DERRICK Z. JACKSON / BOSTON GLOBE
On prisons, blacks, HIV
By Derrick Z. Jackson August 19, 2006
Seventeen years ago, time enough for a new generation to start the next generation, Robert Fullilove tried to warn the nation about the rising impact of AIDS on black people...
...Fullilove, 62, now at Columbia University, cited a study of HIV transmission in Georgia's prisons from 1992 to 2005, published in April in the Centers for Disease Control's Morbidity and Mortality Weekly Report. The study found that the prevalence of HIV infection among inmates is nearly 5 times the rate of the general population. While black inmates make up 63 percent of the Georgia prison population, they accounted for 86 percent of inmates who were infected with HIV before entering jail...
...With 1 out of every 3 black males facing the chance of prison in their lifetimes, according to The Sentencing Project, a nonprofit group that promotes sentencing alternatives, Fullilove said that if prisons do not make changes soon, the loaded dice will explode in many more transmissions...
“Há dezassete anos, tempo bastante para a nova geração começar a próxima geração, Robert Fullilove, tentou prevenir a nação sobre o aumento do impacto da SIDA nos negros...
...Fullilove, 62, agora na Universidade da Columbia, fez referencia sobre um estudo de transmissão de HIV em prisões na Georgia de 1992 a 2005, publicado em Abril no Centers for Disease Control's Morbidity and Mortality Weekly Report. O estudo detectou que a prevalência de infecções de HIV entre pessoas em prisões é aproximadamente 5 vezes a média da população em geral. Enquanto que negros na prisão fazem cerca de 63 por cento da população prisional na Geórgia, eles compõem 86 por cento das pessoas nas prisões infectados com HIV antes da entrada na prisão…
… Com 1 em cada 3 homens negros confrontados com a possibilidade emprisionamento durante a sua vida, segundo o The Sentencing Project, uma organização sem fins lucrativos que promove sentenças alternativas, Fullilove diz que se as prisões não mudarem brevemente, o dado lançado explodirá explodirá em muitas mais transmissões...”
As percentagens referentes a dados da sociedade americana sobre questões sociais que envolvem a população negra sempre foram para mim como o comprimido da Alice no país das maravilhas que a diminuía.
"E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando as vidas dos insectos..." Mário Quintana
terça-feira, janeiro 15, 2008
Hoje fazemos anos

Na minha terra não havia avenidas. Nem aeroportos. Nem edifícios com oito andares. Havia ruas que conhecíamos pelo número de arranhões que ganhávamos nos carros de esferas (negociadas na escola em troco de outro material precioso). Havia um aeródromo que cristalizava sonhos e viagens imaginadas do como seria estar com os pés por cima dos tectos das nossas casas. Essas... a casa dos nossos pais, a casa dos avós de cima (o que supunha a correspondente dos avós de baixo), as casas dos amigos, a escola, a igreja, a venda da Tia Isabelinha (onde as gamas e as bolachas recheadas eram tão baratas..) mais os recantos das brincadeiras.
Na minha terra a noite não fazia barulho, e o mantrasto incensava-a até à madrugada. E o sono era tão doce, como o acordar prometia.
Na minha terra o tempo durava tanto. . Dava para a escola, para os trabalhos de casa, para as obrigações que a mãe estipulava, para desenhar mapas do tesouro e caçá-los até quase à noitinha, para as brigas, para as lágrimas, para as prendas, para as memórias e os contos.
Na minha terra o espaço era infinito em cima dos montes, e as ilhas em volta eram só casas de vizinhos, mais o farol da Ribeirinha (que um dia se apagou, e todos ficaram tristes..).
Hoje, os nossos pés cresceram. Pisam as mesmas ruas e lembramos, exactamente, o metro em que tropeçámos, a hora, depois da escola, em que brigámos por coisas sem importância, o dia de tempestade que incendiou os fios de electricidade.
Hoje, os nossos olhos vêem-nos, uns aos outros, maiores, transformados pelo tempo que, afinal, não dura assim tanto; os pinheiros que plantámos num dia de escola, quando tínhamos nove anos, e que agora atingem o tecto do 1º andar.
Hoje, as nossas mãos apertam-se de outra maneira. A cumplicidade dos segredos prometidos em pactos de sangue existe só para ser lembrada, porque cada um se fechou dentro da sua própria casa, depois de assumir o seu papel de adulto conforme.
Hoje, apesar do tempo, as noites continuam as mais doces, e o mantrasto perfuma os dedos dos pés dos deuses que nos vigiam, a nós, e aos vizinhos que, nas outras ilhas, acenderam luzes mais fortes.
Hoje, só nós não somos os mesmos. Porque fazemos anos.
Anos??
Sim, anos.. Hoje faz quinze anos que não havia escolas secundárias na maior parte das nossas ilhas.. que tivémos de voar, provavelmente pela primeira vez, sobre o tecto das nossas casas, sobre o tecto de casas muito maiores, rodeadas de avenidas, luzes fortes, sem noites doces e sem mantrasto. Hoje faz anos que os nossos pais e mães nos viram chegar e partir, vezes sem conta, com as mãos coladas aos vidros dos aeródromos e aeroportos açorianos, com medo de mandar os filhos para o mundo (e a sua respiração gravava neles o adeus, não vás embora.. ou o vai, porque será melhor para ti, e terás o que eu nunca tive...). Hoje também fazem anos os que não tiveram coragem de partir, ou não tiveram o dinheiro escasso para andar com os pés no céu. E os que partiram de outra forma, sem que pudéssemos dizer gosto de ti, zela por mim, onde quer que estejas.
Hoje fazem anos os que arrumaram a adolescência numa caixa de cartão, porque o tempo lhe deu outras tarefas mais importantes.
Hoje fazem anos todos os valentes que, com catorze ou quinze anos, saíram de casa para serem um pouco mais, em 1992.
Esses açorianitos, hoje homens e mulheres, fazem anos.
E ninguém fala disso.
Ninguém se lembra.
A missão das folhas
«Naquela tarde quebradaRuy Belo
contra o meu ouvido atento
eu soube que a missão das folhas
é definir o vento.»
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poesiaas2damanhã
segunda-feira, janeiro 14, 2008
sábado, janeiro 12, 2008
Preciso de algo especial
Sarkozy – Jean!
Jarbas – Sim Mi Lord?!
Sarkozy – Preciso de algo.
Jarbas – Diga Mi Lord?!
Sarkozy – Preciso de algo especial.
Jarbas – Permita-me sugerir mudar-se para um palácio estonteante…
Sarkozy – Já fiz isso Jean!!! Preciso de algo muito especial!!!
Jarbas – Poderá… talvez… livrar-se da sua mulher!?!
Sarkozy – Também já fiz isso Jean. Procuro algo verdadeiramente espectacular!!!
Jarbas – Que tal umas férias milionárias na América?!
Sarkozy – Feito!
Jarbas – Disney World?!
Sarkozy – Feito!
Jarbas – Ao esplendoroso Egipto?!
Sarkozy – Feito!
Jarbas – Que tal se forem grátis?! Oferta de um multimilionário amigo!?!
Sarkozy – Foram!
Jarbas – Mi Lord é realmente um desafio… Mas… que tal namorar uma super-model???
Sarkozy – Já cá canta, escolhida numa sondagem feita ao povo francês!
Jarbas – Isso, isso!!!! Que cante!
Sarkozy – Ela diz que sim.
Jarbas – De esquerda e vinte anos mais nova!?!
Sarkozy – E parece-o!
Jarbas – Mi Lord mata-me… Já sei!!!!!!! Mi Lord, já sei o que mais precisa!!!
Sarkozy – Diga Jean!!! Diga!!!
Jarbas – Vergonha Mi Lord, VERGONHA!!!
Jarbas – Sim Mi Lord?!
Sarkozy – Preciso de algo.
Jarbas – Diga Mi Lord?!
Sarkozy – Preciso de algo especial.
Jarbas – Permita-me sugerir mudar-se para um palácio estonteante…
Sarkozy – Já fiz isso Jean!!! Preciso de algo muito especial!!!
Jarbas – Poderá… talvez… livrar-se da sua mulher!?!
Sarkozy – Também já fiz isso Jean. Procuro algo verdadeiramente espectacular!!!
Jarbas – Que tal umas férias milionárias na América?!
Sarkozy – Feito!
Jarbas – Disney World?!
Sarkozy – Feito!
Jarbas – Ao esplendoroso Egipto?!
Sarkozy – Feito!
Jarbas – Que tal se forem grátis?! Oferta de um multimilionário amigo!?!
Sarkozy – Foram!
Jarbas – Mi Lord é realmente um desafio… Mas… que tal namorar uma super-model???
Sarkozy – Já cá canta, escolhida numa sondagem feita ao povo francês!
Jarbas – Isso, isso!!!! Que cante!
Sarkozy – Ela diz que sim.
Jarbas – De esquerda e vinte anos mais nova!?!
Sarkozy – E parece-o!
Jarbas – Mi Lord mata-me… Já sei!!!!!!! Mi Lord, já sei o que mais precisa!!!
Sarkozy – Diga Jean!!! Diga!!!
Jarbas – Vergonha Mi Lord, VERGONHA!!!
sexta-feira, janeiro 11, 2008
quinta-feira, janeiro 10, 2008
quarta-feira, janeiro 09, 2008
segunda-feira, janeiro 07, 2008
Arquipélago
Num baú, numa caixa,
No trabalho celeste das linhas que se entornam no mundo
Nas nuvens, nas ondas, nas vagas, no tempo,
Na voz, nos anos que passam, na noção enfeitada das metáforas,
Na claríssima evidência
Das circunstâncias,
Na vela soprada dos nossos anos,
No bordado branco, no escaparate,
Na mesa de escrever sem folhas,
Na caneta sem tinta,
Na redoma onde pousamos
Os olhos para não morrer de desgosto,
No sorriso do velho do algodão doce,
Nos olhos de um peixe,
No altifalante monocórdico da rua,
Na passagem aflita dos carros,
No ranger das rodas, no espinho das rosas,
Na ferida dorida da ausência,
Nos vocábulos não ditos,
Nos sussurros que não chegam,
No redemoinho das palavras tristes,
No piscar dos olhos, no elevar das sobrancelhas,
No soluço demorado
De um lábio tremido,
Na falsa verdade,
Na mentira disfarçada de pirilampo reluzente,
No cadente voo de uma estrela
Ou na passagem de um cometa,
Na haste pontiaguda de uns óculos
No alto de uma montanha,
Na boca aberta de um cão de fila,
Na lente de uma máquina fotográfica,
Numa noite de Natal sem data,
No coaxar das rãs num lago,
No mugir das vacas,
No sotaque cantado ou fechado,
No mover das ondas, nos gestos de um músico
De filarmónica,
Na cantiga embalada,
No coxear lento, muito lento do tempo
Na demora de um segundo
Estás tu.
Tu sempre. Tu.
Sempre a aparecer
Como uma possibilidade.
No lugar majestoso do espaço que ocupas,
Nos teus movimentos bruscos,
No abrir e fechar de pálpebras,
Só tu danças
Só tu consegues mover-te
Nos olhos do mar,
Como numa plateia de nove lugares
Tu és a terra
Da gente...
No trabalho celeste das linhas que se entornam no mundo
Nas nuvens, nas ondas, nas vagas, no tempo,
Na voz, nos anos que passam, na noção enfeitada das metáforas,
Na claríssima evidência
Das circunstâncias,
Na vela soprada dos nossos anos,
No bordado branco, no escaparate,
Na mesa de escrever sem folhas,
Na caneta sem tinta,
Na redoma onde pousamos
Os olhos para não morrer de desgosto,
No sorriso do velho do algodão doce,
Nos olhos de um peixe,
No altifalante monocórdico da rua,
Na passagem aflita dos carros,
No ranger das rodas, no espinho das rosas,
Na ferida dorida da ausência,
Nos vocábulos não ditos,
Nos sussurros que não chegam,
No redemoinho das palavras tristes,
No piscar dos olhos, no elevar das sobrancelhas,
No soluço demorado
De um lábio tremido,
Na falsa verdade,
Na mentira disfarçada de pirilampo reluzente,
No cadente voo de uma estrela
Ou na passagem de um cometa,
Na haste pontiaguda de uns óculos
No alto de uma montanha,
Na boca aberta de um cão de fila,
Na lente de uma máquina fotográfica,
Numa noite de Natal sem data,
No coaxar das rãs num lago,
No mugir das vacas,
No sotaque cantado ou fechado,
No mover das ondas, nos gestos de um músico
De filarmónica,
Na cantiga embalada,
No coxear lento, muito lento do tempo
Na demora de um segundo
Estás tu.
Tu sempre. Tu.
Sempre a aparecer
Como uma possibilidade.
No lugar majestoso do espaço que ocupas,
Nos teus movimentos bruscos,
No abrir e fechar de pálpebras,
Só tu danças
Só tu consegues mover-te
Nos olhos do mar,
Como numa plateia de nove lugares
Tu és a terra
Da gente...
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experiência da insónia
domingo, janeiro 06, 2008
A despedida do Artista

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«(...) Que a minha vida é um romance o dia e noite, acordado, bêbado, a dormir sonhando, eu o sei melhor que ninguém (...)"
Luíz Pacheco, Diário Remendado (1971-1975) ,Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2005, pag. 41.
Luíz Pacheco (1925-2008). Fundador da Editora Contraponto. Escritor e crítico literário. Autor de Carta-Sincera a José Gomes Ferreira, O Teodolito, Crítica de Circunstância, Carta a Fátima, Pacheco versus Cesariny, Mano Forte, Meio Século de Surreal em Portugal, entre outras obras. Entrevistas, "ditos", obras e excertos do que escreveu poderão ser encontradas aqui.
Sobre O Cachecol do Artista, (panfleto) de Luíz Pacheco.
sábado, janeiro 05, 2008
Ano Europeu do Diálogo Intercultural
Um estudo sobre o diálogo intercultural na Europa, realizado pelo Eurobarometer, em Novembro de 2007, pode ser encontrado aqui.
De acordo com esse estudo, 72% dos cidadãos europeus confirmam que pessoas com etnia, religião ou nacionalidade diferente, enriquecem a vida cultural do seu país. Um tema a debater nos próximos meses, que nos poderá levar a conceitos tão vastos como: cultura dominante, assimilação de culturas, diferenças culturais, pluralidade e diversidade, tolerância, grupos sociais, cidadania, direitos humanos, não discriminação, minorias, democracia, grupos culturais, identidade, cultura de massas, cultura de elite, cultura Popular, liberdade, multiculturalismo, entre tantos outros. Um tema ao qual voltarei (certamente) um dia destes.
Em Portugal a entidade que assumirá a coordenação nacional do programa é a ACIDI - Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, IP.
Os Açores estão representados na Comissão Nacional de Acompanhamento do “Ano Europeu do Diálogo Intercultural”, através da Direcção Regional das Comunidades.
Alguns sites interessantes sobre esta temática:
European year of cultural dialogue
Civil
Society Platform for Intercultural Dialogue
Decisão do Parlamento Europeu e do Conselho relativa ao Ano Europeu do Diálogo Intercultural (2008)
Declaração Universal sobre Diversidade Cultural(UNESCO)
quarta-feira, janeiro 02, 2008
AÇORES
"Há um intenso orgulho
Na palavra Açor
E em redor das ilhas
O mar é maior
Como num convés
Respiro ampIidão
No ar brilha a luz
Da navegação
Mas este convés
É de terra escura
É de lés a lés
Prado agricultura
É terra lavrada
Por navegadores
E os que no mar pescam
São agricultores
Por isso há nos homens
Aprumo de proa
E não sei que sonho
Em cada pessoa
As casas são brancas
Em luz de pintor
Quem pintou as barras
Afinou a cor
Aqui o antigo
Tem o limpo do novo
É o mar que traz
Do largo o renovo
E como num convés
De intensa limpeza
Há no ar um brilho
De bruma e clareza
É convés lavrado
Em plena amplidão
É o mar que traz
As ilhas na mão
Buscámos no mundo
Mar e maravilhas
Deslumbradamente
Surgiram nove ilhas
E foi na Terceira
Com o mar à proa
Que nasceu a mãe
Do poeta Pessoa
Em cujo poema
Respiro amplidão
E me cerca a luz
Da navegação
Em cujo poema
Como num convés
A limpeza extrema
Luz de lés a lés
Poema onde está
A palavra pura
De um povo cindido
Por tanta aventura
Poema onde está
A palavra extrema
Que une e reconhece
Pois só no poema
Um povo amanhece."
Sophia de M.B. Andresen
Depois de entrar com o pé direito no ano novo, nada como recordar este poema de Sophia de M.B. Andresen...
segunda-feira, dezembro 31, 2007
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