domingo, novembro 30, 2008

Post Primeiro

Cá estou eu pela primeira vez a escrever. A ler o que aqui é escrito? Bookmarks: http://ardemares.blogspot.com. Muitas vezes. Mariana, aceitei o teu convite pela consanguinidade que já dura há 27 anos e por poder participar neste blog. Obrigada.

O meu primeiro post é para se ouvir: Jeff Buckley ao vivo.

sábado, novembro 29, 2008

Agenda



Campanha
Um Brinquedo=Um Sorriso (JS/Açores)

Ardemares news




Antropóloga de formação. Empresária de profissão do ramo do Design informático. Benfiquista. Guitarrista. Costureira nas horas vagas e etc e tal...
Júlia Matos é a mais nova colaboradora do Ardemares.
Já aceitou o convite. Escreverá quando lhe apetecer...

sexta-feira, novembro 28, 2008

Aos Amigos

«Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
-Temos um talento doloroso e obscuro.
construímos um lugar de silêncio.
De paixão.»

Herberto Hélder
Poesia Toda, Assírio & Alvim, 1996.

quarta-feira, novembro 26, 2008

102 anos



Não é a 1ª vez que falo da Rosa.
A Rosa do Carmo (da Quitéria, nome pelo qual a conheço desde que me lembro). Parabéns.

terça-feira, novembro 25, 2008

domingo, novembro 23, 2008

Where´s the beef ?!?

“Change we can believe in”,
"Yes we can",
mas ninguém vê…

Muitos


sábado, novembro 15, 2008

Não vais matar a mamã, pois não, papá?!?

"Existem três hipóteses, todas elas estão em aberto e todas elas são opção: deixar cair o Estatuto Político Administrativo dos Açores; mantê-lo tal como está; ou introduzir alterações. O PS ainda não excluiu nenhuma dessas três hipóteses", Vitalino Canas n'O Público.


Papá – Ouve Carlinhos! Das três uma. Ou o papá continua a viver com a mamã, ou o papá se divorcia da mamã, ou o papá mata a mamã!!!

Carlinhos - Não vais matar a mamã, pois não, papá?!?

Papá – Claro que não Carlinhos! Agora vamos lá a fechar os olhinhos e a dormir, tá bem?!? Boa noite!

Carlinhos – Boa noite papá!

quinta-feira, novembro 13, 2008

Poema




«O piano de cauda das estrelas
tem raízes na música dos lagos.
Amar é a arte da música
num corpo moribundo. Morre-se
de um pequeno átomo de ansiedade e isso
é uma regra do jogo; só assim a morte andará descalça como
uma violeta pelos jardins da noite; só assim
nos restará a morte antes do fim.
O fruto do coração é pouco, semelhante à mágoa.
Olhar é uma página. Percorre-a a consciência de quando
não acontece nada. É preciso duvidar semeando limites
para ser-se ilimitado -- eis quando será legítimo enganar
os deuses. Maior que a montanha é
a gota de orvalho; maior que o sol é o movimento
da sombra. Os pássaros
não acontecem: vivem-se. É tarde
para inscrever o discurso da alegria
nas estruturas do ar?»


Joaquim Pessoa

segunda-feira, novembro 10, 2008

Data

Sandes Urbana *


Estou na paragem da camioneta. Não espero que passe. Estou para aqui. Apetece-me estar para aqui. Estou com as caras das pessoas que passam dentro dos seus carros e dizem com os olhos: coitada...ainda não reparou que tem a braguilha aberta ou que simplesmente se riem com a cara pregada ao vidro. Mas não me importo. Estou como quero estar. Sozinha. Pisco os olhos e pouco mais. Respiro. Vem aí uma senhora. Tem o cabelo empastado e um pouco amarelo. A saia vem quase debaixo dos braços, por cima da barriga que cresceu com a idade e por baixo do peito que caiu com os sete ou oito filhos que amamentou. Não está vestida de preto. Talvez ainda não seja viúva. Acho que vem sentar-se ao meu lado. Não quero. Ainda lhe faltam uns bons cem ou cento e cinquenta passos e mais umas quantas pedras de calçada para aqui chegar. Hesito. Levanto-me ou deixo-me ficar aqui sentada? Vou ficar. Traz três sacos de plástico nas mãos. Tem um casaco de malha castanho escuro. As meias caem-lhe nas pernas pintadas com varizes. Espero que não cheire mal. Parece-me que já não se deve lavar há dias. Boa tarde. O banco subiu um pouco com o seu sentar de rompante. Tenho agora as pontas dos pés no chão e os calcanhares no ar. É forte. Deve comer bem. Estou um pouco tensa. Acho que ela já viu que tenho a braguilha aberta. A menina desculpe. Não quero parecer intrometida. Mas... e mostra-me os um, dois, três, quatro, cinco dentes que tem enquanto olha para as minhas calças. Consegui contá-los todos. São poucos e ela abriu a boca de riso tanto tempo que até posso adivinhar o que almoçou hoje. Pronto. Já a fechei. Obrigada. Nada menina. Está frio hoje. Parece que o inverno chegou mais cedo este ano. Pois é. A menina não tem frio? Não, estou bem. Ah, a menina é nova ainda. Quando chegar à minha idade vai ver. Pois. É verdade querida. Pois. A gente quando fica velhos é assim. Pois. Ah menina, que horas são? Não tenho relógio, desculpe. Ah querida, será que a camioneta já passou? E agora? Que respondo? Não faço a mínima ideia. Não vim para aqui esperar pela camioneta. Vim porque quis vir. Não sei. A senhora riu-se mas sem rugas. Não fez grande espanto pela minha resposta. Ainda bem. Estamos as duas caladas. Eu e ela e a rua em que estamos. Já não passa ninguém há bastante tempo. A menina tem fome? E inclina o seu corpanzil para os sacos que trouxe consigo. Tenho. De lá sai uma sandes de qualquer coisa embrulhada num guardanapo. Come querida. Obrigada. É de frango. A dela é de atum. Comemos. Vejo que tem alguma dificuldade em morder o pão. Coitada. É bom estar aqui com a menina. Continuo a mastigar. Venho aqui todos os dias esperar pela camioneta e janto sempre sozinha. E a menina? Eu também janto sempre sozinha. Ela não me falou de si. Mas eu também não lhe quero falar de mim. Vou agradecer-lhe. Devo-lhe um obrigada. Pela companhia e pelo jantar. E pelo alerta para a minha braguilha aberta. Eu é que agradeço. Calcanhares para o chão. Ela vai-se embora. Boa noite e até qualquer dia menina. Boa noite. Vira-me costas e segue. Para onde? E a camioneta? Não ficou nada. Só o banco quente do tempo que esteve aqui sentada ao meu lado. Esteve, não esteve? Eu também não estou à espera da camioneta. Estou à espera que toque o despertador. Vem aí mais uma parcela da vida, quase pronta para se subtrair ao total e somar às últimas contas feitas. Acordo com azia. Foi da sandes de frango, só pode. Bom dia.


* Júlia Matos

domingo, novembro 09, 2008

Post que era para ser mais a sério

Este post era para ter um título e um texto, mas não me apetece. É Domingo. Talvez, seja por isso.
Deixo esta música, que foi a preferida do meu sobrinho.
Fica o seu 1º post. E Bom Domingo.