que vierem a ser precisos (ver aqui).

Hoje ficamos definitivamente a perceber que temos um discurso intra-muros e um discurso extra-muros. Em Portugal vangloria-se de ter ordenado a rejeição do PEC por considerar que as medidas aí previstas “eram demasiado duras” (ver aqui); para o exterior justifica a rejeição do PEC por considerar que as medidas de austeridade “não iam suficientemente longe” (ver aqui).

Estamos, portanto, perante alguém frouxo de pensamento e cuja palavra vale menos que um tostão furado. Esta errância e falta de verticalidade só se pode explicar pela sede de poder. Valha-nos o Povo, já que Deus não se mete nestas coisas.

terça-feira, março 29, 2011

O jogo do eixo



Ouvindo os mais recentes argumentos sobre “eixos” e Museu de Niemeyer ocorreram-me dois pensamentos, que entendi partilhar hoje aqui (serenamente):

Um, o Museu de Niemeyer está para Ponta Delgada, como o jogador chinês estava para Paulo Futre e o “seu” Sporting. Dois, o centro histórico de Ponta Delgada vai alargar à Avenida do Mar.

Em resultado disso – e atendendo à reunião havida e noticiada há tempos entre a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPDL) e os comerciantes da nossa cidade, prevê-se que haja uma deslocalização destes para aquela zona do burgo. Imagino que assim – colocados no eixo da cultura municipal – lhes seja mais fácil justificar ter a porta aberta, pagar os empregados e vender qualquer coisa aos turistas que servirão de justificação para esta espécie de “jogo do eixo”.

E por falar na CCIPDL é no mínimo caricato que o seu actual Presidente teça considerações sobre as SCUTS, o Transporte Marítimo inter-ilhas ou as Portas do Mar e, ainda não o tenhamos ouvido dizer nada sobre a opção camarária de construir mais um Museu na ilha de São Miguel.

Então será (mesmo) que o ilustre economista da nossa terra não tem palavra nenhuma para dizer sobre este investimento de cerca de 7 milhões de euros que a autarquia de Ponta Delgada se prepara fazer, em detrimento de outros?

Mudando de assunto, a semana passada saiu notícia que dava conta de uma acção de reflorestação levada a cabo pela Secretaria Regional da Agricultura e Florestas no Parque Urbano.

A pedido da empresa municipal que gere o espaço, e enquadrando a actividade de arborização no âmbito das comemorações do Ano Internacional das Florestas, com a colaboração dos alunos do programa PROFIJ II – Horticultura e Fruticultura Biológica – da Escola Secundária das Laranjeiras – iam ser plantadas algumas espécies no Parque Urbano, mas (pasme-se!) a edilidade não gostou que o Governo dos Açores desse nota pública do caso e cancelou o evento.

É (foi) uma situação perfeitamente dispensável que fica mal à autarquia de Ponta Delgada. Tudo porque não quis que se soubesse que o Governo Regional dos Açores iria colaborar…

Ainda há dias a presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada (no seu papel de líder do PSD/Açores) dizia que é preciso ouvir os jovens. Verdade. Mas, ouvir os jovens não pode ser só figura de retórica para quando dá jeito. E não podendo ser, o melhor talvez fosse ouvir agora os jovens do PROFIJ II das Laranjeiras que viram a actividade prevista cancelada, porque a autarquia não quis (afinal) a colaboração do Governo…Que pensarão esses jovens dos políticos e da política? Pois. (Essas atitudes são perfeitamente escusadas).

Citando um amigo, termino, o “Serenamente”, desta semana assim: “No jogo há sempre quem lastime a derrota pela ausência da sorte.

Na vida há sempre quem se queixe da falta de liberdade pela incapacidade própria de ser livre. Num ou noutro caso só a santa paciência pode ajudar. Eu cá não sou santo e a minha paciência tem limites.”

Ora bem.

quinta-feira, março 24, 2011

Os maus exemplos do PSD


Imaginemos que os Açores tinham responsabilidades financeiras assumidas de seis mil milhões de euros. Imaginemos, ainda, que, nesta altura de crise sem precedentes, que obriga a um reforço de apoio social, o Governo Regional dos Açores optava por gastar cerca de 40 milhões de euros num estádio de futebol.

Imaginemos, também, que o nosso Governo achava que a protecção social era obrigação da República e que, por isso, deveria ser Lisboa a tomar todas as medidas sociais para os estratos sociais mais desfavorecidos da nossa Região, deixando-os sem qualquer protecção nesta área.

Imaginemos, por último, que nenhuma instituição financeira estaria disposta a emprestar dinheiro à nossa região, sufocando desta forma a economia, e que uma empresa teria de esperar perto de um ano para receber o seu dinheiro por um serviço ou bem fornecido à Administração Regional.

Imaginemos, já agora, que no nosso Parlamento os partidos da oposição tivessem o tempo de intervenção reduzido ao mínimo, com, por exemplo, apenas 58 segundos de tempo para cada deputado da oposição discutir o orçamento da Região e o Presidente do Governo tivesse tempo ilimitado para falar e que as propostas do maior partido da oposição fossem chumbadas em pacote, sem sequer haver espaço para o debate sobre cada uma delas.

Imaginemos o que diria o PSD/Açores e as criticas que fariam a este regime quase totalitário e despesista que está, pura e simplesmente, a hipotecar o futuro de gerações inteiras.

Para que se tenha bem a noção, esta realidade descrita nestas linhas acima não se passa num país ou região muito distante. É, sim, o dia-a-dia da Madeira de Alberto João Jardim, que os deputados do PS/Açores constataram em dois dias de jornadas parlamentares.

Quem não se lembra das críticas de falta de oxigénio de Carlos Costa Neves ao Governo Regional?!

Até ao Presidente da República o PSD/Açores foi se queixar da falta de democracia nos Açores, curiosamente, com o mesmo líder que foi a eleições com uma nova Lei Eleitoral aprovada pelo PS, que aumento o nosso Parlamento de três para seis partidos.

É comum ouvir-se elogios do PSD/Açores à governação social-democrata na Madeira. Hoje, sabe-se que esta governação levou ao limite máximo do endividamento público e a responsabilidades financeiras de seis mil milhões de euros.

É verdade que as estradas e pontes estão feitas na Madeira apesar da maioria ainda estar por pagar na totalidade. Por cá, o PSD/Açores crítica o modelo da construção das SCUT, que envolvem um investimento que ronda os 300 milhões de euros, mas elogia uma gestão desastrosa de seis mil milhões de euros.

Ficam, por isso, os açorianos a saber qual o modelo governativo que o PSD/Açores gostaria de copiar para os Açores.

terça-feira, março 22, 2011

Mandar "bitaites"

A minha mãe costumava usar uma frase para justificar (muitas vezes) a postura pouco iluminada de algumas pessoas em relação a vários assuntos da vida quotidiana. Dizia ela, então, traduzindo do francês, que “quando o dedo aponta para a lua, o imbecil olha para o dedo”. (Original: “Quand le doigt montre la lune, l'imbécil regarde le doigt")

Ora, vem isto a propósito de um certo número (infelizmente cada vez mais abrangente) de “teóricos” que andam pelo mundo, fitos nos próprios dedos, espalhando as suas “teorias”, armados numa espécie de cowboy de Hollywood, misturando propositadamente a realidade e a ficção.

Já vem do tempo de Platão e do seu conflito com os sofistas, a descoberta de que a arte universal de enganar os espíritos com “argumentos”, nada tem a ver com a verdade, mas sim com a conquista de opiniões.

Há quem diga mesmo que há nesta era moderna, um novo fenómeno, ao qual se chama “achismo”. A primeira vez que ouvi a palavra julguei que não existia, mas existe mesmo e pela amostra tem uma série de seguidores.

Se por um lado é natural (e saudável) que todos tenhamos uma opinião sobre tudo e que a expressemos, não deixa de ser, por outro lado estranho que se tome o senso comum como critério de julgamento na análise de questões sérias.

Chega a ser mesmo perigoso que opiniões sem qualquer fundamento sejam difundidas como se fossem a verdade em “plena luz”.

Concordamos que o senso comum sempre existiu e que foi sempre combatido pela filosofia e pela ciência e (até) pelas elites de cada uma das nossas épocas. O problema é quando não se consegue separar um do outro e a divulgação dessas ideias, se difunde com grande capacidade de convencer pessoas.

Quando eu era mais nova (há já alguns anos) se houvesse um assunto verdadeiramente importante para discutir na Televisão ou nos Jornais havia sempre alguém, um economista, um cientista ou um investigador reconhecidamente isento para falar do assunto.

Hoje, com algumas excepções (diga-se em abono da verdade) somos obrigados a engolir muitos “achistas”. Todos falam sobre tudo. Há um tempo atrás a sociedade portuguesa parecia mais desperta para isso. Foi na era do José Maria do Big Brother. As pessoas percebiam que não era saudável para o país. Agora já tudo parece esquecido outra vez e basta ligar as Televisões ou ler os Jornais para perceber que todos falam sobre tudo como se fossem os mais reputados “experts” na matéria.

É bom que se note que eu defendo a liberdade de expressão sempre, mas também sei da força que tem o preconceito e a deturpação dos factos.

No fundo o que é mesmo preocupante é que as pessoas se deixem de guiar pela Razão e, sem querer, voltem às trevas ou à “Caverna de Platão” tendo como guia, alguém que mesmo cheirando ao melhor perfume, não passe de um “achista” em dimensão reduzida.

Dizia quem tinha coisas boas para me ensinar que a dimensão reduzida ainda é a melhor, se for em tamanho normal, já é mais complicado. Mas, como a lua de Sábado mostrou, às vezes, pode acontecer que o “achista” tenha tendência para crescer e quando, às tantas, damos por ele, já é chefe e manda “bitaites”. (Nunca fiando).

quarta-feira, março 16, 2011

Nunca é demais o conselho

Factos e pactos

Ponta Delgada, o município, não consta da lista de cidades que subscreveram o “Pacto Europeu dos Autarcas em 2009”. Dirão: mas isso é importante? Claro que é. Ainda há dois anos, quando recebeu o certificado, isso foi notícia, dizendo-se que Ponta Delgada, entre outras cidades europeias, se comprometera a reduzir as emissões de CO2 em mais de 20% até 2020.
Ora a semana passada (se não me engano) li num artigo de opinião neste mesmo jornal que o nosso município tinha sido excluído deste Pacto. Fui ao site que lá se indicava e não consta, de facto. Como não vi nenhum esclarecimento, pergunto: foi excluído? Porquê?
Certo é que (também) em 2009, mas em Setembro, no “Dia Europeu sem carros” se anunciava que a autarquia tinha dado mais um passo para cumprir o tal Pacto e que tinha adquirido uma viatura “amiga do ambiente” para a sua frota. Ora, carro vai, carro vem e o Pacto? (http://www.eumayors.eu/covenant_cities/list_en.php?cc=pt)
Por falar em pacto (com cê senão grasnava) não deixa de ser fantástica a supressão da expressão “Regiões Autónomas” ou do substantivo “ Autonomia” (só para dar exemplos óbvios) do discurso de tomada de posse do Presidente da República, como também, não deixa de ser hilariante a desculpabilização de tal episódio que Jorge Macedo tentou fazer do facto na RDP/Açores.
Ora não é que o Senhor Deputado considerou que não havia “moleste”(a palavra é minha) nessa falha do Presidente da República, porque (imagine-se), horas antes, a bordo da Fragata Gago Coutinho, Cavaco Silva teria dito (parafraseio) que os Açores acrescentavam mar ao país.
Devemos agradecer ao Presidente da República ter-se lembrado dessa expressão de “acrescentar mar ao país”? Ou esta foi aquela referência que, durante a campanha eleitoral, ficou por ser feita em Viana do Castelo (que nas suas palavras era, então, o lugar mais apropriado para falar e ouvir falar sobre o mar)?
Não foi à toa que Cavaco Silva escolheu jovens para almoçar no dia da sua tomada de posse. Meia centena de jovens líderes portugueses, oriundos de todo o país (estudantes, empresários, investigadores, académicos, agentes culturais, entre outros).
“De forma simbólica” diz o site da Presidência da República, o Presidente Cavaco Silva “apelou ao protagonismo dos jovens na definição do futuro de Portugal, tendo dirigido palavras aos representantes da juventude portuguesa presentes no almoço.” Tão a propósito.
Ora, se não fosse tão previsível, atenta a proximidade da manifestação do passado Sábado, podíamos (mesmo) dizer que tinha sido de “mestre”. Mas, não foi de “mestre”, não senhores. Foi (apenas) mais uma cena demagógica (perfeitamente) dispensável.
O que dizer de políticos com a experiência de Cavaco Silva (ou menos) quando eles fazem figuras destas ou quando “solidáriozinhos” integram as manifestações?
Vasco Pulido Valente só usou a expressão para classificar o Presidente da República, mas eu alargo o âmbito da classificação: São exímios demagogos. Pois são. E ajudam alguma coisa para melhorar a situação? Não.