domingo, abril 19, 2009

Obrigado Mar i ana

Obrigado por teres criado o Ar e teres multiplicado o mar, por teres dado o Ar aos mares e nos teres deixado voar no teu ar e navegar nos teus mares.

sábado, abril 18, 2009

As Ilhas desconhecidas

Via Reporter X o link para a 1ª parte de As ilhas Desconhecidas, de Vicente Jorge Silva.(transmitida na RTP 1, 6ª feira, dia 17 de Abril).
A ver.

Quatro

Faz hoje quatro anos o Ardemares. Tinha pensado escrever um post mais sério para assinalar a efeméride, mas não sei se do tempo, se do adiantado da hora, se do monte de papel que rodeia aqui a minha secretária com trabalho por fazer, não vou escrever mais nada além do que penso por agora. Agradecer ou, por outra, dizer que é um gosto enorme fazer este blogue; que surgiu na sequência do Ardemar, que apaguei, mas do qual guardo ainda os arquivos;
Dizia eu que é um gosto imenso (prefiro essa palavra) fazer o blog, que passou de blog de 1 blogger para blog de 5 bloggers (prevejo a entrada de mais um, mas estou à espera que se decida);
Dizer que espero continuar com o blog, porque gosto de o fazer, de lhe por müz´ka; de o encher de poemas e citações; de escrever coisas que me apetece escrever; de não escrever, quando não me apetece escrever.
Gosto de fazer e manter este blog e, enquanto assim for, aqui, direi e falarei do que me apetecer, quando me apetecer, como me apetecer.
Apetecer é a palavra. Fazer um blog apeteceu-me há 6 anos. O Ardemares apeteceu-me há 4.
Ainda acredito que o poder de uma palavra pode matar ou ajudar a ressuscitar.

sexta-feira, abril 17, 2009

“À Janela do mundo”

O Desafio Europeu

Atravessamos tempos de crise inimagináveis há apenas um ano. O país vai crescer -3,5% (a Irlanda vai ter um crescimento negativo de -8%), o desemprego caminha para os 9%, as exportações caem 14,2%, o investimento -14,4% e o consumo decresce 0,9%, apesar do rendimento disponível das famílias aumentar em 2009 cerca de 2%.

Quando atingimos estes números percebemos que o problema da nossa economia não pode ser resolvido apenas com instrumentos macroeconómicos internos. A solução para a crise económica passa, quase em exclusivo, por políticas comuns dentro da União Europeia, de combate à crise.

As eleições europeias de Junho poderão ser um excelente contributo para discutirmos o relançamento da economia, a prevenção de novas crises, uma nova política agrícola comum e de pescas e a dependência energética da UE. É, aliás, uma oportunidade única de pressão legítima dos cidadãos europeus sobre as instituições para acelerar a luta contra a recessão económica, que surge na melhor altura.

O PS teve a noção deste desafio ao escolher um cabeça de lista, Vital Moreira, que não está ligado directamente ao partido e que até, algumas vezes, tem discordado com as suas posições, mas que está preparado para apresentar um projecto europeu aos portugueses. Infelizmente, nem o PSD nem o CDS/PP conseguiram sair da “política do rectângulo”, preocupando-se mais com a sua estabilidade interna e com as eleições legislativas em Outubro.

Conseguiram a muito custo, após meses de indecisão e de guerra interna, apresentar Paulo Rangel, líder parlamentar do PSD, e o deputado do CDS, Nuno Melo, como cabeças de lista. São soluções sem “rasgo político”, a preto e branco, como o cartaz do PSD, que não trazem nada de novo.

Por cá, por um lado, fico triste por perder um dos meus mais brilhantes colegas, Luís Paulo Alves, especialista em agricultura e economia, por outro lado, fico orgulhoso da representação socialista dos Açores no Parlamento Europeu continuar a ter uma excelente qualidade.

Talvez fruto da falta de importância que alguns partidos dão as eleições europeias, a última previsão do Eurobarómetro indica que só um terço dos eleitores tenciona votar. Os Açorianos podem dar o exemplo contrário, indo em massa às urnas, transmitindo à oposição, ao país e à União Europeia que não fazem parte do problema que vivemos, mas sim que estão disponíveis para, conjuntamente, discutir e participar na procura de alternativas e soluções para o momento que atravessamos.

Da Minha Esquina


Política do Foguete

Sempre aceitei que os intervenientes no poder executivo tentem apresentar obra pouco antes das eleições. Acho normal e legitimo que num projecto a quatro anos haja obra para inaugurar ou apresentar aos cidadãos. Se o Governo inaugurar uma via rápida antes das eleições ou até a Câmara Municipal de Ponta Delgada fizer o mesmo relativamente a uma avenida litoral considero ser normal, em democracia, não devendo, por isso, ser alvo de críticas. Censuro, porém, quando se começa a entrar no exagero. É que, essa “tentação” é tão ridícula, quanto espalhafatosa e tendencialmente resultante de puro e simples afã mediático que, tal como sabemos, é maleita de “políticas do foguete”. Exemplificando: quando vejo a Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada fazer uma cerimónia, com pompa e circunstância, pela oferta de três casas de habitação social, apenas para fazer um número na comunicação social, imagino que se o Governo dos Açores tivesse feito o mesmo relativamente às quinze mil famílias, que apoiou, teria tido que entregar, em 12 anos de mandato, cerca de quatro casas e meia por dia. O que, convenhamos, não só seria humanamente impossível, como eticamente reprovável.

Quando temos obras, como a da avenida Cecília Meireles ou da radial do Pico de Funcho (zona do Mata Mulheres), hoje praticamente intransitáveis e perigosas para o transito devido à ausência de sinalização, que se arrastam morosamente, apenas para serem inauguradas antes das eleições. Quando se inaugura o parque de estacionamento do Largo de São João um ano depois da sua entrada em funcionamento. E quando, tendo o centro da cidade de Ponta Delgada, a morrer, vazio a partir das 19 horas, se faz a requalificação da rua dos Mercadores, com um excelente trabalho dos calceteiros (concordo), mas sem saber à partida, como vai funcionar o trânsito. Decidindo apenas a posteriori, criar um traçado urbano, nessa rua, de gincana automobilística no meio de peões, sem consultar os comerciantes que lá trabalham.

Chegamos a um ponto, em que não conseguimos, por muito que se queira, arranjar desculpas para tais trapalhadas.

Está visto! Por “mãos à obra” é em Ponta Delgada - fazer tudo muito depressa, com muito holofote e flash. Planificação? Modelo de desenvolvimento? O que é Isso?

Bem dito!

"(...)Ponta Delgada necessita que não se circule de carro no centro histórico, podendo mesmo passar por aí a solução de grande parte dos problemas do comércio tradicional. Com uma boa rede de parques de estacionamento, como aquela que entretanto foi criada, a cidade beneficiaria - e muito - do encerramento das ruas ao trânsito. Exemplos como este não faltam. De repente, lembro-me de Lagos, no Algarve, local onde os carros só circulam na periferia. Que se tenha conhecimento, os comerciantes não se queixam, já que a cidade se transforma num megacentro comercial."
Expresso das Nove, a 17 de Abril de 2009

Tirando a parte da "boa rede de parques de estacionamento" concordo em absoluto. Com efeito, a opção por instalar debaixo do chão da avenida um parque de estacionamento ou aquela ideia manhosa de instalar, primeiro debaixo do Campo de São Francisco, agora na Rua de Lisboa, salvo erro, uma central de camionagem (?) puseram fim a um ideal de "cidade sem carros"...

Vá-se lá perceber as modas...

quinta-feira, abril 09, 2009

Difícil é dizer

"Difícil é dizer quando não se esquece,
quando a tristeza da noite é um deus recolhido
nas grutas onde o sonho é uma jangada
e o horror é um sino de catástrofes.

Difícil é dizer a espessa solidão
de cristais puríssimos exilados
na penumbra de um homem quase morto
porque não houve um pulso solidário.

Difícil é dizer quando se aponta
esta dor de nós mesmos segredada
por um pudor que dorme ao meio da erva,
longe das casas, longe dos que falam.

Rumorejar bem dentro da caverna
onde as asas partidas nos embalam,
difícil é dizer o tiro exacto
que em nós deflagrasse junto à água,
bem no centro de um estrondo de cascatas."


João Rui de Sousa, "Quarteto para as próximas chuvas"
(Dom Quixote, 2008)

terça-feira, abril 07, 2009

Apontamento

«Mas o que quer dizer este poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora.
E o que quer dizer uma nuvem? - respondi triunfante.
Uma nuvem - disse ela - umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo...»


Mário Quintana

domingo, abril 05, 2009

Postal de Domingo




"(...) E vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa

e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida."

Sérgio Godinho, O Primeiro Dia

Apontamento

Ela queria que ele fosse o presidente das autonomias.
Não só não foi, como, mesmo assim insiste...
...

sexta-feira, abril 03, 2009

ANIMAÇÃO


Não sabia, mas fiquei a saber que, a par de assuntos sérios, há certos debates na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores inspirados nas mais populares personagens da banda desenhada. A formosa e não segura fada “Sininho”, o voador e gentil “Peter Pan” e o temível “Capitão Gancho” já têm representação viva no nosso órgão legislativo.
Para além das sessões do Parlamento Jovem, a ideia é criar agora o Parlamento Juvenil, mas com um ou outro deputado sénior na figuração.
As crianças vão adorar…E os adultos também.

Müz´ka



Não sei porquê esta müz´ka hoje, mas lembrei-me...É sexta-feira. Seja pelas´alminhas!!!

quinta-feira, abril 02, 2009

A Ponta Delgada, minha cidade


imagem

Com o uso do pronome possessivo no título da crónica espero não ferir qualquer tipo de susceptibilidade menos acostumada ao termo usado por mim neste espaço. Afinal de contas, Ponta Delgada, às vezes, embora podendo parecer só de uns, é de todos. Até daqueles que, não nascendo aqui, a escolheram para viver e morar. Trata assim, este texto, de escrever sobre um certo “apego à terra” que me viu nascer e crescer; os primeiros anos de vida, na Avenida D. João III, mais tarde, em São Joaquim e depois, até hoje, com um interregno de seis anos, na freguesia da Fajã de Baixo.

Associo muito a baixa de Ponta Delgada ao cheiro dos livros novos da escola, aos lápis, ainda por afiar nos estojos e a um toldo verde, que tínhamos ali para os lados do jardim da Zenite, que era a porta da entrada da nossa papelaria – a Académica. Naquela altura, anos 80, a minha cidade era isto: descer a avenida Gaspar Frutuoso de carro de pedais, estacioná-lo, cumprimentar o Nero, que não raras vezes me aguardava ao portão, pegar numa lancheira cor de laranja e branca e ir levar o lanche merecido ao trabalhador mais velho da família.

Hoje, no dia do seu aniversário, lembrei-me do carro vermelho de pedais, da Escola da Mãe de Deus, do professor Macedo, da mercearia do Sr. João, da Dona Manuela, da galinha que vivia na varanda de São Joaquim, dos bombeiros que tocavam tambores a ensaiar para a procissão ou dos bonecos da Disney, enfiados na relva do jardim da Zenite e mais adiante em frente ao tribunal…

A circunstância de fazer anos hoje, a minha cidade, fez-me, por minutos caminhar, atrás e adiante no tempo, o que, diga-se em abono da verdade, nunca fez mal a ninguém, por pior ou melhor que se possa sentir.

Parabéns, pois, a Ponta Delgada e à sua vela 463º…Que conte muitos mais são os meus votos e que se faça livre do olhar, por vezes guloso, dos tempos e das modas.