Mostrar mensagens com a etiqueta Serenamente - AO 15.09.09. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Serenamente - AO 15.09.09. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, setembro 15, 2009

Contra factos, não há argumentos

Manuela Ferreira Leite cumpriu os serviços mínimos nos Açores. Saiu de um avião, foi para um hotel e, poucas horas depois, regressou a Lisboa. Entretanto, confirmou que pretende alterar a Lei de Finanças Regionais, para compensar a Madeira.
O argumento da Presidente do PSD é que não pretende beneficiar uma região pela cor política do respectivo Governo. Lá se foi a política de verdade. Senão vejamos: É ou não verdade que os Açores estão sujeitos a uma dupla insularidade inexistente na Madeira? É ou não verdade que a Madeira é governada pelo seu companheiro Alberto João Jardim? A resposta a estas duas perguntas é óbvia: Manuela Ferreira Leite, ao rever a Lei das Finanças Regionais, está a por o PSD de João Jardim à frente da insularidade dos Açores.
Se Ferreira Leite estivesse mais tempo nos Açores, se saísse do hotel e passasse por ilhas como as Flores, Graciosa ou Corvo, talvez percebesse o significado das palavras açorianidade e insularidade. Talvez ela, que nem para Lisboa quer um aeroporto, em condições, percebesse que os Açores precisam de um aeroporto em cada uma das ilhas. Talvez percebesse, também, que os portos de todas as ilhas abastecem 240 mil pessoas e que um açoriano de Santa Maria ou de São Jorge tem o mesmo direito do que um lisboeta a um centro de saúde com as melhores condições possíveis. Talvez, ainda, percebesse que a isto se chama solidariedade nacional. Mas isso seria pedir de mais a Manuela Ferreira Leite, tendo em conta que a senhora ainda está na fase do “acho que os açorianos são portugueses”. É difícil para ela perceber isso tudo fechada numa sala de hotel.
Manuela Ferreira Leite chegou e partiu e continuou a não perceber os Açores. A Presidente do PSD/Açores não fez questão de lhe explicar. Achou melhor concordar com a sua líder nacional e “despachá-la”, rapidamente, para o Continente, para não dar muito nas vistas. É um problema de consciência que, para o PSD/Açores, se resolve com a distância entre os Açores e Lisboa.
O ditado “longe da vista longe do coração” assenta como uma luva no PSD/Açores. Não falar nela. Não se associar a ela. Não aparecer em material de campanha com ela. Fingir que ela não existe. Fazer de conta que ela não manda.
Apesar das poucas horas em solo açoriano, Manuela Ferreira Leite, mesmo assim, teve tempo para mostrar toda a sua faceta magnânima, ao dizer: “Não me vou vingar dos açorianos, que são portugueses como os outros”. É caso para se perguntar:
E a vingança seria motivada por?