quinta-feira, setembro 11, 2008

Até da água se faz lastro.

segunda-feira, setembro 08, 2008

OS PAPAGAIOS DO PIRATA

No mundo de hoje proliferam os “papagaios do pirata”. São aquelas figurinhas que vivem pendurados na importância alheia e adoram fazer o pino diante do fotógrafo, para depois se colarem como lapa miúda ao ombro das personalidades, garantindo assim a presença no retrato e na pantalha.
Como diz o outro, “o nosso sangue divide-se em glóbulos brancos e glóbulos vermelhos”, mas há quem teime em ver no seu só glóbulos azuis.

sábado, setembro 06, 2008

CADA VEZ “MAIS PIOR”




Imagino que a estratégia eleitoral do PSD seja, em parte, produto do pensamento político e do objectivo partidário da sua liderança. Ajuizando os factos deste ponto de vista, tudo me leva a crer que a ambição máxima dos dirigentes laranja, de acordo com os seus parcos desejos para os Açores, não vá muito além do recosto e do repouso nos tradicionais "lugarezinhos" no parlamento açoriano.
As intervenções orais e escritas de Costa Neves deixam, de facto, enormes dúvidas sobre a utilidade do seu pensamento político e sobre existência de causas no seu partido, se é que uma e outra coisa existem. Vamos por partes:
Costa Neves continua a gerir o PSD como o Portugal colonial geria o corpo de engenharia que, ao tempo, tinha na Índia. Diz-se que eram vinte os oficiais sem um único soldado para amostra. De sorte que o melhor mesmo era não ter ideias nem pensar em obras porque engenheiro que se prezasse rabiscava, mas não petiscava. O resto é o que nos fala a história: como Portugal nunca se livrou do traço elitista dos seus engenheiros, a velha colónia acabou por se livrar de Portugal. Parece-me, assim, que salvo as distâncias e as circunstâncias, a dificuldade na liderança social-democrata é da mesma ordem, ou seja, como o líder não consegue acertar o passo ao seu “estado-maior”, os militantes vão mudando de partido, até ao inevitável dia em que alguém mude Costa Neves.
Mas como o mal vem sempre bem acompanhado, ao coçado e roçado slogan do “Melhor é possível” o partido e o líder laranja tendem a confluir o adverbio “mais”, designativo de aumento de grandeza ou de comparação, para o adjectivo comparativo se superioridade “melhor”. No fundo, bem lá em baixo, entenda-se, Costa Neves pretendia apenas sugerir que ele e os seus vinte “oficiais” seriam capazes de fazer “mais melhor” do que fez Carlos César com o apoio dos açorianos. Não fosse, claro, o pormenor de cada um dos seus graduados, à semelhança dos nossos engenheiros na Índia, ter um projecto pessoal e ainda por cima divergente dos restantes. Por outras palavras, o PSD segue à tabela e à risca a estratégia de acrescentar água à sopa, para repetir a mesma dose, na mesma malga e aos mesmos convivas, sem alguém se dar ao trabalho de, ao menos, mudar a receita, que é como quem diz, de fazer diferente a pensar nos Açores.
E assim, se o governo de Carlos César faz uma estrada, o PSD acrescenta-lhe mais dez metros na intenção; se Carlos César inaugura uma biblioteca, o líder da oposição acha que lhe faltaram dois livros e se Carlos César aponta novos caminhos para a Autonomia, Costa Neves mede-lhes as distâncias e, sem pestanejar, anuncia que lhe falta oxigénio.
Ora, como apresentar ideias diferentes e concretas para os Açores parece um meta inacessível ao PSD, nada melhor do que plagiar as ideias referidas nas intervenções do Presidente do Governo, acrescentar-lhes um algarismo, um metro ou uma vírgula e se dúvidas houver que se lhes aponham reticências, que neste tempo e deste modo aos rotineiros procuradores da oposição resta por a língua de fora às propostas alheias, já que os proveitos da trupe dirigente estão garantidos pelo fácil acesso ao parlamento.
Com a limitada ideia do “Melhor é possível”, mesmo sem saber como, o líder laranja, disfarça a ausência de causas, esconde que não tem objectivos para os Açores e evita o trabalho que dá “ser diferente”. Talvez por isso já se diga que esta fleumática brigada do PSD passa despercebida em silêncio, mas quando abre a boca repete-se, enfada-se e cansa-nos, a confirmar que a oposição está pior…e cada vez mais.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Müz´ka



James, Sit Down
Já amanhã na Vinha D´Areia!!!

Todo o macaco tem o seu natal...



É caso para dizer que: "Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo."
E não é que é certo o ditado?
Pois é, "quem com ferro mata com ferro morre"...Ora bem.
O meu preferido é: "cada macaco no seu galho".
Os gritos do macaco não me assustam. Veremos com quantos paus se faz uma gaiola para macaquinhos amarelos.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Postal



Foto: Céu

A questão

" O senhor Henri disse: se a laranja viesse de uma árvore chamada macieira, à laranja teria de se chamar maçã ou era à macieira que se teria de chamar laranjeira?"


Gonçalo M. Tavares, O Senhor Henri, Caminho, Lisboa, 2003, p. 11.

terça-feira, setembro 02, 2008

Contra altos ou contra baixos. Preferem os tenores.


imagem
Se fossem do tempo eram um contratempo; se tivessem opinião, estavam sempre contrariados; se fossem manhosos, eram contrabandistas; se fossem musicais eram contrabaixos; se tivessem avesso, estavam ao contrário; se fossem um vestido, eram de contrafacção. Quando falam, contradizem-se; quando se vêem ao espelho são apenas um contraste; quando se perdem nunca se encontram; quando se procuram, desencontram-se. Nunca contra-atacam. Nunca contra-argumentam. São contra-natura. São desgraçadamente uns desencontrados do tempo; que correm em contra-relógio, contra tudo, contra todos.
- Contraltos? Claro. São a favor dos baixos.
- Contrabaixos? Claro. São a favor dos altos.
- Contramão? Sempre. Preferem o pé ou um dedo. Dois, se possível.
Contrafeitos, porque preferem o inacabado; contraponto, porque não gostam de pontuação; porque têm a lembrança terrível de nas peças teatrais da escola primária fazerem sempre de ponto; contrabando, porque gostam mais de andar sozinhos, deambulando como se fossem reis em busca do seu povo; contra os baixos, às vezes e contra os altos, outras vezes. Outras ainda, num assomo cultural, são contra altos ou baixos. Preferem os tenores e os barítonos. Ao contrário, desencontrados, sem tratado ou com tratado, contra o tempo, a favor; dentro ou fora, tanto faz, estes amigos do contra, são contra a informação. Preferem a formatação. Contra o tempo, contra o “rário”, o “riado” e o "rio", mesmo não sabendo quem são ou o que são. Contra o feito e o “tado”, contra a “facção” e o “tualizar” são contra e pronto. Sempre contra qualquer coisa, mesmo que não saibam o quê ou quem. Melhor mesmo é que se ria a [nossa] mente contra os contrariados deste mundo. É que contrariamente a eles não somos contra os versos. Nem controversos, nem contra o tempo. Gostamos do avesso das coisas. Encontramo-nos.

sábado, agosto 30, 2008

Agenda: Mostra Labjovem



Programa:
Exposição (BD/Design Gráfico/Fotografia/Artes Plásticas) 29/08 a 21/09
Performance 30/08
Vídeo 11/09
Música 12/09
Café Literário 18/09

Mais informações aqui

quarta-feira, agosto 27, 2008

A FOME É INIMIGA DA HONESTIDADE


São quase permanentes as notícias sobre a criminalidade e a violência neste mundo de hoje. Por via directa, por via da comunicação social ou da internet, o cidadão comum está em contacto directo e diário com este fenómeno conjunto que tende a expandir-se, sem controlo aparente das autoridades nem solução à vista por parte dos governos.
Não será, com certeza, fácil obter uma resposta eficaz ao problema que se constitui no crime e na violência. Mas o que nos salta aos olhos é o modo superficial e institucionalizado com que se procura o êxito apenas pelas aparências, pelas estatísticas e, obviamente, no fim da linha deste complexo processo. Quero com isto dizer que as propostas de solução anunciadas visam, quase sempre, a acção das forças de segurança, o aumento dos efectivos policias e a maior duração e severidade nos castigos aos prevaricadores. Ora, se considerarmos a pobreza como a base geradora de grande parte do crime, da violência e, naturalmente, da insegurança, no âmbito internacional, talvez por aí se compreenda melhor a questão. Primeiro porque, dizem os especialistas, se pega no assunto pela raiz; segundo porque melhor do que conjecturar sobre o preço de cada homem, será pensarmos que cada ser humano tem o seu limite de sofrimento, sabendo-se, por vezes, o quanto a honestidade depende da fome.

Poema

"Homens que são como lugares mal situados
Homens que são como casas saqueadas
Que são como sítios fora dos mapas
Como pedras fora do chão
Como crianças órfãs
Homens sem fuso horário
Homens agitados sem bússola onde repousem

Homens que são como fronteiras invadidas
Que são como caminhos barricados
Homens que querem passar pelos atalhos sufocados
Homens sulfatados por todos os destinos
Desempregados das suas vidas

Homens que são como a negação das estratégias
Que são como os esconderijos dos contrabandistas
Homens encarcerados abrindo-se com facas

Homens que são como danos irreparáveis
Homens que são sobreviventes vivos
Homens que são como sítios desviados
Do lugar."


De Daniel Faria, roubado daqui.

terça-feira, agosto 26, 2008

Quote

"Não há revolta no homem
que se revolta calçado.[...]"


excerto poema: "Do Sentimento Trágico da Vida", Natália Correia