Propõe-me Paulo Pereira do blogue Basalto Negro, que trace um circuito virtual à ilhas do triângulo. Confesso que me é muito mais fácil fazê-lo na ilha do Pico, porque a conheço melhor. Tudo fiz para que São Jorge e Faial não ficassem atrás. Contudo uma coisa é certa e posso afiançar aqui encontra-se peixe, carne, vinho e leite dos melhores dos Açores. Para não falar das Espécies de São Jorge, do bolo de milho do pico, das bolachas da Padaria Popular, no Faial. Da angelica. Da belíssima angelica, da salsicha e da linguiça e do limão tangerino. Aqui fica então a minha proposta de circuito:
1º Dia- Viaje para a ilha do Pico, a partir de Lisboa, através de Ponta Delgada. Deverá chegar a Ponta Delgada, à noite. Aproveite para jantar na cidade. Escolha uma das residenciais locais para dormir. A Carvalho Araújo, por exemplo.
2º Dia-Na manhã seguinte, embarque nas Portas do Mar, no novo terminal de passageiros, no navio da Atlanticoline. Comece a desfrutar da vista das ilhas do triângulo a partir da saída da ilha Terceira, quando vir São Jorge com o Pico, por cima. Com sorte, numa das suas visitas ao tombadilho do navio, vai ter oportunidade de avistar cardumes de golfinhos, baleias e tartarugas.
O navio chega ao Pico por volta das 20 horas. Dirija-se até à freguesia da Prainha, onde se pode instalar nas unidades de Turismo Rural: Quinta da Ribeira da Urze, ou Abegoaria, por exemplo. Depois de instalado, dirija-se ao Restaurante Casa do Paço, que fica na mesma freguesia e está aberto até mais tarde. Jante. Depois do jantar, aproveite para dar uma volta na festa da freguesia, que acontece entre os dias 12 e 15 de Agosto. Ouça a filarmónica local. Compre rifas na quermesse. Com sorte, sair-lhe-á uma peça única de artesanato local. De seguida, vá-se deitar. Adormeça ao som das cagarras.
3º Dia-09h00 é hora de acordar. Espera-o um pequeno-almoço com produtos regionais. Pão, Massa sovada e queijo da padaria e queijaria locais. Depois do pequeno-almoço, saia em direcção à freguesia vizinha: Santo Amaro. Visite a Escola Regional de Artesanato e o Museu Marítimo. Tome um banho no porto de Santo Amaro e à hora do almoço pode optar por almoçar uma sopa, mesmo no porto desta freguesia. Se preferir comer de faca e garfo dirija-se ao novo Restaurante do Caisinho, em Santo Amaro também, ou então à freguesia da Piedade, onde encontra bons restaurantes.À tarde, depois do almoço, visite o oleiro na Piedade. Depois regresse à Prainha. Na cruz da Terra Alta, entre na estrada de meia encosta. Desfrute da vista para São Jorge, Graciosa e Terceira. Saia na Prainha de Cima. Dirija-se ao seu alojamento. Tem marcado um percurso pedestre: o Trilho da Baía de Canas, por exemplo. São 17 horas, quando acabar. Tome um banho de mar nas Poças da Prainha. Depois dirija-se a São Roque do Pico, visite o Museu da Indústria Baleeira. Siga, depois, para a Madalena. Tome a estrada regional. Em Santa Luzia, desça para os Arcos, chegará à zona da Barca. Dirija-se ao centro da Madalena. Jante no Restaurante, a Parisiana, por exemplo. De seguida, dirija-se novamente para a Prainha. É dia de Chamarrita. Aprenda a “bailhar”. Adormeça novamente ao som das cagarras. Estão por aqui todos os dias.
4º Dia-Saia logo de manhã da Prainha, em direcção à montanha do Pico, pelo caminho da transversal. A caminho da gruta das Torres, visite a Lagoa do Capitão. Após a visita à gruta das Torres, dirija-se às Lajes. Pare para almoçar na Aldeia da Fonte, por exemplo. Depois, visite o Museu dos Baleeiros e o Espaço Talassa, na vila. Regresse à Prainha, pela ponta da ilha. Tome um banho na piscina natural de Santa Cruz das Ribeiras. Lanche na Geladaria das Pontas Negras. Vá jantar a Santo António, no Restaurante Rochedo, por exemplo. Depois dirija-se à Prainha, deite-se cedo. Amanhã de manhã, apanhará o barco para o Faial, na Madalena.
5º Dia-No Faial, vá ao Vulcão, tome banho no varadouro, almoce. Escolha um restaurante, no centro da cidade. Tome café ou um gin no Peter. Admire a vista para o Pico. Suba ao Monte da Guia, veja a cidade a partir daí. Aprecie os barcos e as pinturas na Marina. Visite o Jardim Botânico do Faial na Quinta de São Lourenço, o Museu Etnográfico dos Cedros, o Museu de Scrimshaw do Peter ou a antiga Fábrica da Baleia, em Porto Pim. Durma no Faial, na Estalagem de Santa Cruz, por exemplo. Mas, antes jante no restaurante Canto da Doca ou noutro que escolher. Depois do jantar, tome um café no bar do Teatro Faialense, por exemplo.
6º Dia-Apanhe o barco para São Jorge. Dirija-se à Fajã dos Vimes. Prove do café que lá se produz. Visite os teares artesanais, ainda nesta Fajã. Almoce no Restaurante Fornos de Lava, por exemplo e de lá aprecie a vista para o Pico. Depois do almoço visite o Museu de São Jorge. Depois, espera-o uma viagem inesquecível até à Fajã do Santo Cristo. Aprecie a Lagoa de água quente. Escolha um bom sítio para instalar a sua tenda. Acampe. Jante, se possível, umas amêijoas da lagoa. Coma o queijo todo que quiser.
Repare como as estrelas se acendem e apagam no céu. As cagarras também estão presentes.
7º Dia-Apanhe o avião que o levará de São Jorge à Terceira. Aprecie a viagem. Fotografe as ilhas. Aproveite para almoçar na Terceira, no Restaurante Boca Negra, no Porto Judeu, por exemplo, e para passear em Angra do Heroísmo, cidade património. Compre para levar de oferta aos amigos Donas Amélias ou pombinhas de alfenim. À noite, apanhe o avião para Lisboa.
"E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando as vidas dos insectos..." Mário Quintana
quinta-feira, agosto 14, 2008
Resposta ao Desafio
quarta-feira, agosto 13, 2008
segunda-feira, agosto 11, 2008
A PARTIDARIZAÇÃO DA AUTONOMIA
Se alguma coisa o cidadão comum deve exigir dos poderes e dos partidos políticos é coerência.
Neste momento, que pressuponho histórico, em que se discute a aprovação de uma proposta de revisão do Estatuto Político Administrativo dos Açores, o nexo e o senso parecem-me mal distribuídos por alguns representantes da classe política nacional e açoriana.
A tendência para a partidarização tosca e mesquinha do Estatuto dos Açores e a consequente ideia de partidarização da Autonomia são, parece-me, meio caminho andado para que o cidadão entenda que os interesses dos Açores, e os seus próprios, tenham sido menos obra nossa e mais fruto de um certo acaso, resultante da intriga entre poderes e entre políticos.
Pouco interessa a quem vive, trabalha e luta nestas e por estas ilhas que a comunicação de Sua Excelência o Presidente da República aos portugueses se tenha revelado numa fantasia pirosa e numa perturbação social absolutamente grotesca. Sua Excelência tem esse privilégio político da comunicação suspensa, que é dele, e até tem outros que sendo ou não constitucionais lhe permitem proibir, por exemplo, a circulação no espaço aéreo próximo da sua residência no Algarve ou convocar um batalhão de policias para segurança pessoal numa festa de aldeia. A mim, açoriano e micaelense, natural da remota “república da água azeda”, cabe respeitar o direito à segurança, ao descanso e ao merecido lazer do mais alto dignitário da Nação. Agora, o que eu sei é que naquela paternal invençao de desconsolo ao País, Sua Excelência não apenas referiu que oito normas do Estatuto Político Administrativo dos Açores eram inconstitucionais, e por isso a alterar pelos poderes legislativos. Evidenciou e sublinhou, também, que outras quatro, de índole e visão política presidencial e cunho centralista pessoal, deveriam ser atendidas, não em nome de um pseudo-equilíbrio de poderes, mas sim pela supremacia de um poder, o dele, sobre todos os outros.
Ora, neste contexto e neste momento que, repito, julgo históricos, vejo já alguns representantes do povo na Assembleia da República e na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, socialistas, social-democratas e outros, armados em ananases de estufa e tão dispostos a corrigir as inconstitucionalidades do Estatuto como a curvar a cervical na fuga ao conflito com a Presidência da República.
Penso que se alguma diferença existe entre a decisão política consciente e a opção banal na escolha de uma empresa de mudanças, tal diferença reside, no primeiro caso, na defesa arrojada, corajosa e justa dos interesses dos eleitores. No segundo caso, a preocupação fica-se pelos cuidados a ter com o verniz dos móveis ou com o seguro dos cristais...se os houver.
Se a actual proposta de Estatuto foi aprovada por unanimidade nos parlamentos nacional e regional, se não se tratou, de facto, de uma simples mudança na mobília, se a ideia, como acredito, não foi lançar paranhos às vistas dos açorianos, então exige-se coerência para com as decisões já tomadas, pede-se dignidade para com os eleitos e reclama-se carácter nas instituições. Porque nem a Autonomia se faz fechando os olhos à luta, nem o Estatuto Político Administrativo dos Açores pode ser um eterno pessegueiro constitucional, por mais que convenha ao comodismo partidário e por mais que o entenda o centralismo tacanho de Sua Excelência o Presidente da República.
Dúvida de férias: vai bugiar!
Primeiro pensei que o verbo tivésse origem na ilha do Búgio. E, que, por isso, existisse como derivação. Mas, depois de uma pesquisa pela internet, encontrei várias origens para a palavra. Já me imaginava a mandar alguém formigar. Vai formigar! Mas, não. Como se vê pelo que se pode ler no Ciberdúvidas o termo até remonta aos macacos! Ora, sem mandar ninguém bugiar, pelo menos, por hoje, deixo um texto escrito pelo Cavaleiro de Oliveira, em Viena, que é, na minha opinião, delicioso:
“O menino manda bugiar o velho, com a mesma liberdade com que o ancião manda bugiar uma criança. Tanto se manda bugiar pela manhã, como à tarde; de dia, como de noite. O cavalheiro tem licença para mandar bugiar o vilão, e o plebeu não tem impedimento para mandar bugiar o fidalgo. O homem manda bugiar algumas mulheres, e uma mulher manda bugiar todos os homens. Quanto aos casados, mandam-se bugiar reciprocamente, e, por causa do grande amor que devem ter entre si, correspondem-se pela maior parte com mui igual tratamento nesta matéria (...). O príncipe quer só para si o privilégio de usar do termo e por essa razão capacitou a V. Senhoria que era obsceno. É próprio, natural, composto, e nas ocasiões necessárias é muito honesto e aprovado. Fie-se V. S. no que lhe digo e creia que são verdadeiros e mui dignos de se imitarem os exemplos que lhe refiro. Para mostrar a V. S. ultimamente que o termo é legítimo, estava para acabar a carta mandando bugiar a V. S.”
Daqui
“O menino manda bugiar o velho, com a mesma liberdade com que o ancião manda bugiar uma criança. Tanto se manda bugiar pela manhã, como à tarde; de dia, como de noite. O cavalheiro tem licença para mandar bugiar o vilão, e o plebeu não tem impedimento para mandar bugiar o fidalgo. O homem manda bugiar algumas mulheres, e uma mulher manda bugiar todos os homens. Quanto aos casados, mandam-se bugiar reciprocamente, e, por causa do grande amor que devem ter entre si, correspondem-se pela maior parte com mui igual tratamento nesta matéria (...). O príncipe quer só para si o privilégio de usar do termo e por essa razão capacitou a V. Senhoria que era obsceno. É próprio, natural, composto, e nas ocasiões necessárias é muito honesto e aprovado. Fie-se V. S. no que lhe digo e creia que são verdadeiros e mui dignos de se imitarem os exemplos que lhe refiro. Para mostrar a V. S. ultimamente que o termo é legítimo, estava para acabar a carta mandando bugiar a V. S.”
Daqui
sábado, agosto 09, 2008
Mãe Ilha
"Nessa manhã as garças não voaram
E dos confins da luz um deus chamou.
Docemente teus cílios se fecharam
Sobre o olhar onde tudo começou.
A terra uivou. Todas as cores mudaram
O mar emudeceu. O ar parou.
Escuros véus de pranto o sol taparam
De azáleas lívidas a ilha se cercou.
A que pélago o esquife te levava?
Não ao termo. A não chorar os mortos.
Teu sumo espiritual florido ensina.
E se o mundo em ti principiava,
No teu mistério entre astros absortos,
Suavemente, ó mãe, tudo termina."
Natália Correia
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fotografia Pesqueiro Alto Agosto 2008
sexta-feira, agosto 08, 2008
O QUE SOMOS
O assalto à delegação do BES, em Campolide, e a impecável actuação da PSP não deixam de nos dar conta de uma humanidade que se encontra na circunstância de gerar, criar, provocar e sustentar o crime, para depois ter como única solução o abate do criminoso.
Tudo ao vivo e em directo.
Tudo ao vivo e em directo.
Crochet
O que é que a Sónia de 23 anos, que trabalha num bar, que mora num prédio da avenida marginal, de Ponta Delgada, com o IMI liquidado, terá pensado, quando, ao dirigir-se apressada para a casa, ontem à noite, porque estava na hora de alimentar o filho de três meses, se viu impedida de chegar à porta de casa, através da via pública, com o carro, que paga todos os meses ao banco, cujo imposto municipal de circulação, também está em dia?
O que é que terá pensado a Sónia?
O que é que terá pensado a Sónia?
quarta-feira, agosto 06, 2008
domingo, agosto 03, 2008
viagens
"Quando partires, em direcção a Ítaca,
que a tua jornada seja longa
repleta de aventuras, plena de conhecimento.
Não temas Lestrígones e Ciclopes nem o furioso Poseidon;
não irás encontrá-los durante o caminho, se
o pensamento estiver elevado, se a emoção
jamais abandonar o teu corpo e o teu espírito.
Lestrígones e Ciclopes e o furioso Poseidon
não estarão no teu caminho
se não os levares na tua alma,
se a tua alma não os colocar diante dos teus passos.
Espero que a tua estrada seja longa.
Que sejam muitas as manhãs de Verão,
que o prazer de ver os primeiros portos
traga alegria nunca vista.
Procura visitar os empórios da Fenícia
recolhe o que há de melhor.
Vai às cidades do Egito,
aprende com um povo que tem tanto a ensinar.
Não percas Ítaca de vista,
pois chegar lá é o teu destino.
Mas não apresses os teus passos;
é melhor que a jornada dure muito anos
e o teu barco só ancore na ilha
quando já estiveres enriquecido
com o que conheceste no caminho.
Não esperes que Ítaca te dê mais riquezas.
Ítaca já te deu uma bela viagem;
sem Ítaca, jamais terias partido.
Ela já te deu tudo, e nada mais te pode dar.
Se, no final, achares que Ítaca é pobre,
não penses que ela te enganou.
Porque te tornaste um sábio, viveste uma vida intensa,
e este é o significado de Ítaca."
Konstantinos Kavafis
sábado, agosto 02, 2008
sexta-feira, agosto 01, 2008
SEM ONDAS
Antes, Portugal parou angustiado na espera à mais dramática declaração de Cavaco Silva. Depois, os portugueses ficaram simplesmente embasbacados e a seguir riram da cómica encenação criada pelo Presidente da República.
Não vejo a surpresa. Falamos do mesmo Cavaco, um tal Primeiro-ministro que ascendeu a Presidente sem alterar a sua estreiteza de vista nem nunca despir a farda de combate às autonomias regionais. Não estranho as suas declarações nem me admira o recuo traiçoeiro de outros, ditos históricos, desta e até de outras praças, que antes berravam por um Estatuto arrojado e agora encolhem, cobardemente, por um estatuto “sem ondas”.
A livre administração dos Açores pelos açorianos é uma luta viva e um direito permanente que se conquista olho no olho e sem gravata preta, mas se alguma coisa nos ensina a geração de 1895, e que o Povo dos Açores deve ajuizar, é que para se entender e apoiar uma verdadeira Autonomia, como o melhor instrumento para a unidade do Estado, não é condição indispensável ter-se nascido ou vivido nestas Ilhas. Basta ser-se bom português, mesmo quando se desempenha os mais altos cargos na magistratura da Nação.
Não vejo a surpresa. Falamos do mesmo Cavaco, um tal Primeiro-ministro que ascendeu a Presidente sem alterar a sua estreiteza de vista nem nunca despir a farda de combate às autonomias regionais. Não estranho as suas declarações nem me admira o recuo traiçoeiro de outros, ditos históricos, desta e até de outras praças, que antes berravam por um Estatuto arrojado e agora encolhem, cobardemente, por um estatuto “sem ondas”.
A livre administração dos Açores pelos açorianos é uma luta viva e um direito permanente que se conquista olho no olho e sem gravata preta, mas se alguma coisa nos ensina a geração de 1895, e que o Povo dos Açores deve ajuizar, é que para se entender e apoiar uma verdadeira Autonomia, como o melhor instrumento para a unidade do Estado, não é condição indispensável ter-se nascido ou vivido nestas Ilhas. Basta ser-se bom português, mesmo quando se desempenha os mais altos cargos na magistratura da Nação.
quinta-feira, julho 31, 2008
Cartão de Visita
Convida-me a Mariana Matos para que de vez em quando eu navegue à bolina nas águas límpidas deste seu Ardemares. Coisa que, bem sei, já faço em hora tardia, mas reconhecido pela consideração e amizade, até porque além do marujo do Fífias me cumprimentar cordialmente da amurada, disse-me ainda o rapaz que “a chama da escrita também arde pela discussão e partilha de ideias”... É Fífias, sim senhor, e nem tem ares de embarcadiço, pensei eu, mas mesmo assim todo ele é envernizado, cultivado e bem-educado.
E agora que Cavaco Silva se prepara para surpreender a nação com outros fogos, temo que aquela imagem decrépita de um Portugal visto do Terreiro do Paço nos venha por aí abaixo, para consolo de outros bimbos que se contentam no festejar da sua própria desgraça. Por isso e por hoje o melhor é esperar a ver se, afinal, o mar nos une ou se o centralismo nos separa.
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