sábado, maio 23, 2009

Eu voto



PS Açores

Não é da minha autoria, recebi via e-mail

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Numa pequena vila em que nada de especial acontece, a crise sente-se.
Toda a gente deve a toda a gente, carregada de dívidas.

Subitamente, um rico turista entra no pequeno hotel local. Pede um
quarto e coloca uma nota de 100 € sobre o balcão, pede uma chave de
quarto e sobe ao 3º andar para inspeccionar o quarto que lhe indicaram,
na condição de desistir se lhe não agradar.

O dono do hotel pega na nota de 100€ e corre ao fornecedor de carne a
quem deve 100€.

O talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a pagar
100€ que devia há algum tempo.

Este por sua vez corre ao criador de gado que lhe vendera a carne que
por sua vez corre a entregar os 100€ a uma prostituta que lhe cedera
serviços a crédito.

Esta recebe os 100€ e corre ao hotel a quem devia 100€ pela utilização
casual de quartos à hora para atender clientes.

Neste momento o turista desce à recepção e informa o dono do hotel que o
quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos
100€. Recebe o dinheiro e sai.

Não houve neste movimento de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescido.
Contudo, todos liquidaram as suas dívidas e agora a população desta vila
já encara o futuro com optimismo.

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BRONCA

Antónimo Marinho Pinto é uma figura polémica. Já o era antes de ser bastonário da Ordem dos Advogados e agora, ao que parece, conquistou um protagonismo verdadeiramente inconveniente para a confusa teia da justiça portuguesa.
Deu bronca a entrevista de Manuela Moura Guedes a Marinho Pinto, no TJ de ontem da TVI. Às graves denúncias do bastonário contrapôs-se a habitual tentativa de julgamento e condenação praticada pela “pivot” da TV de José Eduardo Moniz.
Não sei se Marinho Pinto tem usado ou mesmo abusado do alto cargo que exerce para evidenciar a sua pessoa, através de uma certa comunicação social sempre sedenta de ver o país em ruínas e de profetizar a desgraça alheia. Mas a verdade é que o jornalismo de Manuela Moura Guedes tem preferido insinuar-se pela arrogância e acusação personalizadas do que informar pela imparcialidade, conforme recomenda a ética e a deontologia da profissão.
No duelo pela influência e pela exibição de poderes que a nenhum dos dois pertence, desta vez o julgamento foi mais favorável ao entrevistado do que à entrevistadora. Poderá a bronca até não ter sido justa, mas que foi pertinente…

sexta-feira, maio 22, 2009

Do espaço infinito dos abraços do meu urso amarelo

Ainda o conservo sentado na cesta do meu quarto. Está lá, dia após dia, amarelo, cansado do tempo, com os olhos pendurados por dois rijos fios pretos, espreitando por baixo de grossas pálpebras de um tecido forte, que traz de origem; herdado talvez de um resto de tecido para fazer olhos de peixe ou camisas para bonecas de sapatos de verniz. Aparece em quase todas as fotografias que tenho no álbum de infância, em vários sítios das casas onde morei; acompanhando-me no tapete, deitado ao meu lado no berço, em cima das prateleiras dos quartos, onde dormi, até chegar a este, que é o meu há mais de vinte anos. Durante o tempo em que me ausentei ficou à minha espera e depois, quando voltei, continuou a ocupar lugar de destaque. Já me serviu de almofada nas noites mais terríveis de tosse fortíssima e febres de gripe. Não tem nome nem sei, sequer, a sua data de nascimento; sei que é mais velho do que eu; que já era para mim, no dia em que nasci. Não conheço a mãe nem o pai, pois que, de uma forma ou de outra, tenho sido isso tudo para ele, mesmo sem lhe ligar nenhuma, agora, e ele tem sido a parte da saudade que trago das coisas de quando era pequenina. Do soprar sibilante da voz do meu avô, das suas mãos macias traçando a rota das palavras, gesticulando, ensinando-nos a coragem missionária (que é aquela que deve emprenhar os ouvidos até deixar neles o rasto do sal de tempero indissociável da rectidão e do trajecto leal e justo por causas das pessoas). Ao escrever agora esta crónica que a Lélia Pereira Nunes me pediu para este blog, que tanto admiro, dei por mim a pensar no meu urso amarelo; de como seria mais fácil escrever estas linhas se ainda me fosse possível ouvir o seu falar pausado, à moda de São Miguel, por vezes, parecendo chorado e irritado, ao mesmo tempo. Já não me é possível. Olho para ele todos os dias, rapidamente. Admiro-o. Tenho-o ali pousado na cesta do quarto porque, de uma maneira ou de outra, preciso de sentir que existi há tempos; que não sou só hoje isto, que houve um tempo em que cabia nos braços dele e lhe arrancava pêlos das orelhas amarelas ou pedrinhas do nariz; que houve um tempo em que existi fora disto, fora da existência de quando se começa a escrever as primeiras letras e se aprende a falá-las, depois a dizê-las, mais tarde a escrevê-las.
Gosto de escrever sobre a minha infância e quando o faço lembro-me sempre das palavras do meu escritor preferido, António Lobo Antunes: Tive infância. Fui feliz, os crescidos tratavam-me bem. Escreve olhos cheios de infância, anda. Assim como assim talvez te ajude a viver.E ajuda. Tive infância. Fui muito feliz. Os mais velhos (gosto mais desta expressão do que da palavra crescidos) tratavam-me muito bem. Olhos cheios de infância. Olhos cheios de infância e lá de longe uma voz a lembrar-me as sandálias da Colibri azuis e o espaço infinito dos abraços do meu urso amarelo, onde cabiam todas as mãos em que nunca mais toquei. Tenho saudades. Mas, sou muito feliz e tenho os olhos cheios de infância. Não me embaraça. Abraça.

Participação no blog Comunidades

quinta-feira, maio 21, 2009

domingo, maio 17, 2009

Orquestra Regional Lira Açoriana



Adorei ouvi-los esta noite no Campo de São Francisco.
Amanhã tocam nas Portas do Mar.

sexta-feira, maio 15, 2009

Devia ter havido intervenção na Bosnia e no Ruanda

O ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair defendeu que devia ter existido uma intervenção para evitar os conflitos que retiraram milhares de vidas no Ruanda e na bósnia...

Tony Blair fala sobre futuro da Globalização

“A única maneira de colocar o mundo a funcionar é na base de ideais comuns. E não há ideais comuns para o futuro da nossa sociedade que não tenham por base a justiça”.

Tony Blair fala sobre Democracia

"À Janela do Mundo"




Por este caminho, qualquer dia temos mais um Iraque

Na passada semana tive o prazer de estar presente nas Conferências do Estoril. Este evento teve como objectivo debater a globalização e crise económica internacional. Sob o lema “Desafios Globais, Respostas Locais”, assisti a intervenções e a debates muito interessantes de várias destacadas figuras da política e da economia internacional, como Tony Blair, Joseph Stiglitz ou José Maria Aznar.

Mas foi a intervenção sobre a globalização versus crise económica internacional protagonizada por José Maria Aznar que me suscitou mais interrogações. O ex-presidente do governo espanhol não partilha da opinião de que a globalização económica e social “liberal” foi a causadora do actual clima de “Grande Recessão”. Justifica que o actual modelo de “liberdade” económica foi responsável por tirar da pobreza mais de 500 milhões de pessoas, por incluir no sistema económico mundial mais de 3000 milhões pessoas, e por criar nos últimos 30 anos, o maior período de progresso económico e da democracia na história da humanidade. Aponta que a saída para esta crise nunca poderá passar pelo proteccionismo dos estados, mas sim, pela generalização e divulgação dos valores da liberdade económica e pela abertura dos mercados a mais nações. No mesmo sentido, é defendido que as nações civilizadas, ou seja, aquelas que defendem valores como a liberdade, democracia e igualdade entre todos os cidadãos, devem aliar-se para espalhar (impor) estes conceitos a outras nações ou culturas.

Apesar de aceitar os benefícios que a globalização trouxe ao nosso mundo, causa-me alguma perplexidade, o facto de, na sua intervenção, o ex-presidente não ter conseguido explicar as razões de estarmos em recessão económica. Não consigo também aceitar que sejam preconizados apenas dois caminhos de saída: o proteccionismo ou o liberalismo. Muito menos consigo perceber a insistência no conceito neoconservador de imposição de valores ditos “civilizados” que resultaram em situações de violação do direito internacional como a invasão do Iraque. É basicamente uma interpretação polida do conceito de Bush, do bem contra o mal. Defendo que o caminho a seguir passe por conceitos como o da globalização regulada, diálogo de civilizações e sobretudo tolerância de valores. Aznar não conseguiu explicar as razões da crise económica porque, afinal, era parte do problema. Nunca foi parte da solução.

Da minha esquina


Conferências do Estoril (parte 2)


Tive a oportunidade de assistir à intervenção, nas Conferências do Estoril, de Joseph Stiglitz, professor da Universidade de Columbia, prémio Nobel das Ciências Económicas em 2001. Joseph Stiglitz é talvez dos poucos economistas que há mais de dois anos avisava a administração americana que o sistema económico internacional estava em perigo de uma “Grande Depressão”devido à sua desregulação e falta de ética.

No diálogo que manteve com a plateia, o prémio Nobel descreveu o surgimento da crise económica internacional com algum rigor de análise e apontou algumas soluções e críticas às acções que têm vindo a ser tomadas por alguns países e pelo G20 para sairmos da situação em que nos encontramos.

O economista na sua análise parte de uma premissa básica em economia: “Os mercados não são perfeitos”. Assume que o sistema bancário é fundamental para o desenvolvimento de qualquer economia de mercado. Mas também assume, que no passado, a mistura entre banca comercial e banca de investimento e as sucessivas fusões entre grandes bancos criaram conflitos de interesses em termos função de negócio e de responsabilidade de apresentação de resultados. O negócio tradicional do crédito à habitação passou a ser visto como um activo financeiro, que poderia ver a sua rentabilidade multiplicada através sua aplicação em novos tipos de activos financeiros. Assim, o que dizia a nova lógica do negócio, era que devia ser aumentado o número de empréstimos à habitação de forma a aumentar a rentabilidade dos activos financeiros, independentemente do risco de crédito assumido. A banca percebeu que poderia jogar com o desejo normal de qualquer cidadão, de ter uma casa própria, através de propaganda de crédito fácil e enganoso. Passamos a ter dezenas de milhares de pessoas que não tinham condições financeiras para aceder a crédito à habitação a comprar casa. Por outro lado, este tipo de instituições tornaram-se elas próprias, para os países onde estavam sediadas, “too big to fail”, ou seja, os riscos de falência de uma instituição desta dimensão, como foi o caso da AIG, podia afectar irremediavelmente toda a economia, obrigando os Estados e os seus contribuintes a pagar a resolução destes problemas. Para além disso, FMI teve politicas que potenciaram a crise, desregularam mercados e assim os activos tóxicos disseminaram-se por praticamente todo o mundo, tendo tido particular incidência na Europa.

Todos estes factos propiciaram que uma qualquer crise nos mercados financeiros poderia ter efeitos sistémicos, pois toda a lógica de funcionamento da economia estava errada. Tínhamos em mãos uma bomba relógio financeira, que por afectar milhares de projectos de vida de pessoas com baixos rendimentos, rapidamente podia transformar-se numa bomba relógio social. E foi o que aconteceu.

Relativamente às soluções para resolver a crise concordo com algumas das críticas que Stiglitz faz às actuais lideranças. Não podemos por à frente da resolução dos problemas as mesmas pessoas que causaram a situação em que estamos, nem podemos deixar o FMI liderar este processo da mesma forma que no passado. Devemos sim apostar numa globalização regulada, no investimento público, sem cair em baixas de impostos populistas e sobretudo, aproveitar este momento, para diversificar a economia e prepara-la para o futuro.

Coisas de lavar a alma



Amália
estranha forma de vida
Inauguração 2ª feira, dia 18, 21 horas, Academia das Artes.

quarta-feira, maio 13, 2009

A Janela do Mundo

Injustiça

Sempre fui contra justiça popular ou julgamentos na praça pública, sobretudo por um motivo: geralmente nesse tipo de julgamentos não há de tudo menos justiça. Acredito sinceramente na máxima que diz que “todo o homem é inocente até prova em contrário”. Infelizmente o que geralmente acontece em Portugal é que uma vez levantada a suspeita sobre uma pessoa, esta fica como culpada para toda a vida. Não me consigo esquecer do caso Paulo Pedroso, em que para deleite da comunicação social, de alguns sectores da sociedade portuguesa e de até da própria Justiça, mais importante do que apurar a verdade, era o prazer de ter um político de topo atrás das grades. No final de um processo demasiado longo, as autoridades não conseguiram arranjar um único indício, que permitisse levar o político a julgamento. Continuamente descredibilizado, o sistema judicial, mais uma vez, teve de pedir desculpa ao arguido pelo que fizera à sua reputação.

Em Portugal continuamos a ter violações cirúrgicas e propositadas ao segredo de justiça, que fazem com que muitas vezes os jornais saibam mais que os juízes, continuamos a ter julgamentos e investigações que demoram demasiado tempo, temos algumas leis completamente absurdas que retiram a credibilidade ao sistema judicial e continuamos a cultivar um tipo de jornalismo saloio e provinciano que se regozija sempre que alguém com alguma notoriedade vê o seu nome associado a uma investigação.

Hoje é inevitável ouvirmos falar do nome do Primeiro-Ministro ou de Dias Loureiro, associado a uma investigação criminal quando vemos um noticiário ou lemos um jornal. O triste desta história é que o Ministério Público sempre negou que estaria sequer a investigar os dois políticos. Falamos apenas, de alegadas fugas de informação, boatos ou até calunias sobre o carácter das pessoas sem terem como base uma única prova sustentável. Continuamos a incorrer nos mesmos erros do processo Casa Pia, onde primeiro se faz o juízo da praça pública e só depois se pensa em justiça. Um país onde isto acontece é um país de injustiça, sem credibilidade, com pouco futuro. Cabe a todos de igual forma, sejam estes políticos, magistrados ou jornalistas, evitar que isto aconteça.