quarta-feira, outubro 14, 2009

"À Janela do Mundo"

Uma Nova Oportunidade para os Açores

Os resultados eleitorais de domingo último deram uma vitória expressiva ao Partido Socialista nos Açores. Pela primeira vez na história da autonomia regional, o PS governará a maioria das câmaras municipais e juntas de freguesias nos Açores.

A meu ver a vitória obtida deve-se, para além dos factores, óbvios, específicos da governação de cada localidade, a uma estratégia regional do PSD/Açores profundamente errada. A líder do PSD/Açores desde cedo optou por colocar as câmaras e juntas de freguesia, afectas ao seu partido, a fazerem oposição ou concorrência ao Governo dos Açores. Chegamos inclusive a observar candidatos autárquicos do PSD a criticar o Governo Regional em vez dos seus adversários directos. Esta posição de oposição intransigente cansou as populações, que se sentiram prejudicadas com o permanente desperdício de dinheiros públicos e por sentirem também que o que motivava os autarcas sociais-democratas, não era o bem comum, mas sim a derrota da governação socialista.

Outra lição que as populações, como sempre com razão, dão a todos nós políticos, é que ter muita obra feita não é razão suficiente para ganhar eleições. As pessoas reconhecem se as obras públicas têm ou não utilidade ou qualidade quando são feitas. Os cidadãos percebem facilmente que a piscina X ou o pavilhão Y, foram feitos ou mal feitos, sem possibilidade de serem pagos num futuro próximo, comprometendo durante muitos anos a economia do concelho. Um bom exemplo do que digo, é o facto dos projectos vencedores no concelho da Povoação e de Vila Franca preconizarem a boa gestão das contas públicas e do pagamento a fornecedores a tempo e horas como sua principal bandeira, em contraste com os projectos derrotados que tinham deixado as câmaras em falência técnica.

Penso que após a análise destes resultados eleitorais, é tempo de falarmos de um novo ciclo de governação local que agora se inaugura e das oportunidades que temos pela frente. Com uma nova direcção na Associação de Municípios dos Açores e de São Miguel, temos finalmente a possibilidade de pensarmos e resolvermos conjuntamente vários problemas graves que individualmente nunca poderiam ser resolvidos. Falo de sinergias entre o Governo dos Açores e as câmaras municipais que podem levar ao reforço de economias de escala, que tanta falta nos fazem, e ao aparecimento de novos sectores de actividade económica como a gestão de lixos e da água.

Sempre me fez alguma confusão o facto da maioria das câmaras dos Açores encararem a gestão dos lixos como um triste prejuízo inevitável, sem perceberem que se trabalharem juntos podem vir a ter matéria-prima suficiente para tornar este problema num negócio rentável que crie economia, mais emprego e externalidades positivas.

Em relação à gestão da água, sempre me pareceu ridículo que alguns autarcas pensassem que as nascentes e os lençóis de água que nos abastecem, abrangem religiosamente os limites concelhios. Numa terra tão rica em água, parece-me quase irresponsável não pensar que a gestão do abastecimento às populações deva ser feita de uma forma conjunta.

Têm agora a oportunidade de fazer as coisas bem-feitas.

O tempo o dirá...

Müz´ka

terça-feira, outubro 13, 2009

Afinal havia outra e eles não sabiam...

No passado dia 11 de Outubro houve areia bastante na sede do partido da Rua Conselheiro Luís Bettencourt.
Houve, a avaliar pelas declarações da líder do PSD/Açores, a suficiente para que as cabeças daquele partido se enfiassem na areia, quais avestruzes, tentando omitir o óbvio, disfarçar o indisfarçável, reescrever o já escrito.
A circunstância, embora não surpreenda, há-de ter deixado boquiabertos os companheiros Rui Melo, Filomeno Gouveia, António Ventura e Sara Santos. José Maria, Rui Ramos e Francisco Álvares não terão ficado menos. Duarte Freitas não se sabe. Os outros foi o que se viu e ouviu.
Pensava-se, porém, que, enquanto líder regional do PSD, Berta Cabral aproveitasse a ocasião para saudar todos os candidatos aos diferentes órgãos autárquicos, integrando listas do partido a que preside. Mas, ao contrário das expectativas, a líder regional do PSD saudou-se a si própria, deixando de parte os vencidos, esquecendo até alguns vencedores, e isolando-se nas “boas mãos” de Ponta Delgada.
Tal circunstância, aliada à derrota do PSD nestas eleições autárquicas e nas anteriores legislativas, prova o que muitos há muito adivinham: o PSD de Berta Cabral está em fim de ciclo e já não é uma mais valia para os Açores.
Os resultados eleitorais de Domingo são a prova de que as pessoas compreenderam que a cooperação e a colaboração entre os diversos níveis de poder são importantes para se conseguir melhores resultados a favor de todos.
A esta cooperação e a esta colaboração, a presidente do PSD/A e Presidente da Câmara de Ponta Delgada fechou a porta. Já vinha, aliás, a fechá-la há muito tempo. Anunciou-o a 27 de Setembro e acabou por trancar mesmo a porta, quando deixou, do lado de fora, os seus companheiros de partido vencidos, na noite eleitoral de 11 de Outubro, e foi festejar a vitória no concelho de Ponta Delgada…
A noite eleitoral de Domingo à noite provou que não bastam a Berta Cabral boas mãos para ganhar eleições. Ou que bastando, elas não chegam para (ou a) tudo. Fez falta ter os pés assentes no chão…
Resta saber, porém, se entende que disse o que tinha a dizer ou se não queria dizer o que disse, mas a boca fugiu-lhe para a (sua) verdade ou para a verdade dos outros que lha entregaram de mão beijada.
Afinal havia outra e eles não sabiam…

segunda-feira, outubro 12, 2009

DIFERENÇAS

Nas suas declarações à RTP/Açores, Rui Melo, ex-presidente da Câmara de Vila Franca, deu uma lição de liderança. Aceitou a decisão dos vilafranquenses com mágoa, mas sem ressentimentos, assumiu a total responsabilidade pelo desaire eleitoral e reconheceu com humildade os erros cometidos.
Afinal, o mais que se pede a um general é que nunca vire as costas às suas hostes antes, durante e depois da batalha.
Berta Cabral não foi disso o melhor exemplo: abandonou o posto, passou a derrota aos seus soldados, reduziu a sua responsabilidade à condição de sargento e procurou refugio na tranquilidade do seu já parco reduto em Ponta Delgada.
Resta saber agora se o PSD vai mudar de exército ou se as tropas desprezadas vão mudar de general.

Reticências

"Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na acção.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!
Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...
Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura...
Santos Deuses, assim até se faz a vida!

Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,
Rodinha dentada na relojoaria da economia política,
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios,
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma, como o silêncio da vida...
Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela,
Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela,
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
Fitei de frente todos os destinos pela distracção de ouvir apregoando,
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta,
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema...
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra..."

Álvaro de Campos

ATÉ TU, BRUTO?

No passado dia 18 de Setembro o recalcitrante deputado Bruto da Costa escrevia no seu BURGALHAU o seguinte:

Cada vez que se aproximam eleições, os homens de mão de Carlos César acenam com o fantasma da sua recandidatura, tal a debandada de apoios.”

Desconheço o que pensará agora Bruto da Costa sobre a real “debandada de apoios” porque nem sei se o Sr. deputado pensa. Mas imagino o que terá dito Berta Cabral a quem lhe serviu mais pé de chinelo do que propriamente de “homem de mão”:
“Até tu, Bruto?

!

quinta-feira, outubro 08, 2009

"À Janela do Mundo"

A Santanização de Ponta Delgada

Sou crítico da actual gestão camarária de Berta Cabral há muito tempo. Quanto a mim, esta câmara municipal cometeu muitos erros estruturantes que, mais cedo ou mais tarde, todos os açorianos vão ter de pagar do seu bolso. Não falo, apenas, da história ridícula de construir um parque de estacionamento ao lado de outro já feito nas Portas do Mar, enquanto o outro lado da cidade desespera por um parque de estacionamento há muito prometido.

Falo, também, da actual câmara de Ponta Delgada ter permitido e incentivado a construção em altura em praticamente tudo que é sitio nas zonas envolventes da cidade, cedendo ao lóbi do betão, que, como contrapartida, aumenta as receitas da câmara municipal, para que esta promova festas e festinhas no campo de São Francisco. O resultado desta política explica o desinvestimento na reabilitação do centro da nossa cidade. Hoje, qualquer transeunte facilmente repara que o centro da cidade praticamente não tem habitantes, que existem centenas de edifícios fechados, em ruínas ou gravemente afectados estruturalmente pelas térmitas. Hoje, ninguém quer restaurar edifícios antigos para viver, apesar da sua centralidade, pelo facto de existirem centenas de casas e apartamentos, muitas vezes de fraca qualidade, à venda a preços muito competitivos na periferia da cidade. Com esta receita não auguro bom futuro, nem para o ramo imobiliário, nem para o centro da nossa cidade. Estamos perto do limite de construção.

Mas, verdadeiramente, o que mais me atormenta na gestão da actual edil, é o facto de estar a utilizar os dinheiros camarários para se catapultar para as próximas eleições regionais. O maior exemplo disso é o mais recente anúncio da líder do PSD de construir um centro de arte contemporânea em Ponta Delgada. O anúncio, só por si, não me assustava, não fosse o facto de o Governo dos Açores já ter em marcha a construção do centro de arte contemporânea de São Miguel, na Ribeira Grande, e do arquitecto contratado pela câmara ser um ilustre senhor de 101 anos de vida que será pago a peso ouro, à semelhança do que aconteceu em Lisboa com o Parque Mayer aquando da gestão de Santana Lopes.

Precisamos de dois centros de arte contemporânea em São Miguel? Temos arte contemporânea açoriana que chegue para dois edifícios desta dimensão? Não poderia o dinheiro dos nossos impostos ser gasto na reabilitação urbana do centro da cidade?

Chega de disparates dra. Berta Cabral! Deixe de santanizar a nossa cidade! Já vimos os resultados em Lisboa, não queiramos ver o mesmo em Ponta Delgada.


Vítória Histórica

No passado domingo o Partido Socialista obteve maioria relativa de votos para governar o nosso país nos próximos quatro anos. Foi uma vitória histórica tendo em conta todas as peripécias ocorridas nos últimos dois anos. Arrisco-me mesmo a dizer, que este governo foi aquele, que depois da estabilização democrática, mais problemas teve que combater e resolver.

Ao Governo aconteceu-lhe tudo, nunca é demais lembrar, sobretudo para aqueles que, por puro sectarismo, a única coisa que lhes ocorre lembrar é que o PS perdeu votos nesta eleição.

Esses parecem esquecer que no último ano fomos afectados pela maior crise económica e financeira internacional dos últimos 100 anos, que obviamente nos trouxe desemprego e diminuição da actividade económica. Convém também que se lembrem dos conflitos com os professores, aquando da implementação do sistema de avaliação, da reacção dos juízes contra o governo aquando das reformas na justiça e dos problemas na área da saúde que levaram até à remodelação do ministro Correia de Campos. Hoje, alguns parecem não ter memória sobre as dificuldades que este Governo e o seu Primeiro-Ministro, José Sócrates, passaram, com os permanentes ataques grosseiros e assassinatos de carácter falsos que uma estação de televisão e uma sua jornalista fizeram semanalmente durante dois anos.

Nestas dificuldades até o Presidente da Republica, Cavaco Silva, quis dar o seu contributo. Em vez de apostar na cooperação estratégica, preferiu, desde cedo, fazer a política do PSD, primeiro criando um conflito inútil contra os Açores e contra o Partido Socialista, na questão do Estatuto, mais tarde, tentando criar mais dificuldades na governação, vetando sucessivamente diplomas do governo. Se se ficasse por aí, ainda era aceitável o seu papel. Mas isso não aconteceu. Cavaco Silva, como Mário Soares, bem nos avisou, tem a obsessão compulsiva pelo controle, pela intervenção e pela imposição dos seus valores conservadores. O Presidente da República acabou por tentar interferir nas duas campanhas eleitorais de uma forma, para mim, tão grave quanto inacreditável. Primeiro, um assessor seu há mais de 15 anos tenta vender, em seu nome, a um jornal a história de umas supostas escutas do Governo à Presidência da República. Quando descoberto desta intenção, Cavaco para se proteger demite o assessor de funções, dando-lhe outro emprego na sua Casa Civil. Em público, afirma que está preocupado com assuntos de segurança das suas comunicações. Depois das eleições, de uma forma azeda, tenta emendar a mão, afirmando que nunca ouviu falar de escutas, que o PS é que o tentou colar à campanha do PSD e que tinha ficado chocado em saber que os seus emails podiam ser alvo de escutas.

Para além de esta história ser confusa e contraditória tem um conteúdo muito grave. Das duas, uma. Ou o Presidente acha que está a ser escutado e nesse caso e devia ter falado ao país o quanto antes levando o caso até às ultimas consequencias. Ou então, Cavaco tentou influenciar as eleições contra o Partido Socialista, estando agora a tentar salvar de uma forma pouco inteligente a sua face e a honra do cargo que ocupa.

Mas como sempre, o povo é quem mais ordena, o PS, apesar de todas as contrariedades, voltou a ganhar as eleições e o PSD teve tanto no continente como nos Açores um dos piores resultados da sua história.

quarta-feira, outubro 07, 2009

SOLIDÁRIOS DAS SUAS PORTAS PARA DENTRO


Uma curta e perniciosa reportagem da RTP/Açores de ontem dava conta da renitência de alguns residentes nas Capelas contra a instalação do Centro de Reinserção dos Açores naquela freguesia.

Não sei se valerá de muito argumentar que esta mais do que útil, solidária e humanitária decisão do Governo dos Açores pretende terminar, definitivamente, com deslocação para território Continental, de jovens naturais dos Açores, quando sujeitos a medidas de internamento, proferidas por Tribunais da Região, ao abrigo da Lei Tutelar Educativa;

Não sei se valerá a pena dizer que os Açores são a única região do território nacional que não agrega a existência de uma estrutura de internamento para menores/jovens que comentam factos qualificados pela lei penal como crimes e que revelem elevadas necessidades de educação;

Não sei se a jornalista e os entrevistados sabem que tal projecto visa facilitar um processo de permanente interacção entre os menores internados e o seu meio de origem, a sua família, as suas referências e que isto é algo naturalmente defendido por todas as Convenções Internacionais que contemplem a área dos direitos das crianças/jovens);

Não sei se os contestatários conhecem que este Centro de Reinserção assentará numa forma inovadora de cooperação e interligação técnica entre Segurança Social dos Açores e a Reinserção Social pela qual estão já equacionadas estratégias especializadas de prevenção da delinquência, reabilitação e intervenção na família de crianças e jovens com medidas de tutelares educativas e medidas de promoção e protecção que necessitam de estratégias de grande incidência na re-socialização e reaprendizagem de competências para a vida.

Sei apenas que, propositadamente ou não, uma pergunta ficou por fazer àqueles cristãos de nome e solidários de meia-tijela, cuja preferência na escolha do local para a instalação de um Centro de Reinserção deveria ser, pressuponho, no mato ou, como melhor alternativa, na Sibéria.
A pergunta era simples: e se um dia for um filho seu ??

quinta-feira, outubro 01, 2009

"VAMOS NESSA"

Dados da Direcção-Geral das Autarquias Locais revelam que a Câmara Municipal da Povoação figura como a terceira pior do país no pagamento aos seus fornecedores.
São 506 dias que a Câmara demora a pagar as contas e outros tantos de desepero para quem lhe fornece o respectivo serviço.
Quando não se pode dispensar o cliente, o melhor é substituir a gestão.
"Vamos nessa".

"Silêncio e tanta gente"




Unravel