No passado dia 11 de Outubro houve areia bastante na sede do partido da Rua Conselheiro Luís Bettencourt.
Houve, a avaliar pelas declarações da líder do PSD/Açores, a suficiente para que as cabeças daquele partido se enfiassem na areia, quais avestruzes, tentando omitir o óbvio, disfarçar o indisfarçável, reescrever o já escrito.
A circunstância, embora não surpreenda, há-de ter deixado boquiabertos os companheiros Rui Melo, Filomeno Gouveia, António Ventura e Sara Santos. José Maria, Rui Ramos e Francisco Álvares não terão ficado menos. Duarte Freitas não se sabe. Os outros foi o que se viu e ouviu.
Pensava-se, porém, que, enquanto líder regional do PSD, Berta Cabral aproveitasse a ocasião para saudar todos os candidatos aos diferentes órgãos autárquicos, integrando listas do partido a que preside. Mas, ao contrário das expectativas, a líder regional do PSD saudou-se a si própria, deixando de parte os vencidos, esquecendo até alguns vencedores, e isolando-se nas “boas mãos” de Ponta Delgada.
Tal circunstância, aliada à derrota do PSD nestas eleições autárquicas e nas anteriores legislativas, prova o que muitos há muito adivinham: o PSD de Berta Cabral está em fim de ciclo e já não é uma mais valia para os Açores.
Os resultados eleitorais de Domingo são a prova de que as pessoas compreenderam que a cooperação e a colaboração entre os diversos níveis de poder são importantes para se conseguir melhores resultados a favor de todos.
A esta cooperação e a esta colaboração, a presidente do PSD/A e Presidente da Câmara de Ponta Delgada fechou a porta. Já vinha, aliás, a fechá-la há muito tempo. Anunciou-o a 27 de Setembro e acabou por trancar mesmo a porta, quando deixou, do lado de fora, os seus companheiros de partido vencidos, na noite eleitoral de 11 de Outubro, e foi festejar a vitória no concelho de Ponta Delgada…
A noite eleitoral de Domingo à noite provou que não bastam a Berta Cabral boas mãos para ganhar eleições. Ou que bastando, elas não chegam para (ou a) tudo. Fez falta ter os pés assentes no chão…
Resta saber, porém, se entende que disse o que tinha a dizer ou se não queria dizer o que disse, mas a boca fugiu-lhe para a (sua) verdade ou para a verdade dos outros que lha entregaram de mão beijada.
Afinal havia outra e eles não sabiam…