"E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando as vidas dos insectos..." Mário Quintana
segunda-feira, março 31, 2008
Arquipélago
Deixo o link para a música Arquipélago, da autoria de Antero Ávila e que foi esta noite executada pela nossa Orquestra Regional. Uma maravilha.
sábado, março 29, 2008
A matéria do desejo
"Há palavras com que procuramos navegar:
distância, sombra, lâmpada, vazio.
E às vezes abrem-se repentinos corredores,
no silêncio de uma nuvem veneranda.
E se toda a ciência é esquecimento
que por dentro torna tudo grande
e por fora rasga varandas brancas
para um horizonte que nunca foi pensado,
é porque em nós subsistem estrelas de água
que sob os arcos da noite demoraram.
E então o olhar regressa à fonte
com a força grave e limpa de estar vendo
a matéria mesma do desejo
numa colina que se espraia sobre a brisa
e não é ainda um nome e já o inicia."
António Ramos Rosa
foto tirada em São Miguel Arcanjo, ilha do Pico, Março 2008
sexta-feira, março 28, 2008
segunda-feira, março 24, 2008
Quadra
"Quem faz a casa na praça
A muito se aventurou
Se uns dizem que está baixa
Outros, que de alta passou".
domingo, março 23, 2008
Croniqueta LIII ou o Fífia tem uma certa pronúncia no andar...

A correr, ele assobia; a saltar, rufa como um tambor e a dormir, guincha.
Depois, das férias que passou em casa das primas, regressou no Sábado de Aleluia. Veio pior que o que estava e as tias andaram, mesmo, assustadas por vê-lo, durante todo o Sábado, a percorrer os cantos da casa, como fazem os cães, de nariz rente ao chão, abanando o rabo ao ritmo de uma música estranha, que as senhoras nunca tinham ouvido. A mãe diz que é normal, que são as saudades e que ele está, apenas, a reconhecer o seu espaço. Para não se zangarem com a irmã, as tias concordam. Que remédio.
Hoje, à hora do almoço, disse às tias e à mãe que tem um sonho novo; quer ser escritor de peças de teatro. Amador porque ama a arte de escrever. Também já decidiu quais as personagens principais da obra que vai adaptar: Maria Eduarda e Simão Botelho. Egas fica de fora, porque lhe lembra a Rua Sésamo e Afonso também fica, porque Zeca Afonso há só um, o da malta e mais nenhum, diz gritando.
Os outros entram todos. E, com patrocínio da Junta de Freguesia, vai escrever e publicar, em verso, uma peça que se chamará: “Amores de Perdição dos Maias no Ramalhete”, falada em mexicano com cenários a imitar o Rio de Janeiro.
Já pôs mãos à obra e, durante toda a tarde de Sábado, as tias narraram-lhe as obras, em uníssono, para a inspiração vir, já misturada. Uma loucura.
A nosso Fífia tem restado pouco mais do que a boa vontade das tias e da mãe a vê-lo desfilar e fazer de Joaninha ou de Hermengarda; de Joane e de Brízida Vaz e a aplaudi-lo. E, como as três senhoras pareceram tão entusiasmadas, nosso Fífia já decidiu outras coisas, a respeito da peça que vai escrever e publicar com o apoio da Junta de Freguesia, que será divulgada nas rádios e televisões, com entrevistas e tudo: a peça para ser mais completa e não lhe faltar mesmo nada vai chamar-se: “Amores de Perdição dos Maias passados no Ramalhete, enquanto Hermengarda e Eurico viajam na terra e são apanhados por um dragão que vivia na barca do inferno”. Para não torná-la muito impressionante para crianças e para as suas tias e mãe, talvez, se o presidente da Junta permitir, acrescente que a barca em vez de ser do inferno, é do Noddy.
A capa do livro terá, claro, a sua cara e os braços tatuados com dedicatórias aos autores portugueses. Porém, Gil Vicente terá que ficar de fora.
O Fífia não gosta de futebol.
sexta-feira, março 21, 2008
carmen
Espectaculo a partir da obra poética de Ary dos Santos, Companhia de Teatro na Educação do Baixo Alentejo.
Recomendo que escutem também:Muitos homens na prisão - Ary dos Santos.
O Navio de Espelhos - Mário Cesariny. Queixa das almas jovens censuradas - Natália Correia (cantado por José Mário Branco). Nova Nova Nova Nova /Se eu fosse... - Irene Lisboa dita por Carmen Dolores. Carreirismo - Mário Henrique Leiria, dito por Mário Viegas. Assassinei tanta gente/Lembrança do Cartola José Gomes Ferreira, ditos por Mário Viegas. Eu, etiqueta, Carlos Drummond de Andrade, dito por Paulo Autran. Soneto de Fidelidade -Vinicius de Moraes. Muriel - Ruy Belo, dito por Luís Osório. Elogio da Dialéctica - Bertolt Brecht, dito por Mário Viegas. A Jorge de Sena no chão da Califórnia e Na morte de Ruy Belo- Eugénio de Andrade, dito por Mário Viegas. Palabras para Julia - José Agustín Goytisolo. If - Rudyard Kipling, dito por Dennis Hopper. Adivinha - Martins D´Alvarez e Cântico Negro - José Régio, ditos por João Villaret.
Hoje é dia de tomar café com eles

«De vez em quando percorro esse lugar qualquer.
Bato com força às portas das casas brancas.
Não ouso perguntar se ainda habitas a cidade,
o inálteravel cárcere de singelas ruas onde,
sem Lira, não querias morar.
Com violência bato às portas cegas das casas.
Grito o teu nome até que me respondas,
companheiro breve da viagem mais longa.
Agora a nossa voz é comovida e triste.
O acento local aumenta a sua dolência.
Falamos do passado e dos erros antigos.
Falamos do presente sem novidade nem alegria.
Interrogamo-nos. Desde o amanhecer até que a noite volta.
Umas vezes a esperança e outras o desalento
disputam os nossos corações.
É por isso que não sabemos como nos deter,
até que misturando-se às nossas palavras já quase imperceptíveis
desponte uma canção de despedida:
Morte que mataste Lira
mata-me a mim que sou teu
Amigo, ai como pungem os desgostos,
a memória e o arrependimento.
Morte que mataste Lira,
agora sim que és seu que te levaram
a viajar com Lira.»
Emanuel Félix, "Santos Barros Revisitado", in Habitação das Chuvas, Angra do Heroísmo, 1997.
Dia Mundial da Poesia
«Deixá-la ir, a ave, a quem roubaram
Ninho e filhos e tudo, sem piedade. . .
Que a leve o ar sem fim da soledade
Onde as asas partidas a levaram. . .
Deixá-la ir a vela, que arrojaram
Os tufões pelo mar, na escuridade,
Quando a noite surgiu da imensidade,
Quando os ventos do Sul se levantaram. . .
Deixá-la ir, a alma lastimosa,
Que perdeu fé e paz e confiança,
À morte queda, à morte silenciosa. . .
Deixá-la ir, a nota desprendida
Dum canto extremo. . . e a última esperança. . .
E a vida. . . e o amor. . . deixá-la ir, a vida!»
As you like foi uma bela maneira de celebrar o dia mundial da poesia.
Acredite-se, ou não, nunca tinha pensado em poesia dentro de uma igreja.
O poema Despondency de Antero de Quental é um dos poemas escolhidos por Ricardo Lalanda, entre outros profundíssimos e belíssimos.
Antero de Quental é o único poeta que me consegue levar até deus.
Recomendo a visita, nesta época, dita pascal...
quinta-feira, março 20, 2008
quarta-feira, março 19, 2008
terça-feira, março 18, 2008
Miau
- À noite todos os gatos são pardos, disse o avô ao José.
Então o José exclamou:
- Quero um gato preto! Vou comprá-lo amanhã à tardinha, antes de anoitecer!
domingo, março 16, 2008
Son can you play me a memory
Ballade pour Adeline, Richard Clayderman
Tentei variadas vezes tocar esta música num pianinho que tive, que trazia instruções e que tinha as teclas numeradas. Nunca ficou grande coisa. Esta não deixa de ser, mesmo assim, uma das minhas músicas preferidas, que me lembra (e muito!) a minha infância; o piano fechado numa sala e o naperon, que o cobre, de um ano para o outro, como se fosse aquecê-lo e torná-lo vivo. Para a gente. Hoje e já ontem foram dias de me lembrar de postar com piano a acompanhar. Podia dar-me para pior ou talvez não. Certo é que, mais dia, menos dia, hei-de voltar a pegar no piano numerado e tocar: 1415 1415 3412 3412 - que eram os números de tocar o Parabéns a você ou então 1231 1231 para tocar o Frére Jacques e outras, que ainda hão-de estar no tal livrinho de instruções. Por agora e parafraseando os bloggers de serviço no :Ilhas, hoje deito-me assim com Piano Mood
sábado, março 15, 2008
Piano Man
Sing us a song, you're the piano man
Sing us a song tonight
Well, we're all in the mood for a melody
And you've got us all feelin' alright
Piano Man, 1973
Não sou lá muito afinada nem sei tocar piano. Gostava muito de saber tocar piano, mas em pequena nunca quis ir para o conservatório e o único pianista que conhecia e que me podia ter dado umas luzes vivia na ilha do Faial. Esta música, particularmente, apesar de não ser grande fã de Billy Joel, lembra-me esse pianista faialense: [Son can you play me a memory]. Por isso, hoje, enquanto estiver por aqui trabalhando, vou cantando essa muz´ka bem alto a ver se consigo apagar o barulho da chuva e os outros barulhos.
la la la, di da da
La la, di di da da dum
Bom fim de semana!



