"E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando as vidas dos insectos..." Mário Quintana
sábado, abril 11, 2009
quinta-feira, abril 09, 2009
Difícil é dizer
"Difícil é dizer quando não se esquece,
quando a tristeza da noite é um deus recolhido
nas grutas onde o sonho é uma jangada
e o horror é um sino de catástrofes.
Difícil é dizer a espessa solidão
de cristais puríssimos exilados
na penumbra de um homem quase morto
porque não houve um pulso solidário.
Difícil é dizer quando se aponta
esta dor de nós mesmos segredada
por um pudor que dorme ao meio da erva,
longe das casas, longe dos que falam.
Rumorejar bem dentro da caverna
onde as asas partidas nos embalam,
difícil é dizer o tiro exacto
que em nós deflagrasse junto à água,
bem no centro de um estrondo de cascatas."
João Rui de Sousa, "Quarteto para as próximas chuvas"
(Dom Quixote, 2008)
quando a tristeza da noite é um deus recolhido
nas grutas onde o sonho é uma jangada
e o horror é um sino de catástrofes.
Difícil é dizer a espessa solidão
de cristais puríssimos exilados
na penumbra de um homem quase morto
porque não houve um pulso solidário.
Difícil é dizer quando se aponta
esta dor de nós mesmos segredada
por um pudor que dorme ao meio da erva,
longe das casas, longe dos que falam.
Rumorejar bem dentro da caverna
onde as asas partidas nos embalam,
difícil é dizer o tiro exacto
que em nós deflagrasse junto à água,
bem no centro de um estrondo de cascatas."
João Rui de Sousa, "Quarteto para as próximas chuvas"
(Dom Quixote, 2008)
terça-feira, abril 07, 2009
Apontamento
«Mas o que quer dizer este poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora.
E o que quer dizer uma nuvem? - respondi triunfante.
Uma nuvem - disse ela - umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo...»
Mário Quintana
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Everybody here comes from somewhere
domingo, abril 05, 2009
Postal de Domingo
"(...) E vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida."
Sérgio Godinho, O Primeiro Dia
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os sonhos mais lindos sonhei
Apontamento
Ela queria que ele fosse o presidente das autonomias.
Não só não foi, como, mesmo assim insiste...
...
Não só não foi, como, mesmo assim insiste...
...
sexta-feira, abril 03, 2009
ANIMAÇÃO

Não sabia, mas fiquei a saber que, a par de assuntos sérios, há certos debates na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores inspirados nas mais populares personagens da banda desenhada. A formosa e não segura fada “Sininho”, o voador e gentil “Peter Pan” e o temível “Capitão Gancho” já têm representação viva no nosso órgão legislativo.
Para além das sessões do Parlamento Jovem, a ideia é criar agora o Parlamento Juvenil, mas com um ou outro deputado sénior na figuração.
As crianças vão adorar…E os adultos também.
Para além das sessões do Parlamento Jovem, a ideia é criar agora o Parlamento Juvenil, mas com um ou outro deputado sénior na figuração.
As crianças vão adorar…E os adultos também.
Müz´ka
Não sei porquê esta müz´ka hoje, mas lembrei-me...É sexta-feira. Seja pelas´alminhas!!!
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should I stay or should I go
quinta-feira, abril 02, 2009
A Ponta Delgada, minha cidade
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imagem
Com o uso do pronome possessivo no título da crónica espero não ferir qualquer tipo de susceptibilidade menos acostumada ao termo usado por mim neste espaço. Afinal de contas, Ponta Delgada, às vezes, embora podendo parecer só de uns, é de todos. Até daqueles que, não nascendo aqui, a escolheram para viver e morar. Trata assim, este texto, de escrever sobre um certo “apego à terra” que me viu nascer e crescer; os primeiros anos de vida, na Avenida D. João III, mais tarde, em São Joaquim e depois, até hoje, com um interregno de seis anos, na freguesia da Fajã de Baixo.
Associo muito a baixa de Ponta Delgada ao cheiro dos livros novos da escola, aos lápis, ainda por afiar nos estojos e a um toldo verde, que tínhamos ali para os lados do jardim da Zenite, que era a porta da entrada da nossa papelaria – a Académica. Naquela altura, anos 80, a minha cidade era isto: descer a avenida Gaspar Frutuoso de carro de pedais, estacioná-lo, cumprimentar o Nero, que não raras vezes me aguardava ao portão, pegar numa lancheira cor de laranja e branca e ir levar o lanche merecido ao trabalhador mais velho da família.
Hoje, no dia do seu aniversário, lembrei-me do carro vermelho de pedais, da Escola da Mãe de Deus, do professor Macedo, da mercearia do Sr. João, da Dona Manuela, da galinha que vivia na varanda de São Joaquim, dos bombeiros que tocavam tambores a ensaiar para a procissão ou dos bonecos da Disney, enfiados na relva do jardim da Zenite e mais adiante em frente ao tribunal…
A circunstância de fazer anos hoje, a minha cidade, fez-me, por minutos caminhar, atrás e adiante no tempo, o que, diga-se em abono da verdade, nunca fez mal a ninguém, por pior ou melhor que se possa sentir.
Parabéns, pois, a Ponta Delgada e à sua vela 463º…Que conte muitos mais são os meus votos e que se faça livre do olhar, por vezes guloso, dos tempos e das modas.
terça-feira, março 31, 2009
BIZANTICES

Partindo do errado princípio de que a história autonómica se reduz a “umas bandeiras e alguns papeis”, o douto ex-presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, Reis Leite, catalogou como “bizantina” a ideia de criação de um museu da Autonomia dos Açores.
Na visão prescrita do também ex-secretário regional da Cultura, enquanto a Autonomia é coisa do presente e do futuro os museus são algo que se referem ao passado.
Os museus não são, não podem ser, na suspeita concepção de Reis Leite, uma escola viva, participante e actuante no conhecimento da nossa história e, no caso concreto, da história da Autonomia dos Açores que, com certeza, vai muito além de bandeiras e papeis.
Para quem se queixa de que ninguém ama o que não conhece, outros argumentos e outras dores se calarão lá no seu íntimo contra a fundação de um museu da Autonomia em Ponta Delgada, a não ser que a vontade de contestar seja tão fútil como as questões teológicas das antigas cortes de Bizâncio.
segunda-feira, março 30, 2009
Praça dos Direitos da Criança
Há uma Praça dos Direitos da Criança que continua a anunciar que o cinto tem horário de funcionamento das x às x horas, apesar de não ter chaves nas portas; que é para indivíduos até aos 51 anos e que é proibido usar skates (?). Esta de não poder usar skates sempre me impressionou...
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concelho feliz (fajã de baixo)
domingo, março 29, 2009
sábado, março 28, 2009
sexta-feira, março 27, 2009
PROFISSÃO: COMENTADOR
Recebi por email, o texto que abaixo transcrevo. Não tenho nada contra os comentadores, acho mesmo que "fazem parte", mas também não deixo de achar piada ao texto, que é da autoria de José Niza, e foi, diz-me a Bárbara, publicado no jornal "O Ribatejo". Deixo-o por aqui com os votos de bom fim de semana e "larguras", como se diz na terra do meu pai....
"Uma boa parte dos Portugueses lá vai trabalhando. Outra, são os reformados, desempregados, crianças e estudantes. E os que sobram são Comentadores.
Comentadores de tudo e de coisa nenhuma.
Comentadores que fazem comentários sobre o que os outros comentadores disseram ao comentar os factos comentáveis.
Os comentadores são uma praga daninha, uma horda predadora e selvática, um tsunami que leva tudo à sua frente. Mandam bocas, dão palpites, fazem previsões infalíveis, caluniam, insultam, berram, gritam. Se algum deles algum dia disser que alguma coisa boa aconteceu em Portugal, é imediatamente despedido.
Na sua maioria são de uma ignorância enciclopédica. Preguiçosos e vaidosos. Uns dóceis, outros furibundos. E, os restantes, nem uma coisa nem outra.
Há comentadores de tudo e para tudo. Como no AKI. Há os da televisão. Os da rádio. Os dos jornais. Os dos cafés. Os das filas de autocarros. Os dos restaurantes caros. Os das tabernas. Há os que falam sozinhos no meio da rua. E os dos barbeiros que viraram cabeleireiros de homens. Há os das finanças. Os de futebol. Os das bolsas. Os da política, Ah! os da política! Os dos livros. Os dos assuntos militares. Os dos crimes. Os dos assuntos religiosos. Os das doenças tropicais. Os do tráfico de drogas. Os da moda. Os das vidas dos outros. Os dos casamentos. E os dos divórcios.
Mas há também os das arbitragens. Os dos fora-de-jogo. Os dos penalties. Os dos apitos dourados. E os do Benfica. Os do Porto. Os do Sporting. E os de nem-uma-coisa-nem-outra.
Multiplicam-se como os cogumelos, aos milhares, aos cardumes, aos enxames, às manadas (salvo seja!). E estão em tudo o que é sítio.
Quase todos "falam, falam... mas não dizem nada". Falam do que não sabem. E não sabem do que falam. Dão erros de ortografia, engasgam-se ao microfone, dizem que há obras de "beneficiência". Alguns deles até escrevem livros que se vendem às carradas por causa das capas com umas gajas sexy e que por dentro só têm palavras, palavras, palavras, tudo em segunda mão.
Há os "apocalípticos", tipo Medina Carreira, que já anunciou 87 vezes a derrocada de Portugal e que todos os dias, quando acorda, acha que é mentira.
Mas também há os "cavaquistas", como Marcelo Rebelo de Sousa. E os "anti-cavaquistas", como Marcelo Rebelo de Sousa.
Há os "zangados com a vida", tipo Pulido Valente. E os "carecas" como Medeiros Ferreira.
Há ainda os "vingativos", contra o Governo, como José Manuel Fernandes, o do Público, sempre fiel ao patrão Belmiro.
E há "os homens não se medem aos palmos" tipo António Vitorino. E os 007, tipo Moita Flores. E os 1/2 loucos, como Vicente Jorge Silva.
Seguem-se os "despenteados", como António Barreto e os "trapalhões", género Luís Delgado.
Há ainda os "não deixo falar ninguém", como o inefável Mário Crespo. E os "falinhas mansas" como Lobo Xavier. E os "eu sou o maior", como Ricardo Costa.
E, para atestar, os "agarrem-me senão eu mato-o", estilo Pacheco Pereira.
Se não houvesse comentadores encartados o mundo seria mais ecológico, o buraco do ozono mais pequeno e haveria uma considerável redução de enfartes de miocárdio. Mas, em contrapartida, o desemprego subiria em flecha.
Nunca há bela sem senão. Digo eu.
PS.
– E o leitor: "Mas então, e você! Não é comentador?" Claro que sou. E com muita honra. Mas eu, ao menos, tenho leitores;- as minhas crónicas são lidas pelos meus familiares, por mim próprio e, até, pelo Joaquim Duarte, director deste jornal, não vá eu pisar o risco..."
"Uma boa parte dos Portugueses lá vai trabalhando. Outra, são os reformados, desempregados, crianças e estudantes. E os que sobram são Comentadores.
Comentadores de tudo e de coisa nenhuma.
Comentadores que fazem comentários sobre o que os outros comentadores disseram ao comentar os factos comentáveis.
Os comentadores são uma praga daninha, uma horda predadora e selvática, um tsunami que leva tudo à sua frente. Mandam bocas, dão palpites, fazem previsões infalíveis, caluniam, insultam, berram, gritam. Se algum deles algum dia disser que alguma coisa boa aconteceu em Portugal, é imediatamente despedido.
Na sua maioria são de uma ignorância enciclopédica. Preguiçosos e vaidosos. Uns dóceis, outros furibundos. E, os restantes, nem uma coisa nem outra.
Há comentadores de tudo e para tudo. Como no AKI. Há os da televisão. Os da rádio. Os dos jornais. Os dos cafés. Os das filas de autocarros. Os dos restaurantes caros. Os das tabernas. Há os que falam sozinhos no meio da rua. E os dos barbeiros que viraram cabeleireiros de homens. Há os das finanças. Os de futebol. Os das bolsas. Os da política, Ah! os da política! Os dos livros. Os dos assuntos militares. Os dos crimes. Os dos assuntos religiosos. Os das doenças tropicais. Os do tráfico de drogas. Os da moda. Os das vidas dos outros. Os dos casamentos. E os dos divórcios.
Mas há também os das arbitragens. Os dos fora-de-jogo. Os dos penalties. Os dos apitos dourados. E os do Benfica. Os do Porto. Os do Sporting. E os de nem-uma-coisa-nem-outra.
Multiplicam-se como os cogumelos, aos milhares, aos cardumes, aos enxames, às manadas (salvo seja!). E estão em tudo o que é sítio.
Quase todos "falam, falam... mas não dizem nada". Falam do que não sabem. E não sabem do que falam. Dão erros de ortografia, engasgam-se ao microfone, dizem que há obras de "beneficiência". Alguns deles até escrevem livros que se vendem às carradas por causa das capas com umas gajas sexy e que por dentro só têm palavras, palavras, palavras, tudo em segunda mão.
Há os "apocalípticos", tipo Medina Carreira, que já anunciou 87 vezes a derrocada de Portugal e que todos os dias, quando acorda, acha que é mentira.
Mas também há os "cavaquistas", como Marcelo Rebelo de Sousa. E os "anti-cavaquistas", como Marcelo Rebelo de Sousa.
Há os "zangados com a vida", tipo Pulido Valente. E os "carecas" como Medeiros Ferreira.
Há ainda os "vingativos", contra o Governo, como José Manuel Fernandes, o do Público, sempre fiel ao patrão Belmiro.
E há "os homens não se medem aos palmos" tipo António Vitorino. E os 007, tipo Moita Flores. E os 1/2 loucos, como Vicente Jorge Silva.
Seguem-se os "despenteados", como António Barreto e os "trapalhões", género Luís Delgado.
Há ainda os "não deixo falar ninguém", como o inefável Mário Crespo. E os "falinhas mansas" como Lobo Xavier. E os "eu sou o maior", como Ricardo Costa.
E, para atestar, os "agarrem-me senão eu mato-o", estilo Pacheco Pereira.
Se não houvesse comentadores encartados o mundo seria mais ecológico, o buraco do ozono mais pequeno e haveria uma considerável redução de enfartes de miocárdio. Mas, em contrapartida, o desemprego subiria em flecha.
Nunca há bela sem senão. Digo eu.
PS.
– E o leitor: "Mas então, e você! Não é comentador?" Claro que sou. E com muita honra. Mas eu, ao menos, tenho leitores;- as minhas crónicas são lidas pelos meus familiares, por mim próprio e, até, pelo Joaquim Duarte, director deste jornal, não vá eu pisar o risco..."
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sem ofensas
FALTA DE CHÁ

Leio no Correio dos Açores um sugestivo artigo vindo do blog Cháverde do Guilherme Marinho. No meio da propalada crise e contra a crise, propõe-se o seu autor a incentivar o consumo de produtos açorianos, entre os quais o chá, que não o das cinco que ele bem serve no seu blog.
Eivado do meu açorianismo e habitual consumidor de produtos regionais, concordei em absoluto com a ideia do Guilherme e a meio das compras de ontem no Hiper Modelo, olhei a malquerida lista e ainda lá estava por riscar “um pacote de chá verde”. Caminhei de seguida para a respectiva secção, mirei e voltei a mirar as diversos prateleiras e lá estavam os chás de Espanha, da China, do Brasil, de Lipton, de Maçã, de Canela, de Limão, de Hortelã, de Lúcia Lima, de Cidreira, creio que até havia um de Sono Tranquilo, mas de chá verde, da Gorreana ou do Porto Formoso…Nada.
Cansaço, disse eu para os meus botões, o bendito do “nosso” chá verde deve estar mesmo à frente dos olhos e não o vejo. Minutos depois recorri à ajuda de minha mulher que nestas coisas dá logo pela malhada. Sorte macaca, quatro olhos com óculos a percorrer de novo e de fio a pavio a embrulhada de chás expostos, e de chá verde, do “nosso”…Nicles.
Decidimos então perguntar a umas das funcionárias do Modelo se por obséquio nos poderia indicar o caminho secreto para passar aquele labirinto e chegar ao chá verde dos Açores. A menina, pressurosa, acompanhou-nos com gosto, percorreu e remexeu as várias prateleiras e depois disse delicadamente: chá verde não há!
Valha-nos o “Cháverde” do Guilherme Marinho.
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