O assalto à delegação do BES, em Campolide, e a impecável actuação da PSP não deixam de nos dar conta de uma humanidade que se encontra na circunstância de gerar, criar, provocar e sustentar o crime, para depois ter como única solução o abate do criminoso.
Tudo ao vivo e em directo.
"E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando as vidas dos insectos..." Mário Quintana
sexta-feira, agosto 08, 2008
Crochet
O que é que a Sónia de 23 anos, que trabalha num bar, que mora num prédio da avenida marginal, de Ponta Delgada, com o IMI liquidado, terá pensado, quando, ao dirigir-se apressada para a casa, ontem à noite, porque estava na hora de alimentar o filho de três meses, se viu impedida de chegar à porta de casa, através da via pública, com o carro, que paga todos os meses ao banco, cujo imposto municipal de circulação, também está em dia?
O que é que terá pensado a Sónia?
O que é que terá pensado a Sónia?
quarta-feira, agosto 06, 2008
domingo, agosto 03, 2008
viagens
"Quando partires, em direcção a Ítaca,
que a tua jornada seja longa
repleta de aventuras, plena de conhecimento.
Não temas Lestrígones e Ciclopes nem o furioso Poseidon;
não irás encontrá-los durante o caminho, se
o pensamento estiver elevado, se a emoção
jamais abandonar o teu corpo e o teu espírito.
Lestrígones e Ciclopes e o furioso Poseidon
não estarão no teu caminho
se não os levares na tua alma,
se a tua alma não os colocar diante dos teus passos.
Espero que a tua estrada seja longa.
Que sejam muitas as manhãs de Verão,
que o prazer de ver os primeiros portos
traga alegria nunca vista.
Procura visitar os empórios da Fenícia
recolhe o que há de melhor.
Vai às cidades do Egito,
aprende com um povo que tem tanto a ensinar.
Não percas Ítaca de vista,
pois chegar lá é o teu destino.
Mas não apresses os teus passos;
é melhor que a jornada dure muito anos
e o teu barco só ancore na ilha
quando já estiveres enriquecido
com o que conheceste no caminho.
Não esperes que Ítaca te dê mais riquezas.
Ítaca já te deu uma bela viagem;
sem Ítaca, jamais terias partido.
Ela já te deu tudo, e nada mais te pode dar.
Se, no final, achares que Ítaca é pobre,
não penses que ela te enganou.
Porque te tornaste um sábio, viveste uma vida intensa,
e este é o significado de Ítaca."
Konstantinos Kavafis
sábado, agosto 02, 2008
sexta-feira, agosto 01, 2008
SEM ONDAS
Antes, Portugal parou angustiado na espera à mais dramática declaração de Cavaco Silva. Depois, os portugueses ficaram simplesmente embasbacados e a seguir riram da cómica encenação criada pelo Presidente da República.
Não vejo a surpresa. Falamos do mesmo Cavaco, um tal Primeiro-ministro que ascendeu a Presidente sem alterar a sua estreiteza de vista nem nunca despir a farda de combate às autonomias regionais. Não estranho as suas declarações nem me admira o recuo traiçoeiro de outros, ditos históricos, desta e até de outras praças, que antes berravam por um Estatuto arrojado e agora encolhem, cobardemente, por um estatuto “sem ondas”.
A livre administração dos Açores pelos açorianos é uma luta viva e um direito permanente que se conquista olho no olho e sem gravata preta, mas se alguma coisa nos ensina a geração de 1895, e que o Povo dos Açores deve ajuizar, é que para se entender e apoiar uma verdadeira Autonomia, como o melhor instrumento para a unidade do Estado, não é condição indispensável ter-se nascido ou vivido nestas Ilhas. Basta ser-se bom português, mesmo quando se desempenha os mais altos cargos na magistratura da Nação.
Não vejo a surpresa. Falamos do mesmo Cavaco, um tal Primeiro-ministro que ascendeu a Presidente sem alterar a sua estreiteza de vista nem nunca despir a farda de combate às autonomias regionais. Não estranho as suas declarações nem me admira o recuo traiçoeiro de outros, ditos históricos, desta e até de outras praças, que antes berravam por um Estatuto arrojado e agora encolhem, cobardemente, por um estatuto “sem ondas”.
A livre administração dos Açores pelos açorianos é uma luta viva e um direito permanente que se conquista olho no olho e sem gravata preta, mas se alguma coisa nos ensina a geração de 1895, e que o Povo dos Açores deve ajuizar, é que para se entender e apoiar uma verdadeira Autonomia, como o melhor instrumento para a unidade do Estado, não é condição indispensável ter-se nascido ou vivido nestas Ilhas. Basta ser-se bom português, mesmo quando se desempenha os mais altos cargos na magistratura da Nação.
quinta-feira, julho 31, 2008
Cartão de Visita
Convida-me a Mariana Matos para que de vez em quando eu navegue à bolina nas águas límpidas deste seu Ardemares. Coisa que, bem sei, já faço em hora tardia, mas reconhecido pela consideração e amizade, até porque além do marujo do Fífias me cumprimentar cordialmente da amurada, disse-me ainda o rapaz que “a chama da escrita também arde pela discussão e partilha de ideias”... É Fífias, sim senhor, e nem tem ares de embarcadiço, pensei eu, mas mesmo assim todo ele é envernizado, cultivado e bem-educado.
E agora que Cavaco Silva se prepara para surpreender a nação com outros fogos, temo que aquela imagem decrépita de um Portugal visto do Terreiro do Paço nos venha por aí abaixo, para consolo de outros bimbos que se contentam no festejar da sua própria desgraça. Por isso e por hoje o melhor é esperar a ver se, afinal, o mar nos une ou se o centralismo nos separa.
vitae santorum
"O Zé falava com Deus e fingia o que não podia ter.
Travava duelos matinais com o Capitalismo, o Demónio Mudo e o PC. Segundo ele, estas três raivas eram responsáveis pelo começo do fim da civilização moralmente consciente!,(e pela teimosia da Tia 'sabelinha, que tinha a paciência abominável de lhe recusar o fiado para o vinho e torresmos, em estação de matança..).
Ainda assim, o Zé resistia.
Ajustava o boné sujo de campanha de um partido de direita, fechava o casaco até à maçã e mantinha o mesmo trajecto pelas ruas, barafustando com quem lhe parecesse menos penitente.
O Patrão já lhe havia sussurrado ao ouvido que aqueles pensamentos só poderiam garantir prosperidade.
E se o Patrão dizia, então só podia ser verdade."
Travava duelos matinais com o Capitalismo, o Demónio Mudo e o PC. Segundo ele, estas três raivas eram responsáveis pelo começo do fim da civilização moralmente consciente!,(e pela teimosia da Tia 'sabelinha, que tinha a paciência abominável de lhe recusar o fiado para o vinho e torresmos, em estação de matança..).
Ainda assim, o Zé resistia.
Ajustava o boné sujo de campanha de um partido de direita, fechava o casaco até à maçã e mantinha o mesmo trajecto pelas ruas, barafustando com quem lhe parecesse menos penitente.
O Patrão já lhe havia sussurrado ao ouvido que aqueles pensamentos só poderiam garantir prosperidade.
E se o Patrão dizia, então só podia ser verdade."
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em jeito de contra
segunda-feira, julho 28, 2008
De Malcolm de Chazal
"1.Todas as cavernas tossiram neste inverno.
2. A última sensação do enforcado é que lhe arrancaram os pés.
3. A sombra é a mala do espaço.
4. A água no dique tinha gestos de hipopótamo.
5. Cada pássaro tem a cor do seu grito.
6. O ovo todo queixos.
7. Fazia calor. A chuva deixou cair as calças.
8. Os animais sorriem quando bebem.
9. O horizonte nunca dá um passo a mais.
10. A água nunca deu um buraco total.
11. O remorso Sui Cidou-se.
12. Os Burgueses não conseguiram nunca emburguesar o penico.
13. O boi julga-se mosca quando o picam.
14. Os homens crúeis são um pouco palhaços.
15. Sua mais bela desordem eram as coxas.
16. A pedra fica surda quando é batida.
17. Nos quadros cubistas a luz joga ao loto.
18. Os pássaros presas do medo quando voam têm o ar de nadar.
19. O clarim é o galo que ultrapassou seu próprio grito.
20. Rir contrariado põe o dente magro."
De Malcolm de Chazal, um texto incluído na obra: "Uma coisa em Forma de Assim" de Alexandre O´Neill..
Gosto sobretudo dos números 5, 6, 12, 18 e 20. Pela imagem, que transmitem.
Etiquetas:
literatura
sábado, julho 26, 2008
sexta-feira, julho 25, 2008
quinta-feira, julho 24, 2008
Ardemares News
«No jogo há sempre quem lastime a derrota pela ausência da sorte.
Na vida há sempre quem se queixe da falta de liberdade pela incapacidade própria de ser livre. Num ou noutro caso só a santa paciência pode ajudar. Eu cá não sou santo e a minha paciência tem limites.»
Do extinto blogue D´Arrejeite em 23 de Junho de 2006.
2 anos passados, H.Galante está de volta.
É a partir de hoje blogger no Ardemares.
Na vida há sempre quem se queixe da falta de liberdade pela incapacidade própria de ser livre. Num ou noutro caso só a santa paciência pode ajudar. Eu cá não sou santo e a minha paciência tem limites.»
Do extinto blogue D´Arrejeite em 23 de Junho de 2006.
2 anos passados, H.Galante está de volta.
É a partir de hoje blogger no Ardemares.
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