- Pense no seguinte: a serpente foi engenhosa, porque usou o mesmo órgão pelo qual falamos, a boca, para nos separar da criatividade. Encheu-nos a boca com o fruto da árvore do conhecimento. Só depois descobrimos que falar, isto é, dar vida aos seres dirigindo-lhes respeitosamente a palavra, com a boca cheia, é uma impossibilidade prática... antes de ser feio e pouco asseado. ela quis fazer-nos acreditar que conhecer é mais importante que conversar... E nós acreditámos."
"E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando as vidas dos insectos..." Mário Quintana
domingo, julho 05, 2009
"Eva"
- Pense no seguinte: a serpente foi engenhosa, porque usou o mesmo órgão pelo qual falamos, a boca, para nos separar da criatividade. Encheu-nos a boca com o fruto da árvore do conhecimento. Só depois descobrimos que falar, isto é, dar vida aos seres dirigindo-lhes respeitosamente a palavra, com a boca cheia, é uma impossibilidade prática... antes de ser feio e pouco asseado. ela quis fazer-nos acreditar que conhecer é mais importante que conversar... E nós acreditámos."
sábado, julho 04, 2009
sexta-feira, julho 03, 2009
Cobarde

Se numa rua virem um tipo destes - não se admirem - talvez seja ele. Tirem-lhe um retrato e publiquem no jornal. Ele vai adorar.
quinta-feira, julho 02, 2009
Prémio

"O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogues que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores”.
O Ardemares foi premiado - nesta espécie de corrente - pelos blogues In@rq e In concreto. Agradecendo a distinção e desde já retribuindo-a a ambos, atribuo o selo aos seguintes blogues:
APELOEH
Mataram a Tuna
Activismo de Sofá
Photoblog Filipe Franco
Bicho Carpinteiro
Margens de Erro
Repórter-X
O Francisco, o HGalante, a SRosa e o TóZé que façam as suas escolhas...Estes são os meus galardoados.
"À Janela do Mundo"
A lição de Madoff
Em altura de crise internacional os escândalos financeiros sucedem-se. Empresas como AIG, Madoff Investment Securities LLC e Lehman Brothers e empresários como Allen Stanford foram responsáveis por buracos de vários biliões de dólares americanos, que afectaram gravemente a economia americana. Em Portugal, os escândalos financeiros relacionados com bancos como o BCP, BPN e BPP, são de dimensão menor, mas nem por isso deixam de ser menos preocupantes. Na opinião de qualquer instituição de referência portuguesa, nenhum dos escândalos financeiros verificados em Portugal afecta directamente a nossa economia, contudo penso, que criam uma percepção de insegurança face à credibilidade e solidez do nosso sistema bancário por duas ordens de razão:
A primeira, prende-se com o facto dos buracos financeiros encontrados nestes 3 bancos, terem sido denunciados muito tardiamente pelas suas novas administrações, sem que o supervisor do sistema bancário, o Banco de Portugal, tivesse tido, em algum momento, a real percepção do problema. Isto leva-me a pensar, que não fosse, o tradicional perfil conservador da nossa banca, provavelmente, hoje, não teríamos a garantia do supervisor de que não poderíamos ter outros problemas na banca e que, esses sim, apresentassem um risco sistémico para o sistema financeiro português.
A segunda, tem a ver com a forma como as autoridades judiciárias lidam com as fraudes e burlas no nosso sistema financeiro. A percepção que os cidadãos têm, em relação à justiça em Portugal, é que um administrador de um banco pode ter gestão danosa, cometer fraudes, esconder prejuízos de milhões em paraísos fiscais e ainda receber bónus chorudos e manter regalias no valor de milhões de euros, sem que as autoridades consigam agir em tempo útil. Na minha opinião, o pior é que esta percepção está muito perto da realidade. Não é possível que uma comissão de inquérito da Assembleia da Republica (AR), com as limitações de poderes e de tempo que tem, consiga investigar, ouvir testemunhas e arguidos e tirar conclusões sobre o caso BPN, de uma forma mais rápida do que toda uma equipa da Polícia Judiciaria e do Ministério Público que trabalham no caso a tempo inteiro.
O exemplo da condenação de Madoff a 150 anos de cadeia, em apenas 11 meses de julgamento, mostra como funciona a justiça americana. Nos Estados Unidos, a corrupção e a fraude são crimes graves que devem ser julgados severamente e em tempo útil. Por uma questão de simples justiça é certo, mas também porque o funcionamento de uma economia avançada, moderna e credível não se compadece com um sistema judicial lento e pouco eficaz.
quarta-feira, julho 01, 2009
José Manuel de mais ninguém
Sempre soubera que o papel era dos Santos e que, por si, era só José Manuel. Desenhou um avião. Entrou no avião. Passaporte: José Manuel de Mais Ninguém.
- O Senhor não tem apelido, perguntou a hospedeira desenhada?
- de Mais Ninguém.
- Está bem, respondeu a hospedeira desenhada.
E o avião descolou...
...Quando a 1 de Abril dissera o mesmo na Frutaria ao Sr. Luís João Correia, o dono, este semi-cerrou os olhos, deu dois saltinhos à frente, dois atrás e gritou para a D. Maria Arlete Martins: está doido! E ela respondeu: varrido.
Foi por isso que José Manuel dos Santos os apagou desta história, um por um, varreu os restos, e desenhou um avião na parede. Dos Santos. Promessa.
Uma pisquinha de ode...

terça-feira, junho 30, 2009
O cúmulo
Nos tempos que correm e a aproximarem-se os dias para as eleições legislativas e autárquicas vão ouvir-se todos os argumentos. Uns mais fracos que outros; alguns mais contundentes e expressivos; outros mais vistos e desgastados. Cavaco Silva pediu, quando anunciou a data das eleições legislativas, serenidade e elevação e que fossem discutidos os problemas dos portugueses. No fundo, qualquer pessoa de bom senso, espera que assim seja. O Presidente da República, à cautela, também alimenta essa vontade. É natural.
Porém, os dias que correm não estão, com efeito, para alguns a ser vividos de forma muito serena. Primeiro, foi o afã de vitória, como se tivessem agarrado ao pulso um balãozinho, que os faz (quase sempre fez) flutuar além tempos, pessoas, modos e circunstâncias, esquecendo-se quer das responsabilidades que têm, quer do exemplo que deviam dar. Estão a flutuar, de tal maneira, acima da média do razoável, que, quando damos por eles, já lá vão, esquecidos das responsabilidades que têm, também, na dignificação do debate.
Ora, no fim-de-semana que passou presentearam-nos com mais uma expressão fenomenal. Se no último havia a expressão “é a política, estúpido”, neste fim-de-semana deram mostras da sua serenidade e elevação, quando, pela voz da líder do PSD/A se ouviu, alto e bom som, muito ao estilo de “suspenda-se a democracia por seis meses” de Manuela Ferreira Leite, que seria uma “estranha expressão de democracia” se os faialenses voltassem a escolher o PS para presidir aos destinos daquela autarquia. “Estranha expressão de democracia”?! Ao que chegou o PSD…É o cúmulo.
Tal episódio lembrou-me outros de há quatro anos atrás, quando a então só Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada baseou o seu discurso na promessa de casas a construir e lugares de estacionamento, debaixo do chão e à tona, uma central de camionagem, que ia aparecer afundada no Campo de São Francisco; para além de teleféricos e outras esféricas promessas. Agora já não é bem assim e até já abre os telejornais prometendo coisas para quando “tiver outras responsabilidades”…
Lamentavelmente, ou talvez nem tanto, a esta candidatura, que sendo dupla, faz vez de tripla, aplica-se o provérbio chinês que diz que: “quem fica na ponta dos pés tem pouca firmeza”. Costumo acrescentar que as bailarinas são uma excepção. Desta vez direi que não, que não são. Porque há certo tipo de bailarinas, no seu sentido figurativo, que é como quem diz metafórico, comparativo ou, nalguns casos, personificado, que rodopiam, rodopiam, rodopiam, sem nunca sair do lugar. Estão na vida, como sempre estiveram, em pontas, mostrando pouca firmeza e doses excessivas de auto-contemplação, lembrando “Uma coisa em forma de assim” e daí um texto desse livro de Alexandre O´Neill que se chama “Os convencidos da vida” e que diz: “há-os afinal por toda a parte, em todos (e por todos os meios). Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista. (…)”. É a minha passagem preferida no livro. Está na página 27. “Uma Coisa em Forma de Assim” foi reeditado pela Assírio & Alvim, em 2004. Reúne textos escritos pelo próprio ao longo das décadas de 60, 70 e 80 e publicados no Diário de Lisboa, Diário Popular, a Capital, Flama, A Luta e Jornal de Letras. Boa leitura para férias…
segunda-feira, junho 29, 2009
"Da Minha Esquina"
Balanço
Vivemos provavelmente a maior crise económica e social das nossas vidas. É neste contexto que vamos realizar daqui a quatro meses eleições legislativas. Penso ser já altura de poder fazer um pequeno balanço de quatro anos de governo do Partido Socialista.
Neste período, devemos ter em conta a herança deixada pelos governos de Santana Lopes e Ferreira Leite, a forma como o governo do PS resolveu estes problemas, as políticas de reformas implementadas, os resultados obtidos e as contingências da “Grande Recessão Internacional”.
O governo socialista de José Sócrates em três anos de Governo pôs em ordem as contas públicas e lançou e concluiu, em todas as áreas, reformas estruturais.
Criou novos direitos sociais, como o complemento solidário para idosos, que já abrange mais de 200 mil pessoas com mais de 65 anos, que graças a esta prestação social saíram do limiar da pobreza. Alargou o direito à acção social escolar, aos alunos cuja família esta abrangida pelo primeiro e segundo escalão do abono de família. Concebeu um novo abono pré-natal que abrange todas as mulheres grávidas de famílias, com direito a abono de família, a partir da 13ª semana de gravidez, com a condição de que estas recorram a acompanhamento médico nesta fase crucial da sua vida.
Pôs em marcha o Plano Tecnológico, com efeitos muito positivos para toda a sociedade portuguesa, elogiado por praticamente todas as instituições internacionais de referência. Alguns exemplos disso são o Cartão Único do Cidadão, o programa “Empresa na Hora”, o programa “Casa Pronta”, entrega do IRS via internet, a modernização tecnológica das escolas, o computador Magalhães para todos os alunos do 1º ciclo, a distribuição, através do programa e-escolas, de mais de 400 mil computadores e acesso à banda alarga, a alunos e professores dos restantes ciclos de ensino etc.
Promoveu a qualificação, formação e inserção profissional através de programas como “Novas Oportunidades” e “Inov” e abriu a novos públicos o ensino superior, com a diminuição da idade, para 23 anos, das pessoas que por sua iniciativa podem candidatar-se, prestando provas na universidade.
Este também foi o governo que reformou o sector da saúde, diminuindo as listas de espera para cirurgia quer no número de pessoas, quer no tempo médio de espera. Melhorou a rede e o funcionamento, das Maternidades, das Unidades de Saúde Familiar e rede de Cuidados Continuados a idosos e dependentes e facilitou o acesso ao medicamento e reduziu o seu custo para os utentes do serviço Nacional de Saúde.
É certo que somos, hoje, contingenciados por provavelmente uma das maiores crises económicas e sociais que o mundo já viveu desde a década de vinte do século passado. Mesmo assim, apesar das dificuldades, este governo não parou o seu ímpeto reformista, nem descurou o combate à crise que vivemos. Apoiado em contas públicas saudáveis, este governo aumentou o investimento público reprodutivo para gerar emprego, criou linhas de crédito bonificadas para ajudar as empresas e reforçou exponencialmente todos os mecanismos de suporte social existentes, como o subsídio de desemprego.
domingo, junho 28, 2009
Saber viver é vender a alma ao diabo
dos que se esquecem de comer a sopa
(Allez-vous bientôt manger votre soupe,
s... b... de marchand de nuages?")
e embarcam na primeira nuvem
para um reino sem pressa e sem dever.
Gosto dos que sonham enquanto o leite sobe,
transborda e escorre, já rio no chão,
e gosto de quem lhes segue o sonho
e lhes margina o rio com árvores de papel.
Gosto de Ofélia ao sabor da corrente.
Contigo é que me entendo,
piquena que te matas por amor
a cada novo e infeliz amor
e um dia morres mesmo
em "grande parva, que ele há tanto homem!"
(Dá Veloso-o-Frecheiro um grande grito?..)
Gosto do Napoleão-dos-Manicómios,
da Julieta-das-Trapeiras,
do Tenório-dos-Bairros
que passa fomeca mas não perde proa e parlapié...
Passarinheiros, também gosto de vocês!
Será isso viver, vender canários
que mais parecem sabonetes de limão,
vender fuliginosos passarocos implumes?
Não é viver.
É arte, lazeira, briol, poesia pura!
Não faço (quem é parvo?) a apologia do mendigo;
não me bandeio (que eu já vi esse filme...)
com gerações perdidas.
Mas senta aqui, mendigo:
vamos fazer um esparguete dos teus atacadores
e comê-lo como as pessoas educadas,
que não levantam o esparguete acima da cabeça
nem o chupam como você, seu irrecuperável!
E tu, derradeira geração perdida,
confia-me os teus sonhos de pureza
e cai de borco, que eu chamo-te ao meio-dia...
Por que não põem cifrões em vez de cruzes
nos túmulos desses rapazes desembarcados p'ra morrer?
Gosto deles assim, tão sem futuro,
enquanto se anunciam boas perspectivas
para o franco frrrrançais
e os politichiens si habiles, si rusés,
evitam mesmo a tempo a cornada fatal!
Les portugueux...
não pensam noutra coisa
senão no arame, nos carcanhóis, na estilha,
nos pintores, nas aflitas,
no tojé, na grana, no tempero,
nos marcolinos, nas fanfas, no balúrdio e
... sont toujours gueux,
mas gosto deles só porque não querem
apanhar as nozes...
Dize tu: - Já começou, porém, a racionalização do trabalho.
Direi eu: - Todavia o manguito será por muito tempo
o mais económico dos gestos!
*
Saber viver é vender a alma ao diabo,
a um diabo humanal, sem qualquer transcendência,
a um diabo que não espreita a alma, mas o furo,
a um satanazim que se dá por contente
de te levar a ti, de escarnecer de mim..."
Alexandre O´Neill, Poesias Completas (1951/1981), Biblioteca de Autores Portugueses
Imprensa Nacional Casa da Moeda.
sábado, junho 27, 2009
"À Janela do Mundo"
A Oposição em lista de espera...
Perspectivam-se dois actos eleitorais para o final deste ano, eleições autárquicas e eleições legislativas. As oposições apostam tudo o que têm e o que não têm, com o objectivo de conseguir denegrir a imagem do Governo do Partido Socialista.
Para a oposição governar é fácil.
No transporte marítimo de passageiros rasgavam-se os contratos quando não existiam motivos legais para o fazer, mesmo que essa fosse uma decisão com um elevado custo para os cofres regionais.
Agora, com os novos aviões da SATA tenta-se, mais uma vez, lançar a confusão:
A nossa oposição é nesse campo, o da confusão, verdadeiramente especialista: para renovar a frota da SATA, a oposição adquiria um modelo de aviões que ainda não se encontrava à venda no mercado na altura em que foi decidido adquirir aviões. Ao mesmo tempo, omitindo, entre outras coisas, que a transportadora aérea regional não podia adiar a aquisição de uma frota substituta dos ATP à espera da mais recente novidade tecnológica. Aliás, seguindo o argumento do CDS, nunca nenhum Governo decidiria o que quer que fosse enquanto esperava, sempre, pela mais recente evolução tecnológica.
Pior demagogia não pode existir já que, no caso do CDS, se algum acidente ocorresse com os ATP, o deputado Artur Lima seria o primeiro a vir a público acusar o Governo dos Açores de comportamento criminoso por não ter decidido comprar novos aviões na altura em que o deveria ter feito.
Mas fazendo o trabalho que o CDS/PP não fez, ou seja, consultando todos os dados disponíveis na internet, posso afirmar, que os aviões Dash Q400 foram escolhidos pela superioridade das suas características técnicas face à concorrência, custando cada avião aproximadamente 20 milhões de dólares, sendo acrescentado montante de previsional de 20% para despesas com peças, formação de tripulações e certificações. O montante global deste negócio, fiscalizado pelo Tribunal de Contas, aproxima-se dos 96 milhões de dólares, bem abaixo do valor de catálogo da Bombardier de 113 milhões de dólares.
Tenho pena que a oposição embarque na crítica fácil, mal preparada, irresponsável e demagógica, apenas com o objectivo de “roubar” votos ao PS, mesmo que isso implique custos graves para a nossa terra. Enfim, é a oposição que temos.