terça-feira, maio 12, 2009

Da Minha Esquina



Conferências do Estoril Parte 1

Foi com prazer que eu e alguns colegas Deputados aceitamos participar nas Conferências do Estoril, que têm lugar durante os dias 7, 8 e 9 de Maio, com o tema “Desafios Globais, Respostas Locais” e que contam com a presença de mais de 24 oradores de renome, das mais diversas áreas científicas e geográficas. Com a participação de estadistas, personalidades académicas e do mundo empresarial, como Fernando Henrique Cardoso, Gerhard Schröder, Joseph Stiglitz, José Maria Aznar ou Tony Blair, as Conferências do Estoril apresentam-se como um pólo de reflexão de nível internacional sobre os desafios da globalização e da crise internacional, não apenas numa abordagem técnico/financeira, mas também numa abordagem ideológica.

Ontem pela manhã tive o prazer de ouvir uma reflexão do ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso sobre a as causas da crise internacional que nos afecta e sobre as soluções que preconiza para sairmos dela. Segundo o estadista, nos anos 60, o conceito de globalização ainda não existia, sendo que, a ambição de qualquer economia ou grande empresa era a internacionalização. Nesta altura, assistíamos no mundo uma competição entre o modelo capitalista ocidental, relativamente regulado, e o modelo comunista soviético. O modelo capitalista ocidental sai vitorioso durante a década de 80 devido ao facto de ser o único que conseguiu evoluir tecnologicamente. O avanço tecnológico do capitalismo permite a criação da teoria de que o mercado tudo resolve, (preconizado por Thatcher e Reagan) e dá origem à globalização que conhecemos. O problema descrito pelo ex-presidente brasileiro, que partilho, é que a tendência liberalizante destes tempos trouxe um conjunto de novos e modernos tipos de instrumentos financeiros, sobre os quais não havia qualquer controlo. Esta evolução das ferramentas do capitalismo foi feita sobre as estruturas do modelo económico criado e desenhado em Bretton Woods e revisto nos anos 70, que se revelava, verdadeiramente, ineficaz para sustentar a evolução do capitalismo das décadas de 90 e de 2000. Chegamos então a um ponto em que, por exaustão do actual desenho sistema económico internacional, entramos em recessão profunda que levará, obrigatoriamente, à acção das actuais potências mundiais no sentido de criar uma nova ordem económica mundial mais regulada e transparente.

Na minha opinião, FHC fez, provavelmente, das melhores análises sobre a crise económica mundial. Retenho uma ideia que me parece fundamental para caracterizarmos a saída para a situação em nos encontramos: A crise internacional vai obrigar à "renegociação do poder no mundo, de preferência sem guerra”. “Só com a percepção de o sistema económico desenhado pelos vencedores da II Guerra Mundial com FMI e BMI incluído faliu, e que depois disto nada mais será igual, poderemos dar lugar aos novos agentes e instituições mundiais, no sentido de de criar uma nova ordem económica internacional”.

domingo, maio 10, 2009

Malhas que o império tece (Fase D)

No telejornal da RTP/A, uma reportagem sobre a ida de Duarte Freitas à Escola Básica e Integrada da Ribeira Grande, no âmbito das comemorações do Dia da Europa, revela um dado novo. Um jovem aluno terá perguntado ao deputado europeu qual o seu político português preferido? Duarte Freitas respondeu, sorrindo, que o seu político português preferido não estava já no activo. Chama-se Vítor Cruz, disse.
Agora percebo as palavras de Cláudio Lopes no último plenário da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.
...
Duarte Freitas não lê o Correio da Manhã. Ou então lê e, como se diz por São Miguel, não faz caso e diz o que lhe vai na alma...(A)berta(mente).

sábado, maio 09, 2009

quinta-feira, maio 07, 2009

RADICALMENTE CONTRA

Bem sei que a Democracia tem destas coisas: às vezes aqueles que elegemos decidem contra a nossa vontade. Mas sempre gostava de saber que raio de prazer se vive ao ver-se espetar uma vara no dorso de um animal.

MEMÓRIAS

A recordar, porque há quem se tenha esquecido

Müz´ka



Não sei porquê apeteceu-me esta müz´ka depois de ler algumas passagens do livro de Daniel de Sá, lançado esta 4ª feira, no Núcleo de Arte Sacra, em Ponta Delgada: "Peregrinos do Senhor Santo Cristo dos Milagres"...
Não é a primeira vez que a posto nem há-de ser a última.

segunda-feira, maio 04, 2009

ENTENDIMENTOS


À distância do Brasil, o saudoso e ex-jogador do Benfica, Léo, afirma que Quique Flores não entende o futebol português.
Não sei se a dificuldade do treinador Quique se resume a uma questão de língua ou de linguagem futebolística lusa, mas a verdade é que naquela verdadeira “Torre de Babel” que é a equipa do Glorioso, com gregos, espanhóis, argentinos, brasileiros e outros magos que tão bem gaguejam com a bola, não há português nem russo que entenda o futebol do Benfica.
A falta que nos faz um guarda-redes...chinês.


Da Minha Esquina

Os dias que devolveram a esperança ao mundo

Sim, ele conseguiu

Passaram recentemente 100 dias desde que Barack Obama tomou posse com 44º Presidente dos Estados Unidos da América. Apesar de 100 dias de mandato terem apenas um significado simbólico em termos daquilo que um Presidente americano pode fazer, sou de opinião que este começo é bastante prometedor. Acho que o mandato de Obama deve ser avaliado por duas razões:

Em primeiro lugar, devemos avaliar aquilo que foi realizado neste curto espaço de tempo. A administração Obama teve a coragem mandar fechar Guantánamo e de assumir que os Estados Unidos da América não aceitam a tortura como compatível com os valores que defendem. Esta posição, só por si, já era suficiente para avaliar positivamente estes 100 dias. Mas o facto de, pela primeira vez, os EUA estarem dispostos ouvir e a negociar com países como Cuba, Venezuela e Irão e de estarem dispostos a trabalhar dentro da ordem das Nações Unidas e, em parceria com a União Europeia, no sentido da resolução de problemas comuns, significa uma viragem de 180 graus na política externa, rumo ao multilateralismo que sempre apreciei. Por outro lado, dá início à retirada de tropas do Iraque, embora de uma forma faseada, direccionando todas as suas atenções para o principal ninho de terrorismo e de produção de ópio no mundo, o Afeganistão, da forma mais correcta, no âmbito da NATO e em parceria com vizinhos estratégicos como o Paquistão.

Ao nível da política interna, os EUA rapidamente perceberam que a crise económica que passam tem as suas origens no tipo de sistema capitalista instalado e globalizado que permite que 40% dos ganhos bolsistas se devam à especulação imobiliária, contratos de cartão de crédito enganosos e a resultados de bancos sem credibilidade. Desde que chegou à Casa Branca, o presidente norte-americano, aprovou um pacote intervencionista anticrise 789 biliões de dólares, fez legislação que limita os salários e os prémios dos gestores de empresas que recebem apoio do Estado, aceitou fazer uma lista negra de paraísos fiscais e aprovou um novo orçamento federal que direcciona o investimento para o welfare-state e para as energias renováveis.

Em segundo lugar, mas mais importante do que, concretamente, este Presidente já fez, são os sinais que dá ao mundo do que tenciona fazer no futuro. Quando declara que a administração americana deve assumir o seu papel no combate às alterações climáticas, que o Estado deve assumir um papel preponderante em garantir o acesso universal à educação e à saúde, em que se estabelece a prioridade, tal como foi feito no projecto Manhattan ou no projecto Apollo, de investir a sério nas energias renováveis e se anuncia, até ao final do ano, a reforma profunda de todo o sistema financeiro americano, estão a dar-se exemplos muito fortes a toda a comunidade internacional.

Pode ser que Barack Obama não consiga concretizar toda a sua agenda. Infelizmente, a “política é a arte do possível”, mas pelo menos teve uma ousadia rara hoje em dia. Tentou.

P.S.- Muito se tem falado ultimamente das touradas picadas (sorte de varas). Neste sentido acho que devo partilhar com quem me elegeu o meu sentido de voto sobre esta matéria. Votarei contra a “Sorte de Varas” pelo facto de achar que é um espectáculo de violência desnecessária e gratuita contra um animal e que em nada eleva a lide tauromáquica.

sábado, maio 02, 2009

coro dos maus oficiais de serviço na corte de epanimondas, imperador



"Vá
uma morte loura
simpática
acolhedora
que não dê muito que falar
mas que também não gere
um silêncio excessivo


uma morte boa
a uma boa hora
uma morte ginasta tradutora
relativamente compensadora
uma morte pedal espinha de bicicleta quase carapau
com quatro a cinco soltas a dizer
que se ele não tivesse ido embora
tão jovem tão salino
boas probabilidades havia de ter
de vir a ser
dos melhores poetas pós-fernandino

vá lá vá lá Mário
uma morte
naniôra
que não deixe o esqueleto de fora como nos casos de mau gosto

os esqueletos são sempre um quê de arrependidos
se bem que por aí já convinha lá isso também é verdade


o demais demora
e
francamente nunca será teu

vá vá vamos embora

custava-te menos agora
e ainda ias para o céu"

sexta-feira, maio 01, 2009

Bom filme



"(...) Our lives on this planet are too short and the work to be done too great (...) But we can perhaps remember – even if only for a time – that those who live with us are our brothers, that they share with us the same short movement of life, that they seek – as we do – nothing but the chance to live out their lives in purpose and happiness, winning what satisfaction and fulfillment they can."

Robert F. Kennedy